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1 de junho de 2013

Domingo do Tempo Comum - Ano C - 02/06/2013

Domingo do Tempo Comum - Ano C - 02/06/2013
Blog Evangelizando!

"Olhai para mim Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados"(Sl 24,16.18).
No encantamento do tempo comum, das coisas cotidianas, depois de termos celebrado as festas da Santíssima Trindade e de "Corpus Christi" os domingos se revestem da beleza do dia a dia e Nosso Senhor Jesus nos é apresentado pela Mãe Igreja como o único mediador da salvação.

Meus queridos irmãos,

Na Primeira Leitura(cf 1Rs 8,41-43) o rei Salomão reza para que Deus atenda os estrangeiros. Na grande oração da Dedicação do Templo de Jerusalém, Salomão não reza apenas pela casa de Davi e o povo de Israel, mas, também, pelos estrangeiros que aí virão adorar ao Deus de Israel e do Universo. E o templo será a casa de oração para todas as nações. Deus quer ficar acessível às necessidades de todos os homens. A única condição indicada na leitura do primeiro livro dos Reis para se poder praticar o culto é crer no nome de Deus(cf. Ex 12,48), isto é, em Deus por uma fé que se baseia em sua ação salvífica na história.
A fé é universal, conforme nos ensina a bela oração de Salomão na ocasião da Dedicação do Templo. O Rei Salomão pede a Deus também pelos que acorrem de longe para rezarem no Templo de Jerusalém.

Caríssimos fiéis,

O Evangelho de São Lucas(Lc 7,1-10) apresenta hoje a fé de um pagão, um oficial romano, que morava em Cafarnaum. O centurião de Cafarnaum é um pagão,porém, envergonha os representantes da sinagoga por sua fé em Jesus, "o Senhor"(cf. Lc 7,6), e na força salvífica de sua palavra. São Lucas descreve o centurião como um homem que teme a Deus, um pagão que serve de exemplo para os judeus. O Evangelista Lucas revela-se aqui como o evangelista "ecumênico", descobrindo os valores "pré-cristãos" em todo o mundo. Claro aqui está a emocionante fé do Centurião. Vejamos, novamente, que o centurião é cidadão romano. O centurião é pagão, mas estima muito o judaísmo. Fica evidente que o Centurião se acha indigno de fazer um pedido direto a Jesus para que cure o seu funcionário. O Centurião manda os anciãos de Cafarnaum pedir a cura de seu empregado a Jesus, e estes anciãos não tinham como negar o pedido do Centurião, porque ele próprio havia ajudado na edificação de uma Sinagoga na cidade de Cafarnaum. Com a insistência dos anciãos para que Jesus vá ao encontro do Centurião ele caminha com eles na direção da casa do cidadão romano. Ainda no caminho o centurião romano lhes corre ao encontro e proclama: "Não, Senhor, não entre em minha casa. Eu não sou digno. Mas fale uma só palavra, que meu servo fica bom. Pois eu sei o que uma palavra é capaz de fazer quando a gente tem poder de mandar, sou militar!" E, Jesus, cura o servo, à distância.
Aqui o que está em evidência é a grande fé do homem romano, estrangeiro e pagão, que não colocou pré condições, mas acreditou: "Eu sei o que é mandar - mande, Senhor!". Uma fé profunda, que passou primeiro pela mediação dos anciãos da cidade, e que, depois, ele mesmo corre ao encontro do Senhor. Isso levou o próprio Senhor Jesus a dizer: "Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé"(cf. Lc. 7, 9).
Esta fé, que procede do sentimento da própria inteligência e indignidade diante dos benefícios de Deus, foi motivo da salvação na casa do centurião. O centurião sabe que para obter os benefícios de Deus, ele precisa passar através dos judeus e parece que assim também pensam os judeus, insistindo em que Jesus faça uma exceção: "Ele é digno". Mas com a vinda de Jesus as coisas mudam: a salvação é para todos os que têm fé e só para esses(cf. Rm 3,22).

