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13 de agosto de 2015

Dom Luciano, servo de Deus e da alegria

Dom Luciano Mendes de Almeida soube viver a alegria do evangelho como nos propõe o papa Francisco. Soube enxergar em todas as ocasiões e momentos a oportunidade de viver a alegria do evangelho, mas, sobretudo, de anunciar esta alegria aqueles que mais necessitavam: os mais necessitados, os mais carentes, os mais pobres, os mais desprezados pela sociedade. Dom Luciano soube viver a alegria do evangelho contornando sua vida pelos preceitos da caridade, do amor ao próximo, do serviço, da doação, da disposição em abrir mão de sua vontade para realizar a vontade de Deus. Soube ser sábio sendo simples. Servidor sem ser submisso. Alegre sem ser faceiro. Comprometido sem ser extremista. Pela palavra e pelo exemplo, dom Luciano deixou sua marca no chão mineiro da Arquidiocese de Mariana.

  Dom Luciano nasceu no Rio de Janeiro no dia 5 de outubro de 1930. Viveu sua vida segundo seu lema episcopal  “In nomine Iesu” (Em nome de Jesus). Era arcebispo de Mariana quando faleceu aos 75 anos de idade.  Exerceu funções de relevância na Igreja, participou de diversos sínodos em Roma, foi secretário geral e presidente da CNBB, fez parte do Conselho Permanente desta entidade, atuou na Pontifícia Comissão Justiça e Paz, do Conselho Episcopal Latino-Americano.

Dom Luciano marcou o coração de inúmeras pessoas, marcou porque todos nós precisamos de exemplos e de bons exemplos. Precisamos ser radicais em nossas escolhas e ele viveu isso completamente em sua vida! Celebrar mais um ano do “dies natalis” (dia 27 de agosto, dia em que faleceu) deste servo bom e fiel de Deus é oportunidade de resgatar em nossa memória o grande bem que o arcebispo de Mariana realizou em favor da sociedade brasileira e da igreja católica.

Agora como seu processo de beatificação e canonização aberto, dom Luciano é servo de Deus, servo da caridade, do amor e do próximo, servo do outro totalmente Outro, servo do outro totalmente Irmão. Dom Luciano percorreu em todos os âmbitos, ambientes e realidades porque os santos são aqueles que não se acomodam às situações, mas os que enxergam além.


Dom Luciano é símbolo, ícone de uma caridade, de um cristianismo que cada dia mais precisamos resgatar em nossa vida. Os relatos de pessoa que conviveram com dom Luciano são marcados por um senso de humildade que transparecia em todas as suas ações, mas ao mesmo tempo de grandeza nos pequenos gestos do arcebispo. No olhar, no encontro com alguém e ver nele uma história, uma vida, um sonho. De em cada um perceber uma experiência que não pode ser perdida. Por esta singeleza da ação, por esta alteridade totalmente cristã, dom Luciano pode ser chamado o irmão do outro. Nem amigo, nem colega, nem conhecido, mas irmão, que sentiu a dor, que se aproximou, que viu, que sentiu e amou! O apóstolo do amor e da caridade mostra que só se é possível viver o cristianismo amando, só se pode ser cristão despojando-se de toda e qualquer vaidade!

Geraldo Trindade
 padre da Arquidiocese de Mariana, atualmente vigário da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Viçosa. Mantém o blog: http://pensarparalelo.blogspot.com

22 de julho de 2015

O dominó da desmoralização

É agravante a decadência moral da sociedade pela falta de consciência de muitos cidadãos, governantes e governados. Está tudo sendo reduzido a nada, o homem está deixando de ser aquilo que é pra ser coisa; é um verdadeiro dominó desmoralizante. A sociedade está perdendo a capacidade de distinguir o bem e o mal, ou não quer nem distinguir para satisfazer seus próprios instintos.
Estamos no estágio de desumanização, um mundo que pisoteia a sua própria consciência negando a sua própria humanidade. “Será inócuo encher as páginas de leis e as prateleiras de códigos, como também será inócuo encher as ruas de policiais, enquanto a humanidade na for chamada a respeitar a própria consciência.” [1]. É isso que acontece, quando o homem exclui a própria lei da consciência. Ele fica cego, desorientado, causando uma desordem moral. É o que vemos na sociedade e no mundo, governos querendo legalizar o assassinato de seres humanos inocentes, abrindo portas para o casamento de pessoas do mesmo sexo, a destruição do conceito de homem e mulher com a Ideologia de Gênero; a venda de fetos assassinados cruelmente. É o homem destruindo a sua própria humanidade, levando a sociedade a perder aos poucos sua alma e esperança. “A maior crise da sociedade é a da consciência. Rouba-se, mata-se, corrompe-se, tapeia-se, prostitui-se, engana-se… como se as consciências estivessem mortas, e como se Deus não existisse.” [2] 
Precisamos dar um salto moral, começando pelas famílias hoje tão atacadas por tantas ideologias que tentam desmontar a célula motriz da sociedade. Os pais precisam se conscientizar e fazer alguma coisa para que a educação dos seus filhos, não seja regida primeiramente pelo Estado; são os pais os primeiros educadores de seus filhos.
A escola hoje está se tornando, ou melhor, já é um lugar que invés de educar os nossos filhos para o bom caráter, está destruindo a moral dos futuros cidadãos. Os nossos filhos estão sujeitos às más influências do Estado. O silêncio aqui não adianta, ou tomamos uma posição frente ao que está acontecendo ou seremos engolidos e esfacelados por esta decadência moral. Somos homens e mulheres com consciência e sabemos o que é errado e o que é certo, porém se não lutamos pelo bem moral o mal aos poucos vai escurecendo o que é bom.
Dizia um filósofo existencialista cristão, chamado Gabriel Marcel: “Quem não vive como pensa, acaba pensando como vive.”. É isso que está acontecendo na sociedade em que vivemos, acabamos pensando que o que estamos vivendo é normal; acabamos achando normal abortar bebês, homossexuais se casarem, a venda de fetos abortados etc., e sufocamos a nossa consciência às vezes reta e bem formada, na qual sabemos que tudo isso, não é normal.
Tenhamos uma tomada de consciência à frente da sociedade, e lutemos por uma sociedade consciente, justa e bem formada; que segue a razão, “de acordo com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador.”. [3]
Referências
1. Aquino, Felipe. A moral católica e os dez mandamentos.
2. Idem.
3. Catecismo da Igreja Católica, n. § 1783. 

