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7 de maio de 2014

É possível viver a fé no ambiente virtual?

É possível viver a fé no ambiente virtual?
Cada dia mais a internet com suas ferramentas e opções estão presentes na vida das pessoas. Ela nasceu de uma experiência militar norte-americana com a finalidade de conectar computadores em diversas partes do mundo. A partir de então, estendeu-se até às universidades e de lá para o planeta e o cotidiano das pessoas. Por meio do ambiente virtual está-se presente em toda parte do planeta, comunica-se, divulga-se cultura, conhecimento, pensamento religioso...  
Com inserir a mensagem do Evangelho neste universo? E a experiência de fé? E a realidade comunitária-eclesial?

Não basta ser simplista e pensar em “entrar” neste mundo digital; é preciso refletir em como “estar” nele. A Igreja encara os meios de comunicação como dons de Deus, capazes de criar laços entre as pessoas, além de desempenharem um papel social na sociedade e na história. É impossível não perceber a importância e a centralidade que os meios de comunicação social conquistaram em nossa sociedade!
Cristo revelou-se na história e operou nela a salvação. Ele é a “grande comunicação” do Pai com o mundo. Desde então, a Igreja é desta preciosa dádiva, guardiã e portadora. Ela guarda a fé; mas também é comunicadora deste depósito. Por isso, a comunicação pertence à essência da Igreja. No dizer do santo João Paulo II, as novas mídias são como “o primeiro areópago dos tempos modernos”. Mesmo que estes meios de comunicação pareçam separados da mensagem cristã, eles oferecem oportunidades únicas para o anúncio do amor e da salvação de Cristo. 
A nossa Igreja Católica cada vez mais se insere no mundo digital, por meio de sites, blogs, vídeos, redes sociais, palestras, músicas, aplicativos... Tudo isso faz parte da obra de evangelização e enriquece a vida da Igreja, pois ela precisa dialogar com o sujeito de nosso tempo. Trata-se de comunicar a fé com novas expressões e de maneiras atuais, mas a verdade da fé é a mesma: o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo por meio da proclamação do Evangelho e do testemunho.
Em um mundo indiferente e até hostil à fé cristã, à Jesus Cristo e ao Evangelho é preciso nutrir um desejo ardente de comunicar, de evangelizar no mundo real e virtual. O Evangelho é uma mensagem globalizada e o cristianismo, as verdades da fé estão abertas a todas as pessoas e culturas. Um homem pós-moderno, vazio, materialista e carente só encontrará razão de viver e de ser em Cristo Jesus. São mais de 6 bilhões de seres humanos. Destes, 33% não ouviram falar de Jesus. Por isso é importante que se lance mão da internet de maneira criativa para que se assuma as responsabilidades de nossa fé e ajudemos a Igreja a cumprir com sua missão.

No dia 1 de junho comemora-se o dia mundial das comunicações sociais com o tema: “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro”. O papa Francisco convida a criar proximidade, união, solidariedade e encontro por meio das oportunidades que os meios de comunicação favorecem. A conquista da comunicação deve ser mais humana do que tecnológica. O convite do papa é que se abra as portas da Igreja no mundo digital para que o Evangelho cruze as paredes do templo e vá ao encontro de todos. Ele nos convida a refletir: “Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim?” As redes sociais e a internet de modo geral são lugares onde se pode viver a vocação missionária da Igreja, de redescobrir a beleza da fé e a beleza do encontro com Cristo. É preciso nos encantar por uma Igreja que consiga levar calor e inflamar o coração, “uma igreja companheira de estrada, que sabe pôr-se a caminho com todos.”
O diálogo entre a Igreja e o mundo favorece que ela informe sobre o seu credo, explique as razões de sua fé e eduque catequeticamente melhor. A internet é, por isso, uma porta maravilhosa e fascinante, que usada de forma segura, sadia e verdadeira é capaz de promover um novo anúncio de Jesus, de tal maneira que cada vez mais, ouça-se falar do amor que Deus nos comunicou em Seu Filho, Jesus Cristo.
Porém, a realidade virtual não substitui a presença real de Cristo na Eucaristia, a comunidade, os sacramentos, a liturgia, a proclamação imediata e direta do Evangelho. Mas, os novos meios de comunicação podem completar, atraindo as pessoas para uma experiência mais integral da fé e enriquecendo a vida religiosa e catecumenal. 