Caros irmãos,

A Segunda Leitura desta liturgia(cf. Gl 1,1-2,6-10) nos apresenta o Evangelho de Paulo. São Paulo mesmo operou a primeira evangelização da Galácia, país subdesenvolvido, muito exposto a qualquer novidade. Agora vieram outros missionários, confundindo as jovens nascentes comunidades, impondo costumes judaicos - como a circuncisão - também aos cristãos de origem pagã. Estes missionários consideravam o cristianismo apenas como uma variante do Judaísmo. São Paulo, então, escreveu a carta de hoje com intensa preocupação. Não se trata de uma pessoa, mas da pureza de seu Evangelho. A garantia desta pureza é que Deus, que ressuscitou o Cristo dos mortos, também chamou a São Paulo.
A segunda leitura nos oferece a saber qual é o critério para reconhecer, independentemente dos pregadores, qual é o verdadeiro Evangelho? Os cristãos devem saber que existe uma norma objetiva da pregação e da fé(cf. 1Cor 15,3-4) contra a qual ninguém pode ir, nem Paulo nem um colaborador dele, nem um anjo. A norma é esta: Cristo é o único mediador da salvação. Se alguma doutrina procura modificar esta verdade, não pode ser evangelho.
A lei fica sempre exterior ao homem e não pode, de modo algum, mudar o homem; ainda que possa observar todas as leis, o homem não mudará. Se o homem não fosse pecador interiormente, não teria necessidade de ser mudado. Mas o homem, todo homem, é pecador, e só Deus pode transformá-lo; a lei não pode. É Cristo que opera tudo isso no homem. São Paulo convida os gálatas a escolher entre a lei e Cristo.

Queridos irmãos,

É no amor que o homem se realiza, na comunhão com Deus e com os outros. E isto só é possível em Cristo. Ele á a aliança entre Deus e a pessoa humana, a comunhão realizada de modo perfeito, porque verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Por isso, é só unindo-se vitalmente em Cristo que o homem se salva como homem.

Prezados fiéis,

Devemos, neste dia, relembrar o que nos ensina o Concílio Vaticano II: "Finalmente, aqueles que ainda não receberam o Evangelho, estão de uma forma ou outra orientados para o Povo de Deus (32). Em primeiro lugar, aquele povo que recebeu a aliança e as promessas, e do qual nasceu Cristo segundo a carne (cfr. Rom. 9, 4-5), povo que segundo a eleição é muito amado, por causa dos Patriarcas, já que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis (cfr. Rom. 11, 28-29). Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão, e conosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia. E o mesmo Senhor nem sequer está longe daqueles que buscam, na sombra e em imagens, o Deus que ainda desconhecem; já que é Ele quem a todos dá vida, respiração e tudo o mais (cfr. Act. 17, 25-28) e, como Salvador, quer que todos os homens se salvem (cfr. 1 Tim. 2,4). Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna (33). Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida reta. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho (34), dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida. Mas, muitas vezes, os homens, enganados pelo demônio, desorientam-se em seus pensamentos e trocam a verdade de Deus pela mentira, servindo a criatura de preferência ao Criador (cfr. Rom. 1,21 e 25), ou então, vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, se expõem à desesperação final. Por isso, para promover a glória de Deus e a salvação de todos estes, a Igreja, lembrada do mandato do Senhor: «pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16,16), procura zelosamente impulsionar as missões"(Cf. LG 16).
Os bispos, na Conferência de Aparecida, disseram: "Neste momento, com incertezas no coração, perguntamo-nos com Tomé: “Como vamos saber o caminho?” (Jo 14,5). Jesus nos responde com uma proposta provocadora: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Ele é o verdadeiro caminho para o Pai., quem tanto amou ao mundo que deu a seu Filho único, para que todo aquele que nele creia tenha a vida eterna (cf. Jo 3,16). Esta é a vida eterna: “que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo teu enviado” (Jo 17,3). A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida. Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tuas palavras dão vida eterna” (Jo 6,68); “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16)" (DAp 101).


Padre Wagner Augusto Portugal.

27 de maio de 2013

Corpus Christi - Ano C 30/05/2013

Copus Christi
Blog Evangelizando!

“O Senhor alimentou seu povo com a flor do trigo e com o mel do rochedo o saciou”(cf. Sl. 80,17).