19 de julho de 2015

A banalização do aborto


Dias atrás veio a público – e foi amplamente debatido pelas redes sociais – um vídeo realizado por um grupo pró-vida dos Estados Unidos, que flagrou uma mulher do alto escalão da Planned Parenthood oferecendo partes de fetos abortados para venda. Financiada, entre outros, pelo governo dos Estados Unidos, essa entidade tem a maior rede mundial de clínicas de aborto, e também busca a aprovação de leis que legalizem essa prática em outros países, como o Brasil.
Inúmeras vezes tive a oportunidade de dizer, em debates, que a legalização do aborto faz com que este seja banalizado, comece a ser usado como método de controle de natalidade, deixe de ser percebido como o ato em que uma mãe mata o seu próprio filho em gestação. Em resposta, geralmente me dizem que não, que o aborto só será realizado quando “necessário”...
É recorrente também o argumento de que é preciso encontrar solução para o dito “aborto inseguro”, porque se trataria de uma questão de saúde pública, que assim se evitariam mortes de mulheres – geralmente exagerando muito o número dessas mortes, que no Brasil não passam de 100 por ano, já há muitos anos.
O vídeo citado ajuda-nos a olhar o assunto por outro ângulo: o da existência de uma indústria do aborto, que é muito lucrativa, e que deseja expandir a sua atuação. A comercialização de partes do feto traz requintes de crueldade ao processo de abortamento, uma vez que é necessário manter a criança viva para preservar o órgão desejado, até o momento em que este possa ser extraído. As várias metodologias são explicadas com detalhe, em conversa informal, enquanto a mulher que faz o relato come salada e toma vinho.
A população brasileira é majoritariamente contra o aborto, mas cresce a pressão internacional para que ele seja legalizado em nosso país. Um dos atores é o Consórcio Latino-Americano Contra o Aborto Inseguro (Clacai). O foco na alegada “saúde reprodutiva da mulher” mal disfarça outra questão: a da natalidade, ou seja, as instituições que o financiam preocupam-se com os números da população mundial, e veem no aborto um modo de reduzi-la. Citam-se a Ford Foundation, o Grupo de Información en Reproducción Elegida (Gire), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Population Council e a Marie Stopes International, dentre outras entidades.
Esta última ONG, Marie Stopes International, oferece em seu site aborto por preços que oscilam entre 450 e 2 mil libras, dependendo da idade gestacional. Mas faz ofertas mais baratas para mulheres que queiram abortar na Inglaterra, vindas de países em que o aborto seja mais restrito. O site oferece também informações em diversas línguas, incluído o português, onde se lê, por exemplo: “Será necessário ficar no Centro Marie Stopes apenas algumas horas para o aborto, ou até um dia se estiver grávida de 19 a 24 semanas”. Vale lembrar que uma criança que nasça com 24 semanas tem hoje grandes chances de sobrevivência, o que faz com que esse limite venha sendo questionado na Inglaterra.
O respeito à dignidade da vida humana não permite brechas. Quando estas são abertas, fatalmente se chega a situações como as mostradas no vídeo. Afinal, por que jogar no lixo os corpinhos abortados, se a venda dos seus órgãos pode aumentar o lucro do negócio?
Lenise Garcia, professora do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília, é presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto.

Fonte: Gazeta do Povo

31 de maio de 2015

Charlie Charlie e a fé católica

O que tem acontecido com as brincadeiras?!!!! O que significa o desafio Charlie Charlie?!


Nos últimos dias a prática dessa “brincadeira” tem preocupado pais, professores e a Igreja. Essa prática tem sido muito recorrente no meio dos adolescentes e tem como propósito invocar os espíritos maus através da invocação “Charlie”, um suposto espírito mexicano a responder se está ali ou não. Há várias controvérsias sobre este espírito na cultura mexicana ou de povos antigos. Porém, a grande preocupação está na proximidade com o mal, o ocultismo, a invocação de espíritos e demônios. O grande mal está em abrir as portas do coração para a ação do mal e do demônio na vida das pessoas em uma prática real e concreta de invocar os espíritos.

