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1 de junho de 2013

Creio em Sua Palavra

Creio em Sua Palavra
Blog Evangelizando!

Celebramos quinta-feira passada a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Já é tradicional em nossa Arquidiocese a procissão da unidade, saindo da Igreja da Candelária até a Catedral de São Sebastião. Caminhamos com Cristo, somos chamados à missão e buscamos a unidade.

Rezamos de maneira especial diante do Santíssimo Sacramento pelo êxito da JMJ Rio 2013. Colocamos nas mãos do Senhor os nossos trabalhos e lutas para que os que estarão participando de perto ou de longe tenham um verdadeiro encontro com Deus. Neste domingo, dia 2 de junho, estaremos todos unidos ao Santo Padre na Hora Santa do Ano da Fé, ao meio-dia, em nosso Santuário Nacional de Adoração Perpétua. Depois da feliz visita ao Papa Francisco partilhando os sonhos de nossa Jornada Mundial da Juventude que ele virá para presidir a nossa alegria em poder servir faz com que a oração seja constante por todas essas intenções.

Ainda mais: na liturgia deste domingo, o exemplo do oficial romano que proclama acreditar no “poder da Palavra” de Jesus nos faz refletir sobre o Ano da Fé, fazendo ecoar em nossos ouvidos a constatação de Jesus: “nunca vi tanta fé, nem mesmo entre o povo de Israel”.

A insistência do Papa Francisco para ir para as “periferias do mundo” a fim de anunciar a Boa Notícia encontra aqui também uma luz: os que estão longe também têm sede de Deus!
Como certa intolerância se instalou no coração e na mente de muitos ao nosso redor que propagam suas ideias, é importante acatar novamente esta palavra que nos faz ouvir do coração das pessoas que querem se aproximar de Jesus para ter a vida. É o grande apelo à missionariedade!

Nessa nossa caminhada da Igreja na história que o “tempo comum” da liturgia nos faz enxergar, agora nos apresentado nesse 9º domingo, o Evangelho de Lucas 7, 1-10: Jesus cura o empregado de um oficial romano.

A boa nova de Jesus chega até os ouvidos dos pagãos do lugar. O oficial romano, o centurião, era chefe de um destacamento militar, mas ele reconhece a autoridade da palavra de Jesus e intercede por um empregado seu.

A liturgia hodierna nos ensina a valorizar o diferente. Os discípulos valorizam a atitude e os serviços prestados deste pagão e intercedem por ele. De um lado aparece a ida do Mestre até os necessitados, acolhendo o apelo de um pagão que manifesta sua fé na palavra de Jesus. De outro vemos também o lado da acolhida, que é ir ao encontro, além de receber.

No atual contexto do nosso tempo, em que as pessoas se tornaram distantes e desconfiadas e, paradoxalmente, conectadas com a comunicação digital, Jesus que vai ao encontro de um pagão nos fala de acolhida e missão.

Jesus missionário em visita. Como ótimo missionário, atendendo aos rogos dos anciãos, Jesus se encaminha para fazer uma visita ao doente. O centurião romano reconhece, entretanto, que não é digno desta visita, mas acredita totalmente na palavra salvadora do Mestre. Sabemos também das restrições religiosas sobre o encontro de um judeu com os pagãos. Porém, o próprio centurião vem ao Encontro de Jesus e diz: "que se ele disser uma única palavra o seu servo será salvo".

Aprender com Jesus é o método melhor e mais eficaz para a ação pastoral e para um acolhimento mais amadurecido e sem falsas ilusões.

Um primeiro dado desse gesto encontramos no acolhimento de Jesus ao centurião de Cafarnaum (Lc 7,1-10; Mt 8,5-13). Foi uma bela profissão de fé que suscitou uma palavra de admiração de Jesus. O centurião suplica por um dos seus servos, e ao perceber a atenção de Jesus e sua decisão em ir a sua casa, ele faz aquela confissão que todos conhecemos: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; dize uma só palavra e meu servo será curado” (Mt, 8,8). Foi uma troca de acolhida, uma reciprocidade de impressionante beleza. Gestos alternados: de quem acolhe e de quem foi acolhido e se sente infinitamente satisfeito. Duas atitudes que se completaram.

Além do aspecto da profissão da fé em Cristo, este episódio do Evangelho pode nos iluminar nesse momento importante da cidade do Rio de Janeiro, do Brasil, quando acolheremos milhares de jovens de quase 170 nações. É a importância da hospitalidade que deve estar em nosso coração e em nossas atitudes.