Meus queridos Irmãos e Irmãs,

A Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia. A Eucaristia é para nós dom de Cristo dado à sua comunidade. Assim o distintivo dos primeiros cristãos era a refeição comunitária. O gesto de Jesus reunindo o povo no deserto e providenciando milagrosamente pão para todos é um símbolo da Igreja. Jesus quis ficar presente na Igreja no sinal da refeição aberta a todos que aderissem a ele – muito diferente daqueles banquetes onde geralmente se convidam as pessoas da mesma classe, ou os que podem pagar pela refeição.
Assim, entre os anseios mais antigos do povo de Deus está o sentimento de libertação dos pecados e de tudo o que é conseqüência deste pecado. Com a vinda de Jesus, Filho de Deus, que assumiu a nossa humanidade, a mesma carne castigada pelo pecado com que todos nos defrontamos foi assumida por Cristo, com exceção do pecado. Assim nos ensina São João: “O Filho de Deus fez-se carne e veio habitar entre nós. Nós vimos sua glória, a glória que ele, Filho único, recebeu do Pai, e era cheio de graça e de verdade”. (cf Jo 1,14).
Jesus nos ensinou a partilhar e a tomar refeição em comum: esta era a prática de Jesus, assentar-se com seus discípulos e apóstolos, com pescadores e publicanos, num tempo em que se assentar à mesa era medida de amizade e de bem querer, partilha fraterna de idéias e divisão de problemas e de alegrias.
O banquete eucarístico é um banquete destinado para todos, em que o próprio Deus serve seus convidados, que são todos, inclusive os que a Lei do antigo Testamento excluía do convívio humano, como os cegos, os aleijados, os coxos e os ignorantes.
Jesus escolhe a ceia para dar à criatura humana um alimento de vida eterna, um elemento de unidade com Deus, uma garantia de santificação e de glorificação.


Caros irmãos,

A Primeira Leitura desta Festa é retirada do Livro do Gênesis(cf. Gn 14,18-20) em que Melquisedec oferece pão e vinho. Melquisedec, rei de Salém, é o sacerdote do Deus altíssimo. Conhece Deus como criador do céu e da terra. Oferece-lhe os mais nobres dons: pão e vinho, o sustento cotidiano do homem; depois, os oferece a Abraão, seu hóspede. Como rei e sacerdote, Melquisedec prefigura Cristo; sendo não-judeu, significa a salvação universal; seus dons de pão e vinho recebem seu sentido pleno na ceia e no sacrifício de Cristo e da Igreja, o sacrifício sem fim, “do levantar ao pôr do Sol”.
A Segunda Leitura(cf. 1Cor 11,23-26) nos apresenta o memorial da morte de Cristo. Trata-se do mais antigo testemunho da celebração da Última Ceia, mencionado por Paulo ao ensejo dos abusos dos coríntios nessa celebração(humilhação dos membros pobres da comunidade). É impossível ter comunhão com Cristo sacrificado, enquanto desprezamos seus irmãos. O sacramento nos lembra o Senhor morto e ressuscitado, até que ele venha; então nos julgará conforme nossa doação aos irmãos, prioritariamente, aos mais humildes. Se não respeitamos seu “corpo”, que é a comunidade, a participação eucarística doe seu Corpo e Sangue da cruz significa a nossa condenação.

Caros fiéis,
O Evangelho desta festa nos apresenta Jesus saciando as multidões. Saciando a multidão, Jesus mostra duas qualidades divinas: poder e bondade. O Reino de Deus está presente. Leva à plenitude os gestos de Deus no antigo Testamento. Menos ainda que no deserto, Deus deixa seu povo sem pão. Ao descrever o sinal do pão, Lucas pensou na Eucaristia, os discípulos distribuem o pão sobre o qual Jesus pronunciou a Eucaristia – ação de graças – na Última Ceia.