Quem participa de tais rituais traz, além de danos espirituais, experimenta também danos psicológicos e morais. Tais práticas advém da curiosidade e da falta de fé cada vez mais frequente entre as pessoas.  Quando se invoca o mal acaba-se renegando a Deus, deixando de amá-Lo sobre todas as coisas e pedindo o auxílio de forças maléficas para a vida. Deve-se tomar cuidado! O demônio quer mesmo que o invoque, mesmo que seja numa “brincadeira”. 
           
Invocar as forças ocultas do mal é pecar contra o primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas. O próprio Deus proíbe que se procure adivinhações, feitiçaria, mágica, invocação de mortos (Dt 18, 10-12; Lv 19,31; 2 Rs 17,17; Mq 5,11). Estes que buscam a sua segurança nestas coisas serão renegados por Deus.
           
“O mal não é uma abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O ‘diabo’ (‘diabolos’) é aquele que ‘se atira no meio’ do plano de Deus e de sua ‘obra de salvação’ realizada em Cristo”(Catecismo da Igreja Católica, 2851)
           
O Papa Francisco no dia 30 de outubro de 2014 alertava em sua missa na Casa Santa Marta: “Fizeram crer a esta geração - a tantas outras - que o diabo era um mito, uma figura, uma ideia, ideia do mal, mas o diabo existe e nós temos de lutar contra ele”. A luta contra o demônio é se armar com o escudo da fé. Não é um simples confronto, mas um contínuo combate contra o demônio. Por isso é preciso buscar a Deus, rezar, ouvir e colocar em prática a Palavra de Deus, receber a Eucaristia, a fim de que se possa ser santo como Deus é santo (1Pe 1, 15-16; Mt 5,48). Cristo venceu o príncipe do mundo quando Ele se entregou na cruz. Rezando Pai nosso (“livra-nos de todos os males”), pede-se que seja libertado de todos os males, presentes, passados e futuros dos quais o demônio é autor e instigador.

Rezemos:

“São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém”. (Papa Leão XIII)

“A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão meu guia. Retira-te satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno!”

Geraldo Trindade 
 padre na Arquidiocese de Mariana
 e mantém o blog: http://pensarparalelo.blogspot.com 

23 de maio de 2015

A IDEOLOGIA DE GÊNERO RESSURGE


A ideologia de gênero, varrida do Plano Nacional de Educação (PNE), no ano passado, não descansa em paz como algumas pessoas menos avisadas possam pensar. Ao contrário, “diabólica” como é – para usar as palavras do Papa Francisco –, ela visa agora entrar na vida de nossas crianças e adolescentes não mais pela esfera federal, mas, sim, municipal: cada município fica responsável por implantar ou recusar esse sistema de idéias nefasto e antinatural em seu plano de ensino.

Importa, pois, relembrar que se isso se der em sua totalidade será a destruição do ser humano, conforme já apontamos aqui em outras ocasiões, seja escrevendo sozinho, seja junto com Enrico van Blarcum Misasi, estudante de Direito na USP, membro do Movimento Pró-Vida e destemido batalhador pela causa da Igreja.

Com efeito, a tese mestra da ideologia de gênero é a seguinte: nós nascemos com um sexo biológico definido (homem ou mulher), mas, além dele, existiria o sexo psicológico ou o gênero que poderia ser construído livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido. Em outras palavras, não existiria mais uma mulher ou um homem naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria sexualmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente homem ou mulher.

Ora, em seu discurso de 21 de dezembro de 2012 à Cúria Romana, o Papa Bento XVI já lançava uma ampla advertência quanto ao uso do “termo ‘gênero’ como nova filosofia da sexualidade”. Dizia ele que “o homem contesta o fato de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um fato pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria. De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: ‘Ele os criou homem e mulher’ (Gn 1,27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem emulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza”.

O Papa Bento abordou a ideologia de gênero outra vez, um mês mais tarde, em 19 de janeiro de 2013, dizendo que “os Pastores da Igreja – a qual é ‘coluna e sustentáculo da verdade’ (1Tm 3,15) – têm o dever de alertar contra estas derivas tanto os fiéis católicos como qualquer pessoa de boa vontade e de razão reta”.

Vale a pena, a título de conclusão, notar três coisas na fala papal: a) a teoria de gênero é, no fundo, um grave pecado, pois visa subverter ou revolucionar, no pior sentido do termo, a ordem natural criada por Deus. É um brado de total revolta contra o Criador; b) O Papa usa o vocábulo dualidade, ou seja, duas realidades distintas (homem e mulher) que se complementam harmoniosamente, mas não se opõem. Isso já seria dualismoc) Pede aos Bispos que não deixem de alertar o povo católico e demais pessoas de boa vontade sobre a maldade da ideologia de gênero que vem tentando se implantar em nossa sociedade, particularmente por meio do sistema de ensino.

