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9 de janeiro de 2013

Programa Brasileiro produzirá série sobre o Concílio Vaticano II

Blog Evangelizando!

Cidade do Vaticano (RV) - Recordar o Concílio Ecumênico Vaticano II. A partir do próximo dia 16, o Programa Brasileiro da Rádio Vaticano dedicará um especial todas as quartas para celebrar os 50 anos deste evento que renovou a vida da Igreja e a sua relação com o mundo:

Uma viagem através dos Papas do Concílio, dos documentos, de relatos, entrevistas e análises para reavivar a sua grandeza profética, sem deixar de olhar para o futuro, reforçando a Igreja como Povo de Deus.

A Igreja como Povo de Deus, aliás, é o aspecto ressaltado pelo teólogo Paulo Suess, Assessor teológico do Cimi, em visita recente à nossa emissora:

Eu creio que nós precisamos repensar a teologia do Povo de Deus, como o Concílio definiu. Leigos, religiosos, as cúrias, os bispos – todos fazem parte deste povo de Deus. O Concílio definiu isso: a Igreja como mistério, a Igreja não é burocracia curial; e como povo de Deus. Depois, este povo de Deus está se diversificando em diferentes dons que cada um recebeu, e tarefas que cada um tem. Nessas tarefas, não há subordinação, mas coordenação e participação. 
Clique aqui para ouvir a entrevista completa: RealAudioMP3 

(BF)

Fonte: Rádio Vaticano

Redação: Blog Evangelizando

Papa: "Viver a fé todos os dias, concretamente"

Blog Evangelizando!

Bom dia, amigos! Quarta-feira é dia de Audiência Geral aqui no Vaticano. Como sempre, Bento XVI saudou os fiéis e peregrinos em português, com essas palavras: 


"Uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, a quem agradeço a presença e desejo a riqueza imensa e inesgotável que é Cristo, o Deus feito homem. Revesti-vos de Cristo! E, com Ele, o vosso Ano Novo não poderá deixar de ser feliz. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção."

Cidade do Vaticano (RV) – Nesta quarta-feira, 09, o Papa recebeu fiéis e turistas na Sala Paulo VI, no tradicional encontro das quartas-feiras.

Na audiência, o Pontífice fez uma longa catequese em italiano, explicando o sentido da encarnação, o “mistério do Verbo, Filho de Deus, que se fez carne”. 

“Com a encarnação – disse o Papa – Deus não nos dá apenas alguma coisa, mas nos dá a si mesmo, entregando-nos seu Filho por nós. E é assim que nós devemos agir em nossos relacionamentos: movidos pela gratuidade e pelo amor”. 

A este ponto, Bento XVI introduziu um segundo elemento em sua catequese: “Os presentes que trocamos com pessoas amigas, como o fizemos no Natal, podem ser gestos convencionais, mas geralmente expressam carinho; são sinal de amor e de respeito”. “Esta ‘doação’ no Natal nos recorda que Deus, naquela noite Santa, se fez carne, assumiu a nossa humanidade e nos ‘doou’ a sua divindade”. 

O Papa continuou lembrando outro aspecto importante da encarnação: o extraordinário realismo do amor de Deus, que quis entrar em nossa história carregando sobre si o peso da vida humana: “Ele nos ensina que nossa fé não tem a ver apenas com a inteligência e o coração, mas deve tocar e orientar toda a nossa vida, concretamente”. 

E enfim, Bento XVI concluiu afirmando que “aquele menino, o Filho de Deus que contemplamos no Natal, nos mostra quem é o homem, o verdadeiro rosto do ser humano, e como, seguindo-o, dia após dia, realizamos o projeto de Deus para nós”. 

O Papa pediu que todos meditemos sobre a grande e maravilhosa riqueza do Mistério da Encarnação, deixando que o Senhor nos ilumine e nos transforme cada vez mais, à imagem de seu Filho, feito homem por nós. 