Irmãos e Irmãs,

O alimento da vida eterna que Jesus nos oferece é o seu próprio corpo e o seu próprio sangue: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna”. (cf Jo 6,54). O elemento de unidade com Deus é sua pessoa encarnada misteriosamente no pão e no vinho eucarísticos: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele... e como eu vivo, assim também quem me come viverá em mim”(cf. Jo 6, 57-58). A garantia de santificação e de glorificação é o próprio Cristo, Deus-Homem e Homem-Deus: “Eu sou o pão vivo que desci do céu... o pão que eu dou é a minha carne para a salvação do mundo”(cf. Jo 6,51).
Com Santo Agostinho hoje podemos exclamar: “No sangue de Cristo saturou-se nosso sangue; e no sangue de Cristo revigorou-se nosso corpo”. Assim celebramos a grande festa de hoje: a festa desse Corpo e desse Sangue santíssimos. Festa que não é apenas de Cristo, porque nós já vivemos enxertados nele e alimentados pela Santa Eucaristia que recebemos na Missa. É na Eucaristia que a Igreja se ancora em Cristo como o navio no porto. Exatamente na Eucaristia a Santa Igreja Católica atinge o seu significado maior de comunidade e de sacramento de salvação. É em torno da Eucaristia que o povo de Deus se reúne esperançoso e alegre para alimentar-se na grande caminhada de retorno à Casa do Pai.
A Eucaristia, já anunciara o Concílio Ecumênico Vaticano II, é a fonte e o ápice de toda a vida cristã. Dirá mais, no documento sobre os presbíteros, que a Eucaristia é a raiz e o centro da comunidade, conteúdo de todos os bens da Igreja, porque nela está contido o próprio Cristo, nossa Páscoa e pão vivo que dá a vida através de sua carne vivificada e vivificante(cf Presbyterorum Ordinis, 5).
A Eucaristia é o maior sacramento da Igreja, por isso mesmo, a chamamos de augusto e santíssimo sacramento. Assim esta festa de hoje está intimamente ligada à festa da Instituição da Eucaristia, na quinta-feira Santa, unindo Cenáculo, Calvário e Altar. É o mesmo mistério que celebramos. Talvez seja diferente apenas o clima de celebração, porque na Quinta-feira Santa pesava na celebração a advertência de Paulo: “Na noite em que foi traído”. (cf 1Cor 11,23) e pesava, sobretudo a previsão do drama da Sexta-Feira santa. Hoje tudo é alegria, louvor, adoração e agradecimento. Na Quinta-Feira Santa, Jesus foi levado amarrado, como criminoso, às autoridades judaicas e romanas. Hoje o levamos triunfalmente pelas ruas da cidade, como o nosso Rei, Pastor e Senhor.
Por conseguinte, a festa do Corpo e do Sangue de Cristo é repleta de significados especiais: nós cremos em Jesus, Filho de Deus, que continua em nosso meio, que nos chama a sermos seu corpo místico na terra. Vamos, pois, adorar a Deus de joelhos nos altares e nas praças públicas, com júbilo, admiração e doce agradecimento pela nossa profunda comunhão com Deus.
Comunhão que é o contrário de divisão. Comunhão que é partilha. Comunhão que nos faz um só corpo em Cristo, uma só Igreja, uma só comunidade de fieis, porque uma só é a comunhão com Deus.

Irmãos e Irmãs,

A multiplicação dos pães é sinal messiânico, sinal dos tempos em que tudo acontecerá conforme o desejo e a vontade de Deus, sinal do Reino de Deus: fartura e comunhão. Mas é ainda prefiguração. A refeição à beira do lago da Galiléia se tornará completa somente quando Jesus der seu próprio corpo e sangue, na cruz. Então já não será passageira; será uma realidade de uma vez para sempre, no sacramento confiado à Igreja. Este é também o sentido profundo de que a Igreja vê no misterioso pão e vinho oferecidos pelo sumo sacerdote Melquisedec, a quem o pai Abraão presta reverência como nos ensina a primeira leitura.
A Eucaristia deve então ser o verdadeiro banquete messiânico, sinal dos tempos novos e definitivos, em que as divisões e provações humanas sejam superadas, na vida da fé em Cristo Jesus. A desigualdade gritante e deprimente, o escândalo de super-ricos ao lado de pobres-famintos morrendo de fome, a marginalização são incompatíveis com a Eucaristia, como nos ensina a segunda leitura. Na Santa Eucaristia, Cristo identifica a comida partilhada com a sua própria vida e pessoa. O pão repartido se torna presença de Cristo, onde não se reparte o pão, Cristo não pode estar presente.
Na multiplicação dos Paes Jesus não fez descer pão do céu, como o maná de Moisés. Nem transformou pedras em pão, como lhe sugerira o demônio quando das tentações no deserto. Jesus, ao contrário, ordenou aos discípulos: “vós mesmo, daí-lhes de comer...” e o pão não faltou. Porém, se não observarmos esta ordem de Jesus e não dermos de comer aos nossos irmãos, ele também não poderá tornar-se presente em nosso dom. Então, não só o pão, mas Cristo mesmo faltará.