Ao fiel católico leigo – demais cristãos e pessoas de boa vontade em geral – cabe colocar em alerta os maispróximos e, sobretudo, perguntar aos políticos profissionais que conhece (especialmente aos vereadores) qual é a postura deles sobre a ideologia de gênero. Se disserem que estão desinformados, indique-lhes o livro Ideologia de gênero: o neototalitarismo e a morte da família, de Jorge Scala (Katechesis/Artpress, 2011), ou, mais fácil, o artigoReflexões sobre a ideologia de gênero, do Cardeal Dom Orani João Tempesta, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, publicado no site da CNBB, em 28/03/14, a fim de que esses representantes do povo se posicionem ante a subversão dos planos do Criador. Afinal, diante de Deus, todos somos responsáveis – em maior ou menor grau – pela delicadíssima questão em foco.

Fonte: http://refletindo7.blogspot.com.br/2015/05/a-ideologia-de-genero-ressurge.html

Vanderlei de Lima é filósofo e escritor. Artigo enviado a vários órgãos de imprensa.

17 de março de 2015

Portal G1 Em “A Trapaça Do Gênero”

Trapaceiros. A certeza do ardil é proporcional ao fingimento de inocência que dissimulam os “ideólogos de gênero”. Enquanto se fazem de ilibados, sabem exatamente o que estão fazendo. Sua linguagem os trai. Em artigo publicado pelo Portal G1, “‘Moça, você é machista': trans criam maior página feminista do país“, chama a atenção o requinte do vocabulário utilizado pelos blogueiros reportados na notícia.
“O feminismo me fez perceber o quanto a sociedade ainda é desigual em relação os gêneros. Coloco aos gêneros porque não é só uma relação de opressão de homem para mulher, mas pessoas trans também sofrem opressão da sociedade CISNORMATIVA”.
Como expliquei em outras ocasiões, os tais “pensadores” dividiram a raça humana em duas categorias: “transgênero”, para quem migrou (trans) do gênero socialmente atribuído ao sexo biológico com o qual nasceu para um novo gênero, auto-atribuído e inventado pelo próprio sujeito; e “cisgênero”, para quem permaneceu (cis) naquele.
“Cisnormatividade”, portanto, seria esta mania que todas as civilizações humanas estranhamente tiveram ao longo da história de imaginarem que o fato de alguém nascer homem ou mulher o faz ser realmente assim. Com um golpe lingüístico, relegam toda a história da humanidade à periferia da “igualdade de gênero”, esta sim, apta para nos libertar do estigma do… BINARISMO, palavra enxertada do desconstrutivismo de Jacques Derrida.
Para a “ideologia de gênero”, a
indefinição da identidade é a base
para que a pessoa se autodefina
Segundo ele, “a lógica ocidental (sic!) opera por meio de binarismos: feio/belo, puro/impuro, espírito/corpo etc.”*
Como assim, “lógica ocidental”?… Será que Derridas desconhecia a importância que a oposição puro/impuro tem para todas as religiões orientais, inclusive para o judaísmo?
Obviamente, ele rotula de binarismo a distinção dual, irrefutável em nossa própria experiência (ou alguém negará a própria percepção de claro/escuro, noite/dia, vida/morte, bem/mal, saúde/doença, macho/fêmea?…), tão óbvia que o próprio Pitágoras atribuía à dualidade a essencialidade do conhecimento, visto que o uno causa o dual e, destes dois princípios, origina-se tudo o mais.
Em outras palavras, Derridas relega todo o conhecimento humano a uma adulteração forçada, e o faz enquanto ele mesmo apresenta outro “binarismo” alternativo, mas ainda mais radical: a dialética introduzida entremeadamente nos discursos, antagonizando as palavras a fim de que produzam sínteses verbais alternativas, correspondentes aos resultados dissolutivos que ele mesmo quer produzir.
Como queria Louis Althusser, mais do que “contradição”, importa criar “sobredeterminação”: produzir contradições sobrederminadas, que conduzam exatamente para onde quer aquele mesmo que as produziu.
Neste sentido, a trapaça continua a mesma. Apenas se vai refinando e se tornando mais e mais imperceptível. Seguindo do modo mais ortodoxamente possível a lógica de Judith Butler, o blogueiro do G1 resume a questão nestes termos:
“a questão primordial do feminismo para mim foi a ideia de que sexo biológico e gênero não são as mesmas coisas, eu não preciso ter um pênis para ser homem e uma mulher não precisa ter uma vagina para ser mulher, essa quebra com o determinismo biológico explica muita coisa não só para transgêneros como também para pessoas CIS, de que não existe um determinismo e um papel já pré-estabelecido por ser mulher ou homem. Essas coisas são apenas construções sociais, históricas e culturais”.
Pois é! A teoria inteirinha, cuspida e escarrada, e em pleno G1. Mais, abaixo, chega a admitir, meio disfarçadamente, como o “feminismo feminista”, que pensa defender a mulher, sente que está sendo usado e protesta:
“eu encaro como sendo um atraso para o feminismo, usar argumentos transfóbicos contra mulheres transexuais é inaceitável. Eu vejo que elas voltam para um argumento machista e não percebem, por exemplo, se elas determinam o gênero por conta da genital de uma pessoa. Elas aceitam que também são determinadas pela genital delas e isso na minha opinião é atraso”.
Notem a perfeita coerência dessa fala com este texto de Judith Butler:
“A identidade do sujeito feminista não pode ser o sujeito da política feminista, se a formação deste sujeito ocorre dentro de um campo de poder que o aprisiona através da afirmação desta formação. Paradoxalmente, a representação no feminismo somente poderá fazer sentido se o sujeito ‘mulher’ não for assumido de nenhum modo”**.
Enfim, o vocabulário dos ideólogos de gênero começa a desfilar no cardápio da grande mídia. E ainda há quem acredite que tudo isso se trata de um simples discurso de anti-discriminação, e, mesmo diante de textos clamorosos e auto-explicativos como este, antecipadamente documentados e justificados por nós, nos acusa obstinada e imbecilmente de “fanáticos da ideologia do gênero”. Vai entender!!!
______________
(*) SOARES, Wellington, Precisamos falar sobre Romeo. Uma reflexão sobre sexualidade e gênero, em «Nova Escola», no. 279, Ano 30 (Fevereiro/2015), p. 29.
(**) BUTLER, Judith, Gender Trouble. Feminism and the subversion of identity, Routledge, New York, 2007, p. 8.

