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27 de setembro de 2014

O “Pai-Nosso”, meditado por São Francisco de Assis


Ó Santíssimo Pai-Nosso: Criador, Redentor, Consolador e Salvador nosso.
...
  Que estás nos céus: nos anjos e nos santos; iluminando-os para o conhecimento, porque Tu, Senhor, és luz, inflama-os para o amor, porque Tu, Senhor, és amor, neles habitando e os plenificando para a bem-aventurança, porque Tu, Senhor, és o sumo bem eterno, do qual procede todo o bem, sem o qual nenhum bem existe.

  Santificado seja o teu nome: torne-se clara em nós a tua noção para que conheçamos qual seja a largura dos teus benefícios, o comprimento das tuas promessas, a sublimidade da majestade e a profundidade dos juízos.

  Venha o teu reino: para que Tu reines em nós pela graça e nos faças chegar ao teu reino onde manifesta é a visão de Ti, perfeita a dileção, bem-aventurada a comunhão e sempiterna a fruição.

  Faça-se a tua vontade assim no céu como na terra: que te amenos de todo o coração, sempre pensando em Ti, sempre te desejando de toda a alma, de toda a mente, dirigindo a ti toda as nossas intenções, em tudo buscando a tua honra e, com todas as nossas forças, investindo todas as nossas energias e os sentidos da alma e do corpo, em obséquio do teu amor e nada mais. E que amemos os nossos próximos como a nós mesmos, atraindo quanto possível todos ao teu amor, alegrando-nos pelos bens dos outros como pelos nossos e, nos males deles nos compadecendo e a ninguém causando dano algum.

  O pão nosso de cada dia: o teu dileto Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, dá-nos hoje: na memória, inteligência e na reverência do amor que teve para conosco e daquelas coisas que por nós disse, fez e sofreu.

  E perdoa-nos as nossas dívidas: pela tua inefável misericórdia, pela virtude da Paixão do teu dileto Filho e pelos méritos e pela intercessão da beatíssima Virgem e de todos os teus eleitos.

  Assim como nós perdoamos aos nossos devedores: e o que nós não perdoamos plenamente, faz-nos Tu, Senhor, perdoar plenamente para que, por tua causa, amemos de verdade os inimigos e por eles intercedamos devotamente junto de ti, não retribuindo nenhum mal e nos empenhemos para, em tudo, frutificar em ti.

  E não nos deixeis cair em tentação: oculta ou manifesta, repentina ou importuna.

  Mas livrar-nos do mal: passado, presente e futuro.

Créditos: Flavia Mendoza - facebook


19 de setembro de 2014

Como Iniciar uma Vida de Oração - Parte 1

Uma das maiores dificuldades de quem se faz o propósito de iniciar uma vida de oração é a perseverança. Começar não é fácil, e persistir na decisão mais ainda. Todas as decisões na vida necessitam de disciplina, caso contrário as mesmas estão condenadas ao fracasso. Na vida de oração não é diferente. A mesma requer: disciplina, perseverança e fidelidade.

O primeiro passo é adquirirmos a consciência da importância da oração em nossa vida espiritual. Sem uma vida orante, nossa alma desfalece. E quando isto ocorre nos perdemos em primeiro lugar de nós mesmos. Em segundo lugar nos perdemos de nossos irmãos e irmãs. E em terceiro lugar nos perdemos de Deus.

Deus permanece fiel ao nosso lado. Nós, contudo, nos afastamos dele e de sua presença. E uma vez afastados peregrinamos sem rumo. Não sabemos para onde caminhamos e nem qual a direção correta para os nosso passos. Uma vida de oração fecunda nos devolve ao porto seguro de nossa caminhada espiritual: o próprio Deus.

Adquirida esta consciência da importância da oração na vida espiritual seguimos para o segundo passo: a decisão de orarmos. Este passo é também difícil. No início irão surgir mil e uma coisas mais importantes a serem feitas. A decisão requer coragem para avaliar quais são as verdadeiras prioridades para nosso bem estar espiritual. Muitas demandas da vida diária que antes não eram tão importantes surgiram como necessitadas de prioridades urgentes para o momento presente. Diante destes conflitos humano-espirituais será preciso parar, olhar com calma a realidade presente e decidir o que é mais importante para a alma naquele momento.

Powered By BRApp×Uma vez decididos em dedicar um momento do dia á vida de oração seguimos para o próximo passo: a escolha do tempo de oração. Para quem nunca cultivou uma vida de oração será preciso prudência e discernimento. No momento do impulso poderão surgir decisões precipitadas. Muitos começam sua vida de oração com um hora diária, e depois de 5 dias estão desesperados e não conseguem ficar nem mais um minuto em oração. É preciso equilíbrio quando o assunto é tempo. Não adianta começar uma rotina de oração com uma hora se ainda não está acostumado a rezar nem vinte e cinco minutos sozinho. Um bom tempo para se reservar neste primeiro momento é vinte minutos diários de oração. Antes vinte minutos bem rezados que uma hora de eterno desespero.

Comece com vinte minutos diários, e com o tempo, se sentir necessidade aumente gradativamente este período. No entanto, este processo tem que ser realizado com muita calma e tranquilidade, respeitando seu ritmo interior e seu progresso espiritual.

No próximo artigo continuamos com as dicas!

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do Evangelizando. (+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Vigário na Senhora do Carmo (Cambuí - MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Católica de Pouso Alegre. Site: http://www.padreflaviosobreiro.com

7 de junho de 2014

Vem ó Espírito Santo





























Pentecostes, um novo sopro do Espírito Santo em nossa alma, em nossa vida. Neste Domingo de Pentecostes abramos o nosso pequeno e necessitado coração para o agir do Espírito Santo de Deus. Diz São João Maria Vianney sobre o Espírito Santo: “O homem nada é por si mesmo, mas é muito com o Espírito Santo.”. 

Deixai-vos guiar pelo Santo Espírito do Senhor, deixai que ele através de vós faça os propósitos de Deus; habitando e gerando frutos em teu coração. Deixai-vos batizar pelo Espírito do Senhor que vem sobre nós. São João XXIII dizia algo sobre ajudar o Espírito Santo: “Não é o Espírito Santo que me ajuda, sou eu que ajudo o Espírito Santo, porque ele já faz tudo.” Nada pode o Espírito Santo fazer em nós, se antes não deixarmos que ela aja, se antes eu não abrir o coração.

O Espírito Santo é aquele que brota em nosso coração o desejo e o anseio pela santidade, de está unido ao Senhor, ele mesmo que nos santifica, e nos faz desapega-se das coisas terrenas e desejar o céu. São João Maria Vianney, o Cura d’Ars perguntava: “Por que é que os santos eram tão desapegados da terra? Ele respondeu: Porque se deixavam conduzir pelo Espírito Santo.”

“Foi por isso que a Santíssima Virgem nunca pecou. O Espírito Santo fazia-lhe compreender a fealdade do mal. Ela fremia de susto à menor falta.” Diz São Cura d’Ars. Uma alma que tem a presença do Espírito Santo tem-se gosto por escutar a Palavra de Deus, buscar os sacramentos, ser intimo do Senhor; deseja o céu, faz somente a vontade de Deus, tem nojo do pecado e busca de todas as formas não mais pecar. 

Ser santo é ser guiado pelo Espírito Santo. Os santos eram colaboradores deste Espírito, este mesmo Espírito do Senhor nos abri os olhos e guia o nosso coração à superar as dificuldades e tentações. É o santo Espírito do Senhor que nos abri aos dons, que nos faz dá frutos e rege a nossa vida. 

Cura d’Ars ainda nos diz: “O Espírito Santo é como um homem que tivesse um carro com um bom cavalo, e que nos quisesse levar à capital. Teríamos só que dizer sim e pular dentro... É realmente um belo negócio dizer sim!... Pois bem! O Espírito Santo quer levar-nos para o céu; temos só que dizer sim e deixarmo-nos conduzir.” 

