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10 de agosto de 2013

Testemunho de Fé - Liturgia Dominical: Vigiai e orai

Testemunho de Fé - Liturgia Dominical: Vigiai e orai
Blog Evangelizando

Nosso Senhor nos presenteia neste domingo com três parábolas sobre a vigilância.

A primeira (12, 36-38) tem um desfecho feliz. Os servos vigilantes, que simbolizam os discípulos, encontrarão a felicidade eterna quando o Senhor nos introduzir no banquete celeste servindo-nos à mesa, como fizera na última ceia (cf. Jo 13, 4s).

A segunda, brevíssima (12, 39), recorda o ladrão inesperado, o demônio, que pode invadir a casa a qualquer momento.

E a terceira, mais elaborada (12, 42-48), fala dos administradores, dos eclesiásticos, que podem se deixar seduzir e se transformar em malfeitores.

Podemos notar, assim, dois aspectos complementares da vigilância, que nosso Senhor manifesta naquela feliz exortação: "Vigiai e orai" (Mt 26, 41).

a) Negativo: o ataque do ladrão, o demônio. A vigilância propriamente dita.

O demônio não renuncia à posse de nossa alma. Se às vezes parece que nos deixa em paz e não nos tenta, é somente para voltar ao assalto no momento em que menos se espera. Nas épocas de calma e de sossego temos que estar convencidos de que ele voltará ao ataque até mesmo com mais intensidade do que antes. É preciso estarmos alerta para não sermos pegos de surpresa. (Antonio Royo Marín, Teología de la Perfección Cristiana, BAC, n. 169).

b) Positivo: a esperança do Senhor. A oração confiante de quem suplica como um mendigo da graça a visita do Senhor.

Não bastam nossa vigilância e nossos esforços. A permanência no estado de graça [...] requer uma graça eficaz de Deus, que só pode ser alcançada por meio da oração. A mais primorosa vigilância e o esforço mais obstinado se demonstrariam absolutamente ineficazes sem a ajuda da graça de Deus. Com a graça, ao contrário, o triunfo é infalível.

Esta graça eficaz vai além do mérito da justiça e no, sentido estrito, não é devida a ninguém, nem mesmo aos maiores santos. Porém Deus se comprometeu com sua palavra e irá concedê-la de forma infalível se nós a pedirmos com a oração que esteja acompanhada com as devidas condições. Isto coloca em evidência a importância da oração de súplica.

Com razão dizia Santo Afonso de Ligório, ao falar da necessidade absoluta da graça eficaz, a qual só pode ser alcançada pela oração: "Quem ora se salva. E quem não ora se condena". E para decidir diante da dúvida de uma alma se havia ou não caído na tentação, ele costumava perguntar a ela com simplicidade: "Você rezou pedindo a Deus a graça de não cair?" Isto é de grande profundidade teológica. Foi por isto que Cristo nos ensinou no Pai nosso a pedir a Deus que "não nos deixeis cair em tentação".


E é muito bom e razoável que nesta oração preventiva também invoquemos Maria, nossa Mãe bondosa, que pisoteou com seus pés virginais a cabeça da serpente infernal, e a nosso anjo da guarda, que tem como uma de suas funções principais exatamente nos defender contra os assaltos do inimigo infernal. (Ibidem).

Padre Paulo Ricardo
Atualmente, é Vigário Paroquial da Paróquia Cristo Rei, em Várzea Grande – MT, licenciado em Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso – FUCMAT,
Campo Grande, MS (1987); bacharel em teologia (1991) e mestre em direito canônico
(1993)pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Site: padrepauloricardo.org

4 de agosto de 2013

Testemunho de Fé: Liturgia Dominical - A idolatria ao dinheiro - 18º Domingo do Tempo Comum

Testemunho de Fé: Liturgia Dominical - A idolatria ao dinheiro - 18º Domingo do Tempo Comum
Blog Evangelizando!

“A cobiça de possuir (πλεονεξία) é uma idolatria” (Col 3, 5). Esta expressão de São Paulo resume de forma clara e lapidar a razão pela qual a Igreja católica sempre considerou com muita suspeita as “teologias da prosperidade”.

“Não podeis servir a Deus e a Mamona” (Lc 16, 13).

A palavra Mamona (μαμωνᾶς, do caldeu מָאמונָא) tem sua raiz no verbo confirmar, apoiar, sustentar (אָמַן), de onde vem a expressão “amém”, algo no qual eu posso confiar, a rocha firme de nossa vida. Aqui então se encontra a raiz mais terrível de nosso apego ao dinheiro: colocar a nossa fé no dinheiro e não em Deus.

São Máximo, o Confessor, (580-662) recorda:
“Existem três causas para o amor ao dinheiro:
a) o gosto pelo prazer (φιληδονία),
b) a vaidade (κενοδοξία)
c) e a falta de fé (ἀπιστία).
Mas a mais grave é a falta de fé” (Centúrias sobre Caridade, III, 17).

O apego a este mundo é um grande empecilho para nosso encontro com Deus: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” (Lc 18, 24).

Podemos até ser salvos, embora sejamos apegados. Mas só entrará no céu aqueles que, pelo menos no purgatório, se livrarem de amor desordenado.

A virtude da liberalidade é a que combate este tipo de miséria. O virtuosos se “liberou” dos tormentos da avareza.

