31 de julho de 2014

Sobriedade e Liturgia: caminhos para celebrar de coração

Observamos com certa imprudência altares de Igrejas que mais parecem um amontoado de coisas sem coerência. Esta falta de cuidado e sensibilidade demonstra claramente a falta de conhecimento litúrgico. Todo excesso é sempre prejudicial, pois ofusca o Mistério. Muitos arranjos de flores roubam a cena diante do que é essencial, não ajudam a comunidade a rezar a liturgia, mas ao contrário, prejudicam o recolhimento interior. Como se não bastasse, encontramos ainda tantas imagens de santos, banners, isopor com mensagens escritas em papel luminoso e glitter que de longe deixam transparecer toda sobriedade que o ambiente litúrgico exige. Vale ressaltar que estes fatos não devem conduzir-nos a um julgamento acerca de quem está à frente de nossas comunidades. Na maioria das vezes, as Equipes de Liturgia não receberam uma formação adequada. Portanto, julgar e condenar não são o caminho, mas a instrução e reflexão deve ser o farol que nos guia para uma maior e melhor compreensão da liturgia como espaço celebrativo do Mistério Pascal. Criar discórdias ou ofensas irá prejudicar a caminhada da comunidade e não são atitudes cristãs.



















Diante destas realidades presentes em muitas Igrejas, encontramos no Missal Romano, orientação segura para celebrarmos com sobriedade e espiritualidade a liturgia.

Sobre o altar a Introdução Geral do Missal Romano orienta a colocar sobre o altar onde se celebra ao menos uma toalha de cor branca, que combine com seu formato, tamanho e decoração, com a forma do altar[1]. Isto não significa que a toalha deva esconder o altar. Muitas vezes a beleza do altar é escondida por toalhas extremamente imensas. É preciso sempre usar o bom senso.

Flores! Ajudam a rezar se são usadas com sobriedade e moderação. Prejudicam se usadas em excesso e sem critérios litúrgicos. No Tempo do Advento as flores devem ser usadas com moderação, de modo que não antecipem a plena alegria do Natal do Senhor[2]. Luzes pisca-pisca, árvores natalinas, e demais adereços não combinam com o ambiente litúrgico deste tempo e deixam o altar parecendo mais uma vitrine de loja em Nova York.

No Tempo da Quaresma é proibido ornamentar o altar com flores. Este tempo litúrgico pede-nos recolhimento e sobriedade. Não estão incluídas nesta regra o IV Domingo da Quaresma (Domingo da Alegria), solenidades e festas[3]. Deixemos a alegria que as flores expressam para serem usadas na Vigília Pascal e no Tempo da Páscoa.

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Vigário na Paróquia Nossa Senhora do Carmo (Cambuí - MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://www.padreflaviosobreiro.com

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[1] Introdução Geral do Missal Romano, 304.
[2] Introdução Geral do Missal Romano, 305.
[3] Introdução Geral do Missal Romano, 305. 

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