Santo Agostinho ainda nos fala em um de seus sermões do Espírito Santo quando veio sobre os discípulos: “Aquele vento purificava os corações da palha carnal; aquele fogo consumia o feno da antiga concupiscência; aquelas línguas em que falavam os que estavam plenos do Espírito Santo prefiguravam a futura Igreja, mediante as línguas de todos os povos.” Deixemo-nos assim, que o Espírito Santo aja em nós e purifique o nosso coração. 


Referências:
 Sermões de São João Maria Vianney
 Sermões de Santo Agostinho, 271, Lecionário Patrístico Dominical

Iury Nascimento
Seminarista da Arquidiocese de Fortaleza e criador do Blog Evangelizando

9 de fevereiro de 2014

O VENENO DA INVEJA

O VENENO DA INVEJA
"Há poucos homens capazes de prestar homenagem ao sucesso de um amigo, sem qualquer inveja."

(Ésquilo)

Não posso garantir que a frase acima é do autor em questão. Mas uma coisa sei, ela carrega consigo uma verdade. Muitos se alegram com as dores do outro. Contraditório? Não. Quando alguém não consegue uma vitória que havia buscado, há uma solidariedade por vezes camuflada. Nem todos se alegram, mas é verdade também que nem todos se compadecem. É mais fácil ser solidário na dor que alegrar-se com as conquistas dos amigos. Ver a felicidade alheia causa sintomas que roubam a paz que falta no olhar de quem vem o sorriso da vitória.

Um sorriso que não nasce dos nossos próprios lábios sempre é mais difícil de ser digerido. Bom mesmo é sorrir com nossas conquistas e ver o olhar do outro querendo consumir em prestações a nossa felicidade. Triste realidade de quem vive na dependência do consumismo alheio. Mais triste ainda é ver a inveja destruir amizades.

Há diamantes querendo ser topázios, no entanto não compreenderam que o rubi nunca será uma esmeralda. Cada um é um no projeto singular da existência humana. Se Deus nos fez diamantes ele irá ao longo da vida nos lapidar para que sejamos um diamante mais bonito, mas nunca deixaremos de ser um diamante e nos tornaremos um topázio. É preciso aceitar as nossas belezas e deixar que o outro seja tão belo quanto ele foi criado. Este processo leva tempo e requer maturidade e confiança na graça de Deus que nos fez únicos para sermos luz no mundo.

A inveja talvez tenha sua raiz na incapacidade que uma pessoa carrega em si de fazer a diferença a partir de suas próprias capacidades. Quando o jardim do outro parece mais bonito do que o nosso próprio jardim, deixamos o cuidado do nosso tempo ao descuido e passamos a vida a contemplar as flores que não nos pertencem e deixamos as nossas morrerem secas pela inveja que não nos permite cuidar de nossa própria vida.

A inveja deixa sim os olhos grandes: de incapacidades que poderiam ter se transformado em lindos jardins. Não é o elogio que faz o outro feliz, mas sim a capacidade que temos de cuidar de nossas próprias vidas e deixar que o outro seguir seus próprios caminhos. Quem se preocupa demais com a vida alheia é porque já não tem mais tempo de cuidar de suas próprias demandas existências. Transformou sua vida no mito de narciso, mas ao invés de contemplar sua própria face enxerga sempre no lago de seus pensamentos o rosto da felicidade alheia. Perdeu seus olhos em um mundo que nunca será seu. O tempo que se usa vigiando a vida do outro seria muito mais bem aproveitado cuidando de suas próprias fragilidades humanas.

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://www.padreflaviosobreiro.com


6 de fevereiro de 2014

Estudo espiritual do tempo quaresmal - Parte 1

Estudo espiritual do tempo quaresmal - Parte 1
O tempo litúrgico da Quaresma como o conhecemos hoje sofreu uma evolução ao longo da história da Igreja. Nesta série de artigos, procuraremos trabalhar a riqueza da  teologia e espiritualidade deste tempo.

Nosso estudo tem como fonte a carta circular: Paschalis Sollemnitatis - A Preparação e Celebração das Festas Pascais (Congregação para o Culto Divino - 16 de janeiro de 1988).

O caminho penitencial do tempo quaresmal é um tempo de graça. A Quaresma tem dupla característica: preparar os catecúmenos que serão admitidos aos sacramentos da iniciação cristã; e os fiéis por meio da escuta frequente da Palavra de Deus e de uma oração mais intensa, são preparados coma Penitência para renovar as promessas do Batismo (6).

A vigília pascal é considerada o tempo mais propicio para celebrar os sacramentos da iniciação cristã. As comunidades eclesiais que não possuem catecúmenos são convidadas a orar por aqueles que em outras comunidades receberão os sacramentos da iniciação cristã (7-8).

Os domingos da Quaresma tem sempre a precedência também nas festas do Senhor e em todas as solenidades. As solenidades que coincidem com os domingos da Quaresma, são antecipadas para o sábado (11).

O conteúdo das homilias de domingo deve instruir catequeticamente os fiéis sobre o mistério pascal e sobre os sacramentos, com explicação mais cuidadosa dos textos do Lecionário, sobretudo as perícopes do Evangelho, que ilustram os vários aspectos do Batismo e dos outros sacramentos e também a misericórdia de Deus (12).

Os fiéis são convidados a participarem com frequência das missas feriais e, quando não for possível, sejam convidadas a ler pelo menos os textos das leituras correspondentes, em família ou em particular (13).

Os pastores estejam mais disponíveis para o ministério da Reconciliação e, ampliando os horários para a confissão individual, facilitem o acesso a este sacramento (15).

Na Quaresma não se colocam flores no altar e o som dos instrumentos é permitido só para sustentar o canto, no respeito a índole penitencial deste tempo.  Omite-se o Aleluia em todas as celebrações, desde o início da Quaresma até a Vigília pascal, também nas solenidades e festas. Os cantos sejam escolhidos de acordo com o tempo quaresmal e correspondam o mais possível aos textos litúrgicos (16-19).

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://blog-lumenchristi.blogspot.com.br/

* Os números entre parênteses correspondem as citações retiradas da carta circular: Paschalis Sollemnitatis - A Preparação e Celebração das Festas Pascais

29 de janeiro de 2014

Rute e Noemi – Um itinerário espiritual do cuidado com os idosos

Rute e Noemi - Um itinerário espiritual do cuidado com os idosos
Conta-se que em Israel houve uma grande fome, por isso Elimeleque (que residia em Belém, cidade da região de Judá), sua esposa Noemi e seus dois filhos Malon e Quiliom mudaram-se para um país chamado Moabe. Passado algum tempo o esposo de Noemi morreu e ela ficou somente com seus dois filhos. Estes depois de algum tempo se casaram e o nome de suas esposas eram: Orfa e Rute. Após dez anos morando Malon e Quilion também morreram. Noemi ficou só, sem os filhos e sem o marido. Com o tempo Noemi soube que Deus tinha ajudado o seu povo, dando-lhes boas colheitas e decidiu voltar  para Judá. Noemi disse as suas noras que as mesmas deveriam voltar para suas casas e ficarem com suas mães. Orfa e Rute disseram que não. Mas ao final Orfa voltou e Rute decidiu continuar ao lado de Noemi.

Esta história se encontra no pequeno  livro bíblico de Rute. Noemi fica sob os cuidados de Rute que não abandona-a em momento algum. Rute casa-se novamente e Noemi continua junto de sua amada nora Rute.
O livro de Rute ensina-nos o cuidado que falta hoje em dia com muitas pessoas idosas. Vivemos em uma sociedade que busca descartar aqueles que nada mais podem produzir. É a sociedade de consumo que exclui a dignidade e o respeito da vida de muitos irmãos e irmãs nossos. Esta realidade é frequente principalmente em muitos lares, onde pessoas idosas tem de conviver com a falta de respeito, carinho e atenção de seus familiares.