4 de março de 2015

Liturgia, entre o sagrado e o profano

























Geraldo Trindade
 padre da Arquidiocese de Mariana,

O que é o sagrado dentro do contexto pós-moderno que vivemos? Qual o espaço que ele ocupa dentro do profano da vida? Estas distinções são traiçoeiras e muitas vezes, corre-se o risco de pecar por serem rasas.

            O sagrado é Deus em si; pois Ele é o criador. De Deus viemos e para Ele retornaremos. Isto é, tudo lhe pertence. “Cristo  ontem e hoje... Princípio e fim ... Alfa e ômega... A Ele o tempo e a eternidade...A glória e o poder... Pelos séculos sem fim. Amém”. Nós, seres humanos, somos criaturas. Reconhecer esta condição é propiciar que sejamos capazes de crescer e estabelecer com Deus um relacionamento marcado pela intimidade.

            Recorda-nos São Paulo, “não somos filhos de uma escrava, mas filhos de uma mulher livre. Cristo nos libertou para que fossemos realmente livres.” (Gl 4, 31 – 5,1). Resgatados para uma condição de filhos de Deus tornamo-nos Povo Régio e Sacerdotal.  “Vós, porém, constituís uma geração escolhida, um sacerdócio régio, uma gente santa, um poço conquistado, a fim de proclamar as grandezas daquele que das trevas vos chamou para a sua luz admirável. Outrora não éreis objeto de misericórdia. Agora sim, sois objeto de misericórdia” ( 1Pe 2, 9-10). Nas vicissitudes da história e da vida cada cristão é convidado a reconhecer a gratuidade do amor. Se assim caminha passa-se a elevar a Deus um “cântico novo” (Sl 33,3) que brota dos lábios como expressão de louvor ao Criador.

            A liturgia que em grego leit (de ‘laós’, povo) e urgia (de érgon, ação, obra). Assim a liturgia é uma ação, obra que se realiza em favor do povo, da comunidade, da vida das pessoas. Para os cristãos, é atualização da entrega de Cristo para a salvação. A liturgia faz o memorial da entrega redentora de Cristo na cruz. Através da ação litúrgica se é inserido nas realidades da salvação. Dessa forma, percebe-se claramente a raiz cristológica da liturgia. Cristo rompe um simples ritualismo e faz a liturgia um “culto agradável e perfeito” ( Rm 12, 1-2). Porém, a liturgia não se restringe a uma realidade de espaço e tempo determinado, mas prolonga-se como experiência vital. E mesma a liturgia conduzida pelo ritual advém de uma experiência transcendental dos antepassados e dos contemporâneos. Ela é meio do qual Deus se utiliza para expressar plenificamente todo o realismo de Sua Palavra e de Sua carne. Por isso, é preciso educar-se para aprender dEle a bem viver e nos alimentar dEle.

            A liturgia da criação é “quebra” e “extensão” de um silêncio criador. “A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam o abismo, mas o espírito de Deus paira por sobre as águas” (Gn 1, 2). A celebração litúrgica é acolhida, como filhos de Deus do supremo Mistério Pascal (vida, morte e ressurreição do Senhor). É realidade antiga e nova, capaz de atrair mentes e corações, invade e toca a nossa realidade, transforma e convida a lançar nossa vida. O memorial da Nova Aliança torna-nos participantes da vida de Cristo, homens e mulheres, renascidos a partir do novo Adão, que liberta das fragilidades do pecado.

            A partir de Cristo a realidade e a humanidade não pode mais ser vista como profana. Elas trazem em si uma reserva de sacralidade. “No princípio existia o Verbo, o Verbo estava voltado para Deus, e o Verbo era Deus.  O Verbo estava, pois, voltado para Deus  no começo. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada se fez de tudo o que foi criado” (Gn 1, 1-2). O universo é acolhida e morada do Altíssimo. Por isso, somos eminentemente espirituais e como criaturas, tendemos para estar com o Criador. O sagrado, Cristo, dignou-se assumir o profano, a humanidade (Fl 2, 5-11), a fim de que a humanidade encaminhasse para o que há de mais sagrado Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre (Hb 13, 8).

