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5 de novembro de 2014

A Igreja é homofóbica? Um homossexual responde

Conheça a experiência de Eric Hess com o cardeal Raymond Burke: “Renunciei à Igreja Católica, mas ele nunca deixou de acreditar em mim”


























Em um artigo da revista “Celebrate Life” intitulado “Saindo de Sodoma”, Eric Hess, um dos maiores ativistas gays da história de Wisconsin (EUA), conta a verdadeira paternidade do cardealRaymond Burke, chamado por alguns de homofóbico após sua participação no sínodo dos bispos sobre a família.
 
Em seu artigo, Eric relata sua infância turbulenta (seu pai era dependente de álcool e violento), que o levou, “em meio à dor, a buscar o amor do meu pai nos braços de outros homens”. Após uma juventude de muita confusão afetiva (Eric situa, hoje, a causa das desordens sexuais, do direito ao aborto e dos direitoshomossexuais na “mentalidade anticonceptiva predita em 1968 pelo Papa Paulo VI na ‘Humanae Vitae’”), em 1995, ele colocou em uma caixa sua Bíblia e todas as imagens religiosas que conservava da sua infância e as enviou ao bispo de “La Crosse”, Wisconsin, com uma carta na qual declarava sua renúncia à Igreja Católica.
 
“Para a minha surpresa, reconhece Eric hoje, o bispo Raymond Burke me respondeu com outra carta, na qual me dava a conhecer sua tristeza; disse que respeitava a minha decisão e que notificaria a paróquia na qual fui batizado. Afirmou que rezaria por mim e que desejava que chegasse o momento no qual eu me reconciliaria com a Igreja.”
 
No entanto, Eric (que, nessa época, era um dos ativistas gays mais atuantes de Wisconsin) lembra ter pensado: “Que arrogante!”. Depois, replicou ao bispo Burke com outra carta, acusando-o de assédio. “Meus esforços por desanimá-lo caíram por terra”, pois o bispo lhe enviou uma outra carta garantindo-lhe que não voltaria a escrever-lhe, mas que, se um dia ele quisesse se reconciliar com aIgreja, ele o receberia de braços abertos.
 
O tempo passou, mas “o Pai, o Filho e o Espírito Santo nunca desistiram de mim”, conta Eric, que então conversou “com um bom sacerdote”, cujas orações se uniram às do bispo.
 
Finalmente, “em 14 de agosto de 1998, a graça divina entrou na minha alma, em um restaurante chinês, junto ao meu companheiro de mais de 8 anos; naquela tarde, o Senhor me chamou ao tribunal da sua graça de cura: o santo sacramento da Penitência. O padre com quem eu havia conversado estava mês esperando lá. Enquanto eu caminhava até ele, uma voz interior falou ao meu coração; era amável, radiante e clara dentro da minha alma. E me dizia: este sacerdote é a imagem do que você poderia chegar a ser, se voltar a mim”.
 
A caminho de casa, naquele dia, Eric disse ao seu companheiro: “Preciso voltar à Igreja Católica”. Mais tarde, ligou para o bispo Burke, “para que fosse o primeiro a ficar sabendo que eu estava voltando para a Igreja”. Então marcamos um encontro.
 
“Um mês depois da minha reconciliação com Deus e com a Igreja, entrei na sala do bispo e ele me abraçou. Perguntou-me se eu me lembrava de tudo aquilo que lhe enviei em uma caixa anos antes. É claro que eu me lembrava. Foi então que o bispo me devolveu a caixa, dizendo que ele sempre acreditou que eu voltaria.”
 
Vários anos se passaram, o bispo Burke participou do sínodo dos bispos sobre a família e recebeu algumas acusações de homofobia. Eric Hess confessa que o bispo de Saint Louis “é difamado pela sua fidelidade a Deus, à Igreja e às almas. Posso dizer que é um pastor de verdade, que para mim se tornou um pai espiritual, imagem do nosso Pai do céu”.
 
Realmente, isso é todo o contrário da imagem com que alguns querem identificar o cardeal Raymond Burke e às vezes até a Igreja em si.

Fonte: Aleteia 

14 de outubro de 2014

Bispo pede às mulheres para irem vestidas com decência as Missas.


O
 bispo de Solsona, o mais jovem da Espanha, Dom Xavier Novell, pediu aos fiéis, especialmente as mulheres, para vestirem-se com mais decência para assistir à missa, justifica o bispo que não é apropriado ir com “roupas curtas” para a Igreja, que é um lugar sagrado.Esse pedido do bispo foi reiterado durante a celebração de uma Santa Missa em que foi celebrado o sacramento da Crisma. Nesta ocasião, três das meninas que receberam o Sacramento foram vestidas com minissaia, por isso, o Bispo, no final da Eucaristia falou-as (particularmente) o quão inadequada é aquela forma de se vestir.

Nesse sentido, Dom Xavier Novell lamentou profundamente que, ao contrário de outros países, onde  é dito claramente como você não pode entrar na igreja , “como se estivesse na praia ou algo do tipo ” em muitos lugares do mundo os católicos não são instruídos, pois ninguém ousa dizer isso por puro respeito humano. “Não nos atrevemos a dizer isso (na Espanha), pois se  fizermos tal correção”, ressalta o bispo,  “somos associados a Espanha Franquista (época de repressão politica na Espanha).
Em resposta, o bispo propõe como projeto catequético ” Fazer-se entender com pedagogia e delicadeza” , mostrando assim a importância de se vestir modestamente, especialmente para assistir a uma celebração eucarística.
As afirmações do nobre bispo são ainda mais que relevantes se considerarmos que La Real Academia de la Lengua (academia que possuí a tutela oficial da língua castelhana) define a palavra pudor como modéstia e moderação, e como sinônimo de decoro,  que por sua vez, significa “reverência devida a uma pessoa por nascimento ou dignidade”. Sendo assim, podemos falar que as definições propostas por Dom Novell não são apenas um julgo pessoal, mas um consenso e um conceito amplamente difundido na cultura de seu povo, embora ninguém ouse apresenta-lo.
Não é a primeira vez  Dom Novell adverte do respeito e reverência que deve-se ir  à igreja. Ele tem abordado esse assunto e repetidamente exortado os fiéis a  “cobrirem-se”  quando acredita que não estão com vestes adequadas.
Dom Novell menciona que certa vez, em outra Crisma “onde tinha três garotas com decotes grandes, pedi-as: Escutem, por que não colocam um agasalho leve? E, de fato, elas colocaram e não houve problema algum. Os fiéis ao verem isso, agradecem”, disse o bispo.
É bem verdade que Nosso Senhor conhece-nos completamente, inclusive sem roupas, contudo a atitude de Dom Xavier é compreensível e urgente quando enxergamos a questão através do prisma da caridade, pois roupas curtas podem dispersar e gerar pensamentos maliciosos nos irmãos durante a celebração eucarística.
Os conselhos do bispo tem gerado reflexão em muitos fiéis, entre eles, uma jovem designer Católica, Helena Machin, que trabalha para grandes clientes na cidade de Londres, que alem de seguir os conselhos do Bispo, incentiva as mulheres a se vestem decentemente.
Dom Novell  vê nessa negligência catequética a possibilidade de ajudar de modo especial as mulheres: “Eu quero investir algum do meu tempo e amor (…) para permiti-las abraçar a feminilidade com roupas atrativas e modestas, porque isso as ajudará a  alcançar o potencial que Deus as deu”, disse ele.
Fonte: http://www.aciprensa.com/noticias/obispo-mas-joven-de-espana-pide-a-mujeres-vestir-con-decoro-en-misa/#.Uwu_Aj1dWd2