A síndrome da eterna juventude tem se infiltrado em muitos corações. O tempo passa para todos e a juventude só será eterna no coração. As plásticas podem esconder as rugas do tempo impressas no rosto, mas não podem impedir os anos de passarem.

Muitos idosos sofrem em silêncio o descaso de seus familiares. Vivem isolados porque não mais encontram um espaço para partilharem a vida. Falta a paciência e compreensão dos mais novos que no futuro também serão idosos. Como é triste encontrarmos pais e mães que perambulam pela vida com o sentimento de terem sido descartados e estarem atrapalhando a vida dos mais novos. É preciso urgentemente uma mudança de consciência das gerações mais novas. É preciso reavaliarmos o valor daqueles que já contribuíram com a criação dos filhos e netos e hoje merecem nosso cuidado, carinho e atenção.

É inadmissível que os idosos sejam tratados como objetos descartáveis por filhos, netos e demais familiares. O que somos hoje se deve ao trabalho e carinho destes nossos irmãos que hoje desejam apenas cultivarem o sentimento de serem amados por seus familiares e entes queridos. Não há desculpa para quem maltrata uma pessoa idosa. Os vizinhos podem não saber como os idoso de uma determinada família são muitas vezes maltratados, mas a vida é uma escola, e quem não aprende por bem terá que um dia se deparar com as consequências das escolhas que um dia fez na vida.

O sentimento de culpa é pessoal, e quem um dia maltratou seu pai ou sua mãe, seu avô ou sua avô terá que conviver com o peso deste sentimento até o último dia de sua vida.

Queridos irmãos e irmãs que convivem com o desprezo de seus familiares, continuem firmes na fé, não percam a esperança em meio aos sofrimentos. Deus vê suas dores e recolhe suas lágrimas. Eu rezo por vocês.

Rute é modelo para todos nós. Ao cuidar de Noemi e não abandona-la ela nos ensina que o bem que fazemos ao próximo a nós é devolvido cem vezes mais. Que no exemplo de Rute acolhamos as Noemis de nosso tempo.

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://www.padreflaviosobreiro.com

16 de agosto de 2013

A Eucaristia deve ser o meu, o seu, o nosso alimento espiritual de todos os dias!

A Eucaristia deve ser o meu, o seu, o nosso alimento espiritual de todos os dias!
Blog Evangelizando

A Eucaristia deve ser o meu, o seu, o nosso alimento espiritual de todos os dias!

Eucaristia Corpo e Sangue de Cristo, o alimento que sustenta o espirito do ser humano, que o deixa em pé, podemos dizer assim, que o faz também mais forte contra as ações do maligno, "destrói a tentação" como já diz os santos, onde eu também confirmo plenamente, a Eucaristia é Cristo, que se oferece a nós.

Irmãos, somos fracos e sem a eucaristia não temos vida, podemos viver com o alimento que sustenta o corpo físico, mas o espirito também precisa se alimentar, precisa viver e está vivo, por isso, precisamos nos alimentar todos os dias da Sagrada Eucaristia, pois o espirito necessita diariamente desse alimento.

A Eucaristia também faz uma enorme mudança em nós, principalmente naqueles que buscam profundamente a santidade, pois a eucaristia é o Santo dos Santos que se apresenta em nossa frente, Jesus Cristo e com ele dentro de nós, deixando que ele se manifeste, podemos alcançar a bela santidade, que ele tanto quer que nós à alcancemos.

Jesus disse: "Eu sou o pão vivo, que desceu do céu. Quem come deste pão viverá para sempre", <esse viverá para sempre> Jesus está falando do nosso espirito, pois o corpo físico morrerá, mas o espirito deverá ficar vivo, assim subir ao céu, para glória celeste, após o julgamento de nossas faltas.

Irmãos, outra coisa importante para quem comunga diariamente ou até mesmo somente nos domingos, não se pode cair na rotina da comunhão diária ou comunhão dominical, ou seja, comungar da mesma forma do dia ou do domingo anterior, não, isso não, devemos a cada dia, a cada domingo, comungar com um desejo maior por este alimento, em forma sempre mais piedosa, sempre em estado de oração, pois é o próprio Jesus que está na Eucaristia.


Que Maria, aquela que primeiro comungou, nos ensine a buscar sempre mais desejosos a Eucaristia, nos ensine a receber Jesus na Hóstia Santa, que ela sempre nos leve para junto de seu filho Jesus. Amém.

Iury Albino - Coordenador Geral do Blog Evangelizando

3 de maio de 2013

Em Busca de Deus

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O desafio de atravessar os desertos espirituais na vida de oração

Há momentos na vida em que tudo está perfeitamente bom. Outros momentos apresentam-se nebulosos. Quando menos esperamos as tempestades chegam. O forte parece arrancar-nos da segurança que antes havíamos experimentado. Mas basta uma linda manhã com céu azul para percebermos que a tempestade se foi, e deixou atrás de si um grande trabalho de reconstrução.

Nossa vida espiritual passa por este mesmo processo. Há momentos em que conseguimos fazer uma linda experiência do amor de Deus. Oramos e sentimos a presença de Deus ao nosso lado em muitos momentos de nossa caminhada espiritual. Contudo, há momentos em nossa vida de oração que Deus parece estar longe de nossa presença.

No campo da espiritualidade chamamos estes momentos de “Deserto Espiritual”. Caminhamos sob o sol escaldante da incerteza e buscamos um Oásis que nos sacie com a Água da Vida, e assim nos devolva a certeza que antes havíamos perdido.

Nossa vida espiritual e de oração não são momentos estáveis. Ao contrário, são instáveis. Poderíamos compará-las a um gráfico com altos e baixos. Há momentos em que tudo está perfeito e sentimos Deus com todo o nosso ser. Em outras ocasiões não conseguimos perceber Deus ao nosso lado.
Quando muitas pessoas entram no processo de enfrentarem na vida de fé um Deserto Espiritual, se desesperam. Não conseguem compreender que a vida de oração é um caminhar constante. Somos eternos peregrinos em busca de Deus.

Olhando sob outra perspectiva, os Desertos Espirituais são importantes para nossa vida de oração. Se os nossos momentos de oração fossem estáveis, correríamos o risco de nos acostumarmos e entrarmos no comodismo espiritual; e então a monotonia tomaria conta do nosso ser. Mas quando surge na vida um Deserto Espiritual tomamos consciência de que as dificuldades na vida de oração são necessárias para o nosso crescimento humano e espiritual. E assim somos obrigados a nos desinstalarmos e sairmos em peregrinação em busca d’Aquele que pode saciar todas as nossas mais profundas sedes.

Quem enfrenta na vida um Deserto Espiritual terá que caminhar em busca do oásis onde se encontra o próprio Deus. E encontrando Deus redescobriremos a alegria do encontro. No entanto, há muitas pessoas que desanimam na travessia dos desertos espirituais da vida e estacionam no meio da caminhada. Uma vez estacionadas perdem o ânimo e não conseguem chegar a Fonte da Vida. Perdem-se em si mesmas e em seus próprios medos.

Na vida de oração não fazemos a experiência de Deus somente nos momentos bons, mas Deus se mostra presente mesmo quando não sentimos sua presença conosco. Na travessia do deserto na vida de oração é o próprio Deus que caminha ao nosso lado, segurando em nossa mão e dizendo ao nosso coração: “Não tenha medo, pois eu estou com você. Não precisa olhar com desconfiança, pois eu sou o seu Deus. Eu fortaleço você, eu o ajudo e o sustento com minha direita vitoriosa” (Is 41,10).

