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31 de maio de 2015

Charlie Charlie e a fé católica

O que tem acontecido com as brincadeiras?!!!! O que significa o desafio Charlie Charlie?!


Nos últimos dias a prática dessa “brincadeira” tem preocupado pais, professores e a Igreja. Essa prática tem sido muito recorrente no meio dos adolescentes e tem como propósito invocar os espíritos maus através da invocação “Charlie”, um suposto espírito mexicano a responder se está ali ou não. Há várias controvérsias sobre este espírito na cultura mexicana ou de povos antigos. Porém, a grande preocupação está na proximidade com o mal, o ocultismo, a invocação de espíritos e demônios. O grande mal está em abrir as portas do coração para a ação do mal e do demônio na vida das pessoas em uma prática real e concreta de invocar os espíritos.

Quem participa de tais rituais traz, além de danos espirituais, experimenta também danos psicológicos e morais. Tais práticas advém da curiosidade e da falta de fé cada vez mais frequente entre as pessoas.  Quando se invoca o mal acaba-se renegando a Deus, deixando de amá-Lo sobre todas as coisas e pedindo o auxílio de forças maléficas para a vida. Deve-se tomar cuidado! O demônio quer mesmo que o invoque, mesmo que seja numa “brincadeira”. 
           
Invocar as forças ocultas do mal é pecar contra o primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas. O próprio Deus proíbe que se procure adivinhações, feitiçaria, mágica, invocação de mortos (Dt 18, 10-12; Lv 19,31; 2 Rs 17,17; Mq 5,11). Estes que buscam a sua segurança nestas coisas serão renegados por Deus.
           
“O mal não é uma abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O ‘diabo’ (‘diabolos’) é aquele que ‘se atira no meio’ do plano de Deus e de sua ‘obra de salvação’ realizada em Cristo”(Catecismo da Igreja Católica, 2851)
           
O Papa Francisco no dia 30 de outubro de 2014 alertava em sua missa na Casa Santa Marta: “Fizeram crer a esta geração - a tantas outras - que o diabo era um mito, uma figura, uma ideia, ideia do mal, mas o diabo existe e nós temos de lutar contra ele”. A luta contra o demônio é se armar com o escudo da fé. Não é um simples confronto, mas um contínuo combate contra o demônio. Por isso é preciso buscar a Deus, rezar, ouvir e colocar em prática a Palavra de Deus, receber a Eucaristia, a fim de que se possa ser santo como Deus é santo (1Pe 1, 15-16; Mt 5,48). Cristo venceu o príncipe do mundo quando Ele se entregou na cruz. Rezando Pai nosso (“livra-nos de todos os males”), pede-se que seja libertado de todos os males, presentes, passados e futuros dos quais o demônio é autor e instigador.

Rezemos:

“São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém”. (Papa Leão XIII)

“A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão meu guia. Retira-te satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno!”

Geraldo Trindade 
 padre na Arquidiocese de Mariana
 e mantém o blog: http://pensarparalelo.blogspot.com 

23 de maio de 2015

A IDEOLOGIA DE GÊNERO RESSURGE


A ideologia de gênero, varrida do Plano Nacional de Educação (PNE), no ano passado, não descansa em paz como algumas pessoas menos avisadas possam pensar. Ao contrário, “diabólica” como é – para usar as palavras do Papa Francisco –, ela visa agora entrar na vida de nossas crianças e adolescentes não mais pela esfera federal, mas, sim, municipal: cada município fica responsável por implantar ou recusar esse sistema de idéias nefasto e antinatural em seu plano de ensino.

Importa, pois, relembrar que se isso se der em sua totalidade será a destruição do ser humano, conforme já apontamos aqui em outras ocasiões, seja escrevendo sozinho, seja junto com Enrico van Blarcum Misasi, estudante de Direito na USP, membro do Movimento Pró-Vida e destemido batalhador pela causa da Igreja.

Com efeito, a tese mestra da ideologia de gênero é a seguinte: nós nascemos com um sexo biológico definido (homem ou mulher), mas, além dele, existiria o sexo psicológico ou o gênero que poderia ser construído livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido. Em outras palavras, não existiria mais uma mulher ou um homem naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria sexualmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente homem ou mulher.

Ora, em seu discurso de 21 de dezembro de 2012 à Cúria Romana, o Papa Bento XVI já lançava uma ampla advertência quanto ao uso do “termo ‘gênero’ como nova filosofia da sexualidade”. Dizia ele que “o homem contesta o fato de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um fato pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria. De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: ‘Ele os criou homem e mulher’ (Gn 1,27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem emulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza”.

O Papa Bento abordou a ideologia de gênero outra vez, um mês mais tarde, em 19 de janeiro de 2013, dizendo que “os Pastores da Igreja – a qual é ‘coluna e sustentáculo da verdade’ (1Tm 3,15) – têm o dever de alertar contra estas derivas tanto os fiéis católicos como qualquer pessoa de boa vontade e de razão reta”.