Caros fiéis,

O Evangelista Lucas nos ensina que Jesus, depois de ter falado do Reino de Deus às multidões e curado os que sofriam, multiplicou cinco pães e dois peixes para não despedir com fome tanta gente. O Evangelista João aplica diretamente à Eucaristia, como "sinal", este milagre de Cristo, que é a primeira multiplicação dos pães(cf. Jo 6). O saciar uma multidão faminta pode, também, lembrar aos cristãos a ordem de Jesus: "Fazei isto em memória de mim".

Meus queridos Irmãos,

Na santa Missa Deus vem ao encontro do desejo humano de participar da vida divina. Por isso vamos dar graças a Deus repetindo a seqüência da liturgia de hoje: “O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja que o rodeia: Repeti-lo até voltar. Seu preceito conhecemos: Pão e vinho consagremos: para a nossa salvação. Amém!”.


Padre Wagner Augusto Portugal

23 de maio de 2013

Liturgia Dominical: Santíssima Trindade - Ano C - 26/05/2013

Liturgia Dominical: Santíssima Trindade - Ano C - 26/05/2013
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“Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho unigênito e bendito o Espírito Santo. Deus foi misericordioso para conosco”.

Deus é o “mistério”. Isso não significa, estritamente, sua inacessibilidade ou incognoscoscibilidade. Significa muito pelo contrário que, enquanto “nele nos movemos e existimos” (cf. At 17,28), nossa compreensão não consegue engloba-lo. Por isso, ele se manifesta exatamente naquilo que nos envolve, em primeiro lugar, na insondável sabedoria com que o universo foi feito. Assim, o judaísmo viu na sabedoria de Deus uma realidade preexistente ao próprio universo: a primeira criatura de Deus, conforme nos ensina a primeira leitura.

Assim ao longo do ano litúrgico vamos celebrando as grandes festas da vida cristã. Hoje celebramos o mistério da Santíssima Trindade: um Deus em três pessoas – Pai, Filho, Espírito Santo, - uma verdade fundamental da nossa fé cristã, que expressamos inúmeras vezes, por palavras e gestos, na sagrada liturgia, na oração particular, na oração pública, todas as vezes que traçamos sobre nossa fronte o sinal da doce salvação, o sinal do cristão, a o “sinal da santa cruz!”(cf. Evangelho de João 16,12-15).

Caros irmãos,

A Primeira Leitura(cf. Pr 8,22-31) nos apresenta a Sabedoria divina que existe antes de tudo. O Antigo Testamento não conhece a revelação de Deus em três pessoas, mas fala do Deus vivo, que age e fala e que, com seu Espírito, penetra em todo o ser e a história da humanidade. “Palavra”, “Espírito”, “Sabedoria” de Deus aparecem, para o pensamento do Antigo Testamento, como realidades divinas atuantes. Preparam a visão das três pessoas divinas no Novo Testamento. O capítulo 8 do Livro dos Provérbios é um grande poema, em que a Sabedoria tem a palavra. Fala de sua origem antes dos tempos, de seu lugar ao lado de Deus na criação, mas também, ao lado dos homens. Paulo identificará o Cristo crucificado com a “força e a sabedoria de Deus”. Esta é a plena revelação da Sabedoria de Deus: estar junto aos homens no sofrimento e na doação até o fim.

Irmãos e Irmãs,

Na Segunda Leitura(cf. Rm 5,1-5) nos apresenta o amor de Deus que se derramou em nós. Não por causa de privilégios nossos, mas porque Cristo por nós morreu, somos justos diante de Deus. Nisso reconhecemos que Deus quer nos salvar e nos amar; por isso esperamos. Que somos capazes de participar de sua vida, é obra de seu Espírito em nós.