Padre Flávio Sobreiro
Colaborador do Blog Evangelizando.
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre.


25 de abril de 2013

Nascer do Alto

Nascer do Alto
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O nascimento é um momento marcante. No mundo vamos descobrindo-nos como pessoas plenas de possibilidades. Algumas surgem naturalmente no decorrer da vida, outras após serem trabalhadas se associam ao que somos. Contudo, em nosso processo de crescimento interior carregamos conosco uma natureza frágil e pecadora.  Com o passar do tempo fazemos a descoberta de nossas limitações humanas e espirituais. Estas limitações quando não trabalhadas podem dar lugar a uma vida extremamente complexa onde o pecado nos arranca de nós mesmos e dos braços de Deus.

O tempo litúrgico da Páscoa é propício para vivermos na vida um tempo novo, onde os erros deem lugar as possibilidades adormecidas na alma. Recomeçar nem sempre é fácil. Exige muita força de vontade e uma capacidade interna de superação. Para nós cristãos, a mudança interior não acontece somente a partir de nossas próprias forças interiores, mas conta com o auxilio do Espírito Santo. Ele guia nossa alma através dos bons caminhos e faz de cada dia um tempo novo de ressurreição:

“Vós deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3,7b-8).

Um novo nascimento nos faz pessoas renovadas no amor em Cristo. É uma vivência nova a partir da experiência da fé na ressurreição que invade nosso coração e nos capacita a sermos testemunhas do Ressuscitado.

Nasce do Alto quem olha para o passado e nele faz um firme propósito de construir o presente a partir dos aprendizados de outrora. Nasce do Alto quem deixa o amor e a esperança ocuparem o lugar antes concedido ao egoísmo e falta de fé.

A fé na ressurreição marca definitivamente a história de toda pessoa que se deixa inundar pelo Espírito Santo. Não há como nascer se não houver fecundação. E a experiência pascal de nossa caminhada cristã é fecundada pela ressurreição de Cristo que nos faz seres humanos novos para um tempo novo.

Nasce do Alto e do Espírito quem faz no amor de Cristo a experiência de se deixar amar verdadeiramente por um Deus que a cada dia nos dá a alegre notícia: A vida vence a morte em cada gesto de amor!

Colaborador do Blog
Padre Flávio Sobreiro
Colaborador do Blog Evangelizando.
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre.

18 de abril de 2013

Padre Flávio Sobreiro: Ser Cristo no mundo

Padre Flávio Sobreiro: Ser Cristo no mundo
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Nossa vida é marcada por presenças. Presenças visíveis e próximas como a de uma mãe que brinca com seu filho, como a partilha dos sentimentos com o melhor amigo. Presenças invisíveis como a de duas pessoas que se amam e se encontram apesar das longas distâncias. Há ainda presenças que nos proporcionam paz, segurança, serenidade, esperança… Porém, há também presenças tempestuosas que nos causam medo, insegurança, ameaça…

No plano da vivência humana profunda, o ser humano faz a experiência singular de uma presença misteriosa, mas real, que atinge o centro de seu ser. Uma presença que não cessa de chamar o homem à felicidade plena.

A presença de Deus em nosso meio assumiu a forma visível. Fez-se homem: imagem visível do Deus invisível. A Eucaristia é memória-presente de Cristo em nós.

Na Igreja Católica, a Eucaristia é um dos sete sacramentos. Para nós, cristãos católicos, a Eucaristia não é apenas um “símbolo”, mas sim, a presença “real” de Cristo no pão e no vinho consagrados.

Comungar o Corpo e Sangue de Cristo é comprometer-se com a construção de um mundo melhor. É nos tornarmos outro Cristo no mundo. É sermos sinal de esperança, de paz, de gratuidade, de amor, de fé, em um mundo tão carente destes valores preciosos e essências para a humanidade.

Eucaristia também é sinal de unidade. Unimos-nos a Cristo espiritualmente para sermos sinais de unidade na vida. Como estarmos unidos a Cristo e não sermos sinais de unidade com quem convive conosco? Como estarmos unidos a Cristo e sermos sinais de desunião na família, no trabalho, na comunidade cristã, em nosso grupo de oração? Como?

É necessário olharmos além do que se pode ver com os olhos humanos. A Eucaristia abre nosso olhar para enxergarmos a vida e nossos relacionamentos com os olhos da fé.

A Lumem Gentiun dirá que a comunhão do corpo e do sangue de Cristo faz com que nos transformemos naquilo que recebemos. Comungar o Cristo para ser outro Cristo no mundo. Ser sinal daquele que nos sustenta nas adversidades da vida. São Tomás de Aquino escreveu: “O efeito característico da Eucaristia é a transformação do homem em Deus”. Sermos divinos em nossa humanidade. Levarmos o Sagrado que em nós habita onde formos. Irradiar a Luz que habita em nosso coração. Sermos a sinal de esperança que nasce da nossa Esperança maior.

Eucaristia é partilha. Todas as vezes que comungamos o Cristo estamos nos comprometendo com um mundo mais cristão. A partilha começa na mesa. E em nosso caso, a partilha começa de um modo particular na Mesa da Eucaristia. Se Eucaristia é partilha somos chamados a fazermos o diferencial no mundo. O nome Cristão na sua essência é aquele que segue a Cristo. Uma vez que recebemos Cristo na Eucaristia, nos tornamos portadores de seus ensinamentos.  E a melhor maneira de demonstrarmos os frutos da Eucaristia em nossa vida é com o nosso testemunho de vida.

Uma vida doada, que busca a unidade na diversidade dos dons e carismas, que se aproxima dos excluídos e lhes devolve a dignidade de filhos de Deus são passos importantes para quem deseja semear horizontes de uma vida transformada por Cristo.

Ser Cristo no mundo hoje é deixar-se transformar por aquele que habita nosso ser em cada Eucaristia.

Padre Flávio Sobreiro
Colaborador do Blog Evangelizando.
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre.

13 de abril de 2013

Dom Henrique Soares: A Liturgia neste Santo Tempo Pascal

Dom Henrique Soares: A Liturgia neste Santo Tempo Pascal
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Liturgia, neste santo tempo pascal, concentra nossa atenção Naquele que por nós morreu e ressuscitou; na glória que Ele agora possui, como Senhor do céu e da terra: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor. Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre!”

É realmente impressionante: Aquele que agora aparece glorioso é o Imolado, o que foi oferecido em sacrifício por nós como inocente e manso Cordeiro! Ele é grande porque Se deixou imolar, Ele é digno de todo o nosso amor e de toda a nossa confiança porque foi aniquilado por nós, humilhado em dores! Agora Ele é o Senhor glorioso...

Estejamos atentos, porém: afirmar a glória de Cristo, não é algo de folclórico ou triunfalístico, mas é uma proclamação convicta e clara do seu senhorio sobre nós, sobre nossa pobre vida, sobre a vida da Igreja, sobre o mundo e sobre toda a história. A Igreja e cada cristão vivem desta certeza: Jesus ressuscitou dos mortos, é o Vivente, é o Senhor; nós existimos nele e para ele; ele é o referencial último absoluto de nossa existência!

Visite o Site: http://www.domhenrique.com.br/index.php

Livro: Sobre o Céu e a Terra (Pré-venda) - Autor Cardeal Bergoglio (Papa Francisco)

Livro: Sobre o Céu e a Terra (Pré-venda) - Autor Cardeal Bergoglio (Papa Francisco)
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Olá amigos, novamente apresentamos aqui mais um livro, do Papa Francisco pela Editora Ecclesiae.