A nossa complexa Pastoral Urbana nos questiona: “A cidade pode ser uma fábrica de frustrações e de sofrimentos para aqueles que ficam à margem do que ela tem para oferecer. Há muita gente perdida, sem espaço, exposta ao anonimato solitário de um ambiente onde cada um cuida de si. Catadores de lixo, mendigos, desempregados, prostitutas, meninos e meninas de rua, migrantes sem teto são alguns dos “sobrantes” que a cidade exibe sem conseguir integrar” (CNBB, Estudos 75, n. 38). Além de acolhermos os excluídos da história devido às situações sociais e humanas, somos chamados a ir mais longe: a concretizarmos com estes gestos a construção de uma sociedade que constrói a civilização do amor.

Devemos assim acolher a todos, particularmente aos que batem às portas de nossas comunidades, bem como ir ao encontro dos que estão indiferentes. Há campo de sobra para o Ministro da Acolhida e para os demais ministérios e pastorais para construir o Reino de Deus.

No mundo urbano em que vivemos, parece que todas as relações humanas são muito “desumanas”, estão “contaminadas”, pois estão fortemente marcadas por um sentido “comercial” fundamentado no “interesse”: te dou isto e tu me dás aquilo.

A fé do centurião impressiona até Jesus, pois acreditou em Sua Palavra como nenhum outro daquele povo. Assim, a liturgia deste domingo nos ensina a valorizar as pessoas, é compromisso do missionário. Acolher a todos, particularmente neste tempo de JMJ-Rio2013, abrir nossas casas para acolher os peregrinos. A nossa fé deve ser a fé do centurião: "Diz uma palavra e ele será salvo".


Experimentemos a misericórdia de Deus e acolhamos a todos! Jesus vem nos salvar e nos pede que sejamos acolhedores com todos!

Dom Orani João Tempesta
Colaborador do Blog Evangelizando
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ). Realizou seus estudos em São Paulo (SP), na Faculdade de Filosofia no Mosteiro de São Bento e no Instituto Teológico Pio XI, dos religiosos salesianos.

O que o Papa Francisco vem fazer no Brasil?

O que o Papa Francisco vem fazer no Brasil?
Blog Evangelizando!

Por que o Papa Francisco vem ao Brasil? O que este homem tem a nos falar?

Ele vinrá ao país em 2013 para participar da 27ª Jornada Mundial da Juventude.

Não é com pouco pesar que vemos o egoísmo imperando, as famílias se desfragmentando, o ódio entre segmentos sociais se acirrando, a ausência de amor, de alegria, de esperança se instalando. O trabalho digno é privilégio de alguns, o desemprego ainda marca profundamente nossa realidade, as drogas invadem os lares, a violência ceifa vidas, a depressão atinge milhares de homens e mulheres...

Apesar de tudo isso, nada impede os jovens de sonharem. É próprio deles desejarem algo mais do que o cotidiano da vida. O jovem é o ser do novo, da relação interpessoal vivida na verdade e na solidariedade, da amizade autêntica, do verdadeiro amor, do futuro sereno e feliz... Perguntam-se qual o sentido da vida, buscam porto seguro para reabastecer a força e zarpar em busca de seus ímpetos mais sublimes e generosos.

Vivendo nesta realidade, a figura do papa representa que há uma alternativa onde se possa encontrar, na vastidão e na beleza da vida, uma segurança e um sentido. Francisco vem para reafirmar que tudo o mais é insuficiente quando se descobre que o nosso desejo da vida é Aquele que nos criou. Ele deixou sua marca indelével em nós, por isso aspiramos o amor, a alegria e a paz.

A vinda do papa nos deixará um imenso legado espiritual. Será uma oportunidade ímpar de se ver o rosto da juventude católica, de renovar e solidificar a todos na fé e no amor à Igreja. É a certeza de que vale a pena acreditar em Deus, de dar a sua vida em favor dos outros.