Resumindo sua catequese em português, Bento XVI disse:

O Filho Unigênito de Deus encarnou e fez-Se homem, para nos tornar participantes da sua natureza divina. Entre os usos e costumes do período natalício, conta-se a troca de presentes em sinal de amizade e estima. Pois bem! Na Noite de Natal, vimos Jesus assumir a nossa humanidade, para nos dar a sua divindade: ao fazer-Se carne, quis dar-Se a Si mesmo aos homens. Jesus é o presente maior. Quem não consegue dar algo de si mesmo, dá sempre demasiado pouco! Por vezes, procura-se compensar ou substituir com coisas materiais o compromisso de nos darmos a nós próprios. O mistério da encarnação mostra que Deus não procede assim; não Se limita a dar-nos coisas, mas quis dar-Se a Si mesmo no seu Filho Unigênito. Ele fez-Se verdadeiramente um de nós, para nos comunicar a sua própria vida; e fê-lo, não com a investida de um soberano que subjuga o mundo com o seu poder, mas com a humildade dum Menino. Em Jesus, manifesta-se plenamente o homem ao homem”.

“Uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, a quem agradeço a presença e desejo a riqueza imensa e inesgotável que é Cristo, o Deus feito homem. Revesti-vos de Cristo! E, com Ele, o vosso Ano Novo não poderá deixar de ser feliz. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção”. 

Na conclusão da audiência, o Papa concedeu a todos a sua bênção.
(CM)

Fonte: Rádio Vaticano

Redação: Blog Evangelizando

7 de janeiro de 2013

Papa reza pelo Ano da Fé

Para anunciar Jesus com alegria não se necessita de especialistas.

Cidade do Vaticano (RV) - Que no Ano da Fé os cristãos "possam aprofundar o conhecimento do mistério de Cristo e testemunhar com alegria o dom da fé n'Ele". Esse é o pedido que o Santo Padre confia à oração da Igreja em sua intenção geral para o mês de janeiro.

Nestes últimos meses, sobretudo nas audiências gerais, o Papa tem desenvolvido uma reflexão específica sobre o Ano da Fé e sobre as responsabilidades que ele comporta para os cristãos.
Partir para a batalha em clara situação de desvantagem é algo que não deixa tranqüilo nenhum general, nem o último dos infantes. A não ser que sabia poder contar com um aliado de desmedida superioridade.

O Ano da Fé proclamado por Bento XVI quase três meses atrás contém para quem crê o espírito desse desafio: um combate em condições de ambiente sempre mais hostil – portanto, com as dificuldades, e também os temores induzidos pela inferioridade numérica –, mas com a certeza de que quem combate lado a lado tem a força da onipotência.

Não por acaso, ao abrir o Ano da Fé, o Pontífice impeliu os cristãos para os "desertos do mundo contemporâneo", isto é, para onde a terra da fé apresenta as rachaduras da infertilidade inclusive entre os batizados:
"O cristão hoje muitas vezes não conhece nem mesmo o núcleo central da própria fé católica, do Credo, de modo a deixar espaço para um certo sincretismo e relativismo religioso, sem clareza sobre as verdades sobre as quais crer e sobre a singularidade salvífica do cristianismo. (...) Ao invés, devemos voltar a Deus, ao Deus de Jesus Cristo, devemos redescobrir a mensagem do Evangelho, fazê-la entrar de modo mais profundo em nossas consciências e em nossa vida cotidiana." (Audiência geral, 17 de outubro de 2012)

Muitas vezes, afirma o Pontífice, a fé "é vivida de modo passivo e privado" e esse modo de ser está na base da "fratura" que existe "entre fé e vida". No entanto, reiterara recentemente Bento XVI, para tornar eficaz o anúncio de Jesus aos outros, jamais foi preciso o pedestal de uma cátedra:

"De fato, a evangelização não é obra de alguns especialistas, mas de todo o Povo de Deus, sob a condução de Pastores. Todo fiel, na e com a comunidade eclesial, deve sentir-se responsável pelo anúncio e pelo testemunho do Evangelho." (Discurso à Congregação para os Bispos, 20 de setembro de 2012)