Descrição: O que o papa Francisco pensa intimamente sobre temas espirituais como Deus, a fé, a religião, a oração, a culpa e a morte? E o que ele pensa sobre as questões de grande relevância para a humanidade como a política, a pobreza, a preservação ambiental, a liderança, a educação e a ciência? E quais são suas reflexões mais profundas sobre assuntos polêmicos como o aborto, a eutanásia e o casamento de duas pessoas do mesmo sexo?

São diálogos entre dois homens simples e eruditos, estudiosos do catolicismo e do judaísmo, que acreditam que as igrejas precisam "sujar os pés" para ajudar quem precisa de ajuda.

O papa Francisco, cardeal Jorge Mario Bergoglio, e o rabino Abraham Skorka, reitor do Seminário Rabínico Latino-americano, por coincidência dois químicos de formação, encontravam-se na sede do Episcopado e na comunidade judaica Benei Tikva, na Argentina. Para um dos mais importantes jornalistas brasileiros, Elio Gaspari, da Folha de S.Paulo e de O Globo, este livro é uma obra "inteligentíssima" e quem desfrutá-lo "viverá umas boas duas horas". "A obra-prima de Deus é o homem." - Papa Francisco.

Visite o Site para saber mais:
http://www.ecclesiae.com.br/Biografias-e-Testemunhos/Sobre-o-C%C3%A9u-e-a-Terra/flypage.tpl.html?keyword=bergoglio

29 de março de 2013

O Caminho da Via-sacra

O Caminho da Via-sacra
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Via-Sacra, momento de profunda espiritualidade e reflexão, onde meditamos as estações dos últimos passos de Jesus na terra, este caminho até o calvário, onde Jesus será crucificado pelas mesmas pessoas com os recebeu em Jerusalém.

Jesus Cristo, um jovem pregador que tinha tanto amor, morreu crucificado por nos ensinar a verdade, levando em morte de cruz o maior fardo que se pode carregar: Os pecados de toda a humanidade.

Maria vossa Santa Mãe, por eleição de Deus nosso Pai, concedeu a Virgem Maria ser nossa Mãe, ela que chorou aos pés da cruz por nós seus filhos, assim como Maria neste tempo profundo da Igreja Católica, possamos também meditar e contemplar a face de Cristo que pela cruz nos libertou da escravidão do pecado.

Diante de todo o peso da cruz, por causa de nossos pecados, Jesus não desistiu, pois queria nos revelar o seu Grandioso Amor, a sua misericórdia, a sua compaixão para conosco, quis nos revelar o quanto Deus nos ama.

O Caminho da Via-sacra, onde podemos perceber e também sentir juntos: A dor, o sofrimento, a angustia, o choro, o peso, mais diante de tudo isso podemos também perceber e sentir juntos algo que supera tudo isso: O Amor de Deus que salva, então lhe convido hoje a sentir com o coração a grandeza do Amor de Deus por você.

Tenha uma ótima meditação e reflexão daquilo que Jesus passou por você e por toda a humanidade e depois desta meditação e reflexão dos últimos passou de Jesus, responda em seu coração a estás sinceras perguntas: Qual é o caminho que estou percorrendo? Será que é o mesmo de caminho de Jesus? Qual é a minha Via-sacra?

Iury Albino - Administrador do blog Evangelizando

27 de março de 2013

QUARTA-FEIRA SANTA: JUDAS ATRAIÇOA JESUS

QUARTA-FEIRA SANTA: JUDAS ATRAIÇOA JESUS
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Na Quarta-feira Santa recordamos a triste história de Judas que foi Apóstolo de Cristo. Assim o relata São Mateus no seu Evangelho: Um dos doze, que se chamava Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes: "Que me quereis dar e eu vo-Lo entregarei?". Eles prometeram dar-lhe trinta moedas de prata. E desde então, buscava oportunidade para O entregar.

Porque recorda a Igreja este acontecimento? Para que nos demos conta de que todos podemos comportar-nos como Judas. Para que peçamos ao Senhor que, da nossa parte, não haja traições, nem afastamentos, nem abandonos. Não somente pelas consequências negativas que isto poderia trazer às nossas vidas pessoais, que já seria muito, mas porque poderíamos arrastar outros, que necessitam da ajuda do nosso bom exemplo, do nosso alento, da nossa amizade.

Nalguns locais da América, as imagens de Cristo crucificado mostram uma chaga profunda na face esquerda do Senhor. E dizem que essa chaga representa o beijo de Judas. Tão grande é a dor que os nossos pecados causam a Jesus! Digamos-Lhe que desejamos ser-Lhe fiéis; que não queremos vendê-Lo — como Judas — por trinta moedas, por uma ninharia, que é isso que são todos os pecados: a soberba, a inveja, a impureza, o ódio, o ressentimento... Quando uma tentação ameace arrojar-nos pelo chão, pensemos que não compensa trocar a felicidade dos filhos de Deus, que é o que somos, por um prazer que acaba logo a seguir e deixa o sabor amargo da derrota e da infidelidade.

Temos que sentir o peso da Igreja e de toda a humanidade. Não é formidável saber que qualquer de nós pode ter influência no mundo inteiro? No lugar onde estamos, realizando bem o nosso trabalho, cuidando da família, servindo os amigos, podemos ajudar na felicidade de tantas pessoas. Como escreve São Josemaria Escrivá, com o cumprimento dos nossos deveres cristãos, temos que ser como a pedra caída no lago. — Produz, com o teu exemplo e com a tua palavra, um primeiro círculo... e depois outro, e outro... e outro, e outro. .. Até chegar aos lugares mais remotos.

Vamos pedir ao Senhor que não O atraiçoemos mais; que saibamos recusar, com a Sua graça, as tentações que o demónio nos apresenta, enganando-nos. Temos que dizer que não, decididamente, a tudo o que nos afaste de Deus. Assim não se repetirá na nossa vida a desgraçada história de Judas.

E se nos sentimos débeis, corramos ao Santo Sacramento da Penitência! Ali espera-nos o Senhor, como o pai da parábola do filho pródigo, para nos dar um abraço e nos oferecer a Sua amizade. Sai continuamente ao nosso encontro, ainda que tenhamos caído baixo, muito baixo. É sempre tempo de regressar a Deus! Não reajamos com desânimo, nem com pessimismo. Não pensemos: que vou eu fazer, se sou um cúmulo de misérias? Maior é a misericórdia de Deus! Que vou eu fazer, se caio uma e outra vez pela minha debilidade? Maior é o poder de Deus, para nos levantar das nossas quedas!

Grandes foram os pecados de Judas e de Pedro. Os dois atraiçoaram o Mestre; um entregando-O nas mãos dos perseguidores, outro renegando-O três vezes. E, no entanto, que diferente reacção teve cada um deles! Para os dois guardava o Senhor torrentes de misericórdia.

Pedro arrependeu-se, chorou o seu pecado, pediu perdão e foi confirmado por Cristo na fé e no amor; com o tempo, chegaria a dar a vida por Nosso Senhor. Judas, pelo contrário, não confiou na misericórdia de Cristo. Até ao último momento teve abertas as portas do perdão de Deus, mas não quis entrar por elas mediante a penitência.

Na sua primeira encíclica, João Paulo II fala do direito de Cristo a encontrar-Se com cada um de nós naquele momento chave da vida da alma, que é o momento da conversão e do perdão (Redemptor hominis, 20). Não privemos Jesus desse direito! Não retiremos a Deus Pai a alegria de nos dar o abraço de boas-vindas! Não contristemos o Espírito Santo, que deseja devolver às almas a vida sobrenatural!

Peçamos a Santa Maria, Esperança dos cristãos, que não permita que desanimemos diante dos nossos erros e pecados, quiçá repetidos. Que nos alcance do Seu Filho a graça da conversão, o desejo eficaz de recorrer — humildes e contritos — à Confissão, sacramento da misericórdia divina, começando e recomeçando sempre que for preciso.

