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2 de junho de 2013

A fé do pagão e a cura de seu servo

A fé do pagão e a cura de seu servo
Blog Evangelizando!

“Creio em Deus Pai todo poderoso...” A fé é o elemento comum que une a comunidade celebrante. Ela desconhece fronteiras e faz de muitos povos e raças um só povo sacerdotal. Na fé comum, celebramos a morte e ressurreição do Senhor Jesus, Evangelho único pelo qual Paulo empenhou todas as suas energias.

Como o oficial romano, proclamamos que não somos dignos de receber o Senhor em nossa casa, mas, ao mesmo tempo, confiamos no poder de sua palavra salvadora. A cura do empregado do oficial romano se reveste de sentido especial, por tratar-se de um não judeu e por ter sido realizada à distância, elementos que qualificam a fé e fazem Jesus dizer: “Eu declaro a vocês que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. Essa declaração vem acompanhada de um detalhe. Antes de falar, Jesus se volta para a multidão. Quando o Mestre se volta para falar, é porque a declaração é solene e revestida de grande importância.

O texto que narra o milagre termina constatando a cura: “Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde. Nada mais se fala desse oficial ou de seu empregado. Jesus não pediu nem recomendou coisa alguma.

Ligado à primeira leitura do nono domingo do Tempo comum, esse episódio transfere a Jesus aquilo que se pedia a Javé. E Jesus atende ao pedido do estrangeiro porque a fé não conhece fronteiras.

A narração aponta indícios da predisposição daquele homem para dar o passo da fé. Embora fosse de patente superior, estimava muito o servo por cuja saúde se interessou, pois estava à beira da morte. Demonstrou boa vontade em relação aos judeus, mesmo representando o poder opressor, tendo, inclusive, construído uma sinagoga para eles. Uma alma tão compassiva estava em sintonia com Jesus.

Diante deste testemunho, os discípulos de Jesus deveriam deixar de lado o preconceito contra os romanos imperialistas e perceber que, dentre eles, muitos estavam em condições de abraçar o Reino.

Jesus Cristo e o Pai que Ele veio revelar são os mesmos em qualquer parte do mundo. Pode acontecer que, como aconteceu com Jesus, encontremos mais fé fora que dentro de ambientes religiosos. Isso nos deve manter em atitude humilde e respeitosa. O respeito é devido também a quem não crê ou professa fé diferente;/da nossa. Temos em comum a mesma fé no Senhor morto e ressuscitado por nós, mas cada povo deve poder expressar a própria fé a partir de sua cultura e realidade.


É bom notar neste Evangelho o louvor que Jesus, de boa mente, fazia sempre que tinha ocasião àqueles que N'Ele acreditavam. O Centurião percebeu muito bem que o segredo da fé, que é exatamente entregar-se, confiar planamente em Jesus, e deixar que sua palavra conduza para além de tudo aquilo que, põe nós mesmos/ não somos capazes de compreender ou fazer.

Dom Eurico dos Santos Veloso
Colaborador do Blog Evangelizando e Colunista do Portal Um e do Portal Ecclesia
Arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG). Cursou filosofia e teologia no Seminário Maior São José em Mariana (MG). Governou a arquidiocese de Juiz de Fora entre 2001 e 2009.

23 de maio de 2013

Deus sempre se dá a conhecer aos homens

Deus sempre se dá a conhecer aos homens
Blog Evangelizando!


Deus é um mistério de amor.

Não é fácil falar de Deus. Não é fácil falar de algo que está tão distante e é tão misterioso. “Ninguém jamais viu a Deus”. Pertence a outra ordem de ser.

No entanto, ao mesmo tempo, encontra-se profundamente envolvido na criação porque é a sua criação e porque somos as suas criaturas. Não encontramos Deus como quem encontra o vizinho da casa ao lado, quando sai para o trabalho a cada manhã. Mas há muitas maneiras de conhecê-lo.