Trazemos dentro de cada um de nós inúmeras questões e dúvidas. Procuramos resposta e não pararemos de buscá-las, mas trazemos a certeza de que só será possível encontrá-las por meio de Jesus Cristo, Aquele a quem o papa, figura de Pedro, insiste que confiemos. “O Rei que seguimos e nos acompanha, é muito especial: é um Rei que ama até à cruz e nos ensina a servir, a amar. E vós não tendes vergonha da sua Cruz; antes, abraçai-a, porque compreendestes que é no dom de si, no sair de si mesmo, que se alcança a verdadeira alegria e que com o amor de Deus Ele venceu o mal. Vós levais a Cruz peregrina por todos os continentes, pelas estradas do mundo. Levai-la, correspondendo ao convite de Jesus: ‘Ide e fazei discípulos entre as nações’ (cf. Mt 28, 19), que é o tema da Jornada da Juventude deste ano.” (Papa Francisco)


Rumo à Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, certos de que os jovens respondem com prontidão quando é proposto com fé com sinceridade e verdade o encontro com Cristo, fundamento da nossa fé. Incentiva Francisco aos jovens: “devem dizer ao mundo: é bom seguir Jesus; é bom andar com Jesus; é boa a mensagem de Jesus; é bom sair de nós mesmos para levar Jesus às periferias do mundo e da existência. Três palavras: alegria, cruz, jovens.”

Geraldo Trindade
Colaborador do Blog Evangelizando
Bacharel em filosofia pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana, estudante de teologia no Seminário São José da arquidiocese de Mariana (MG). Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/

Domingo do Tempo Comum - Ano C - 02/06/2013

Domingo do Tempo Comum - Ano C - 02/06/2013
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"Olhai para mim Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados"(Sl 24,16.18).
No encantamento do tempo comum, das coisas cotidianas, depois de termos celebrado as festas da Santíssima Trindade e de "Corpus Christi" os domingos se revestem da beleza do dia a dia e Nosso Senhor Jesus nos é apresentado pela Mãe Igreja como o único mediador da salvação.

Meus queridos irmãos,

Na Primeira Leitura(cf 1Rs 8,41-43) o rei Salomão reza para que Deus atenda os estrangeiros. Na grande oração da Dedicação do Templo de Jerusalém, Salomão não reza apenas pela casa de Davi e o povo de Israel, mas, também, pelos estrangeiros que aí virão adorar ao Deus de Israel e do Universo. E o templo será a casa de oração para todas as nações. Deus quer ficar acessível às necessidades de todos os homens. A única condição indicada na leitura do primeiro livro dos Reis para se poder praticar o culto é crer no nome de Deus(cf. Ex 12,48), isto é, em Deus por uma fé que se baseia em sua ação salvífica na história.
A fé é universal, conforme nos ensina a bela oração de Salomão na ocasião da Dedicação do Templo. O Rei Salomão pede a Deus também pelos que acorrem de longe para rezarem no Templo de Jerusalém.

Caríssimos fiéis,

O Evangelho de São Lucas(Lc 7,1-10) apresenta hoje a fé de um pagão, um oficial romano, que morava em Cafarnaum. O centurião de Cafarnaum é um pagão,porém, envergonha os representantes da sinagoga por sua fé em Jesus, "o Senhor"(cf. Lc 7,6), e na força salvífica de sua palavra. São Lucas descreve o centurião como um homem que teme a Deus, um pagão que serve de exemplo para os judeus. O Evangelista Lucas revela-se aqui como o evangelista "ecumênico", descobrindo os valores "pré-cristãos" em todo o mundo. Claro aqui está a emocionante fé do Centurião. Vejamos, novamente, que o centurião é cidadão romano. O centurião é pagão, mas estima muito o judaísmo. Fica evidente que o Centurião se acha indigno de fazer um pedido direto a Jesus para que cure o seu funcionário. O Centurião manda os anciãos de Cafarnaum pedir a cura de seu empregado a Jesus, e estes anciãos não tinham como negar o pedido do Centurião, porque ele próprio havia ajudado na edificação de uma Sinagoga na cidade de Cafarnaum. Com a insistência dos anciãos para que Jesus vá ao encontro do Centurião ele caminha com eles na direção da casa do cidadão romano. Ainda no caminho o centurião romano lhes corre ao encontro e proclama: "Não, Senhor, não entre em minha casa. Eu não sou digno. Mas fale uma só palavra, que meu servo fica bom. Pois eu sei o que uma palavra é capaz de fazer quando a gente tem poder de mandar, sou militar!" E, Jesus, cura o servo, à distância.
Aqui o que está em evidência é a grande fé do homem romano, estrangeiro e pagão, que não colocou pré condições, mas acreditou: "Eu sei o que é mandar - mande, Senhor!". Uma fé profunda, que passou primeiro pela mediação dos anciãos da cidade, e que, depois, ele mesmo corre ao encontro do Senhor. Isso levou o próprio Senhor Jesus a dizer: "Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé"(cf. Lc. 7, 9).
Esta fé, que procede do sentimento da própria inteligência e indignidade diante dos benefícios de Deus, foi motivo da salvação na casa do centurião. O centurião sabe que para obter os benefícios de Deus, ele precisa passar através dos judeus e parece que assim também pensam os judeus, insistindo em que Jesus faça uma exceção: "Ele é digno". Mas com a vinda de Jesus as coisas mudam: a salvação é para todos os que têm fé e só para esses(cf. Rm 3,22).