Meditações do Prelado do Opus Dei sobre a Semana Santa - (Salvem a Liturgia)

26 de março de 2013

Oração do Pai-nosso: Estrutura

Oração do Pai nosso: Estrutura
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Olá amigos quero em duas publicações explicar um pouco sobre a oração do Pai nosso, a oração que o próprio Deus nos ensinou. Nesta primeira publicação, vamos ver um pouco da estrutura desta oração, quais são os perdidos que por ela fazemos a Deus e as necessidades que também apresentamos a Deus através desta belíssima oração.


1° Parte
Pai nosso que estais no céu
Santificado seja o teu nome
Venha a nós o teu reino
Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu

2° Parte
O pão nosso de cada dia nos- dai hoje Perdoai-nos as nossa ofensas Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido E não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal amém


      “Um Dia Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um dos discípulos lhe pediu: ‘Senhor, ensina-nos a rezar como João ensinou a seus discípulos’. Ele lhes disse: ‘Quando rezardes, dizei: Pai...”’(Lc 11,1-2). O Pai-nosso não é uma oração a mais entre muitas outras. É a oração dos discípulos de Jesus. A oração que o Mestre ensinou e deixou como distintivo de seus seguidores. Nela podemos descobrir os desejos mais íntimos de Jesus e suas aspirações mais profundas.

        Por isso não é de estranhar que os cristãos sempre tenham considerado o Pai-nosso como uma síntese do Evangelho. Tertuliano o chamava Breviarium totius Evangelii. No Pai-nosso encontramos o ensinamento nuclear de Jesus, sua mensagem de salvação, seu programa de vida. Nele está condensado em poucas palavras o Evangelho de Jesus Cristo e traduzido à linguagem vital da oração. Se compreendermos bem seu conteúdo e sua aspiração compreenderemos também a mensagem mais original de Jesus e seu Espírito  mais profundo.

        Sua estrutura é simples. Começa com uma invocação que indica com clareza a quem é dirigida a oração: “Pai nosso que estás no céu”. Seguem-se duas partes bem definidas que convém distinguir, pois marcam duas atitudes básicas no orante.


Na primeira parte são feitos três pedidos que vêm expressos no subjuntivo. São formulas breves – “Santificado seja”, “venha”, “seja feita” – que encerram três grandes desejos centrados em Deus: seu nome, seu reino, sua vontade. Na segunda parte, ao contrário, encontramos quatro pedidos em forma imperativa, que é o próprio da oração de petição. São fórmulas mais longas que estão centradas agora nas necessidades do ser humano: “Dá-nos o pão”, “perdoa-nos as nossas ofensas”, “não nos deixes cair em tentação”, “livra-nos do mal”.

Portanto, na primeira parte, a atenção se dirige ao próprio Deus. O orante lhe exprime seus três grandes desejos: que esse nome de “Pai” seja glorificado, que seu reino venha estabelecer-se no mundo, que se torne o quanto antes realidade sua vontade de salvar a humanidade. Na segunda parte o olhar se volta para a vida concreta dos seres humanos para fazer a Deus quatro pedidos vitais. Nossa vida é frágil, está ameaçada pela força do mal e exposta a perigos permanentes. O orante confia ao Pai a existência concreta dos seres humanos para pedir-lhe pão, perdão, ajuda diante da tentação e libertação do mal.
         Essas duas partes do pai-nosso nunca devem ser separadas, pois formam uma só oração. É o próprio orante que se dirige ao Pai do céu. Primeiro, para expressar-lhe seus desejos ardentes de ver realizada a obra salvífica do Pai. Depois, para apresentar-lhe as necessidades mais urgentes da humanidade. Os desejos sublimes da primeira parte serão realidade quando o ser humano encontrar resposta concreta para sua necessidade de ser salvo da precariedade do pecado e do mal. 

Resumo do Livro Pai-nosso (Orar com o Espirito de Jesus)


24 de março de 2013

E enfim começa a Santa Semana…

E enfim começa a Santa Semana…

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A Semana Santa é para os católicos a mais importante de todo as as semanas. Nela celebramos de forma intensa, como que em um grande retiro, a Paixão, Morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ela se inicia no Domingo de Ramos, que relembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e termina com a ressurreição de Jesus, que ocorre no domingo de Páscoa.
Em 325 d.C, o Concílio de Niceia, consolidou as datas religiosas, fazendo com que a Paixão, Morte e Ressurreição fosse comemorada por uma semana. Historicamente falando, existem relatos de festas em homenagem aos últimos dias de Cristo, pouco tempo depois de sua morte, porém estas festividades eram comemoradas em dois dias apenas (sábado de aleluia e domingo da ressurreição).
Cada dia da comemoração faz referência a um acontecimento a saber:
Domingo de Ramos - Abre solenemente a Semana Santa, com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Jesus é recebido em Jerusalém como um rei, mas os mesmos que o receberam com festa o condenaram à morte. Jesus é recebido com ramos de palmeiras. Nesse dia, são comuns procissões em que os fiéis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que originou o nome da celebração.
Segunda-Feira Santa - Em alguns lugares é conhecida como segunda-feira de trevas. Nesse dia realiza-se a o ofício de trevas.
Terça-Feira Santa - Neste dia são celebradas as Sete dores de Nossa Senhora Virgem Maria.
Quarta-Feira Santa - É o quarto dia da Semana Santa. Em algumas igrejas celebra-se neste dia a piedosa procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Ainda há igrejas que neste dia celebram o Ofício das Trevas, lembrando que o mundo já está em trevas devido à proximidade da morte de Jesus.
Quinta-Feira Santa - Na manhã deste dia, nas catedrais das dioceses, o bispo se reúne com o seu clero para celebrar a Celebração do Crisma, na qual são abençoados os óleos que serão usados na administração dos sacramentos do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos. Com essa celebração se encerra a Quaresma.
Neste mesmo dia, à noite, são relembrados os três gestos de Jesus durante a Última Ceia: a Instituição da Eucaristia, o exemplo do Lava-pés, com a instituição de um novo mandamento (ou "ordenança") segundo algumas denominações cristãs, e a instituição do sacerdócio. É neste momento que Judas Iscariotes sai para entregar Jesus por trinta moedas de prata. E é nesta noite em que Jesus é preso, interrogado e, no amanhecer da sexta-feira, açoitado e condenado.
A igreja fica em vigília ao Santíssimo, relembrando os sofrimentos de Jesus, que tiveram início nesta noite. A igreja já se reveste de luto e tristeza, desnudando os altares (quando são retirados todos os enfeites, toalhas, flores e velas), tudo para simbolizar que Jesus já está preso e consciente do que vai acontecer. Também cobrem-se todas as imagens existentes no templo.
Sexta-Feira Santa - É quando a Igreja recorda a morte de Jesus. É celebrada a Solene Ação Litúrgica, Paixão e a Adoração da Cruz. A recordação da morte de Jesus consiste em quatro momentos: A Liturgia da Palavra, Oração Universal, Adoração da Cruz e Rito da Comunhão. Presidida por presbítero ou bispo, os paramentos para a celebração são de cor vermelha. Este dia recomenda-se o jejum para todos os católicos. Apenas os que estão sob ordem médica ou dispensados pelo sacerdote estão isentos do jejum.
Sábado de Aleluia - É o dia da espera. Os cristãos junto ao sepulcro de Jesus aguardam sua ressurreição. No final deste dia é celebrada a Solene Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias, como disse Santo Agostinho, que se inicia com a Bênção do Fogo Novo e também do Círio Pascal; proclama-se a Páscoa através do canto do Exultet e faz-se a leitura de 8 passagens da Bíblia (4 leituras e 4 salmos) percorrendo-se toda história da salvação, desde Adão até o relato dos primeiros cristãos. Entoa-se o Glória e o Aleluia, que foram omitidos durante todo o período quaresmal. Há também o batismo daqueles adultos que se prepararam durante toda a quaresma. A celebração se encerra com a Liturgia Eucarística, o ápice de todas as missas.
Domingo de Páscoa - É o dia mais importante para a fé cristã, pois Jesus vence a morte para mostrar o valor da vida. Esse dia é estendido por mais cinquenta dias até o Domingo de Pentecostes.
Durante a Semana Santa estaremos escrevendo textos especiais para você conheça a doutrina desta semana e participe com intensidade deste tempo de graça que vivemos. Pax Domini e Blog Evangelizando.
Fonte: Dominus Vobiscum


22 de março de 2013

A Leitura Espiritual

A Leitura Espiritual
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Olá amigos e irmãos, Maria Ilumine a todos, vamos então ler este artigo sobre a Leitura Espiritual de alguns livros que podemos ler quando não temos o nosso Diretor Espiritual.