10 de outubro de 2014

Testemunho do casal brasileiro no Sínodo da Família























Em uma sessão da manhã de quinta-feira sobre os "Desafios pastorais relativos a uma abertura à vida", os brasileiros, Arturo e Hermelinda Zamberline deu um testemunho sobre a contracepção. Eles estão casados há 41 anos e tem três filhos e também são os líderes do movimento "Equipes de Nossa Senhora", um movimento católico internacional.

Confira na íntegra o testemunho do casal brasileiro Arturo e Hermelinda Zamperlini no Sínodo dos Bispos sobre família

Tema: “A abertura dos cônjuges à vida”

Boletim da Santa Sé

Sua Santidade Papa Francisco
Eminentíssimos Senhores Cardeais
Excelentíssimos Senhores Bispos
Reverendíssimos Senhores Padres
Prezados Senhores e Senhoras

Inicialmente, queremos registrar nossa gratidão ao Santo Padre pela confiança em nós depositada ao nos convocar. Estamos imensamente honrados. Contudo, não escondemos nosso temor por tamanha responsabilidade. Desde já dizemos: estamos aqui como casal, trazendo nossa vivência familiar e pastoral. Não somos teólogos, nem especialistas no assunto. Somente a confiança em Deus nos tranquiliza.

Somos Hermelinda e Arturo, brasileiros, casados há 41anos. Temos 03 filhos, 01 nora e 01 neta. Pertencemos ao Movimento das Equipes de Nossa Senhora desde 1994, e atualmente estamos responsáveis pelo Movimento no Brasil, cujo carisma é a espiritualidade conjugal, existe desde 1938 e está presente em 70 países. Atualmente somos 137.200 membros no mundo, dos quais 45.500 estão em nosso país.

Foi-nos solicitado falar sobre “A abertura dos cônjuges à vida”, texto que consta da 3ª Parte do Instrumentum Laboris, capitulo I. Iniciamos com uma citação da Sagrada Escritura:

“Deus criou o ser humano à sua imagem. Homem e Mulher Ele os criou. E Deus abençoou-os e disse-lhes: Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a!” (Gn 1, 27-28)

Deus nos criou homem e mulher, para que nos unamos numa só carne, para que nos amemos com o amor que vem dEle mesmo, para que nos construamos mutuamente através desse amor e para que geremos vida1. A nenhum casal é permitido guardar para si as graças e os frutos maravilhosos da vida matrimonial. Relembrando a missão do nosso Movimento, ajudar os casais a se santificarem, Padre Henri Caffarel, nosso fundador, afirma: “nenhum casal tem o direitode ser estéril”2. Logicamente, esterilidade não se restringe a não gerar filhos. Nós a entendemos como uma postura deliberadamente fechada ao dom criativo de Deus, que se expressa nas diversas dimensões do amor conjugal. Ao transmitir a seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como cônjuges e pais, cooperam de forma única na obra do Criador3.

O ato sexual é legítimo, querido e abençoado por Deus, e o prazer que dele decorre contribui para a alegria de viver e para a estruturação sadia da personalidade. É a expressão do amor, que no começo pode ser paixão, mas que deverá humanizar-se cada vez mais. Os casais que fazem amor são os que expressam com o corpo o que lhes vai ao coração. Para chegar à harmonia, é preciso saber cultivar o desejo e até mesmo um erotismo sadio. É preciso continuar apaixonados e estar atentos um ao outro4.

A maneira de administrar a vida sexual é muito importante para a humanização do ser humano. Padre Caffarel propõe um percurso fascinante: da sexualidade ao amor. O casal é o lugar onde se articulam as três funções da sexualidade: a função relação, a função prazer e a função fecundidade. O casal se constrói ao integrar de forma equilibrada essas três dimensões.

A sexualidade é vivida na relação com o próximo e com Deus. É chamada a tornar-se uma linguagem de amor, de comunhão e de vida5.

Algo se impõe: é absolutamente necessário guiar os casais para a perfeição humana e cristã da relação sexual. A sexualidade é um fator de santificação, e atualmente precisa ser salva do erotismo doente que reduz o ser humano a uma única dimensão6.

A geração de filhos é gesto sublime de amor pela doação da vida. É possibilitar a um novo ser a extasiante aventura da vida, do amor, da descoberta, do encontro e do mergulho final no coração de um Deus que é suprema realização de todo ser. O casal não é fecundo só porque gera filhos, mas porque se ama e, amando-se, abre-se à vida. Diferente dos que, por livre escolha, egoisticamente, decidem não acolher a vida7. “A tarefa fundamental do matrimônio e da família é estar a serviço da vida”8 e, por isso, “qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida”9.

Por razões justas, sem egoísmo, os esposos podem querer espaçar o nascimento dos filhos, visando uma maternidade e paternidade responsáveis10. Continência periódica e regulação da natalidade com base em auto-observação estão em acordo com os critérios objetivos da moralidade11.

Dada a seriedade do ambiente no qual nos encontramos, temos que admitir sem medo que muitos casais católicos, mesmo os que procuram viver seriamente o seu matrimônio, não se sentem obrigados a usar apenas os métodos naturais. Nas Equipes de Nossa Senhora não é diferente. Devemos acrescentar ainda que geralmente não são questionados pelos confessores. Por um lado, os casais estão abertos à vida e rejeitam o aborto, isto é fato. Por outro, não percebemos nas pregações e atendimentos espirituais a insistência na doutrina da Humanae Vitae.