Caros irmãos,

A Segunda Leitura desta liturgia(cf. Gl 1,1-2,6-10) nos apresenta o Evangelho de Paulo. São Paulo mesmo operou a primeira evangelização da Galácia, país subdesenvolvido, muito exposto a qualquer novidade. Agora vieram outros missionários, confundindo as jovens nascentes comunidades, impondo costumes judaicos - como a circuncisão - também aos cristãos de origem pagã. Estes missionários consideravam o cristianismo apenas como uma variante do Judaísmo. São Paulo, então, escreveu a carta de hoje com intensa preocupação. Não se trata de uma pessoa, mas da pureza de seu Evangelho. A garantia desta pureza é que Deus, que ressuscitou o Cristo dos mortos, também chamou a São Paulo.
A segunda leitura nos oferece a saber qual é o critério para reconhecer, independentemente dos pregadores, qual é o verdadeiro Evangelho? Os cristãos devem saber que existe uma norma objetiva da pregação e da fé(cf. 1Cor 15,3-4) contra a qual ninguém pode ir, nem Paulo nem um colaborador dele, nem um anjo. A norma é esta: Cristo é o único mediador da salvação. Se alguma doutrina procura modificar esta verdade, não pode ser evangelho.
A lei fica sempre exterior ao homem e não pode, de modo algum, mudar o homem; ainda que possa observar todas as leis, o homem não mudará. Se o homem não fosse pecador interiormente, não teria necessidade de ser mudado. Mas o homem, todo homem, é pecador, e só Deus pode transformá-lo; a lei não pode. É Cristo que opera tudo isso no homem. São Paulo convida os gálatas a escolher entre a lei e Cristo.

Queridos irmãos,

É no amor que o homem se realiza, na comunhão com Deus e com os outros. E isto só é possível em Cristo. Ele á a aliança entre Deus e a pessoa humana, a comunhão realizada de modo perfeito, porque verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Por isso, é só unindo-se vitalmente em Cristo que o homem se salva como homem.

Prezados fiéis,

Devemos, neste dia, relembrar o que nos ensina o Concílio Vaticano II: "Finalmente, aqueles que ainda não receberam o Evangelho, estão de uma forma ou outra orientados para o Povo de Deus (32). Em primeiro lugar, aquele povo que recebeu a aliança e as promessas, e do qual nasceu Cristo segundo a carne (cfr. Rom. 9, 4-5), povo que segundo a eleição é muito amado, por causa dos Patriarcas, já que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis (cfr. Rom. 11, 28-29). Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão, e conosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia. E o mesmo Senhor nem sequer está longe daqueles que buscam, na sombra e em imagens, o Deus que ainda desconhecem; já que é Ele quem a todos dá vida, respiração e tudo o mais (cfr. Act. 17, 25-28) e, como Salvador, quer que todos os homens se salvem (cfr. 1 Tim. 2,4). Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna (33). Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida reta. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho (34), dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida. Mas, muitas vezes, os homens, enganados pelo demônio, desorientam-se em seus pensamentos e trocam a verdade de Deus pela mentira, servindo a criatura de preferência ao Criador (cfr. Rom. 1,21 e 25), ou então, vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, se expõem à desesperação final. Por isso, para promover a glória de Deus e a salvação de todos estes, a Igreja, lembrada do mandato do Senhor: «pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16,16), procura zelosamente impulsionar as missões"(Cf. LG 16).
Os bispos, na Conferência de Aparecida, disseram: "Neste momento, com incertezas no coração, perguntamo-nos com Tomé: “Como vamos saber o caminho?” (Jo 14,5). Jesus nos responde com uma proposta provocadora: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Ele é o verdadeiro caminho para o Pai., quem tanto amou ao mundo que deu a seu Filho único, para que todo aquele que nele creia tenha a vida eterna (cf. Jo 3,16). Esta é a vida eterna: “que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo teu enviado” (Jo 17,3). A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida. Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tuas palavras dão vida eterna” (Jo 6,68); “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16)" (DAp 101).