Quando olhamos para a criação, quando olhamos para nós mesmos e para a maravilha que é, por exemplo, nosso próprio corpo, experimentamos a Deus como criador, aquele que nos tirou do nada e nos ofereceu a vida (de fato, a única que nós temos).

Dizemos, então, que é Pai exatamente porque o vemos como gerador da vida, da nossa vida. Também fizemos memória de Jesus, aquele que nasceu em Belém e que passou a vida fazendo o bem, curando os enfermos e anunciando o Reino de Deus, Ele que falava de Deus como seu PAPAI – ABÁ – e que morreu na cruz em uma tarde escura de sexta-feira. Lembramos de sua vida e de sua ressurreição. É o Filho, porque havia algo especial naquele homem que não nos atrevemos a definir. Sua humanidade era tão grande que nele vemos a presença de Deus. Recordamos também o tempo posterior a Cristo. Os apóstolos e os discípulos sentiram a presença do Espírito de Deus. Esse Espírito trouxe-lhes inspiração e os animou a anunciar a Boa-Nova do Reino. Hoje continua inspirando e animando muitos a prosseguir o anúncio da salvação para todos.

Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Três formas de ver a realidade? Não. Há algo mais. Algo nos diz que esse mistério que é Deus é o mistério do amor. E que, quando experimentamos a presença de Deus, nos sentimos chamados a participar desse amor e a compartilhá-lo com os que estão ao nosso redor.

Nos acontecimentos de nossa vida, percebemos, muitas vezes, a mão de Deus nos guiando, nos ajudando, nos amparando, nos perdoando. Basta que coloquemos a nossa fé de prontidão para que sintamos a sua presença em todos os momentos de nossa vida.

Podemos afirmar, já que sabemos que Deus é amor, que viver como Deus é viver amando. E é para isto que Ele nos criou – essa é a nossa vocação.

Dom Eurico dos Santos Veloso
Colaborador do Blog Evangelizando e Colunista do Portal Um e do Portal Ecclesia
Arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG). Cursou filosofia e teologia no Seminário Maior São José em Mariana (MG). Governou a arquidiocese de Juiz de Fora entre 2001 e 2009.

18 de maio de 2013

Rezar o Terço

Rezar o Terço
Blog Evangelizando!


O terço foi criado para o povo que, ao rezá-lo, seguindo os mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos, iam revendo a vida e a missão de Cristo, a história da salvação e, ao mesmo tempo, iam desenvolvendo a devoção a Maria, pedindo a sua intercessão.
Mais tarde, o Papa João Paulo II, numa sábia inspiração do Espírito Santo, através do documento pontifício O ROSÁRIO DA VIRGEM MARIA criou os mistérios luminosos, que meditam o cerne da mensagem de Cristo, seus ensinamentos, seu exemplo.

Assim, o terço é uma oração bíblica, como os Salmos. Entretanto, é mais explícito, ao alcance de qualquer camada cultural. O Pai-nosso é a oração que Jesus nos ensinou. A Ave-Maria foi ensinada por Deus Pai através do anjo Gabriel e pelo Espírito Santo, através da boca de Isabel. Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito Santo estão na origem das principais orações do terço. A Santíssima Trindade é o princípio de tudo. Quando rezamos a Ave-Maria, realizamos hoje a antiga profecia do Magnificat: “todas as gerações me chamarão de bendita”: bendita sois vós entre as mulheres.

O mais importante não é prestar atenção na repetição das palavras. Na verdade, elas são apenas uma cantilena suave a nos embalar no que realmente importa: contemplar e meditar os momentos mais importantes da vida de Jesus Cristo. Não rezamos para Maria, rezamos com Maria.

O terço nos coloca em comunhão com a Igreja em oração. Rezar o terço é fazer um exercício de solidariedade espiritual.

Se estivermos deprimidos ou mesmo com insônia, é bom experimentarmos rezar o terço. É um ótimo calmante..., e não é tóxico. Basta segurar as contas como quem segura na mão de Maria de quem nos vem a certeza de que não estamos sozinhos. Jesus está perto de nós.