Irmãos e Irmãs,

O Catecismo da Igreja Católica define a Santíssima Trindade como “O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Só Deus no-lo pode dar a conhecer, revelando-se como Pai, Filho e Espírito Santo”.(Cf. Catecismo da Igreja Católica número 261).
A comunidade cristã é a nova família desse Deus uno e trino, origem e finalidade de toda a criatura humana. Portanto, este mistério é a maior novidade trazida por Jesus no Novo Testamento. Jesus confirmou o Deus único, criador e Senhor do mundo, em que os hebreus acreditavam e em torno de quem faziam girar, com rigor, suas vidas, leis, cultos e atividades. Mas Jesus levou-nos para além dessa dimensão Deus-criaturas, mostrou-nos a vida de Deus no seu lado de dentro e revelou-nos que o amor do Pai personifica-se no Filho. Na Ceia Última, quando o Apóstolo Filipe pediu que Jesus lhes mostrasse o rosto do Pai, Jesus respondeu: “Quem me vê, vê o Pai...” “Eu estou no Pai e o Pai está em mim... Tudo o que o Pai possui é meu”(Cf. Jo 14,11; 16,15). E é na última Ceia, sobretudo, que Jesus fala do Espírito Santo, que o Pai haveria de mandar em seu nome(Cf. Jo 14,16-17).
Jesus é um com o Pai. Jesus é a imagem visível do Deus invisível(Cf. Jo 10,30; 14,10; 17,11.21; Cl 1,15). Em Jesus está a plenitude da divindade(Cl 2, 9), por isso mesmo, quem o vê, vê o Pai (Cf. Jo 12,45; 14,9). É, sobretudo, o Evangelho de João que descreve o Espírito Santo como pessoa divina (Cf Jo 14,16-26), presente e operante nos fiéis como estão presentes e operam o Pai (Cf Jo 17,21-23) e o Filho(Cf. Jo. 14,18). O prefácio da Missa de hoje formula assim essa verdade básica da fé: “sois um só Deus e um só Senhor, não uma única pessoa, mas três pessoas em um só Deus. Adoramos cada uma das pessoas, na mesma natureza e igual majestade”.
Se Nosso Senhor Jesus é a encarnação do amor do Pai, foi também por amor que o Pai o enviou ao mundo. Se Jesus provém do amor do Pai para expressar o amor de Deus, todos os seus gestos, passos e ensinamentos serão feitos de amor. O gesto mais amoroso de todos foi dar às criaturas humanas a garantia da vida eterna, isto é, a certeza doce de que poderão participar da vida de Deus, do amor de Deus. A condição de Jesus pôs é lógica: que creiamos nele como enviado do Pai e na sua força salvadora.

Meus queridos Irmãos,

Entender a Trindade é bebermos da fonte do amor de Deus por nós. Trindade é amor. Nós somos frutos deste cândido amor.
Deus nos imaginou. Deus nos amou. Deus nos criou e nos colocou no mundo. Somos, por conseguinte, um ser saído do amor trinitário de Deus a caminho do retorno ao mesmo amor. Nossa origem e nosso fim é a Trindade, que nos espera para fazer-nos participantes de sua glória. Pertencemos à Trindade, porque somos criaturas queridas e criadas pela Trindade.
A Trindade faz parte de nossas vidas desde o momento do Batismo. Somos batizados em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A partir daí a Trindade passa a habitar em nossa vida, em nosso ser, em nossa existência.
Deus está conosco pela Trindade. Assim a Trindade não é uma coisa inacessível. Pelo contrário, a Trindade demonstra que nosso Deus é um Deus aberto, comunidade, dialogante que se manifesta, que nos ama, que age, que cria, que quer ser procurado e deixa-se encontrar.
Trindade que é riqueza inesgotável que a Igreja nos aponta para que saibamos onde Deus abre seu íntimo para nós: no seu Filho Jesus e no Espírito de Jesus que nos anima. Lá encontramos Deus, e o encontramos não como bloco de granito, monolítico, fechado, mas como pessoas que se relacionam, tendo cada uma sua própria atuação: o Pai que nos ama e nos chama à vida; o filho Jesus que fala do Pai para nós e mostra como o Pai é, sendo bom e fiel até o dom da própria vida na cruz; e o Espírito Santo, que doutro jeito ainda, fica sempre conosco. O Espírito Santo atualiza em nós a memória da vida e das palavras de Jesus e anima a ação evangelizadora da sua Igreja. E todos os três Pai, Filho e Espírito Santo estão unidos e formam uma unidade naquilo que Deus essencialmente é: amor.