Ademais, na intenção de oração, o Papa utiliza uma palavra que muitas vezes passa inobservada ou é considerada uma espécie de "ornamento" estético ao conceito da evangelização, ou seja, o fato de testemunhar com "alegria". Para abrir uma brecha nos muros de indiferença em relação a Deus, o Pontífice disse ser necessários cristãos "entusiastas da própria fé". Um entusiasmo, porém, que não é ingênuo:
"A alegria cristã brota desta certeza: Deus está conosco, está comigo, na alegria e na dor, na saúde e na doença, como amigo e esposo fiel. E essa alegria permanece também na provação, no próprio sofrimento, e permanece não superficialmente, mas no profundo da pessoa que se entrega a Deus e n'Ele confia." (Angelus, 16 de dezembro de 2007)
Esclarecido o contexto do desafio – e a natureza da confiança a carregar no coração –, Bento XVI enumerou as armas com as quais combatê-lo:
"Nem cajado, nem alforje, nem dinheiro, nem duas túnicas – como diz o Senhor aos Apóstolos enviando-os em missão –, mas o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II são expressão luminosa." (Abertura do Ano da Fé, 11 de outubro de 2012)
(RL)


Fonte: Rádio Vaticana

Redação: Blog Evangelizando

28 de dezembro de 2012

Entenda a diferença entre 'Igreja' e 'Estado do Vaticano'

"Através dos núncios, o Papa intervém na tutela dos direitos da Igreja, indicando os caminhos morais a seguir para o bem da pessoa humana, do ponto de vista cristão", explica padre Federico Lombardi.


Blog Evangelizando!

Olá Amigos nesta breve matéria publicada pela Radio Vaticano, O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, concedeu uma entrevista ao mensal italiano "Dom Orione Hoje", explicando o 'relacionamento' a Igreja universal e o Estado Vaticano. Veja:

Padre Lombardi adianta que "a Igreja respeita completamente a autonomia do parlamento e os leigos cristãos oferecem sua contribuição política e civil de acordo com suas responsabilidades". "A Igreja se limita a fornecer indicações para que seus fiéis vivam tais responsabilidades de modo correto, sempre de acordo com a doutrina social da Igreja", frisou. 

"Às vezes, quando estão em questão valores importantes para a dignidade da pessoa, a justiça e a paz, a Igreja local, ou até o Papa, fazem avaliações ou expressam publicamente sua preocupação", completou.

Em relação ao exterior, o diretor da Sala de Imprensa afirma que a Santa Sé mantém embaixadores – núncios – junto a governos de todo o mundo. "Através deles, o Papa intervém na tutela dos direitos da Igreja, indicando os caminhos morais a seguir para o bem da pessoa humana, do ponto de vista cristão, no papel de 'autoridade moral internacional'". 

Sobre a diferença entre a Igreja 'comunidade de fiéis' e a Igreja 'Estado', padre Lombardi explica que "o essencial é entender que Jesus continua a existir no tempo graças à fundação da Igreja, ou seja, da comunidade que vive de fé, de esperança e de caridade, encontrando na figura de Cristo o caminho para encontrar o Senhor". "Tal comunidade – acrescenta – é liderada pelo Santo Padre, sucessor de Pedro, e pelos bispos, sucessores dos Apóstolos". 

"O que mais conta – conclui – é a 'comunidade da Igreja'. O fato que o Papa seja o chefe de um Estado certamente ajuda, mas poderia tranquilamente não o ser. A existência do Estado Pontifício não é uma condição 'sine qua non'". 

Fonte: Rádio Vaticano

Bento XVI: “Onde Deus é esquecido, não existe paz”

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 O que o Papa afirma é completamente correto, não pode existir paz aonde Deus não existe, aonde Deus é esquecido.

veja mais logo abaixo.