A insensatez da avareza se revela em todas as fases da vida de quem é apegado aos bens materiais: sofrimento para adquirir, medo ao conserva e dor ao perder. Mas, como recorda Jesus na parábola do evangelho, esta loucura culmina no momento da morte quando, ao temor de uma possível condenação eterna, se acrescenta a dor de ver os seus bens queridos mudarem de dono.


Procuramos então a cura desta terrível doença numa séria meditação sobre a morte e sobre a transitoriedade desta vida e com o sério exercício da doação em favor dos mais necessitados.

Padre Paulo Ricardo
Colaborado com o Blog Evangelizando
Atualmente, é Vigário Paroquial da Paróquia Cristo Rei, em Várzea Grande – MT,
licenciado em Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso – FUCMAT,
Campo Grande, MS (1987); bacharel em teologia (1991) e mestre em direito canônico
(1993)pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Site: http://padrepauloricardo.org

21 de julho de 2013

Testemunho de Fé: Liturgia Dominical - Lançai sobre Ele as vossas preocupações!

Testemunho de Fé: Liturgia Dominical - Lançai sobre Ele as vossas preocupações!
Blog Evangelizando!

"Marta, Marta, tu te preocupas e andas agitada!" (Lc 10, 41). Eis o sintoma fundamental de quem padece de ativismo: a preocupação. É o que o servo de Deus Papa Pio XII chamou de "heresia da ação" (Menti nostræ, 58).

Em grego, a raiz da palavra preocupação (μέριμνα) indica uma divisão interior (μερίζω – dividir). Esta divisão é fruto da soberba, do orgulho de quem está convencido de que salvará o mundo através de sua própria ação. É isto que dispersa e agita o coração. Dispersit superbos! (Lc 1, 51).

Por isto o ativismo é uma solidão!

Deus está espiritual e psicologicamente ausente de nossas ações. Quando em nossas obras de apostolado confiamos muito mais em nossa atividade do que na ação da graça de Deus, estamos doentes. Na solidão do ativismo, falta-nos o encontro com Deus na vida interior. O herege da ação age sozinho, pois tudo depende de si.

O Papa Francisco tem chamado a atenção para este pelagianismo espiritual e prático de quem conta muito consigo mesmo e não com os auxílios da graça. Este naturalismo pelagiano facilmente resvala para o humanismo pagão, para a secularização, para o laicismo profano e obtuso. Ou seja, a parada final deste itinerário é a apostasia de quem acreditou demais em si mesmo e já não crê em mais nada.

Nós padres e agentes de pastoral deveríamos fazer um sério exame de consciência e ouvir a palavra do Cristo: "Sem mim nada podeis fazer" (Jo 15, 5).

O remédio que nos leva à cura, no entanto, não é a heresia oposta do quietismo, mas sim uma atividade espiritual. Ou seja, não nos enganemos achando que para chegarmos à contemplação bastaria cessar a atividade. O caminho é marcado por três etapas: a) atividade exterior; b) atividade interior; c) contemplação.

Iniciamos acolhendo a graça de Deus que nos permite deixar de lado o pecado grave e fazendo o bem (ação exterior). Depois deve-se passar para uma luta aguerrida contra as doenças espirituais, as paixões desordenadas que impedem que nossa alma contemple a verdade de Deus (ação interior). Podemos assim chegar à contemplação, seja a mais simples caracterizada pela meditação da Palavra de Deus e pelo encontro com a humanidade e divindade de Cristo, seja a contemplação infusa que Deus concede aos seus santos.

É o caminho de colocarmos em prática o que nos exorta São Pedro: "Lançai sobre ele todas as vossas preocupações, porque ele cuida de vós" (1Pe 5, 7). É um ato repentino (ἐπιρρίπτω), quase violento, de lançarmos nos braços de Cristo nossas angústias e preocupações. Marta deve aprender a sentar-se aos pés do sacrário!

De resto, a nossa atividade pastoral consistirá sempre no transmitir aos nossos irmão aquele Cristo que nós encontramos pessoalmente em nossa vida interior. Contemplari et contemplata aliis tradere – Contemplar e transmitir aos outros aquilo que contemplamos (cf. Santo Tomás, Summa Theologiæ, II-II, q. 188, a. 7).


Este é o caminho da pastoral eficaz: "Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto" (Jo 15, 5).

Devem ser chamados a melhores sentimentos quantos presumam que se possa salvar o mundo por meio daquela que foi justamente designada como a "heresia da ação": daquela ação que não tem os seus fundamentos nos auxílios da graça, e não se serve constantemente dos meios necessários a obtenção da santidade, que Cristo nos proporciona. Do mesmo modo, porém, estimulamos às obras do ministério aqueles que, trancados em si mesmos e duvidosos da eficácia do auxílio divino, não se esforçam, segundo as próprias possibilidades, por fazer penetrar o espírito cristão na vida cotidiana, em todas as formas que os nossos tempos reclamam. (Pio XII, Exortação apostólica sobre a santidade da vida sacerdotal Menti nostræ, 58, 27 de setembro de 1950).
Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
Colaborador do Blog Evangelizando
Atualmente, é Vigário Paroquial da Paróquia Cristo Rei, em Várzea Grande – MT,
licenciado em Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso – FUCMAT,
Campo Grande, MS (1987); bacharel em teologia (1991) e mestre em direito canônico
(1993)pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Site: http://padrepauloricardo.org

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