I. Grande utilidade da leitura espiritual

A leitura espiritual nos é talvez tão útil na tendência à perfeição como a oração, porque ela nos conduz tanto à oração como à virtude, diz São Bernardo (De modo bene viv., c. 59). 'A meditação e a leitura espiritual, diz o mesmo Santo, são excelentes meios para se vencer o demônio e conquistar o Céu'.

Não podemos ter sempre nosso diretor espiritual junto de nós para pedir-lhe conselho em todas as nossas ações e, especialmente, em nossas dúvidas; a leitura espiritual, porém, supre o seu lugar, dando-nos as luzes de que necessitamos e os meios de evitar os enganos do demônio e do amor próprio, e de viver segundo a Vontade de Deus. E por isso, segundo afirma Santo Atanásio, não se encontrará um fervoroso servo de Deus que não seja dado à leitura de livros espirituais.

Do mesmo modo, tanto quanto é perniciosa a leitura de maus livros, é útil a leitura dos bonsComo aquela precipita tantas vezes a mocidade na perdição, assim esta é, muitas vezes a causa da conversão de muitos pecadores.

O autor dos livros bons é, em última análise, o Espírito de Deus, ao passo que o demônio é propriamente o inspirador dos maus. Este sabe esconder a muitos o veneno de que estão impregnados esses livros, pretextando que, pela leitura deles, se apropria um bom estilo ou uma reta norma de vida, ou que, pelo menos, assim se aproveita convenientemente o tempo. Eu afirmo, de minha parte, que não há coisa mais prejudicial que a leitura de maus livros, particularmente para aqueles que desejam levar uma vida devota.

Por maus livros entendo não só os que a Santa Sé proibiu em razão de sua matéria herética ou imoral, mas também todos os que tratam de amores profanosQue piedade poderá ter um cristão que se ocupa com a leitura de romances ou de novelas amorosas? Que recolhimento de espírito terá ele na meditação ou na santa Comunhão? Mas que mal poderão causar os romances e poesias mundanas, que nada têm de indecoroso? - perguntará alguém. Causam um mal imenso: excitam a sensualidade; inflamam as paixões, que facilmente arrastam consigo a vontade, ou, ao menos, a enfraquecem tanto que o demônio já encontra o coração preparado para uma queda desastrosa no abismo do pecado, quando sobrevêm uma ocasião para um amor impuro.

Um douto escritor diz que a heresia se alastrou tanto e ainda se espalha cotidianamente, justamente em conseqüência da leitura de tais livros, porque essa leitura favorece a imoralidade, que aplaina o caminho para o erro. O veneno de tais livros penetra pouco a pouco na alma, apodera-se do entendimento, corrompe e perverte a vontade, e traz a morte à alma. Em verdade, o demônio não possui talvez um meio mais seguro para perverter os jovens do que a leitura de livros tão venenosos. Um só livro dessa espécie pode bastar para perder toda uma família.

Por isso, querido leitor, se chegar às tuas mãos um tal livro, lança-o imediatamente ao fogo, para que não apareça mais; e, se és pai de família, faze o que estiver em tuas forças para afastar de tua casa uma tal peste, se não quiseres dar um dia rigorosas contas a Deus.

[Nota: Que diria, então, o Santo Doutor, a respeito da televisão, por exemplo, se ainda vivesse neste mundo?...]

Além disso, deves notar bem, alma cristã, que alguns livros não são em si mesmos maus, mas, em todo caso, não podem concorrer para o teu bem espiritual e, por isso, a leitura desses livros é prejudicial, porque te rouba muito tempo, que poderias empregar em coisas úteis à tua salvação. São Jerônimo, no retiro de Belém, lia com grande gosto os escritos de Cícero, como ele conta à sua discípula Eustóquium, enquanto que achava certa repugnância na leitura da Sagrada Escritura, cujo estilo lhe parecia muito simples. Sobreveio-lhe, então, uma grave enfermidade, na qual pareceu-lhe estar diante do tribunal de Jesus Cristo.

À pergunta do Senhor de quem ele era, respondeu o Santo: Eu sou um cristão. Mentes, respondeu-lhe o divino Mestre, és um ciceroniano, e não um cristão. E Jerônimo, por mandado do divino Juiz, foi castigado por um Anjo. Ele prometeu emendar-se e, voltando a si, percebeu que suas costas estavam todas feridas pelos açoites que recebera nessa visão. Desde então, deixou o Santo a leitura das obras de Cícero, e dedicou-se à leitura da Sagrada Escritura.

Não resta dúvida que, às vezes, se encontra nos livros mundanos um ou outro pensamento que é proveitoso para a vida espiritual, mas, como escreve São Jerônimo a uma de suas discípulas, 'porque procuras alguns grãos de ouro em tão grande imundície?' (Ep. ad Fur.). Lê livros piedosos, onde encontrarás ouro puro, sem mistura impura alguma. (...)

Consideremos os preciosos frutos que produz a leitura de bons livros.

Primeiramente, os bons livros enriquecem o nosso coração de bons pensamentos e santos desejos, ao passo que os maus livros enchem o nosso coração de pensamentos mundanos e sumamente prejudiciais. Quem emprega seu tempo na leitura de livros vãos, pelos quais nascem em ssua alma uma multidão de pensamentos mundanos e inclinações terrenas, não poderá de forma alguma permanecer recolhido. Como poderá se ocupar com pensamentos piedosos? Como se conservar na presença de Deus e fazer repetidos atos de virtude? O moinho mói o que nele se põe; como se poderá então esperar uma fina farinha quando se põe um fruto deteriorado?

Se alguém, que passou a maior parte do dia na leitura de um livro profano, quer se entregar à oração ou receber a Comunhão, em vez de pensar em Deus e fazer atos de amor e confiança, estará sempre distraído, porque todas aquelas coisas vãs que pouco antes leu, vêm-lhe novamente à lembrança. Pelo contrário, quem lê, por exemplo, as máximas e exemplos dos Santos, estará ocupado com santos pensamentos não só durante a oração, mas também em toda ocasião, e estes o conservam quase ininterruptamente unido a Deus.

Em segundo lugaruma alma que está como que embebida em bons pensamentos pela espiritual, está mais preparada para repelir as tentações do demônioSão Jerônimo deu o seguinte conselho a Sabina, sua filha espiritual: Procura ter sempre um bom livro às mãos, para que te possas defender com esse escudo contra os maus pensamentos.

Em terceiro lugara leitura espiritual nos facilita o conhecimento das manchas de nossa alma e a purificação das mesmas. São Jerônimo escreve a Demétrias que ela devia servir-se da leitura espiritual como 'de um espelho'; pois, assim como o espelho mostra as manchas no rosto, assim também a leitura de livros espirituais nos aponta as manchas de nossa consciência.