Irmãos e Irmãs,

A festa da Santíssima Trindade desperta em nós este desejo de conhecê-lo, porque Deus dá sempre o primeiro passo em direção a nós. Neste ano, é acentuado particularmente o fato de que Deus se manifesta, se revela, se nos dá a conhecer e nos oferece um conhecimento pessoal, querer um face a face com cada um de nós, para que nos abramos todos ao grande face a face de Deus. A Trindade se manifesta de modo máximo na comunicação do Espírito ao amor aos homens, para que os homens, amando-se como Cristo os amou, amem a Deus e entrem em intimidade com a divina Comunidade de amor. Diante do mistério do Deus Uno e Trino propriamente não nos resta senão adorar e dizer: “Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!”. Amém!

Pe. Wagner Augusto Portugal

17 de maio de 2013

Liturgia Dominical: Solenidade de Pentecostes - Ano C - 19/05/2013

Solenidade de Pentecostes - Ano C - 19/05/2013
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“O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito que habilita em nós, aleluia!” (cf. Rm 5,5; 10,11)

Vivemos hoje a grande festa da Igreja Universal: a manifestação do Espírito Santo sobre a Igreja nascente. É o Espírito Santo que anima e que ilumina a vida da comunidade e dos fiéis cristãos.

Poderíamos iniciar a nossa reflexão com uma indagação: Pentecostes é o aniversário da Igreja? De certa maneira sim. A primeira comunidade tinha sido reunida por Jesus durante a sua vida. Mas o que foi tão decisivo na data de Pentecostes, depois da morte e ressurreição de Jesus, é que aí começou a proclamação ao mundo inteiro da Salvação em Jesus Cristo, morto e ressuscitado.
Para os antigos judeus, Pentecostes era o aniversário da proclamação da lei no monte Sinai: esta proclamação constituiu, por assim dizer, Israel como povo, deu-lhe uma “constituição”. De modo semelhante, quando os apóstolos proclamam no dia de Pentecostes a salvação em Jesus Cristo, é constituído o novo povo de Deus. Não só Israel, mas todos os povos agora alcançados, cada um em sua própria língua, conforme nos ensina a primeira leitura.

Meus caros irmãos,

A Primeira Leitura de hoje(At 2,1-11) nos apresentar o milagre das línguas. Pentecostes é interpretado como acontecimento escatológico à partir da profecia de Joel. Mas, sobretudo, é o cumprimento da palavra de Cristo. Passa como um vendaval ao ouvido, como fogo aos olhos; mas permanece como transformação do “pequeno rebanho” em Igreja missionária. Também hoje a Igreja do Cristo se reconhece pelo espaço que ela dá ao Espírito e pela capacidade de proclamar sua mensagem.

A Segunda Leitura(1Cor 12,3b-7.12-13) nos apresenta a unidade do Espírito na diversidade dos dons. “Jesus é o Senhor” é a confissão que une a Igreja primitiva. E esta confissão só se consegue manter na força do Espírito Santo. Como a unidade da confissão, o Espírito dá, também, a multiformidade dos serviços na Igreja. Todos que pertencem a Cristo são membros diversos do mesmo Corpo.

Irmãos e Irmãs,

Jesus conhecia também a curteza da mente e do coração humanos. Sozinhos, os homens não seriam capazes de conhecer e viver a verdade evangélica. Conhecia, assim, a forte tendência da criatura ao egoísmo. Ora, o Reino dos Céus estende-se na direção oposta ao egoísmo: tende a formar rede de comunidade, tende ao universalismo, por isso a Igreja é católica, ou seja, universal, aonde o Espírito age e vivifica. Assim Jesus envia o Espírito Santo para sustentar a criatura, iluminar os olhos da fé e abrir estes olhos à fraternidade.