Vale a pena, a título de conclusão, notar três coisas na fala papal: a) a teoria de gênero é, no fundo, um grave pecado, pois visa subverter ou revolucionar, no pior sentido do termo, a ordem natural criada por Deus. É um brado de total revolta contra o Criador; b) O Papa usa o vocábulo dualidade, ou seja, duas realidades distintas (homem e mulher) que se complementam harmoniosamente, mas não se opõem. Isso já seria dualismoc) Pede aos Bispos que não deixem de alertar o povo católico e demais pessoas de boa vontade sobre a maldade da ideologia de gênero que vem tentando se implantar em nossa sociedade, particularmente por meio do sistema de ensino.

Ao fiel católico leigo – demais cristãos e pessoas de boa vontade em geral – cabe colocar em alerta os maispróximos e, sobretudo, perguntar aos políticos profissionais que conhece (especialmente aos vereadores) qual é a postura deles sobre a ideologia de gênero. Se disserem que estão desinformados, indique-lhes o livro Ideologia de gênero: o neototalitarismo e a morte da família, de Jorge Scala (Katechesis/Artpress, 2011), ou, mais fácil, o artigoReflexões sobre a ideologia de gênero, do Cardeal Dom Orani João Tempesta, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, publicado no site da CNBB, em 28/03/14, a fim de que esses representantes do povo se posicionem ante a subversão dos planos do Criador. Afinal, diante de Deus, todos somos responsáveis – em maior ou menor grau – pela delicadíssima questão em foco.

Fonte: http://refletindo7.blogspot.com.br/2015/05/a-ideologia-de-genero-ressurge.html

Vanderlei de Lima é filósofo e escritor. Artigo enviado a vários órgãos de imprensa.

31 de março de 2015

Sacerdote brasileiro motiva a entender a Inquisição à luz do seu contexto histórico mais amplo


Rio de Janeiro, 30 Mar. 15 / 10:20 pm (ACI).- “A inquisição é um tema normalmente utilizado nas aulas de história para denegrir a imagem da Igreja Católica”, afirmou o padre João Paulo Dantas, que é doutor em Teologia. Segundo ele, existem vários fatos que não são levados em conta na apresentação desse tema, principalmente, no meio acadêmico. Contrariando a tendência de criar uma lenda negra sobre a Igreja da época da Inquisição, sobretudo a sua versão espanhola, O perito brasileiro destaca a necessidade de tomar em conta o contexto histórico e político para distinguir com clareza as esferas da ação religiosa e da ação do poder civil durante o processo da inquisição”.


Em entrevista exclusiva a ACI Digital, o Pe. Dantas explicou que a inquisição dentro da Igreja nasceu no século XIII com o Papa Gregório IX, com o objetivo de limitar os danos causados pelos hereges na França. Eles atacavam lugarejos e cidades, incitavam a violência, a desordem social, a depredação, o desrespeito às autoridades civis e eclesiásticas e o suicídio em massa.

“Esse fato provocou a reação da população não herética, a violência se deflagrou e o poder civil precisou intervir de forma muitas vezes drástica. Os tribunais foram sendo criados pelo poder civil com a ajuda dos clérigos locais, mas esses tribunais se revelaram pouco atentos aos direitos dos réus, às questões das provas e muito suscetíveis às pressões das populações que se sentiam inseguras com a presença massiva dos grupos de hereges”, afirmou.

Ele destacou que à inquisição espanhola, que se prolongou até o século XIX, a mais ‘sangrenta’ teve uma dinâmica de conduta marcada pelo governo monárquico.

“Houve muitos abusos, pessoas inocentes foram condenadas injustamente, muito mais por questões políticas do que religiosas. Os Papas se opuseram a essa inquisição. Existe uma vasta documentação que comprova isso, várias cartas foram escritas por eles aos reis e inquisidores”, contou.

Padre Paulo acredita que muita coisa ainda precisa ser dita sobre esse tema e que é preciso reestudar as fontes, os documentos para um aprofundamento histórico.

“Existem arquivos que podem colaborar com tais pesquisas. É importante revisitar o fato da maneira mais imparcial possível, evitando todo tipo de suposição e exageros de cunho religioso, polêmico, ideológico e contrário à Igreja Católica. Não é certo ter uma orientação fechada a objeções, na verdade ainda existe bastante espaço para o debate. Um aprofundamento histórico a partir das fontes primárias será benéfico para todos”.

“Gostaria que esse tema fosse mais debatido nas paróquias, nos movimentos e pastorais, e também no meio acadêmico, para que a verdade brilhe”, motivou o sacerdote.

Fonte: ACI Digital 





17 de março de 2015

Portal G1 Em “A Trapaça Do Gênero”