“A rejeição a Deus pelo mundo contemporâneo leva à rejeição do outro, principalmente dos mais vulneráveis”. Foi uma das advertências feitas pelo Papa durante a tradicional Missa do Galo, segunda-feira, 24 de dezembro, na Basílica de São Pedro.
“Estamos completamente ‘cheios’ de nós mesmos, de modo que não resta qualquer espaço para Deus; deste modo, a grande questão moral sobre o modo como nos comportamos com os estrangeiros, os refugiados, os imigrantes ganha um sentido ainda mais fundamental: Temos verdadeiramente lugar para Deus, quando Ele tenta entrar em nós?” – questionou o Papa na missa, concelebrada no Altar da Confissão por cerca de 30 cardeais.
No início da cerimônia, de mais de duas horas, acompanhada por um coral em latim, música de órgão e som de trombetas, Bento XVI percorreu a Basílica de São Pedro sobre uma plataforma móvel, saudando e abençoando os fiéis que o aplaudiam.
“Correntes de pensamento muito difundidas afirmam que a religião, em particular o monoteísmo, seria a causa da violência e das guerras no mundo; que seria preciso libertar a humanidade da religião para se estabelecer a paz; que o monoteísmo, a fé em um único Deus, seria prepotência, motivo de intolerância, já que por sua natureza tentaria se impor a todos com a pretensão da única verdade”.
“É certo que o monoteísmo serviu durante a história como pretexto para a intolerância e para a violência” – esclareceu o Pontífice, continuando: “É verdade que uma religião pode se desviar e chegar a se opor à natureza mais profunda quando o homem pensa que deve tomar em suas mãos a causa de Deus, fazendo de Deus sua propriedade privada. Devemos estar atentos contra a distorção do sagrado”.
A este respeito, Bento XVI definiu a violência em nome de Deus como uma “doença da religião”:
“Mas mesmo que seja incontestável um certo uso indevido da religião na história, não é verdade que o “não” a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, se extingue também a dignidade divina do homem”, concluiu Bento XVI
Em seguida, o Papa convidou os fiéis a “irem ‘virtualmente’ a Belém, aos lugares onde o Senhor viveu, trabalhou e sofreu:
“Rezemos nesta hora pelas pessoas que atualmente vivem e sofrem em Belém. Rezemos para que lá haja paz. Rezemos para que israelenses e palestinos possam conduzir sua vida na paz do único Deus e na liberdade. Peçamos também pelos países vizinhos – o Líbano, a Síria, o Iraque, etc. – para que lá se consolide a paz. Que os cristãos possam conservar suas casas naqueles países onde teve origem a nossa fé; que cristãos e muçulmanos construam, juntos, seus países, na paz de Deus”.
Publicamos a seguir a íntegra da homilia proferida por Bento XVI na Missa do Galo, na noite desta segunda, 24, na Basílica de São Pedro. A tradução em português é de autoria da Secretaria de Estado do Vaticano.
“Amados irmãos e irmãs!
A beleza deste Evangelho não cessa de tocar o nosso coração: uma beleza que é esplendor da verdade. Não cessa de nos comover o facto de Deus Se ter feito menino, para que nós pudéssemos amá-Lo, para que ousássemos amá-Lo, e, como menino, Se coloca confiadamente nas nossas mãos. Como se dissesse: Sei que o meu esplendor te assusta, que à vista da minha grandeza procuras impor-te a ti mesmo. Por isso venho a ti como menino, para que Me possas acolher e amar.
Sempre de novo me toca também a palavra do evangelista, dita quase de fugida, segundo a qual não havia lugar para eles na hospedaria. Inevitavelmente se põe a questão de saber como reagiria eu, se Maria e José batessem à minha porta. Haveria lugar para eles? E recordamos então que esta notícia, aparentemente casual, da falta de lugar na hospedaria que obriga a Sagrada Família a ir para o estábulo, foi aprofundada e referida na sua essência pelo evangelista João nestes termos: «Veio para o que era Seu, e os Seus não O acolheram» (Jo 1, 11).
Deste modo, a grande questão moral sobre o modo como nos comportamos com os prófugos, os refugiados, os imigrantes ganha um sentido ainda mais fundamental: Temos verdadeiramente lugar para Deus, quando Ele tenta entrar em nós? Temos tempo e espaço para Ele? Porventura não é ao próprio Deus que rejeitamos? Isto começa pelo facto de não termos tempo para Ele. Quanto mais rapidamente nos podemos mover, quanto mais eficazes se tornam os meios que nos fazem poupar tempo, tanto menos tempo temos disponível.