O controle da natalidade através dos métodos naturais teoricamente é bom; porém, na cultura atual nos parece carente de praticidade. Casais, principalmente jovens, vivem um ritmo de vida que não lhes permite praticar esses métodos, uma vez que demandam tempo para treinamento, e tempo é produto raro no mundo em que vivemos. E o pior: por ser superficialmente explicado e, por isso mesmo, mal utilizado, o método natural ganha a fama injusta de ser inseguro e assim muitas vezes ineficiente. Portanto, mais uma vez com sinceridade admitimos que não é seguido pela maioria dos casais católicos.

Como o controle da natalidade tem se mostrado uma necessidade, os casais, na sua grande maioria, não rechaçam o uso de outros meios contraceptivos. Em geral, não os consideram como um problema moral. Devemos considerar, ainda, que as relações sexuais estão orientadas à transmissão da vida, mas também ao serviço do amor conjugal. “Não há nisso nada de surpreendente, tendo em vista as exigências da lei quanto à força do instinto sexual. Mas o que não é normal é que um grande número de casais católicos está mergulhado nesta angústia”12.

O Movimento das ENS elaborou um tema de estudo, anos atrás, intitulado “Evangelizar a Sexualidade”. Nesse documento constatamos a disparidade entre a doutrina moral e a práxis do casal. Por se tratar de um assunto importante, iniciou-se no Movimento um estudo baseado nas catequeses da Teologia do Corpo, de São João Paulo II, intitulado “A Teologia da Sexualidade”.

Santo Padre, padres sinodais, senhoras e senhores, se pelo menos os casais encontrassem luz e suporte junto ao clero já seria um grande alento! Muitas vezes os conselhos contraditórios só agravam sua confusão. Pedimos, apresse-se o magistério em dar aos padres e aos fiéis as grandes linhas de uma pedagogia pastoral que ajude a adotar e observar os princípios acordados pela Humanae Vitae13.

É necessário e urgente a prolação de uma orientação fácil e segura, que responda às exigências do mundo atual, sem ferir o essencial da moral católica que precisará ser amplamente difundida.

Terminamos reiterando nossa total e incondicional fidelidade a Jesus Cristo, através do Santo Padre e da Igreja.

Fonte: ZENIT e Canção Nova

30 de setembro de 2014

O esvaziamento da Igreja Católica

Este artigo é de um amigo nosso do facebook, André Brandalise que nos disponibilizou publicar em nosso blog. 


Ao contrário do que alguns podem pensar não falarei aqui de esvaziamento de fiéis. O tema deste texto é o esvaziamento de símbolos dentro da Igreja Católica, que foi um dos motivos pelo esvaziamento de fiéis. Conseguiu compreender? Então vamos lá.

Recentemente o Jô Soares entrevistou o excomungado Padre Beto, e quando entraram no assunto sobre o uso de batina, em determinado momento o entrevistador fala:

“Desculpa, não estou querendo entrar em polêmica. É que eu acho fantástico o simbolo.Eu acho que a Igreja Católica perdeu muito exatamente porque abriu mão de vários símbolos. Porque o que atraí na crença é também a simbologia dessa crença… Os padres ficaram mais laicos que os próprios frequentadores (leia-se fiéis).”
Infelizmente Jô Soares tem uma grande razão no que diz, pois vemos que diante de uma tentativa de "modernização" do catolicismo, retiraram a mística e profundidade de muitas coisas. Para ser mais "acessível", banalizaram ou deixaram de lado vários aspectos.

A perda da mística e profundidade se deu de forma muito acentuada no século XX, pois havia uma mentalidade de se afastar do "homem medieval" e buscar o "homem racional e moderno". Não é à toa que São Padre Pio de Pietrelcina foi perseguido e censurado até mesmo dentro da Igreja, e por parte do alto clero no Vaticano. Muitos não aceitavam mais a experiência mística e espiritual, tudo teria que ter uma explicação científica e racional, ainda que para os Papas a visão fosse outra. 

A situação se agravou com a vinda do Concílio Vaticano II (CVII) - antes que alguém ache que aqui vou criticar o CVII, pode tirar o cavalinho da chuva. Como muito bem já nos apontou o Papa Bento XVI (discurso de 22 de dezembro de 2005), criaram um tal de "espírito do concílio" que serviu como desculpa para "justificar" diversas mudanças que muitos queriam fazer na Igreja, ou mesmo banalizar o que é sacro apenas porque não se acredita mais. Não é culpa do CVII, mas dos que se aproveitaram dele para fazer reformar no que não precisava.

Essa ideia de uma "Igreja nova" foi ampliada de forma absurda, e até hoje é usada como justificativa para se fazer o que quiser, e ao mesmo tempo, não se dar importância ao que verdadeiramente importa, ao essencial. Sob a ideia de uma "nova evangelização" necessária para o mundo moderno, se começa a relativizar o que a Igreja diz. Não é á toa que já ouvi gente dizendo que só vale o que os papas pós-conciliares disseram, descartando inclusive as palavras de São Pio X (papa de 4 de agosto de 1903 à 20 de agosto de 1914). Um grande erro, próprio de quem gosta de escolher aspectos da fé católica para viver e descartar o resto como se estivesse escolhendo produtos no supermercado.

Em uma postagem recente aqui no blog (Fé ou marketing?) eu trouxe um texto de uma palestra de 1977, em que o palestrante discorre sobre algumas mudanças ocorridas na Igreja e que fizeram com que ela perdesse a sua identidade e reduzisse muito a espiritualidade dos atos e símbolos. 

Vou citar alguns exemplos que vejo, mas com certeza temos muitos mais (se alguém quiser comentar, fique à vontade):

Traje eclesiástico: não há nenhuma liberação para que sacerdotes não usem as vestes clericais, pelo contrário, há determinação expressa de que se deve usar (para maiores esclarecimentos, leia este texto - Da obrigatoriedade do uso do traje eclesiástico). Mas muitos tem a ideia errada de que se chega mais perto das ovelhas ao se parecer como elas, como se a batina (ou outra veste apropriada) as afugentasse.