Trapaceiros. A certeza do ardil é proporcional ao fingimento de inocência que dissimulam os “ideólogos de gênero”. Enquanto se fazem de ilibados, sabem exatamente o que estão fazendo. Sua linguagem os trai. Em artigo publicado pelo Portal G1, “‘Moça, você é machista': trans criam maior página feminista do país“, chama a atenção o requinte do vocabulário utilizado pelos blogueiros reportados na notícia.
“O feminismo me fez perceber o quanto a sociedade ainda é desigual em relação os gêneros. Coloco aos gêneros porque não é só uma relação de opressão de homem para mulher, mas pessoas trans também sofrem opressão da sociedade CISNORMATIVA”.
Como expliquei em outras ocasiões, os tais “pensadores” dividiram a raça humana em duas categorias: “transgênero”, para quem migrou (trans) do gênero socialmente atribuído ao sexo biológico com o qual nasceu para um novo gênero, auto-atribuído e inventado pelo próprio sujeito; e “cisgênero”, para quem permaneceu (cis) naquele.
“Cisnormatividade”, portanto, seria esta mania que todas as civilizações humanas estranhamente tiveram ao longo da história de imaginarem que o fato de alguém nascer homem ou mulher o faz ser realmente assim. Com um golpe lingüístico, relegam toda a história da humanidade à periferia da “igualdade de gênero”, esta sim, apta para nos libertar do estigma do… BINARISMO, palavra enxertada do desconstrutivismo de Jacques Derrida.
Para a “ideologia de gênero”, a
indefinição da identidade é a base
para que a pessoa se autodefina
Segundo ele, “a lógica ocidental (sic!) opera por meio de binarismos: feio/belo, puro/impuro, espírito/corpo etc.”*
Como assim, “lógica ocidental”?… Será que Derridas desconhecia a importância que a oposição puro/impuro tem para todas as religiões orientais, inclusive para o judaísmo?
Obviamente, ele rotula de binarismo a distinção dual, irrefutável em nossa própria experiência (ou alguém negará a própria percepção de claro/escuro, noite/dia, vida/morte, bem/mal, saúde/doença, macho/fêmea?…), tão óbvia que o próprio Pitágoras atribuía à dualidade a essencialidade do conhecimento, visto que o uno causa o dual e, destes dois princípios, origina-se tudo o mais.
Em outras palavras, Derridas relega todo o conhecimento humano a uma adulteração forçada, e o faz enquanto ele mesmo apresenta outro “binarismo” alternativo, mas ainda mais radical: a dialética introduzida entremeadamente nos discursos, antagonizando as palavras a fim de que produzam sínteses verbais alternativas, correspondentes aos resultados dissolutivos que ele mesmo quer produzir.
Como queria Louis Althusser, mais do que “contradição”, importa criar “sobredeterminação”: produzir contradições sobrederminadas, que conduzam exatamente para onde quer aquele mesmo que as produziu.
Neste sentido, a trapaça continua a mesma. Apenas se vai refinando e se tornando mais e mais imperceptível. Seguindo do modo mais ortodoxamente possível a lógica de Judith Butler, o blogueiro do G1 resume a questão nestes termos:
“a questão primordial do feminismo para mim foi a ideia de que sexo biológico e gênero não são as mesmas coisas, eu não preciso ter um pênis para ser homem e uma mulher não precisa ter uma vagina para ser mulher, essa quebra com o determinismo biológico explica muita coisa não só para transgêneros como também para pessoas CIS, de que não existe um determinismo e um papel já pré-estabelecido por ser mulher ou homem. Essas coisas são apenas construções sociais, históricas e culturais”.
Pois é! A teoria inteirinha, cuspida e escarrada, e em pleno G1. Mais, abaixo, chega a admitir, meio disfarçadamente, como o “feminismo feminista”, que pensa defender a mulher, sente que está sendo usado e protesta:
“eu encaro como sendo um atraso para o feminismo, usar argumentos transfóbicos contra mulheres transexuais é inaceitável. Eu vejo que elas voltam para um argumento machista e não percebem, por exemplo, se elas determinam o gênero por conta da genital de uma pessoa. Elas aceitam que também são determinadas pela genital delas e isso na minha opinião é atraso”.
Notem a perfeita coerência dessa fala com este texto de Judith Butler:
“A identidade do sujeito feminista não pode ser o sujeito da política feminista, se a formação deste sujeito ocorre dentro de um campo de poder que o aprisiona através da afirmação desta formação. Paradoxalmente, a representação no feminismo somente poderá fazer sentido se o sujeito ‘mulher’ não for assumido de nenhum modo”**.
Enfim, o vocabulário dos ideólogos de gênero começa a desfilar no cardápio da grande mídia. E ainda há quem acredite que tudo isso se trata de um simples discurso de anti-discriminação, e, mesmo diante de textos clamorosos e auto-explicativos como este, antecipadamente documentados e justificados por nós, nos acusa obstinada e imbecilmente de “fanáticos da ideologia do gênero”. Vai entender!!!
______________
(*) SOARES, Wellington, Precisamos falar sobre Romeo. Uma reflexão sobre sexualidade e gênero, em «Nova Escola», no. 279, Ano 30 (Fevereiro/2015), p. 29.
(**) BUTLER, Judith, Gender Trouble. Feminism and the subversion of identity, Routledge, New York, 2007, p. 8.

15 de março de 2015

Hoje tivemos um dia histórico para o Brasil.

Hoje tivemos um dia histórico para o Brasil. Os brasileiros foram às ruas simplesmente para demonstrar sua insatisfação com a onda de corrupção que envolve figuras ligadas ao atual grupo que governa o País.