Hoje celebramos a mistura do Espírito e vida, Espírito e história, Espírito e destino humano. E Pentecostes passa a significar fonte e finalidade, começo e plenitude.
Cristo ressuscitou para nos livrar da morte eterna. E o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos na abundância de sua graça para que, continuando a missão de Jesus, dessem testemunho da misericórdia de Deus encarnada em Cristo e implantassem a lei do coração. (cf. 2 Cor 3,3).

Meus queridos Irmãos,

É muito significativo que o Espírito Santo desça sob os Apóstolos no mesmo lugar da Instituição da Eucaristia, ou seja, no Cenáculo. Assim, a partir de Pentecostes, os discípulos, ou seja, a Igreja, formarão o corpo total de Cristo, serão os continuadores da missão de Jesus, aqueles que, fazendo a Eucaristia, são por ela transformados no Corpo do Senhor. São Francisco de Assis ensina que: “É o Espírito Santo do Senhor, que habita nos fiéis, quem recebe o santíssimo Corpo e Sangue de Cristo”. Assim, será nula a comunhão, se não estivermos santificados pelo poder do Espírito Santo. E por menores que sejamos, seremos dignos do Senhor, porque não é a pequenez que conta, mas a grandeza do Espírito Santo de Deus em nós.

Jesus, no Evangelho de hoje, nos promete a sua presença entre nós até a consumação dos tempos. E mais do que isso ele nos oferece “a paz”, esta instituição que está tão desprezada pelos povos globalizados e dominadores. Paz que vem da Eucaristia! Paz que vem da presença santificante de Deus em nós! Paz que é o repouso da presença do Espírito vivificante em nós, o Espírito de Deus!

Irmãos caríssimos,

O Espírito Santo é o Paráclito. Paráclito que significa advogado, consolador e sustentador de nossas vidas. Paráclito é uma palavra composta e indica um amigo ou uma pessoa de confiança chamada para nos ajudar num momento de crise ou de dificuldade; mas indica também o consolo que sentimos, a segurança que esperamos de Deus, que experimentamos na nossa fé, na certeza de que o Espírito de Deus sempre caminha ao nosso lado para nos proteger, consolar e sustentar na constância da fé e da caridade.

Jesus, no Evangelho, envia os apóstolos para a missão e dá a certeza de que o Espírito Santo sempre velará e acompanhará na missão de anúncio do Reinado e senhorio de Deus. Dentro da fragilidade dos ministros sagrados, mas impregnados pela graça santificante de Deus, abandonando todos os paradigmas da perseguição e da calúnia que desune a comunidade, o Espírito Santo nos envia para a missão porque “Tudo posso naquele que me fortalece”(cf. Fl 4,13).

Oração suplicante, oração com corações e joelhos voltados para o alto, para que o Espírito Santo nos ajude a enxergar no irmão o rosto sereno e radioso de Cristo Ressuscitado.
Os apóstolos que escutaram de viva voz Jesus e caminharam com ele, tiveram medo e dificuldade de entender a sua missão na terra. Assim, mais do que todos nós temos que ter a intrépida coragem de sair pelo mundo como testemunhas de Jesus, testemunhando pela fé, não precisando ver para crer.

Meus caros Irmãos,

A missão da Igreja continua em nossos dias. É nosso dever tentar alcançar com a nova evangelização todas as gentes, povos, grupos, classes e raças. Assim o verdadeiro milagre das línguas não consiste em dizer somente “Aleluia” em todas as línguas. É mais. Os diversos dons do Espírito Santo de que fala a segunda leitura servem exatamente para isto: para atingir as pessoas de todas as maneiras, para sermos profetas da Nova Aliança, selada por Cristo em seu próprio sangue e agora publicada para o mundo sob o impulso do Espírito.

A comunhão a todos reúne. No Espírito Santo, espírito de amor e unidade, todos podem entender-se. O Espírito é a alma da Igreja, o calor de nossa fé e de nossa comunhão eclesial. A Igreja, por sua unidade no Espírito, no vínculo da paz, torna-se sacramento do perdão, da unidade, da paz no mundo, na medida em que ela se coloca em contacto com o Senhorio do Cristo pascal, na evangelização e na vivência do amor.
Viver o Cristo e amar o próximo pode ser o resumo da presença do Espírito Santo entre nós. Amém!

Pe. Wagner Augusto Portugal

Colaboração do Portal Um - Continente Digital do Povo de Deus.

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