Este é um engano terrível. São João Paulo II já pediu aos sacerdotes que tenham coragem de assumir sua vocação, usando o principal instrumento visível:

“A vós e aos sacerdotes, diocesanos e religiosos, eu digo: alegrai-vos de ser testemunhas de Cristo no mundo moderno. Não duvideis em fazer-vos reconhecíveis e identificáveis na rua, como homens e mulheres que consagraram sua vida a Deus. (…) As pessoas têm necessidade de sinais e de convites que levem a Deus nesta moderna cidade secular, na qual restaram poucos sinais que nos lembram do Senhor. Não colaboreis com este excluir a Deus dos caminhos do mundo, adotando modas seculares de vestir ou de vos comportar!” (Discurso em Maynooth, em 1º de outubro de 1979)
O Papa Bento XVI disse uma vez:

"O presbítero é servo de Cristo, no sentido que a sua existência, ontologicamente configurada com Cristo, adquire uma índole essencialmente relacional: ele vive em Cristo, por Cristo e com Cristo ao serviço dos homens. Precisamente porque pertence a Cristo, o presbítero encontra-se radicalmente ao serviço dos homens: é ministro da sua salvação, nesta progressiva assunção da vontade de Cristo, na oração, no 'estar coração a coração' com Ele." (Audiência do dia 24 de junho de 2009)
Lendo esta palavras vejo que quando o sacerdote coloca suas vestes clericais, seja a batina (que acho bela) ou o clegyman, está dizendo a todos: eu sou padre, servo de Cristo e estou a seu serviço. Mesmo que sejam homens iguais a todos, ao mesmo tempo não são, pois neles reside uma graça especial que os diferencia dos demais. Quando querem ser igual a todo mundo, é como se recusassem esta graça, ainda que não seja a intenção. 

Como já pediu o Papa Bento XVI:

"É urgente recuperar a consciência que impele aos sacerdotes a estarem presentes, identificáveis e reconhecíveis, tanto pela sua fé, pelas virtudes pessoais como pelos hábitos, cultura e caridade que foi sempre o centro da missão da Igreja."
A veste clerical ajuda a identificar e reconhecer o sacerdote, que hoje tanto necessita destes sinais visíveis. 

Vou trazer um exemplo de como a batina traz a todos uma simbologia diferente de qualquer outra roupa. Uma vez um seminarista que conheci (que hoje é padre) foi pregar um retiro e o tema que ele iria falar era pecado, um tema difícil, ainda mais para jovens que em sua maioria não eram frequentadores da Igreja. Pois bem, ele vai usando a sua batina que chamava a atenção de longe, ainda mais porque ele era bem gordo. Eu perguntei porque ele resolveu colocar a veste (já que não era seu hábito usar), e ele disse que era um instrumento que prenderia a atenção de todos e imporia a seriedade necessária para o tema. Ou seja, não é apenas um pano preto, mas traz consigo toda uma simbologia importantíssima.

Assim, mesmo correndo o risco de contrariar amigos sacerdotes, reitero minha opinião: PARA MIM SACERDOTE TEM QUE USAR BATINA, ou pelo menos o clegyman. E se alguém se interessar por outros elementos importantes da batina, leia este texto - Excelências da Batina.

Liturgia: sobre este tema eu já escrevi muito no blog e você pode conferir clicando aqui - LITURGIA. Mas vou falar de algumas coisinhas que mostram bem a banalização do Sagrado.

Tem gente que acha que a Missa deve ser uma festa, e que a celebração deve ser festiva. Para isso resolveram que a música deve encher os ouvidos e corações, com muitos instrumentos e vozes, belos cantos, alguns até animadinhos demais, incentivando a todos a viver uma experiência emocional forte ... o que fez com que em algumas Missas se tornassem o principal atrativo. Não interessa a homilia, as orações (inclusive, se puderem ser cantadas, melhor ainda), o silêncio, etc. O que importa é que a música seja uma grande atração.

Tenho amigos que atuam neste ministério dentro da Missa e muitas vezes fazem belíssimos trabalhos, mas também chegam a esquecer que este não é foco da celebração. A música deve ser apenas um auxílio, e não um acessório essencial. Hoje, para mim, quanto menos barulho melhor, por isso evito celebrações em que os cantos sejam altos. 

Ainda, tem gente que gosta de "deixar a Missa mais bonita e emotiva" e coloca música onde não deve na celebração. No ato da consagração do pão e do vinho, em que se transformam em Corpo e Sangue de Cristo, NÃO SE TOCA E NEM CANTA NADA!!!! Por favor, nem mesmo na elevação do cálice com o Sangue de Cristo. É PARA FAZER SILÊNCIO!!!

Por que cometem este tipo de erro? Porque acham que fica bonito, porque acham que é um momento para se adorar a Deus, etc. Ou seja, com base no "espírito do Vaticano II", acham que podem mudar a previsão litúrgica.

Outro grande problema está em que muitos sacerdotes (e isso eu já vi, mesmo conhecendo vários outros que agem de forma correta) celebram a Missa sem ao menos acreditar no que estão fazendo. É sério, parece brincadeira mas não é. Quer conhecer a fé do sacerdote? Veja ele celebrando a Missa, em especial o zelo que tem no altar. É ali que acontece, em todas as celebrações, um dos grandes milagres de Deus. Não é apenas uma repetição de orações prontas, mas em cada ato há uma profundidade mística e espiritual gigantesca.

Quando vejo um sacerdote que faz tudo de qualquer jeito, que faz brincadeiras especialmente durante o serviço do altar, já sei que a vida espiritual dele está ruim. Deve ter problemas de oração, crise vocacional, crise de fé, ou qualquer outra coisa do estilo. Este tipo de coisa é um grande problema para ele e para a Igreja, como já disse o Papa Francisco:
 "O bispo que não reza, o bispo que não escuta da Palavra de Deus, que não celebra todos os dias, que não se confessa regularmente, e o mesmo para o padre que não faz estas coisas, com o tempo, perdem a sua união com Jesus e vivem uma mediocridade que não é boa para a Igreja. Por isso, devemos ajudar os bispos e padres a rezarem, a ouvirem a Palavra de Deus que é o alimento diário, a celebrarem a Eucaristia todos os dias e irem à confissão regularmente. Isto é tão importante porque diz respeito à santificação dos sacerdotes e bispos." (Audiência geral de 26/03/14)
São João Maria Vianney também já falou sobre isso:

"Quanto é triste um padre que não tenha vida interior. Mas para tê-la, é preciso que haja tranqüilidade, silêncio e o retiro espiritual."
Não há como se ter uma profunda celebração eucarística se o sacerdote que a está celebrando não crer no que está fazendo, ou pelo menos ter o zelo litúrgico necessário.

Vejo algo que me incomoda em todas as Missas: a imensa maioria das pessoas vai receber a comunhão como se estivesse em uma fila para ganhar uma bala. Não há o menor respeito pelo Cristo presente na hóstia. Por que isso? Vejo três principais motivos:

1. falta de catequese adequada: por mais que tenha sido explicado quando a pessoa fez o o curso para a 1ª comunhão, não foi o bastante para mostrar a mística do momento. 