E Deus? O que diz respeito a Ele nunca parece uma questão urgente. O nosso tempo já está completamente preenchido. Mas vejamos o caso ainda mais em profundidade. Deus tem verdadeiramente um lugar no nosso pensamento? A metodologia do nosso pensamento está configurada de modo que, no fundo, Ele não deva existir. Mesmo quando parece bater à porta do nosso pensamento, temos de arranjar qualquer raciocínio para O afastar; o pensamento, para ser considerado «sério», deve ser configurado de modo que a «hipótese Deus» se torne supérflua. E também nos nossos sentimentos e vontade não há espaço para Ele. Queremo-nos a nós mesmos, queremos as coisas que se conseguem tocar, a felicidade que se pode experimentar, o sucesso dos nossos projetos pessoais e das nossas intenções. Estamos completamente «cheios» de nós mesmos, de tal modo que não resta qualquer espaço para Deus. E por isso não há espaço sequer para os outros, para as crianças, para os pobres, para os estrangeiros.
A partir duma frase simples como esta sobre o lugar inexistente na hospedaria, podemos dar-nos conta da grande necessidade que há desta exortação de São Paulo: «Transformai-vos pela renovação da vossa mente» (Rm 12, 2). Paulo fala da renovação, da abertura do nosso intelecto (nous); fala, em geral, do modo como vemos o mundo e a nós mesmos. A conversão, de que temos necessidade, deve chegar verdadeiramente até às profundezas da nossa relação com a realidade. Peçamos ao Senhor para que nos tornemos vigilantes quanto à sua presença, para que ouçamos como Ele bate, de modo suave mas insistente, à porta do nosso ser e da nossa vontade. Peçamos para que se crie, no nosso íntimo, um espaço para Ele e possamos, deste modo, reconhecê-Lo também naqueles sob cujas vestes vem ter connosco: nas crianças, nos doentes e abandonados, nos marginalizados e pobres deste mundo.
Na narração do Natal, há ainda outro ponto que gostava de refletir juntamente convosco: o hino de louvor que os anjos juntam à sua mensagem acerca do entoam depois de anunciar o Salvador recém-nascido: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens do seu agrado». Deus é glorioso. Deus é pura luz, esplendor da verdade e do amor. Ele é bom. É o verdadeiro bem, o bem por excelência. Os anjos que O rodeiam transmitem, primeiro, a pura e simples alegria pela percepção da glória de Deus. O seu canto é uma irradiação da alegria que os inunda. Nas suas palavras, sentimos, por assim dizer, algo dos sons melodiosos do céu. No canto, não está subjacente qualquer pergunta sobre a finalidade; há simplesmente o facto de transbordarem da felicidade que deriva da percepção do puro esplendor da verdade e do amor de Deus. Queremos deixar-nos tocar por esta alegria: existe a verdade; existe a pura bondade; existe a luz pura.
Deus é bom; Ele é o poder supremo que está acima de todos os poderes. Nesta noite, deveremos simplesmente alegrar-nos por este facto, juntamente com os anjos e os pastores.
E, com a glória de Deus nas alturas, está relacionada a paz na terra entre os homens. Onde não se dá glória a Deus, onde Ele é esquecido ou até mesmo negado, também não há paz. Hoje, porém, há correntes generalizadas de pensamento que afirmam o contrário: as religiões, mormente o monoteísmo, seriam a causa da violência e das guerras no mundo; primeiro seria preciso libertar a humanidade das religiões, para se criar então a paz; o monoteísmo, a fé no único Deus, seria prepotência, causa de intolerância, porque pretenderia, fundamentado na sua própria natureza, impor-se a todos com a pretensão da verdade única.
É verdade que, na história, o monoteísmo serviu de pretexto para a intolerância e a violência. É verdade que uma religião pode adoecer e chegar a contrapor-se à sua natureza mais profunda, quando o homem pensa que deve ele mesmo deitar mão à causa de Deus, fazendo assim de Deus uma sua propriedade privada. Contra estas deturpações do sagrado, devemos estar vigilantes. Se é incontestável algum mau uso da religião na história, não é verdade que o «não» a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então, este deixa de ser a imagem de Deus, que devemos honrar em todos e cada um, no fraco, no estrangeiro, no pobre. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros.