Quem diz que isto é golpe, não sabe o que é uma democracia! Os cidadãos têm sim o pleno direito e o dever de manifestar sua opinião, de cobrar dos governantes honestidade, eficiência e compromisso ético.
Quanto ao impedimento da Presidente da República, qualquer cidadão tem o direito de exprimir sua opinião. É possível o impedimento de algum presidente? Claro que sim, desde que seja no marco constitucional. Falar em impedimento não é golpe, é discussão democrática. Não é terceiro turno, é manifestação de que algo de importante não está bem! Quem pode negar isto no Brasil atual? As dezenas de bilhões roubados ao povo brasileiro só na Petrobras gritam isto!
Também é preciso cuidado com aqueles que, de má fé, querem fazer contraposição entre ricos e pobres, negros e brancos! Não se trata disso e todos sabem - mesmo se alguns, por má fé ideológica, não admitem! Trata-se simplesmente de indignação contra o verdadeiro assalto aos cofres públicos, ao conjunto de medidas erradas que levou a economia brasileira à situação de crise em que nos encontramos.
Numa verdadeira democracia, o poder pertence ao povo. Contudo, não deve ser exercido diretamente, pois seria esta a arma para os populismos e demagogias totalitárias de tipo bolivariano, mas deve ser exercido através dos representantes legitimamente eleitos. Todos esses eleitos podem ser retirados do poder, se não honrarem seus mandatos, desde que pelas vias constitucionais. Em outras palavras: sim à democracia representativa; não à democracia direta!
O que mais? Ainda que alguns peçam a intervenção militar, esta solução é totalmente equivocada, porque fora do marco constitucional. Seria uma armadilha, que terminaria numa ditadura... Cabe aos civis governar, como cabe a eles, dentro do preceito constitucional, resolver os impasses que surjam na vida política do País! Penso ser mais que claro que a totalidade dos manifestantes não defende esta solução militar - nem mesmo os militares, se forem espertos! Aliás, em qualquer tempo em que um presidente seja afastado ou se afaste do seu cargo, cabe unicamente ao vice-presidente assumir. É só.
Uma última coisa: a presidência da CNBB não se colocou contra as manifestações. Avalia-as legítimas. Somente chamou atenção para que não se vá logo falando em impedimento da Presidente, pois isto poderia destruir a segurança legal e constitucional, bem como a estabilidade política do País. Cabe ao Congresso analisar esta situação das condições para um impedimento, de acordo com a força dos apelos da sociedade. Em todo caso, cada um, inclusive os católicos, tem direito de pensar como julgar melhor...
É só. O resto é apelo ideológico, alguns deles realmente deploráveis pela pouca seriedade e profundidade... Vê-se que a mentalidade realmente democrática ainda está longe das sociedades latino-americanas, incluindo o Brasil!
No mais, parabéns aos brasileiros pelo dia de hoje! A sociedade como um todo se manifestou! Cabe ao Governo ouvir, fazer um seríssimo exame de consciência e mudar o que ainda dá para ser mudado. Cabe também à Oposição ser verdadeiramente oposição. Numa eleição, elege-se o governo e a oposição. Que o governo governe e a oposição critique, fiscalize, proponha alternativas e denuncie! Quanto ao mais, é esperar que a Polícia Federal e o Poder Judiciário façam a parte que lhes cabe na investigação e punição dos culpados...
Deus proteja o Brasil! Deus abençoe os brasileiros todos!

Bispo de Palmares 

4 de março de 2015

Liturgia, entre o sagrado e o profano

























Geraldo Trindade
 padre da Arquidiocese de Mariana,

O que é o sagrado dentro do contexto pós-moderno que vivemos? Qual o espaço que ele ocupa dentro do profano da vida? Estas distinções são traiçoeiras e muitas vezes, corre-se o risco de pecar por serem rasas.

            O sagrado é Deus em si; pois Ele é o criador. De Deus viemos e para Ele retornaremos. Isto é, tudo lhe pertence. “Cristo  ontem e hoje... Princípio e fim ... Alfa e ômega... A Ele o tempo e a eternidade...A glória e o poder... Pelos séculos sem fim. Amém”. Nós, seres humanos, somos criaturas. Reconhecer esta condição é propiciar que sejamos capazes de crescer e estabelecer com Deus um relacionamento marcado pela intimidade.

            Recorda-nos São Paulo, “não somos filhos de uma escrava, mas filhos de uma mulher livre. Cristo nos libertou para que fossemos realmente livres.” (Gl 4, 31 – 5,1). Resgatados para uma condição de filhos de Deus tornamo-nos Povo Régio e Sacerdotal.  “Vós, porém, constituís uma geração escolhida, um sacerdócio régio, uma gente santa, um poço conquistado, a fim de proclamar as grandezas daquele que das trevas vos chamou para a sua luz admirável. Outrora não éreis objeto de misericórdia. Agora sim, sois objeto de misericórdia” ( 1Pe 2, 9-10). Nas vicissitudes da história e da vida cada cristão é convidado a reconhecer a gratuidade do amor. Se assim caminha passa-se a elevar a Deus um “cântico novo” (Sl 33,3) que brota dos lábios como expressão de louvor ao Criador.