Crianças, jovens e idosos, sábios e simples, todos podem encontrar sentido na oração do terço. Ele é uma forma de aprender a rezar.

Seria bom que procurássemos, a cada dia, descobrir a atualidade do terço e fazer dele uma de nossas orações prediletas.

Podemos, através do terço, rezar por nossos amigos, parentes e também por aqueles que não são tão amigos, mas necessitam de oração. Podemos também anexar a nossas preces um gesto de promoção humana.

Nos dias agitados de hoje, neste mundo em que a tecnologia cada vez mais se desenvolve, mas que o amor, a fraternidade, a tolerância cada vez mais são deixados de lado, o terço é uma fonte de paz.

Vamos rezar o terço para contemplar os mistérios da nossa fé!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Colaborador do Blog Evangelizando e Colunista do Portal Um e do Portal Ecclesia
Arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG). Cursou filosofia e teologia no Seminário Maior São José em Mariana (MG). Governou a arquidiocese de Juiz de Fora entre 2001 e 2009.

A Igreja vive do Espírito Santo

A Igreja vive do Espírito Santo
Blog Evangelizando!


No final do ciclo pascal, chega a festa de Pentecostes, a grande Páscoa do Espírito, a celebração de uma história em que o Espírito de Deus é o guia e inspirador.

Não devemos olhar apenas para o momento inicial, relatado nos Atos dos Apóstolos, quando os discípulos experimentaram, com uma força inusitada, a presença do Espírito de Deus animando-os a deixarem o quarto fechado em que estavam – por temerem os judeus – e a pregarem a Boa-Nova a toda a humanidade, em todas as línguas e culturas. E isso tudo porque o amor e a salvação de Deus são para todos.

Deveríamos saber contemplar a ação do Espírito ao longo da história da Igreja. Quando olhamos para esses vinte séculos, temos a tentação de fazer a história das idéias e dos concílios, ou dos documentos, ou dos papas. Mas a história da Igreja é muito mais que isso: é a história de homens e mulheres – importantes ou não, com cargo ou sem ele – que aceitaram ser conduzidos pela força do Espírito e anunciaram a Boa-Nova com sua vida, suas palavras, sua forma de amar a todos que encontraram pelo caminho.
É importante repassar os nomes que conhecemos: os dos santos, aqueles em quem o povo de Deus reconheceu a presença do Espírito e a fidelidade humana. Graças a eles, os santos, continuamos reconhecendo a presença do Espírito na Igreja. Desde aqueles que escreveram os evangelhos e os que deram testemunho na primeira hora, como o foram Pedro e Paulo, até os santos dos últimos séculos. Tampouco podemos esquecer o atual momento da Igreja.

As línguas de fogo e o vento impetuoso de que se fala na primeira leitura não são mais que um símbolo para expressar a força do Espírito de Deus que chega até o coração da pessoa e é capaz de transformá-la. Quando as portas do coração são abertas para o Espírito, já nada mais é igual. Tudo é visto a partir dessa nova perspectiva, a do amor e da misericórdia de Deus. Nossa história pessoal se transforma no fogo do Espírito.

O dia de Pentecostes é dia para darmos graças a Deus pelo dom do seu Espírito. Ele nos fez participar da história dos homens e mulheres santos e nos chama, igualmente, à santidade. Abramos o coração ao Espírito de Jesus e Ele nos ensinará, como diz o Evangelho, a viver em cristianismo, nos fará lembrar de Jesus a todo momento e nos ajudará a guardar o mandamento do amor.

Dom Eurico dos Santos Veloso
Colaborador do Blog Evangelizando e Colunista do Portal Um e Ecclesia
Arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG). Cursou filosofia e teologia no Seminário Maior São José em Mariana (MG). Governou a arquidiocese de Juiz de Fora entre 2001 e 2009.

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