2. a postura do sacerdote: quando o sacerdote entrega o Corpo de Cristo de qualquer jeito, como se estivesse dando uma ficha ou uma bala, quem está recebendo entende que "aquilo" que recebe não passa de um pedaço fino de pão. Ao se tratar o Sagrado como algo banal, será entendido como algo banal.

3. a distribuição da comunhão ser feita diretamente na mão: muitos não sabem mas a regra é que a comunhão seja distribuída na boca do fiel e este esteja de joelhos. A possibilidade de se ministrar na mão e a pessoa de pé é a exceção ... mas que acabou "virando regra".

Se pelo menos voltassem a distribuir a comunhão como deve ser (na boca e o fiel de joelhos), com certeza vamos conseguir voltar a respeitar o Sagrado e resgatar os verdadeiros símbolos que foram banalizados na Igreja.

Sim, é verdade que a Igreja precisa sempre estar atualizada aos novos tempos, mas com para atingir esta meta não se deve sacrificar o que lhe é essencial e faz parte de sua identidade mais profunda.

O Papa Francisco disse que a Igreja deve tomar cuidado para não se tornar uma ONG, ou seja, temos que evitar que se torne uma instituição sem a correta espiritualidade e mística. Se isso ocorre, não passaremos de repetidores de atos com discursos vazios. Precisamos urgentemente retornar ao caminho espiritual e místico da Igreja, em que levamos o Cristo Ressuscitado, cremos na sua existência e na sua ação, bem como vivenciamos a fé como deve ser feito.

Precisamos de sacerdotes (e bispos) com coragem de mostrar ao mundo que são diferentes, tanto em ações como nos símbolos visíveis. Precisamos de leigos comprometidos que não sejam apenas "papagaios de piratas" que ficam repetindo e jogando informações, mas que antes de tudo vivam a sua fé com toda a espiritualidade possível. Precisamos de sacerdotes e leigos que queiram viver a liturgia como ela deve ser vivida, e pratica-la de forma profunda.

A Igreja passa por uma grande crise em virtude desta perda dos símbolos, que se refletem na liturgia, catequese e ações pastorais, mas também afeta muito a identidade mística e espiritual da Igreja e seus membros. Isso só se combate com oração, vivência litúrgica e estudo da doutrina e magistério.


BRANDALISE, André Luiz de Oliveira, O esvaziamento da Igreja Católica, publicado em 28/09/14 no site “André Brandalise” - http://www.alobrandalise.com/2014/09/o-esvaziamento-da-igreja-catolica.html 

13 de agosto de 2014

O legado da caridade de Dom Luciano Mendes

Após 8 anos de falecimento do arcebispo marianense Dom Luciano Mendes de Almeida, pode-se ter uma noção dos aspectos de sua vida que o torna apto a alcançar a honra do altares e passar a ser apresentado pela Igreja Católica como exemplo de santidade e modelo de fé em Jesus Cristo.
A Congregação para a Causa dos Santos autorizou a abertura do processo para a canonização em nível diocesano, que vai ocorrer no dia 27 de agosto. O pedido enviado a Roma foi assinado por mais de 300 bispos brasileiros. Dessa forma, Dom Luciano passa a ser chamado Servo de Deus. Agora passa-se a analisar presumiveis milagres e ouve-se as testemunhas.
Dom Luciano nascido no Rio de Janeiro no dia 5 de outubro de 1930 foi o primeiro bispo jesuíta no Brasil. Viveu sua vida segundo seu lema “Em nome de Jesus”. Era arcebispo de Mariana quando faleceu aos 75 anos de idade.  Exerceu funções de relevância, tais como participação em diversos sínodos em Roma, secretário geral (de 1979 a 1986)  e presidente (1987 1 1994) da CNBB. Fez parte do Conselho Permanente desta entidade de 1987 até sua morte. Atuou na Pontifícia Comissão Justiça e Paz, do Conselho Episcopal Latino-Americano e da Comissão Episcopal para a Superação da Miséria e da Fome.
Mas, o grande legado deste bispo é a caridade. Caridade que a própria identidade de Deus porque “Deus é amor” (1 Jo 4, 16).  O amor que retratava beste grande homem pela caridade era a forma que ele encontrava de no cotidiano da vida experimentar das realidades celestes. Dom Luciano era um servo dos humildes, dos pobres, dos simples e dos marginalizados. Já no leito do hospital pediu: “Nãos esqueçam dos meus pobres” e por isso é chamado por muitos como “o pastor dos esquecidos”. Ele fazia os pequenos gestos e palavras serem carregados de suma importância, capazes de gerar conforto, consolo e alívio. Quando foi eleito presidente da CNBB lhe perguntaram como seria sua atuação. Ele mais uma vez demonstrou sua caridade, que provém de um coração próximo ao de Deus, capaz de sentir e ver a partir dos mais sofredores: “Peço a Deus atuar na conversão dos homens do egoísmo ao verdadeiro amor, sem conformismo e se  a impaciência dos violentos, para que as estruturas de convivência humana correspondam cada vez mais à dignidade dos filhos de Deus”.  

Sua presença discreta, e na maioria das vezes atrasada, era aguardada com ansiedade por todos, pois era “Dom Luciano que estava vindo”. Santos nos fazem esperar, pois não é qualquer dia que os encontramos vivos. Santos elevam nossos corações para Deus e os estende aos irmãos. Santos nos mostram como Deus age e cuida daqueles que são mal vistos e mal amados. Santos nos arranca de nosso comodismo e nos mostra uma lógica própria, pois é a lógica do amor misericordioso. Santos como Dom Luciano não são simplesmente homens, mas uma “imagem bonita de Deus” como uma vez Mons. Júlio Lancelotti descreveu o bispo marianense.

Geraldo Trindade
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diácono na Arquidiocese de Mariana, bacharel em filosofia pela FAM, formado em teologia pelo Instituto São José de Mariana. Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/

12 de agosto de 2014

O que a Igreja católica pensa sobre a guerra


Padre Mário Marcelo Coelho, scj, é Doutor em Teologia Moral e ressalta necessidade de esperança e um desejo cada vez mais contrário à guerra como instrumento de solução dos conflitos

“Bem-aventurados os que promovem a paz” (Mt 5,9)

No número 2302 do Catecismo da Igreja Católica lemos: “Ao lembrar o preceito “Tu não matarás” (Mt 5,21), Nosso Senhor pede a paz do coração e denuncia a imoralidade da cólera assassina e do ódio.” O Senhor disse: ‘Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão terá de responder no tribunal’” (Mt 5,22).