            A liturgia que em grego leit (de ‘laós’, povo) e urgia (de érgon, ação, obra). Assim a liturgia é uma ação, obra que se realiza em favor do povo, da comunidade, da vida das pessoas. Para os cristãos, é atualização da entrega de Cristo para a salvação. A liturgia faz o memorial da entrega redentora de Cristo na cruz. Através da ação litúrgica se é inserido nas realidades da salvação. Dessa forma, percebe-se claramente a raiz cristológica da liturgia. Cristo rompe um simples ritualismo e faz a liturgia um “culto agradável e perfeito” ( Rm 12, 1-2). Porém, a liturgia não se restringe a uma realidade de espaço e tempo determinado, mas prolonga-se como experiência vital. E mesma a liturgia conduzida pelo ritual advém de uma experiência transcendental dos antepassados e dos contemporâneos. Ela é meio do qual Deus se utiliza para expressar plenificamente todo o realismo de Sua Palavra e de Sua carne. Por isso, é preciso educar-se para aprender dEle a bem viver e nos alimentar dEle.

            A liturgia da criação é “quebra” e “extensão” de um silêncio criador. “A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam o abismo, mas o espírito de Deus paira por sobre as águas” (Gn 1, 2). A celebração litúrgica é acolhida, como filhos de Deus do supremo Mistério Pascal (vida, morte e ressurreição do Senhor). É realidade antiga e nova, capaz de atrair mentes e corações, invade e toca a nossa realidade, transforma e convida a lançar nossa vida. O memorial da Nova Aliança torna-nos participantes da vida de Cristo, homens e mulheres, renascidos a partir do novo Adão, que liberta das fragilidades do pecado.

            A partir de Cristo a realidade e a humanidade não pode mais ser vista como profana. Elas trazem em si uma reserva de sacralidade. “No princípio existia o Verbo, o Verbo estava voltado para Deus, e o Verbo era Deus.  O Verbo estava, pois, voltado para Deus  no começo. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada se fez de tudo o que foi criado” (Gn 1, 1-2). O universo é acolhida e morada do Altíssimo. Por isso, somos eminentemente espirituais e como criaturas, tendemos para estar com o Criador. O sagrado, Cristo, dignou-se assumir o profano, a humanidade (Fl 2, 5-11), a fim de que a humanidade encaminhasse para o que há de mais sagrado Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre (Hb 13, 8).

            Nosso coração humano volta-se naturalmente para o que é bom, belo e verdadeiro, Cristo, o Belo Pastor. A liturgia é a extensão mais digna da Palavra de Deus. Ela indica a Presença de Jesus e do Evangelho em ritos, orações e símbolos. Ela é convite para participar da vida divina vivendo ainda a vida humana, ela quer nos conduzir do visível ao Invisível, proporciona a união entre a Terra, nossa origem e o Céu, nossa origem primeira.

23 de fevereiro de 2015

A teologia islâmica

É uma alegria para nós do Blog Evangelizando ter conosco o Pe. José Eduardo, sacerdote da Diocese de Osasco disponibilizando alguns de seus textos.


A teologia islâmica, cindindo a relação analógica entre a criação e Deus, confinou o Criador numa liberdade puramente voluntarista, desobrigada da própria lógica do seu Ser, que pulsa como vontade eterna e autônoma; e a criação, governada por Sua lei, ante a qual cabe apenas a submissão.
A razão, incapaz de chegar ao Ser divino pela via analógica, apenas se relaciona com Ele por uma fé intuitiva, anti-intelectual, obediente.
Quando se infiltrou na filosofia ocidental, mediante o nominalismo (esta teologia mesma era uma elaboração nominalista), provocou a cisão entre fé e razão que originou a sensação de que nos relacionamos com Deus por "sola fide" e de que devemos aplicar a razão, pervertida pelo pecado e incapaz de conhecer a realidade, ontológica e moralmente, apenas de modo instrumental. Nascia a filosofia moderna, racionalista e fideísta, que fazia a razão fechar-se em si mesma e auto-limitar-se, e punha a fé como sentimento intuitivo, aos modos pietistas.
Na perspectiva moral, o legalismo mantinha-se como única ferramenta idônea para orientar o homem ao seu fim. Não o podendo entender intelectualmente, cabia-lhe apenas a atitude obediente de quem escuta o preceito, o que executa e exime-se do castigo.
Com uma razão desguarnecida de capacidade analógica e desacostumada à abstração, a ideia de Deus se foi esvaziando, deixando apenas o conceito genérico de lei moral, agora retrabalhado em termos secularistas. O conceito de lei natural se foi desteologizando, chegando a tornar-se apenas um uma lei genérica que o homem se dá, quase que se pondo na posição extra-temporal de um deus que legisla sobre si dispondo sobre o cosmos, mas ainda em termos minimamente racionais.
Erodindo-se ainda mais a razão, esta autodefinição moral se desracionalizou, gerando este conceito de liberdade autônoma que existe em nossos dias. De fato, o homem de hoje pensa que "agir livremente" é "fazer o que se quer", incondicionado por qualquer motivo lógico, apenas movido por uma pulsão caótica, conteúdo mesmo da autenticidade humana.
Eis aí uma fiel imagem e semelhança de Alá. Aquele Deus onipotente, que se auto-define ilógica e, portanto, incompreensivelmente, foi se reproduzindo gradualmente na filosofia moral moderna, produzindo um reflexo de si.
Não será este o motivo pelo qual o mundo secularizado, no qual o indivíduo se enxerga como portador de uma liberdade intelectualmente autônoma, acaba acolhendo tão facilmente o Islã, pela porta dos fundos? Não será que os filósofos islâmicos há séculos não sabiam que seria este o modo mais profundo de se obter uma vitória doutrinal sobre o ocidente? Seria este um duelo multissecular entre intelectualismo e voluntarismo, não percebido pelo cristianismo e, por isso, por ele mesmo patrocinado?
Curioso é o fato de que, no final das contas, a filosofia islâmica criou todos os problemas para os quais ela mesma parece ser a única resposta.