            Nosso coração humano volta-se naturalmente para o que é bom, belo e verdadeiro, Cristo, o Belo Pastor. A liturgia é a extensão mais digna da Palavra de Deus. Ela indica a Presença de Jesus e do Evangelho em ritos, orações e símbolos. Ela é convite para participar da vida divina vivendo ainda a vida humana, ela quer nos conduzir do visível ao Invisível, proporciona a união entre a Terra, nossa origem e o Céu, nossa origem primeira.

23 de fevereiro de 2015

A teologia islâmica

É uma alegria para nós do Blog Evangelizando ter conosco o Pe. José Eduardo, sacerdote da Diocese de Osasco disponibilizando alguns de seus textos.


A teologia islâmica, cindindo a relação analógica entre a criação e Deus, confinou o Criador numa liberdade puramente voluntarista, desobrigada da própria lógica do seu Ser, que pulsa como vontade eterna e autônoma; e a criação, governada por Sua lei, ante a qual cabe apenas a submissão.
A razão, incapaz de chegar ao Ser divino pela via analógica, apenas se relaciona com Ele por uma fé intuitiva, anti-intelectual, obediente.
Quando se infiltrou na filosofia ocidental, mediante o nominalismo (esta teologia mesma era uma elaboração nominalista), provocou a cisão entre fé e razão que originou a sensação de que nos relacionamos com Deus por "sola fide" e de que devemos aplicar a razão, pervertida pelo pecado e incapaz de conhecer a realidade, ontológica e moralmente, apenas de modo instrumental. Nascia a filosofia moderna, racionalista e fideísta, que fazia a razão fechar-se em si mesma e auto-limitar-se, e punha a fé como sentimento intuitivo, aos modos pietistas.
Na perspectiva moral, o legalismo mantinha-se como única ferramenta idônea para orientar o homem ao seu fim. Não o podendo entender intelectualmente, cabia-lhe apenas a atitude obediente de quem escuta o preceito, o que executa e exime-se do castigo.
Com uma razão desguarnecida de capacidade analógica e desacostumada à abstração, a ideia de Deus se foi esvaziando, deixando apenas o conceito genérico de lei moral, agora retrabalhado em termos secularistas. O conceito de lei natural se foi desteologizando, chegando a tornar-se apenas um uma lei genérica que o homem se dá, quase que se pondo na posição extra-temporal de um deus que legisla sobre si dispondo sobre o cosmos, mas ainda em termos minimamente racionais.
Erodindo-se ainda mais a razão, esta autodefinição moral se desracionalizou, gerando este conceito de liberdade autônoma que existe em nossos dias. De fato, o homem de hoje pensa que "agir livremente" é "fazer o que se quer", incondicionado por qualquer motivo lógico, apenas movido por uma pulsão caótica, conteúdo mesmo da autenticidade humana.
Eis aí uma fiel imagem e semelhança de Alá. Aquele Deus onipotente, que se auto-define ilógica e, portanto, incompreensivelmente, foi se reproduzindo gradualmente na filosofia moral moderna, produzindo um reflexo de si.
Não será este o motivo pelo qual o mundo secularizado, no qual o indivíduo se enxerga como portador de uma liberdade intelectualmente autônoma, acaba acolhendo tão facilmente o Islã, pela porta dos fundos? Não será que os filósofos islâmicos há séculos não sabiam que seria este o modo mais profundo de se obter uma vitória doutrinal sobre o ocidente? Seria este um duelo multissecular entre intelectualismo e voluntarismo, não percebido pelo cristianismo e, por isso, por ele mesmo patrocinado?
Curioso é o fato de que, no final das contas, a filosofia islâmica criou todos os problemas para os quais ela mesma parece ser a única resposta.

Fonte: https://www.facebook.com/jose.eduardo.7792/posts/988796494465699

6 de dezembro de 2014

Podemos encher nossa vida de sentido!

O vazio existencial se tornou na contemporaneidade o grande desafio que o homem deve enfrentar.  

Na tentativa de não experimentá-lo o homem pós-moderno busca camuflá-lo no consumismo, no imediatismo, no hedonismo e no individualismo. Neste universo, a existência humana é marcada pelas expressões do presente. É a partir dele que se deve “encher” a vida de sentido sob várias formas e maneiras. Assim, sendo a morte se torna o último e o grande obstáculo, pois ela representa o cessamento da busca e do preenchimento de sentidos. Porém, a morte não é o fim de tudo, ela não é a má sorte das esperanças humanas ou uma libertação do fardo existencial que é a vida. Diante do peso da existência não basta simplesmente “sobreviver” sob o peso das incertezas, dos medos e das inseguranças; mas é preciso que viva uma vida carregada de sentido.

Como encarar a presença de outros, que marca e contribui para encher a vida de sentido? Mas e quando a realidade nos encurrala e não se é capaz de oferecer um sentido para a vida? Como diz o adágio popular: “quando já não se encontra gosto em viver”? Como seguir em frente diante das circunstâncias injustas e dolorosas? Nestes momentos cresce o sentimento de vazio, de incapacidade de lidar e de suportar o peso da existência e da condução da vida. É-se invadido pela impotência, pela desolação, pelo desânimo e pela tristeza. Passa-se a acreditar que o tudo na verdade é o nada. O vazio grita aos ouvidos e perturba radicalmente o rumo da vida.
            