Toda forma de ódio, de vingança, de violência contra o irmão é um mal e contrário à caridade. O reconhecimento da dignidade do ser humano exige a paz, o respeito aos irmãos e o cultivo da fraternidade e da vida, “obra da justiça” (Is 32,17) e efeito da caridade.

Ainda nos números 2307 e 2308 o Magistério denuncia de modo veemente toda forma de violência: “O quinto mandamento proíbe a destruição voluntária da vida humana. Por causa dos males e das injustiças que toda guerra acarreta, a Igreja insta cada um a orar e agir para que a Bondade Divina nos livre da antiga escravidão da guerra… Cada cidadão e cada governante deve agir de modo a evitar as guerras. Enquanto, porém, houver perigo de guerra, sem que exista uma autoridade internacional competente e dotada de forças suficientes, e esgotados todos os meios de negociação pacífica, não se poderá negar aos governos o direito de legítima defesa”.

O Papa João XXIII na encíclica Pacem in Terris afirma que os conflitos devem ser resolvidos pela negociação e não pela guerra (126).  De forma mais contundente afirma ainda, “torna-se absurdo sustentar que a guerra é um meio apto para repor o direito violado” (127). A constituição pastoral Gaudium et Spes condena radicalmente toda ação bélica levada a cabo por qualquer tipo de armamento com a  destruição massiva (GS 80). Portanto existe uma condenação explícita da guerra total. Para o Magistério, o objetivo de todas as Nações deve ser a eliminação de toda guerra (GS 82).

O Papa Francisco na oração do Ângelus do dia 27 de julho de 2014 fez um apelo para que cessem os confrontos, as guerras através de “um diálogo paciente e corajoso” em prol da paz. “Peço-vos, de todo o coração: por favor, parem (os ataques). É tempo de parar”, exclamou o Pontífice. E ainda: “Peço que se unam em minha prece para que o Senhor conceda às populações e às autoridades destas regiões a sabedoria e a força necessárias para que seja obtido com determinação o caminho da paz”.

O Papa citou a dor das pessoas que vivem em guerra destacando a situação das crianças: “Nunca a guerra. Penso sobretudo nas crianças, das quais se tira a esperança de uma vida digna, de um futuro: crianças mortas, crianças feridas, crianças mutiladas, crianças órfãs, crianças que têm como brinquedos resíduos bélicos, crianças que não sabem sorrir. Parem, por favor! Vos peço de todo o coração. É hora de parar! Parem, por favor!”.

Homens e mulheres deverão trazer em seus corações a esperança, o desejo cada vez mais contrário à guerra como instrumento de solução dos conflitos entre os povos, e sempre mais inclinados à busca de instrumentos eficazes, mas “não violentos”, para bloquear o agressor armado (Cf JOÃO PAULO II, Carta encíclica “Evangelium Vitae”. n. 27).

Fonte: Canção Nova

10 de agosto de 2014

A luta de satanás contra o sacerdócio

O diabo sabe que a melhor maneira de destruir a religião é atacando o sacerdócio

















































“Para fazer reinar Jesus Cristo no mundo, nada é mais necessário do que um clero santo, que seja, com o exemplo, com a palavra e com a ciência, guia dos fiéis” [1]. Estas são palavras que os Santos Padres não se cansam de repetir ao orbe católico, desde que foram pronunciadas, pela primeira vez, pelo papa São Pio X. De fato, o testemunho de um bom sacerdote é capaz de arrastar centenas de fiéis à Igreja de Cristo, quer por meio da pregação, quer por meio da administração dos sacramentos, quer por meio da obediência às normas eclesiais, como o celibato.
A missão do sacerdote resume-se àquela regra máxima da Igreja, de que falam os santos: Salus animarum suprema Lex – a lei suprema é a salvação das almas. Por isso o Papa Bento XVI, na proclamação do Ano Sacerdotal, em 2009, exortou o clero católico a redescobrir a dimensão eclesial de seu ministério. Somente na comunhão com a Igreja o sacerdote pode atingir aquela santidade necessária “para fazer reinar Jesus Cristo no mundo”. Explica-nos o Papa Emérito: “a missão é eclesial, porque ninguém se anuncia nem se leva a si mesmo, mas, dentro e através da própria humanidade, cada sacerdote deve estar bem consciente de levar Outro, o próprio Deus, ao mundo” [2].
Essa realidade não é desconhecida pelo diabo, tampouco por aqueles que fazem as suas vezes na terra, disseminando o joio no meio do trigo. Não é para admirar, por conseguinte, que, no combate à Igreja, o primeiro alvo seja o sacerdócio. “Quando se quer destruir a religião” – observava o santo Cura d’Ars –, “começa-se por atacar o padre” [3]. Com efeito, a primeira tentação demoníaca contra os sacerdotes é a de afastá-los da comunhão eclesial, incentivando-os à dissidência, aplaudindo hereges e ridicularizando aqueles que se submetem de bom grado à autoridade do Santo Padre. Trata-se do primeiro non serviam demoníaco: o não à Igreja.
Os argumentos – ou, no caso, as mentiras – são os mesmos de sempre: o celibato é transformado em símbolo de castração, que fere o direito à sexualidade e leva à pedofilia; o hábito eclesiástico é tachado de indumentária antiquada, que afasta o clero do povo; o padre passa a ser somente o “presidente” da celebração; a obediência a Roma é considerada clericalismo; as normas litúrgicas são suprimidas em nome de uma falsa criatividade; o padre, é dito, não pode ficar preso a “regras de orações medievais”; isto, outros reclamam, não está de acordo com o Concílio Vaticano II; o padre não é sacerdote, mas presbítero; ele tem uma mentalidade pré-conciliar etc. Repetidas ad nauseam pela mídia – e por uma porção de maus teólogos que agem em conluio com ela –, essas ideias perniciosas vão aos poucos minando a identidade do sacerdote, até ao ponto de levá-lo a proclamar o segundo non serviam do diabo: o não a Cristo.
Não é preciso gastar muita tinta, porém, para explicar os erros contidos nestes sofismas. Muito mais sabiamente responderam os santos padres – vivendo a sua vocação de maneira exemplar –, como também o Magistério da Igreja – seja nas encíclicas papais, sejo nos outros inúmeros documentos já publicados a esse respeito. O que é preciso ter em conta é que a luta que se trava contra o sacerdócio é, na verdade, uma luta contra a Pessoa de Jesus Cristo. O padre, não nos esqueçamos, é um Alter Christus (Outro Cristo), dado o caráter impresso em sua alma pelo sacramento da ordem. Por isso, é compreensível a raiva do diabo pela castidade dos sacerdotes – “o mais belo ornamento de nossa ordem”, como elogiava São Pio X –, pois ela remete à virgindade de Cristo, que também foi guardada até a morte na cruz [4]. É compreensível o ódio do diabo à batina negra – a “heroica e santa companheira” de Dom Aquino Correa –, porque o luto recorda o sacrifício redentor da cruz, pelo qual a morte foi vencida [5].
O remédio às insinuações diabólicas, por conseguinte, não pode ser outro senão aquele prescrito por Bento XVI, durante o Ano Sacerdotal [6]:
É importante favorecer nos sacerdotes, sobretudo nas jovens gerações, uma correta recepção dos textos do Concílio Ecuménico Vaticano II, interpretados à luz de toda a bagagem doutrinal da Igreja. Parece urgente também a recuperação desta consciência que impele os sacerdotes a estar presentes e ser identificáveis e reconhecíveis quer pelo juízo de fé, quer pelas virtudes pessoais, quer também pelo hábito, nos âmbitos da cultura e da caridade, desde sempre no coração da missão da Igreja.
Enfim, não se há de esquecer a mediação de Nossa Senhora, mãe solícita dos sacerdotes e a inimiga de todas as heresias. Na sua viagem a Fátima, em 2010, o Santo Padre não perdeu a oportunidade de confiar à Virgem, “os filhos no Filho e seus sacerdotes”, consagrando-os ao seu Coração Materno, para que cumprissem fielmente a Vontade do Pai [7]. Neste ato, o Papa Bento XVI ensinava ao clero do mundo inteiro que o melhor caminho de santidade e escudo contra o demônio é a intercessão de Nossa Senhora. É também o ensinamento dum outro padre que, não por acaso, muito se assemelha às palavras de São Pio X, ao início deste texto: “foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo” [8].
Por Christo Nihil Praeponere
Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog

Referências

  1. Carta La ristorazione: Acta Pii X, I, p. 257.
  2. Discurso do Papa Bento XVI durante a audiência concedida à Congregação para o clero (16 de março de 2009).
  3. João XXIII, Carta Enc. Sacerdotii Nostri Primordia (1° de agosto de 1959), n. 63.
  4. Ibidem, n. 16.
  5. A minha batina – poema de Dom Aquino Correa.
  6. Discurso do Papa Bento XVI durante a audiência concedida à Congregação para o clero (16 de março de 2009).
  7. Ato de confiança e consagração dos sacerdotes ao Imaculado Coração de Maria (12 de maio de 2010)
  8. São Luís de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

7 de agosto de 2014

O demônio odeia a Igreja

Se o mundo odeia a Igreja, é porque primeiro odiou a sua cabeça. Quem diz não à Igreja, diz não ao próprio Jesus Cristo.


































O Papa Pio XII ensina que o inimigo, “que se tornou cada vez mais concreto”, vociferou três gritos contra Deus. Ao destacar isso, ele lembra que, embora seja uma invenção angélica, o pecado também encontra seus servidores em meio aos homens. Muitos deles, com as suas ideias e atitudes, realmente se revestem de Satanás, semeando o erro e introduzindo a confusão entre as próprias ovelhas do redil de Cristo.
O primeiro grito de que fala o Papa – “Cristo sim, a Igreja não!” [1] – é uma rebeldia conhecida. Embora sua grande manifestação tenha acontecido no século XVI, com Martinho Lutero e os chamados “reformadores” protestantes, essa forma de pensar parece estar na moda hoje em dia. É frequente ler ou ouvir pessoas defendendo que se pregue “mais Jesus, menos religião”, como se Nosso Senhor não tivesse verdadeiramente fundado uma só Igreja: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” [2] e não se tivesse vinculado a ela como a cabeça se vincula ao corpo humano: “Cristo, salvador do Corpo, é a cabeça da Igreja” [3].
O Papa Paulo VI recorda que não é possível amar Cristo sem a Igreja, chamando tal dicotomia de absurda: “Como se poderia querer amar Cristo sem amar a Igreja, uma vez que o mais belo testemunho dado de Cristo é o que São Paulo exarou nestes termos: ‘Ele amou a Igreja e entregou-se a si mesmo por ela’ (Ef 5, 25)?” [4]. Também o Papa Francisco, em seus discursos e meditações na Casa Santa Marta, tem repetido esse ensinamento. E ainda Pio XII, ao destacar que Jesus podia distribuir as graças “diretamente por si mesmo a todo o gênero humano”, ensina que Ele:
“Quis, porém, comunicá-las por meio da Igreja visível, formada por homens, a fim de que por meio dela todos fossem, em certo modo, seus colaboradores na distribuição dos divinos frutos da Redenção. E assim como o Verbo de Deus, para remir os homens com suas dores e tormentos, quis servir-se da nossa natureza, assim, de modo semelhante, no decurso dos séculos se serve da Igreja para continuar perenemente a obra começada.” [5]
O grande escândalo que as pessoas experimentam em relação à necessidade da Igreja diz respeito especialmente ao fato de ela, ainda que indefectivelmente santa, possuir em seu seio membros pecadores, que não raras vezes maculam a sua imagem e ação no mundo. Sobre isso, Pio XII explica que, “se às vezes na Igreja se vê algo em que se manifesta a fraqueza humana, isso não deve atribuir-se (...) [senão] àquela lamentável inclinação do homem para o mal”. E remata dizendo que, “se alguns de seus membros estão espiritualmente enfermos, não é isso razão para diminuirmos nosso amor para com ela, mas antes para aumentarmos a nossa compaixão para com os seus membros” [6].
À luz disso, é possível entender o significado correto do adágio Ecclesia semper reformanda est. As reformas genuínas brotam dos corações que amam Nosso Senhor, dos espíritos apaixonados de homens e mulheres que não temem renunciar a seus desejos e suas ideias para se configurarem totalmente a Cristo, que é a cabeça da Igreja [7]. É por Ele que acontecem as verdadeiras reformas: se, pelos pecados dos homens, a Igreja está em constante renovação, é sempre por iniciativa divina que ela se renova; se, pelas faltas dos membros, o Corpo fica ferido, é sempre pela ação da graça que acontece a cura.
O agir de Deus, no entanto, se faz necessitado da liberdade humana. Assim como Ele fez depender do fiat de uma Virgem a sua entrada no mundo, faz depender do “sim”de cada um de nós a Sua ação providente. Se destemida e generosamente nos lançamos a esta misteriosa aventura que é a vontade de Deus, santificamo-nos e edificamos a Cidade de Deus; se, ao contrário, mesquinha e covardemente nos fechamos no comodismo de nossos caprichos e veleidades – apegando-nos ciosamente a nós mesmos, para usar a expressão do Apóstolo [8] –, destruímo-nos e regressamos à perecível cidade dos homens, na qual só reinam o erro e a confusão.
Não desanimemos se o demônio odeia a Igreja. Lembremo-nos, antes, da advertência de Nosso Senhor aos Apóstolos: “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como ama o que é seu; mas, porque não sois do mundo, (...) o mundo vos odeia” [9].
Por Equipe Christo Nihil Praeponere
Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog

Referências

  1. Pio XII, Discorso agli uomini di Azione Cattolica, 12 ottobre 1952
  2. Mt 16, 18
  3. Ef 5, 23
  4. Evangelii nuntiandi, 16
  5. Mystici Corporis, 12
  6. Ibidem, 64
  7. Cf. Papa Bento XVI, Homilia na Santa Missa Crismal, 5 de abril de 2012
  8. Cf. Fl 2, 6
  9. Jo 15, 18-19

22 de março de 2014

João XXIII e João Paulo II: bondade e misericórdia de Deus para a Igreja

João XXIII e João Paulo II: bondade e misericórdia de Deus para a Igreja
Dia 27 de abril de 2014, Festa da Divina Misericórdia, o Senhor reserva à sua Igreja Santa, Católica, Apostólica e Romana um mimo de sua infinita bondade: a canonização, ou seja, passam a ser santos dois papas, João XXIII, o papa bom e João Paulo II, o papa pop. O primeiro trouxe ao trono de Pedro a humildade e a proximidade com o povo; o segundo rejuvenesceu a Sé apostólica com seu carisma e seu poder de sedução junto às multidões.

Bento XVI dispensou os 5 anos necessários após a morte para abrir o processo de canonização de João Paulo. Francisco inovou ao suspender a necessidade de mais um milagre para a canonização de João XXIII. Ambos pontífices beatos, que em breve serão incluídos na lista dos santos da Igreja Católica têm duas realidades que os marcam: o Concílio Vaticano II e a Igreja. O concílio marcou a vida e o ministério de ambos, pois foi o maior evento eclesial no século XX, propiciou que a caridade e a paz se concretizassem na vida da Igreja, que é mãe generosa e cuidadosa, que se faz próxima dos homens e mulheres consolando, ajudando e sustentando na esperança. João é o papa bom, pai de toda a humanidade, ele a abraçava e a abençoava. João Paulo visitando o mundo inteiro, fez-se o mensageiro da paz e promotor da vida, da fraternidade entre os povos e acolhedor dos necessitados. Ambos são santos, pois consistiram em viver a vida boa do Evangelho nas situações mais diversificadas que a Providência divina os colocava.

O papa João XXIII  foi eleito no dia 28 de outubro de 1958. Por sua idade foi tomado como um papa de transição, mas surpreendeu o mundo com a convocação para o Concílio Vaticano II (1962-1965) e propiciou para que se vivesse em uma Igreja aberta ao mundo. João Paulo II foi eleito em 1978 e foi o primeiro papa não italiano em 456 anos. Entrou para a história pelo seu carisma e pelas viagens que fez aos quatro cantos do mundo encontrando com diversas pessoas e comunidades. Foi um grande missionário, um evangelizador universal, comunicador, fecundo no apostolado da palavra e dos seus escritos.

A Igreja vive destas grandes riquezas e heranças, da simplicidade do papa bom, João XXIII, e do papa misericordioso e sofredor, João Paulo II. A ação do Espírito Santo na Igreja é atuante constante em todos os momentos e lugares. Vemos verdadeiramente que a Igreja é antes de tudo a comunidade daqueles que são chamados à santidade e se empenha em cada dia para alcançá-la. Seguindo as pegadas destes dois grandes homens saberemos que nos encaminharemos em direção a Jesus Cristo. Ele que é o Pai das Misericórdias forja nos corações simples de várias pessoas o molde da santidade, planta ali sua semente de vida nova, transformando-as em corajosas testemunhas do amor de Deus em sua vida, que se estende a todas as pessoas.

A Igreja com esta atitude de canonizar estes grandes homens canoniza seus estilos de vida, suas virtudes heroicas, pois ambos são apresentados como modelos de vida a serviço da Igreja e de Deus, foram em seu tempo instrumentos da ação do Espírito Santo. No ato de elevá-los à honra dos altares, o papa Francisco mostra-nos caminhos de santidade de duas pessoas que souberam colocar-se à altura dos momentos e servir a Igreja, que é a Igreja de Cristo Jesus. Abre-se para todos os cristãos a partir de João XXIII e João Paulo II os caminhos da santidade, da simplicidade, da bondade e da misericórdia.

Colunista do Blog Evangelizando
Geraldo Trindade
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
diácono na Arquidiocese de Mariana, bacharel em filosofia pela FAM, formado em teologia pelo Instituto São José de Mariana. Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/

11 de fevereiro de 2014

Via Twitter, Francisco pede orações por Bento XVI
























Um ano após a renúncia de seu predecessor, Francisco pede que fiéis rezem pelo Papa Emérito, homem de “coragem e humildade”

No dia em que se recorda a renúncia de Bento XVI, o Papa Francisco pediu orações por seu predecessor. “Hoje, convido-vos a rezar juntos comigo por Sua Santidade Bento XVI, um homem de grande coragem e humildade”, escreveu Francisco em sua conta no Twitter.

Há exatamente um ano, a Igreja e o mundo presenciavam um fato histórico: a renúncia de um Papa. Em 11 de fevereiro de 2013, Bento XVI anunciava o fim de seu ministério petrino.


“Depois de ter examinado, repetidamente, a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino”, disse Bento XVI explicando o motivo de sua decisão.

Fonte: Canção Nova

Estamos juntos com toda a Igreja de Cristo, para rezarmos pelo Papa Emérito Bento XVI este homem que nos deixou um forte legado de ensinamentos e ainda hoje nos deixa com seus livros e catequeses, um fonte ensinamento sobre a Doutrina da Igreja, os Santos, a Fé etc. Que o Senhor Jesus Cristo, derrame sobre a vida de Bento XVI muita saúde e paz, ele que está a interceder pela Igreja e todos os seus fiéis. Nós te amamos querido e amado Bento XVI.

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