Fonte: https://www.facebook.com/jose.eduardo.7792/posts/988796494465699

6 de dezembro de 2014

Podemos encher nossa vida de sentido!

O vazio existencial se tornou na contemporaneidade o grande desafio que o homem deve enfrentar.  

Na tentativa de não experimentá-lo o homem pós-moderno busca camuflá-lo no consumismo, no imediatismo, no hedonismo e no individualismo. Neste universo, a existência humana é marcada pelas expressões do presente. É a partir dele que se deve “encher” a vida de sentido sob várias formas e maneiras. Assim, sendo a morte se torna o último e o grande obstáculo, pois ela representa o cessamento da busca e do preenchimento de sentidos. Porém, a morte não é o fim de tudo, ela não é a má sorte das esperanças humanas ou uma libertação do fardo existencial que é a vida. Diante do peso da existência não basta simplesmente “sobreviver” sob o peso das incertezas, dos medos e das inseguranças; mas é preciso que viva uma vida carregada de sentido.

Como encarar a presença de outros, que marca e contribui para encher a vida de sentido? Mas e quando a realidade nos encurrala e não se é capaz de oferecer um sentido para a vida? Como diz o adágio popular: “quando já não se encontra gosto em viver”? Como seguir em frente diante das circunstâncias injustas e dolorosas? Nestes momentos cresce o sentimento de vazio, de incapacidade de lidar e de suportar o peso da existência e da condução da vida. É-se invadido pela impotência, pela desolação, pelo desânimo e pela tristeza. Passa-se a acreditar que o tudo na verdade é o nada. O vazio grita aos ouvidos e perturba radicalmente o rumo da vida.
            
Podemos e devemos encher a vida de sentido, porém sozinho nunca se consegue. É preciso a presença de Alguém.
            
Diante da dor, do mal, da angústia e até da morte, Cristo experimentou a dimensão humana de depender de um Outro, ou seja, do Pai, de Deus. Mas, em que a atitude de Jesus faz diferença? No momento mais terrível, da agonia, Ele pediu que a cruz lhe fosse poupada (Lc 22, 41-44). Em Cristo vê-se claramente que a vida não é a última instância, o último fôlego de existência (2 Cor 5,17). Mas, a existência humana se estende para além e vai ao encontro do Pai.
            
Para esperar, nos diz Bento XVI, “o ser humano necessita do amor incondicionado. Precisa daquela certeza que o faz exclamar: ‘nem a morte, nem a vida (...) poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus’ (Rm 8, 38-39). Se existe esse amor absoluto com sua certeza absoluta, então – e somente então – o homem está ‘redimido’, independentemente do que lhe possa acontecer naquela circunstância” (Spe Salvi, 26).
            
Somente a presença de Cristo é capaz de dar sentido à dor e à injustiça.  “O melhor lugar para nos encontrarmos com o Senhor é a nossa própria fraqueza. Encontramos bem Jesus nos nossos pecados, nas nossas culpas, nos nossos erros”, lembrou-nos o papa Francisco na Quaresma de 2014. É preciso deixar Cristo habitar nas fraquezas humanas porque Ele bate na porta de nossos corações todos os dias, basta que se abra e deixa Jesus entrar nos corações e fazer morada, pois “sabemos que todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus, dos que são chamados de acordo com sua vontade” (Rm 8, 28).

Padre Geraldo Trindade
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Sacerdote da Arquidiocese de Mariana, atualmente vigário na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima em Viçosa. Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/


























4 de dezembro de 2014

Para pensar com calma e não tornar Jesus inútil...





























Quando hoje a Igreja, com renovada consciência, abre-se para o diálogo com as outras religiões, deve sempre conservar a atitude de fecunda tensão que sempre a norteou no contato com as realidades não-cristãs:

de um lado abertura para reconhecer tudo quanto de bom aí possa encontrar-se, individuando nessas realidades as sementes do Verbo, espalhadas em todas as realidades criaturais, já que tudo quanto existe foi criado através do Filho morto e ressuscitado e para o Filho morto e ressuscitado. Isso nos livra de todo fechamento e de ver o demônio em tudo que esteja fora da sacristia!

Outro excesso a evitar-se é aquele de certo diálogo interreligioso atual, que nivela as religiões todas entre si, considerando o cristianismo apenas mais um veículo da revelação - o mais elevado, mas apenas mais um. Tal visão é falsa, errônea e fere no coração a fé cristã.