Podemos e devemos encher a vida de sentido, porém sozinho nunca se consegue. É preciso a presença de Alguém.
            
Diante da dor, do mal, da angústia e até da morte, Cristo experimentou a dimensão humana de depender de um Outro, ou seja, do Pai, de Deus. Mas, em que a atitude de Jesus faz diferença? No momento mais terrível, da agonia, Ele pediu que a cruz lhe fosse poupada (Lc 22, 41-44). Em Cristo vê-se claramente que a vida não é a última instância, o último fôlego de existência (2 Cor 5,17). Mas, a existência humana se estende para além e vai ao encontro do Pai.
            
Para esperar, nos diz Bento XVI, “o ser humano necessita do amor incondicionado. Precisa daquela certeza que o faz exclamar: ‘nem a morte, nem a vida (...) poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus’ (Rm 8, 38-39). Se existe esse amor absoluto com sua certeza absoluta, então – e somente então – o homem está ‘redimido’, independentemente do que lhe possa acontecer naquela circunstância” (Spe Salvi, 26).
            
Somente a presença de Cristo é capaz de dar sentido à dor e à injustiça.  “O melhor lugar para nos encontrarmos com o Senhor é a nossa própria fraqueza. Encontramos bem Jesus nos nossos pecados, nas nossas culpas, nos nossos erros”, lembrou-nos o papa Francisco na Quaresma de 2014. É preciso deixar Cristo habitar nas fraquezas humanas porque Ele bate na porta de nossos corações todos os dias, basta que se abra e deixa Jesus entrar nos corações e fazer morada, pois “sabemos que todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus, dos que são chamados de acordo com sua vontade” (Rm 8, 28).

Padre Geraldo Trindade
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Sacerdote da Arquidiocese de Mariana, atualmente vigário na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima em Viçosa. Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/


























6 de outubro de 2014

Voto católico exige postura católica! É missão de todos nós!


Caros irmãos (ãs),

Estamos no limiar das decisões que definirão o futuro de nosso país, ou pelo menos mapear o campo no qual, como cristãos, lutaremos pelos valores essenciais da família, dos nascituros, dos jovens e de todas as instâncias as quais necessitarem.

Tivemos a grande responsabilidade de irmos às urnas depositar não somente nosso voto, mas sim nossa esperança, pautada naquilo que a Igreja nos ensina, pois a Igreja mesma nos apresenta o aspecto principal desta esperança: Cristo. "E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu." Romanos 5:5

Tivemos muitos candidatos católicos neste pleito e pudemos conscientemente elegê-los para cargos públicos, com certeza, na esperança de que cumpram seu papel de cristãos na política. Mas um fato deve atrair nosso interesse e despertar nossa atenção: os partidos os quais fazem parte!

Dentre os mais destacados temos: 
Carlos Matos - Deputado Estadual - PSDB
Eros Biondini - Deputado Federal - PTB
Márcio Pacheco - Deputado Estadual - PSC
Evandro Gussi - Deputado Federal - PV
Flavinho da Canção Nova - Deputado Federal- PSB

Mas o que fazer diante dos partidos que nossos candidatos católicos se filiaram, se não estiverem em sintonia com a postura que eles (candidatos) professam???
Vejamos o que nos diz o Padre Lodi do Pró-Vida de Anápolis acerca dos partidos: "A primeira coisa que se deve investigar em um candidato, antes mesmo de sua atuação passada ou de suas promessas, é o partido político a que pertence. Dos 32 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, muitos são amorfos. Seus estatutos dizem pouco ou quase nada. Tais partidos não trazem ameaças aos cristãos que a ele se filiam. Há uns pouquíssimos partidos que se propõem explicitamente à defesa da vida humana e da família. E há, por fim, doze partidos perigosíssimos, que constituem um verdadeiro exército organizado contra os valores cristãos. São eles:

1º Partido dos Trabalhadores (PT) - 13
2º Partido Comunista Brasileiro (PCB) - 21
3º Partido Popular Socialista (PPS) - 23
4º Partido Comunista do Brasil (PCdoB) - 65
5º Partido da Causa Operária (PCO) - 29
6º Partido Democrático Trabalhista (PDT) - 12
7º Partido da Mobilização Nacional (PMN) - 33
8º Partido Pátria Livre (PPL) - 54
9º Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) - 50
10º Partido Socialista Brasileiro (PSB) - 40
11º Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) - 16
12º Partido Verde (PV) - 43

Acesse o artigo na íntegra e confira as considerações sobre cada partido: CLIQUE AQUI


Atenção católicos, temos uma missão!!

Deus os abençoe!

Fabiano, Marta e Tobias

4 de outubro de 2014

Deus se reflete no matrimônio

Os fiéis da Igreja Católica, e não somente dela, estarão com os olhares voltados, de modo especial nas próximas duas semanas, para o Vaticano. Não só porque ali está o Papa e o coração da Igreja, mas porque os padres sinodais, cerca de 250, estarão reunidos para tratar do tema da família. O tema é de tanta atualidade e dimensão que serão dois anos de trabalhos. Sim, porque o encontro que tem início neste domingo com a missa presidida pelo Papa é o Sínodo Extraordinário, convocado pelo próprio Santo Padre; já no próximo ano teremos o Sínodo Ordinário, também dedicado ao mesmo tema. Na conclusão dos trabalhos deste primeiro encontro de duas semanas, a divulgação de uma mensagem, de um documento. No próximo ano na conclusão do Sínodo Ordinário teremos, se assim o Papa desejar, a divulgação da Exortação pós-Sinodal, ou seja, um documento contendo a reflexão final do Santo Padre baseado nas propostas e reflexões feitas durante o trabalho dos dois Sínodos.
