Padre Wagner Augusto Portugal.

UMA ANTIGA RECEITA

UMA ANTIGA RECEITA
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A economia mundial, principalmente a europeia, está atravessando uma dura recessão provocando um freio nas chamadas “economias de 1º mundo”, nas economias de países desenvolvidos e ao mesmo tempo provocando a desaceleração das economias dos chamados países emergentes, como é o caso do Brasil. Especialistas da economia mundial, afirmam que a recuperação já está se verificando, mas muito lentamente. A produção de países importantes como Estados Unidos, Japão, Alemanha, ainda registram contrações. Aqui na Itália sentimos de perto a recessão econômica, traduzida na falta de emprego para os jovens, no fechamento de muitas empresas e no alto custo fiscal que a população deve suportar. O que fazer diante de um quadro econômico mundial ainda sombrio, onde as pequenas luzes, aqui e ali, são muito tênues para produzir o entusiasmo necessário para dar a volta por cima?

Uma receita para enfrentar momentos como esse foi apontada pelo Papa Francisco nos dias passados quando fez um discurso a 500 membros da Fundação ‘Centesimus Annus Pro Pontifice’. A receita não tem nada de novidade, mas para muitos, paradoxalmente, tem sabor de novo. Devemos reinventar a solidariedade. No atual momento de crise as dificuldades econômicas mostram que “algo não funciona”. O Papa que “veio do fim do mundo” pede ao mundo para repensar a solidariedade não como simples assistência aos mais pobres, mas sim como uma reconsideração global de todo o sistema, como “busca de caminhos para reformar e corrigir de forma coerente” os desvios levando em consideração os direitos fundamentais do homem.

Sentimos que algo vai errado na economia de um país quando um pai de família retorna para casa sem emprego, pois a empresa fechou; quando os jovens que saem das universidades perambulam pelas ruas batendo de porta em porta procurando quem sabe o primeiro emprego depois de anos de formação, e nada; quando o salário não dá para chegar ao fim do mês e as despesas só aumentam, quando os organismos de assistência social ficam cheios. Assim começamos a nos sentir ainda mais pobres, sem perspectivas, uma “pobreza material” que se traduz na impossibilidade de ganhar o pão cotidiano, de matar a fome dos seus filhos, de não ter a dignidade de um trabalho. O que antes era uma exclusividade do “sul do mundo” dos países pobres, hoje é uma realidade que bate à porta dos “países do norte”, dos países que conheceram o desenvolvimento e a riqueza.

A receita, a velha receita recordada pelo Papa Francisco da solidariedade, nos faz pensar o que significa então solidariedade. A solidariedade não é uma “esmola social” como referiu o Papa, mas sim um “valor social”. Se vamos ao dicionário, solidariedade, entre outras coisas significa “compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras e cada uma delas a todas”. Na Sociologia existe o conceito de solidariedade social, que subentende a ideia de que seus praticantes sintam-se integrantes de uma mesma comunidade. Para o mundo em que vivemos essa palavra foi deixada de lado e usada somente como obrigação de dar alguma coisa, uma esmola, sem recordar que também é um compromisso e um valor.

Ser solidário pode parecer somente uma obrigação e não valor de ajudar e repartir, devolver aquilo que talvez você tenha em excesso àquele que nada tem. Há muito tempo ideologias centralizadoras apresentam à nossa sociedade somente o lucro como ideal em detrimento à necessidade de milhões de pessoas; o lucro acima de tudo, sem ética, sem valor, simplesmente lucro.


Papa Francisco chama mais uma vez a atenção de que o ser humano deve estar acima dos negócios, da lógica e dos parâmetros dos mercados, para que cada pessoa tenha a possibilidade de viver dignamente e de participar ativamente no bem comum. O próprio homem é a resposta a tudo, devemos voltar à centralidade do homem, a termos uma visão ética das atividades e das relações humanas, sem medo da solidariedade, sem medo de dar, sem medo de perder alguma coisa. Uma antiga receita, mais atual do que nunca.

Silvonei José Protz
Colaborador do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

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