O cristianismo é absolutamente único: não é uma palavra humana sobre Deus e sobre o homem, mas uma palavra de Deus, uma palavra realmente revelada por Deus sobre Si mesmo, sobre a humanidade e sobre o mundo. Em Cristo Deus nos visitou pessoalmente, pessoalmente fez-Se um de nós para nos fazer efetivamente participantes da Sua Vida divina. Perder de vista esta estupenda realidade é esvaziar totalmente o cristianismo e inutilizar a cruz de Cristo.

Nunca é demais recordar: Jesus não é um simples mensageiro, não é um simples profeta nem mesmo um homem perfeito! Ele é, pessoalmente, Deus bendito pelos séculos, Ele é a segunda Pessoa da Trindade Santíssima, através Dele e para Ele tudo foi criado e nós mesmos existimos. Em Jesus nosso Senhor Deus, pessoalmente, realmente, visitou-nos! Jesus não é um humano que Se fez Deus, mas Deus mesmo que Se humanizou, tomando a condição de servo para nos dar a Sua Vida divina pela Sua morte e ressurreição. Para isto Ele veio; por isso nós cremos Nele e a Ele entregamos a nossa vida: para que a nossa vida seja transfigurada em Vida!

Dom Henrique Soares da Costa
Colunista do Blog Evangelizando (+ artigos)
Bispo da Diocese de Palmares-PE
Blog: Visão Cristã












5 de novembro de 2014

A Igreja é homofóbica? Um homossexual responde

Conheça a experiência de Eric Hess com o cardeal Raymond Burke: “Renunciei à Igreja Católica, mas ele nunca deixou de acreditar em mim”


























Em um artigo da revista “Celebrate Life” intitulado “Saindo de Sodoma”, Eric Hess, um dos maiores ativistas gays da história de Wisconsin (EUA), conta a verdadeira paternidade do cardealRaymond Burke, chamado por alguns de homofóbico após sua participação no sínodo dos bispos sobre a família.
 
Em seu artigo, Eric relata sua infância turbulenta (seu pai era dependente de álcool e violento), que o levou, “em meio à dor, a buscar o amor do meu pai nos braços de outros homens”. Após uma juventude de muita confusão afetiva (Eric situa, hoje, a causa das desordens sexuais, do direito ao aborto e dos direitoshomossexuais na “mentalidade anticonceptiva predita em 1968 pelo Papa Paulo VI na ‘Humanae Vitae’”), em 1995, ele colocou em uma caixa sua Bíblia e todas as imagens religiosas que conservava da sua infância e as enviou ao bispo de “La Crosse”, Wisconsin, com uma carta na qual declarava sua renúncia à Igreja Católica.
 
“Para a minha surpresa, reconhece Eric hoje, o bispo Raymond Burke me respondeu com outra carta, na qual me dava a conhecer sua tristeza; disse que respeitava a minha decisão e que notificaria a paróquia na qual fui batizado. Afirmou que rezaria por mim e que desejava que chegasse o momento no qual eu me reconciliaria com a Igreja.”
 
No entanto, Eric (que, nessa época, era um dos ativistas gays mais atuantes de Wisconsin) lembra ter pensado: “Que arrogante!”. Depois, replicou ao bispo Burke com outra carta, acusando-o de assédio. “Meus esforços por desanimá-lo caíram por terra”, pois o bispo lhe enviou uma outra carta garantindo-lhe que não voltaria a escrever-lhe, mas que, se um dia ele quisesse se reconciliar com aIgreja, ele o receberia de braços abertos.
 
O tempo passou, mas “o Pai, o Filho e o Espírito Santo nunca desistiram de mim”, conta Eric, que então conversou “com um bom sacerdote”, cujas orações se uniram às do bispo.
 
Finalmente, “em 14 de agosto de 1998, a graça divina entrou na minha alma, em um restaurante chinês, junto ao meu companheiro de mais de 8 anos; naquela tarde, o Senhor me chamou ao tribunal da sua graça de cura: o santo sacramento da Penitência. O padre com quem eu havia conversado estava mês esperando lá. Enquanto eu caminhava até ele, uma voz interior falou ao meu coração; era amável, radiante e clara dentro da minha alma. E me dizia: este sacerdote é a imagem do que você poderia chegar a ser, se voltar a mim”.
 
A caminho de casa, naquele dia, Eric disse ao seu companheiro: “Preciso voltar à Igreja Católica”. Mais tarde, ligou para o bispo Burke, “para que fosse o primeiro a ficar sabendo que eu estava voltando para a Igreja”. Então marcamos um encontro.
 
“Um mês depois da minha reconciliação com Deus e com a Igreja, entrei na sala do bispo e ele me abraçou. Perguntou-me se eu me lembrava de tudo aquilo que lhe enviei em uma caixa anos antes. É claro que eu me lembrava. Foi então que o bispo me devolveu a caixa, dizendo que ele sempre acreditou que eu voltaria.”
 
Vários anos se passaram, o bispo Burke participou do sínodo dos bispos sobre a família e recebeu algumas acusações de homofobia. Eric Hess confessa que o bispo de Saint Louis “é difamado pela sua fidelidade a Deus, à Igreja e às almas. Posso dizer que é um pastor de verdade, que para mim se tornou um pai espiritual, imagem do nosso Pai do céu”.
 