Sabemos muito bem, quanta atenção o Papa Francisco dá à questão da família, e quanto deseja que este tema retorne a ser o centro da atenção da Pastoral da Igreja. Francisco, depois de quase 30 anos, convoca uma Assembleia geral extraordinária do Sínodo dos Bispos para debater a situação da família chamando a atenção para a crise que a atinge, seja cultural, social ou espiritual.

Um trabalho longo que teve início com a distribuição de um questionário às Conferências Episcopais de todo o mundo e consequentemente a todos os bispos, para que interpelassem os fiéis sobre esse tema de grande importância. Nasce então o Instrumento de Trabalho sobre o qual se debruçarão os padres sinodais nos próximos dias.

Os temas são variados; do divórcio à possibilidade dos divorciados recasados acederem à Comunhão; a simplificação dos processos canônicos de verificação de nulidade; os desafios da “contracepção” e da falta de “abertura à vida” em várias famílias; a questão de pessoas que vivem em uniões do mesmo sexo; a violência doméstica, as situações de crise, precariedade ou desemprego; os “desafios pastorais sobre a família”. Estes são só alguns dos temas que os padres sinodais vão refletir.

Certamente não faltam as polêmicas que já nasceram devido à grande expectativa que os dois Sínodos trazem, principalmente no que diz respeito à participação nos sacramentos para os casais de segunda união. Há expectativas de respostas claras e de abertura para este tema. Junto ao desejo expresso por muitos de mudanças, vem o parecer e a consideração daqueles que não vêem motivos para mudanças neste âmbito; outros já afirmaram que seria o caso de estudar caso por caso.
























O que certamente podemos afirmar é que nunca como hoje o tema da família, e tudo aquilo que a envolve, não é somente uma discussão de “Igreja”, como muitos dizem, mas é uma discussão que envolve todos, que vai além do simples fato religioso, diz respeito aos valores sobre os quais as mesmas sociedades foram fundadas. Os meios de comunicação, os pró e os contra usam programas de aprofundamento para tentar, ao seu modo, explicar o que está em jogo. Não é somente discutir se se deve ou não dar a comunhão aos recasados – eles também são filhos de Deus e membros da Igreja – mas é refletir o que significa hoje o “ser família”, ser um casal que tem filhos, que vive em uma comunidade, que tem problemas, que tem desafios a enfrentar. Deve-se refletir sobre as novas realidades que estão presentes hoje na nossa vida cotidiana, como casais de fato, casais do mesmo sexo, e apontar caminhos que possam, acima de tudo, preservar o grande valor desse sacramento, mas também olhar com magnanimidade para o drama que muitas dessas pessoas, que hoje se encontram “fora”, padecem.

Neste Sínodo Ordinário, a primeira etapa, o objetivo principal é precisamente identificar linhas de ação para pastoral da família.

Falando à Rádio Vaticano, Dom Vincenzo Paglia, Presidente do Pontifício Conselho para a Família, disse ser um fato, que muitas famílias se separaram, estão feridas, e que estão lutando para se recompor. Percebe-se então que mais do que um de debate de salão sobre essas questões teóricas, seria necessário dar início a uma espécie de luta corpo a corpo com as famílias. “Portanto, sair das salas, neste caso, do Pontifício Conselho realizar um caminho ideal para se confrontar com todas as problemáticas das famílias”: também o Sínodo deve exortar todas as realidades eclesiais do mundo a fazerem o mesmo. Mudou a realidade das famílias, mudou a cultura que as circunda e é essencial que a Igreja, seguindo a inspiração do Papa Francisco, realmente saia e entre em todas as casas e em todas as situações para discutir e dar alguma ajuda e resposta às famílias de hoje.

O Papa Francisco tocou o coração de todos os casais quando sintetizou o “caminhar juntos” com as três palavras: “Pedir licença” para não ser invasivo na vida do cônjuge. “Obrigado”, agradecer o que o outro fez por mim, a beleza de dizer “obrigado”. E a outra, “desculpa”, que às vezes é mais difícil, mas é necessário dizê-la. 

É sobre esse caminho, muitas vezes tão difícil, que os padres sinodais irão refletir nos próximos dias, e sobre os quais a atenção de fiéis e não tão fiéis se dirigirá. É a forma com que o Papa pretende fazer um caminho de reflexão na unidade da Igreja, promovendo a participação responsável do episcopado de todas as partes do mundo.

O Papa Francisco pediu a todos que rezem pelo bom êxito dos trabalhos, e fazemos eco às suas palavras, recordando sempre que o matrimônio está no coração do desígnio de Deus, é a aliança com seu povo, é uma comunhão. Quando um homem e uma mulher se unem em matrimônio, Deus “se reflete neles”.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

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