Os tipos de violência arrogante que aparecem então com o homem a desprezar e a esmagar o homem, vimo-los, em toda a sua crueldade, no século passado. Só quando a luz de Deus brilha sobre o homem e no homem, só quando cada homem é querido, conhecido e amado por Deus, só então, por mais miserável que seja a sua situação, a sua dignidade é inviolável. Na Noite Santa, o próprio Deus Se fez homem, como anunciara o profeta Isaías: o menino nascido aqui é «Emmanuel – Deus-connosco» (cf. Is 7, 14). E verdadeiramente, no decurso de todos estes séculos, não houve apenas casos de mau uso da religião; mas, da fé no Deus que Se fez homem, nunca cessou de brotar forças de reconciliação e magnanimidade. Na escuridão do pecado e da violência, esta fé fez entrar um raio luminoso de paz e bondade que continua a brilhar.
Assim, Cristo é a nossa paz e anunciou a paz àqueles que estavam longe e àqueles que estavam perto (cf. Ef 2, 14.17). Quanto não deveremos nós suplicar-Lhe nesta hora! Sim, Senhor, anunciai a paz também hoje a nós, tanto aos que estão longe como aos que estão perto. Fazei que também hoje das espadas se forjem foices (cf. Is 2, 4), que, em vez dos armamentos para a guerra, apareçam ajudas para os enfermos. Iluminai a quantos acreditam que devem praticar violência em vosso nome, para que aprendam a compreender o absurdo da violência e a reconhecer o vosso verdadeiro rosto. Ajudai a tornarmo-nos homens «do vosso agrado»: homens segundo a vossa imagem e, por conseguinte, homens de paz.
Logo que os anjos se afastaram, os pastores disseram uns para os outros: Coragem! Vamos até lá, a Belém, e vejamos esta palavra que nos foi mandada (cf. Lc 2, 15). Os pastores puseram-se apressadamente a caminho para Belém – diz-nos o evangelista (cf. 2, 16). Uma curiosidade santa os impelia, desejosos de verem numa manjedoura este menino, de quem o anjo tinha dito que era o Salvador, o Messias, o Senhor. A grande alegria, de que o próprio anjo falara, apoderara-se dos seus corações e dava-lhes asas.
Vamos até lá, a Belém: diz-nos hoje a liturgia da Igreja. Trans-eamus – lê-se na Bíblia latina – «atravessar», ir até lá, ousar o passo que vai mais além, que faz a «travessia», saindo dos nossos hábitos de pensamento e de vida e ultrapassando o mundo meramente material para chegarmos ao essencial, ao além, rumo àquele Deus que, por sua vez, viera ao lado de cá, para nós. Queremos pedir ao Senhor que nos dê a capacidade de ultrapassar os nossos limites, o nosso mundo; que nos ajude a encontrá-Lo, sobretudo no momento em que Ele mesmo, na Santa Eucaristia, Se coloca nas nossas mãos e no nosso coração.
Vamos até lá, a Belém! Ao dizermos estas palavras uns aos outros, como fizeram os pastores, não devemos pensar apenas na grande travessia até junto do Deus vivo, mas também na cidade concreta de Belém, em todos os lugares onde o Senhor viveu, trabalhou e sofreu. Rezemos nesta hora pelas pessoas que actualmente vivem e sofrem lá. Rezemos para que lá haja paz. Rezemos para que Israelitas e Palestinianos possam conduzir a sua vida na paz do único Deus e na liberdade. Peçamos também pelos países vizinhos – o Líbano, a Síria, o Iraque, etc. – para que lá se consolide a paz. Que os cristãos possam conservar a sua casa naqueles países onde teve origem a nossa fé; que cristãos e muçulmanos construam, juntos, os seus países na paz de Deus.
Os pastores apressaram-se… Uma curiosidade santa e uma santa alegria os impelia. No nosso caso, talvez aconteça muito raramente que nos apressemos pelas coisas de Deus. Hoje, Deus não faz parte das realidades urgentes. As coisas de Deus – assim o pensamos e dizemos – podem esperar. E todavia Ele é a realidade mais importante, o Único que, em última análise, é verdadeiramente importante. Por que motivo não deveríamos também nós ser tomados pela curiosidade de ver mais de perto e conhecer o que Deus nos disse? Supliquemos-Lhe para que a curiosidade santa e a santa alegria dos pastores nos toquem nesta hora também a nós e assim vamos com alegria até lá, a Belém, para o Senhor que hoje vem de novo para nós. Amém.
Por Rádio Vaticano.

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