Em quarto lugar, pela leitura espiritual obtêm-se muitas luzes e inspirações divinas. 'Quandorezamos falamos com Deus, quando lemos é Deus que nos fala', diz São Jerônimo (Ep. ad Eust.). É o que diz também Santo Ambrósio (De offic., 1.1, c. 30): 'Falamos a Deus quando rezamos; ouvimo-l'O quando lemos'. Como já acima notamos, não podemos ter sempre à nossa disposição o nosso confessor, ou ouvir um pregador zeloso que nos sirva de guia por meio de suas instruções, no caminho do Céu; os livros espirituais, porém, nos oferecem uma compensação por isso.

Conforme Santo Agostinho (Enarr. in ps. 30, ser. 2), são eles outras tantas cartas de Nosso Senhor, por meio das quais nos avisa de iminentes perigos, nos mostra o caminho da salvação, nos ensina a suportar as adversidades, ilumina-nos e inflama-nos em Seu santo amor. Quem, pois, desejar salvar-se, deve ler amiúde essas cartas do Céu.

Quantos Santos não foram levados, pela leitura de um bom livro, a abandonar o mundo e a se consagrar a Deus! É notório que Santo Agostinho, que viveu muitos anos preso nos laços dos vícios e paixões, ao ler uma epístola de São Paulo, abriu os olhos à luz divina e começou a tender à santidade. Igualmente Santo Inácio de Loyola encetou uma vida perfeita em conseqüência da leitura da vida dos Santos.

Por acaso tomou-a nas mãos para distrair-se no seu leito de enfermo, a que estava condenado por ter sido ferido no ataque a Pamplona; com isso converteu-se e tornou-se o fundador da Companhia de Jesus, que é uma Ordem sumamente benemérita da Igreja. São João Colombini, ao ler, quase que contra a sua vontade, um livro espiritual, tomou a resolução de abandonar o mundo, começou uma santa vida e tornou-se o fundador de uma Ordem religiosa.

Na história das Carmelitas se narra que uma nobre dama de Viena, que pretendia tomar parte de uma diversão mundana, ao ficar sabendo que esta não se realizaria, cheia de raiva, começou a ler um livro espiritual, que, por acaso, lhe caiu nas mãos. Esse livro inspirou-lhe um tal desprezo pelo mundo, que renunciou a todas as suas vaidades e fez-se carmelita.

A leitura de bons livros não foi proveitosa aos Santos unicamente em sua conversão, mas em toda a sua vida, para se manterem firmes no caminho da perfeição e fazerem cada vez maiores progressos nele. São Domingos beijava seus livros espirituais e apertava-os amorosamente ao coração, dizendo: 'Estes livros dão-me o leite que me sustenta'. O grande servo de Deus, Tomás de Kempis, não conhecia maior consolação do que esconder-se em um canto de seu quarto com um livro que tratasse das coisas espirituais. São Filipe Néri empregava todo o tempo livre na leitura de livros espirituais, principalmente da vida dos Santos.

Oh! Como é útil tomar a vida dos Santos por objeto de nossa leitura espiritual! Os livros que tratam das virtudes ensinam-nos o que devemos fazer; na história dos Santos vemos, porém, o que de fato fizeram tantos homens e mulheres, rapazes e donzelas, que eram homens como nós. Mesmo que a meditação dos exemplos dos Santos não nos trouxesse outro proveito, nos obrigaria a nos humilharmos profundamente, porque, lendo as grandes coisas que os Santos praticaram, devemos certamente nos envergonhar de ter feito e de fazer ainda tão pouco por Deus. Santo Agostinho dizia de si mesmo: 'Ó meu Deus, quando eu considerava os exemplos de Vossos servos, envergonhava-me de minha preguiça e sentia arder em mim o fogo de Vosso santo amor'(Conf., I. 9, c. 2). São Francisco de Assis, ao pensar nos Santos e em suas virtudes, sentia-se abrasar em chamas de amor divino (S. Boav., Vita S. Franc., c. 9).

São Gregório Magno conta que, em seu tempo, vivia em Roma um homem, chamado Sérvulo, que era muito doentio e devia esmolar a sua subsistência. Dava uma parte das esmolas que recebia aos outros pobres e a outra a empregava na compra de bons livros. Ele não sabia ler e, por isso, pedia àqueles que ele abrigava em sua choupana durante a noite, que lhos lessem. Dessa maneira alcançou uma grande paciência nos sofrimentos, diz S. Gregório, e uma admirável sabedoria nas coisas celestes. Ao morrer, pediu aos seus amigos que lhe lessem alguma coisa; antes, porém, de expirar, interrompeu-os, dizendo: Calai-vos, calai-vos; não ouvis como todo o Céu ressoa com cânticos e aprazível música? Logo depois expirou. Apenas deu o último suspiro, espalhou-se em seu quarto um cheiro celestial, que testemunhava a santidade desse mendigo que, pobre em bens terrenos, porém rico em virtudes e merecimentos  deixara este mundo. [Hoje a Igreja o venera sob o nome de São Sérvulo.

A Leitura Espiritual
§ II. Maneira de se fazer a leitura espiritual

Para tirar grande proveito da leitura espiritual, devemos observar as seguintes regras:

1. Antes de começar a ler, devemos pedir a Deus que nos ilumine a respeito do que vamos ler. Já se disse acima que Nosso Senhor mesmo se digna falar conosco na leitura espiritual; por isso, devemos dizer-lhe, tomando o livro nas mãos: 'Falai, Senhor, que Vosso servo escuta'. Fazei-me conhecer a Vossa Vontade, pois Vos quero obedecer em tudo.

2. Na leitura espiritual não devemos ter a intenção de contentar o nosso desejo de saber ou até nossa curiosidade, mas unicamente procurar crescer no amor de Deus. Quando se lê para se aumentar seus conhecimentos, não é isso leitura espiritual, mas um simples estudo. É coisa pior, porém, ler-se por pura curiosidade, como fazem alguns que, por assim dizer, devoram os livros e nada mais têm em vista do que a satisfação de sua curiosidade. Que proveito poderão tirar de tal leitura? Todo o tempo que empregam nisso é perdido. Muitos lê-em  e lê-em muito, diz São Gregório (Hom. in Ezeq.), e, apesar disso, seu espírito não fica saciado, porque lê-em só por curiosidade.

3. Para tirar proveito dos livros espirituais devemos lê-los com vagar e ponderação.'Pela leitura espiritual tua alma deve ser alimentada', diz Santo Agostinho. Ora, querendo alimentar-se convenientemente, não se deve engolir a comida, mas antes, mastigá-la bem. Pondera, pois, bem, o que lês, e procura aplicá-lo a ti mesmo. E se o que leste te causou uma forte impressão, segue o conselho de Santo Efrém (De pat. et. cons. saec.) e torna a ler repetidas vezes.

4. Se recebemos uma luz especial durante a leitura, ao se nos depará um belo pensamento ou uma ação virtuosa que nos comove o coração, devemos parar um pouco, para elevar a nossa mente a Deus, fazer um propósito, um ato de piedoso afeto e uma fervorosa súplica a Deus. Não faz nenhum mal se, entretanto, se escoa todo o tempo determinado para a leitura, pois um proveito maior do que o sobredito não podemos tirar da leitura espiritual. Muitas vezes a leitura de algumas linhas é mais proveitosa do que a de uma página inteira.

5Finalmente, antes de fechar o livro, alma cristã, deves reter na memória algum pensamento piedoso que encontraste, para te ocupares com ele durante o dia, à semelhança do que se costuma fazer quando se passa por um jardim, apanhando-se uma flor para levá-la consigo.

(Santo Afonso Maria de Ligório; Escola da Perfeição Cristã; Compilação de textos do Santo Doutor, pelo padre Saint-Omer, CSSR; Editora Vozes, IV Edição, Petrópolis: 1955, páginas 468-473)

Fonte: A Grande Guerra

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