Realmente, isso é todo o contrário da imagem com que alguns querem identificar o cardeal Raymond Burke e às vezes até a Igreja em si.

Fonte: Aleteia 

1 de novembro de 2014

É bom para todos

Muitos definiram o que ocorreu nesta semana na Sala antiga do Sínodo, no Vaticano, um evento histórico: o Papa recebeu pela primeira vez em sua casa os Movimentos Populares formados por trabalhadores precários e de economia informal, migrantes, indígenas, camponeses sem terra e habitantes das periferias das grandes cidades. Eles foram os protagonistas na última terça-feira de um encontro que certamente marca, não só a vida dos Movimentos Populares e de seus integrantes, mas também, se é que tinham dúvidas, a opção real da Igreja Católica pelos últimos, pelos que sofrem, pelos pobres e marginalizados. Francisco no seu longo e articulado discurso, uma espécie - como foi definido “pequena Encíclica de Doutrina Social –, fez um veemente pronunciamento, cheio de esperança, mas ao mesmo tempo de denúncia. Um discurso de amplidão e profundidade.























O texto, sintetizado em três palavras “terra, trabalho, casa” é mais uma recordação de que é imperativo sair em direção das periferias, encontrar-se com os últimos, os excluídos, os marginalizados; ouvir aquela humanidade ferida, que muitas vezes tem a sua voz sufocada pelo grande barulho produzido pelo centro, ou seja, por aqueles que não olham para o próximo, e quando olham, é somente para ver neles, um objeto de exploração. É essencial ouvir essa humanidade, não só no que diz respeito aos sofrimentos, mas também às expectativas, às esperanças e às propostas que nutrem. “Eles devem se tornar os protagonistas de suas vidas”. O atual sistema, - disse Francisco -, expulsou o homem do centro, ele foi substituído por outra coisa, a que se rende a um culto idolátrico ao dinheiro, globalizou-se a indiferença: “o mundo esqueceu-se de Deus que é Pai e tornou-se órfão porque colocou Deus de lado”.

O Papa usou no seu discurso, expressões muito fortes que fizeram a volta ao mundo: “não se vence o escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção que servem unicamente para transformar os pobres em seres domésticos e inofensivos”. A quem reduzisse os pobres à “passividade”, disse Francisco, Jesus certamente o chamaria “de hipócrita”.

É estranho – continuou –, mas quando falo sobre, terra, casa, trabalho, para alguns parece que o Papa é comunista. Certamente na mente de Francisco veio a figura de Dom Helder Câmara que comentava sobre o que diziam dele: “quando falo dos pobres sou um santo, mas quando falo das causas da pobreza, sou um comunista”.

Bergoglio voltou a afirmar que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Portanto, terra, casa e trabalho são “direitos sagrados”, “é a Doutrina social da Igreja”.

Os pobres querem ser protagonistas, reivindicam e praticam a solidariedade, uma solidariedade que existe especialmente entre aqueles que sofrem, uma solidariedade que a nossa sociedade esqueceu por considerar essa atitude um “palavrão”. É necessário combater as causas estruturais da pobreza, da desigualdade.

O Papa elogiou os movimentos populares porque trabalham não com idéias, mas com a realidade. É urgente resolver radicalmente os problemas dos pobres, acabar de modo imperativo com as diferenças e injustiças. A injustiça está na raiz de todos os males sociais.

Voltando às três palavras: terra, casa, trabalho. Quanto à terra, Francisco denunciou o “escândalo” de milhões de pessoas que sofrem de fome, enquanto "a especulação financeira afeta o preço dos alimentos, tratando-os como qualquer outra mercadoria”. Depois repetiu, falando sobre a casa: “uma casa para cada família”. Neste nosso mundo, cheio de injustiças, abundam eufemismos nos quais uma pessoa que sofre por causa da pobreza é definida simplesmente 'sem-teto'. E a terceira palavra, trabalho: a ausência de trabalho, sublinhou o Papa, é a maior “pobreza material”, porque aqueles que não têm trabalho, não tem dignidade e acabam vítimas de uma “cultura do desperdício“. O Santo Padre recordou mais uma vez que no mundo há milhões de jovens desempregados e que na Europa inteiras gerações foram neutralizadas “para manter o equilíbrio”, o equilíbrio da economia.

O denso discurso de Bergoglio tocou ainda o binômio ecologia-paz, afirmando que são questões que devem interessar a todos e, “não podem ser deixadas somente nas mãos dos políticos”. O Santo Padre afirmou mais uma vez que estamos vivendo a “III Guerra Mundial”, em pedaços, denunciando que “existem sistemas econômicos que têm que fazer a guerra para sobreviver”. Quanto sofrimento, quanta destruição quanta dor!

O brado do Papa por uma maior justiça voltou a ecoar nos meios de comunicação de todo o mundo, no coração e mente das pessoas: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade do trabalho. Francisco pediu mais uma vez para que olhemos para próximo, sem distinção, e convidou os movimentos populares de todo o mundo continuar sua luta, porque, disse, “é bom para todos”.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

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