Geraldo Trindade
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diácono na Arquidiocese de Mariana, bacharel em filosofia pela FAM, formado em teologia pelo Instituto São José de Mariana. Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/

5 de maio de 2014

O mercado de trabalho e o descarte do trabalhador

O mercado de trabalho e o descarte do trabalhador
No mercado de trabalho, nós não somos vistos como um todo, como pessoas humanas, mas como peças descartáveis

O mercado não tem dó nem piedade. Não tem compaixão. O mercado é filho do capitalismo, pai do capitalismo ou talvez nasceram juntos. O capitalismo nasceu com a troca de mercadorias, com o desenvolvimento do comércio e o florescimento do mercado. Vamos fazer uma distinção de mercado que queremos tratar aqui. Há o mercado onde há a troca de mercadorias e há o mercado que é sinônimo de sistema, pensamento, modo de agir. Dentro do mercado existem as relações econômicas e trocas comerciais, mas vamos falar do mercado como um modo de ser, um modo de agir, como um pensamento. Vamos falar do mercado (de trabalho) como um sistema que age sobre nossas vidas.

Você pode estar tendo êxito na vida e estar sustentando a sua família por meio do mercado de trabalho. Mas isso não tira a sua característica cruel, desalmada, desumana. Ele (o mercado) não olha para nós como pessoas capazes, mesmo diante dos erros. Não vê o que acontece com os técnicos de futebol. Eles podem ter ganhado a maioria das partidas, mas se perderem a principal, são demitidos do cargo. Na empresa você pode ter feito bem grande parte das tarefas, mas se errar algumas (e em grande parte só precisa errar uma vez!) as que você teve êxito são anuladas. Não te enxergam como alguém dotado de capacidades e potencialidades, como pessoa humana, mas como uma máquina que deve produzir em série e sem erro. Bil Gates aconselhou para que não errássemos de primeira no mercado, senão isso seria fatal.

Velocidade, eficiência, produtividade, resultados, ausência de erros são os critérios exigidos pelo mercado. É certo e justo que devemos produzir e procurar ser o melhor profissional dentro da empresa que estamos trabalhando. Mas o que questiono é que somos vistos apenas sobre o prisma da produtividade e não somos analisados como um todo. Se durante o período de experiência numa empresa você não atingiu as metas você é considerado desqualificado e tem o contrato reincidido.

Subjetividade

Não basta estudar, fazer uma pós-graduação, mestrado, doutorado, investir em cursos, ser um bom profissional etc., há fatores subjetivos que nos qualificam como bons ou ruins. Você pode ser bom e competente, mas se alguém não for com a sua cara (como se diz), você pode ser demitido. E o contrário também acontece. Pessoas com menos capacidades que você, ficam na empresa e perduram. Tudo porque foram com a cara dele(a). Não basta ser competente (isso é obrigação), infelizmente, é preciso também, estar na hora certa e com a pessoa certa. Muitas pessoas com talentos inferiores aos seus estão ocupando cargos importantes que você se pergunta: como???!!!

Você se esforçou, fez o máximo, atingiu as metas, mas por um só erro falaram: “não vamos mais continuar com você”. Dá para entender isso? Quais critérios norteiam esses julgamentos? A subjetividade.

Quero dizer que não estou ressentido com o mercado; de certa forma somos feridos, machucados por ele sim, que exige um tempo de recuperação até que possamos criar musculatura para enfrentar as adversidades. E não tenho uma visão negativa do mercado. O mercado é de onde tiramos o sustento, onde nos realizamos profissionalmente. Estou destacando um aspecto nefasto do mercado de trabalho, o seu lado obscuro.

Infelizmente, nessa lógica do mercado pessoas que possuem apadrinhamento dentro da empresa, que são queridas dos chefes ou amigo(a) do dono, mesmo não tendo talento, permanecem. São os ditos amigos do Reis. Esses ficam na sombra, na bajulação, se sujeitam a tudo, fazem cara de anjo a todo tempo para ficar no time. Enquanto que você que estudou muitos anos, se preparou, é um baita profissional, é descartado.

O mercado tem uma lógica desleal, desumana e subjetiva. Saiba que você para ele é apenas uma engrenagem e que, segundo critérios subjetivos, se não estiver funcionando bem, ele te substituirá por outra engrenagem. Mandam-te embora sem dó e nem piedade. Você não é alguém, pessoa humana, mas um número; é tido como uma ferramenta substituível.

O mercado vive pedindo pessoas com experiências, mas como elas vão adquirir se não lhes dão a primeira chance. Os estágios contribuem nesse sentido. Mas, e para aqueles que não fizeram estágio e que estão querendo se inserir no mercado de trabalho, como fica a situação?

Especialistas dizem que quem está empregado deve viver pensando que no dia seguinte poderá ser demitido. Viver nessa incerteza, não sabendo se no dia seguinte vamos estar ou não empregados gera instabilidades, tanto emocionais, psíquicas e até físicas. Nunca se poderá financiar um bem, uma casa, por exemplo, se não se sabe se vai estar trabalhando ou não.

Sei que isso não é nenhuma novidade para você. Sabemos que o mercado é assim, instável, duro, cruel, ameaçador. Ele é desumano, não garante estabilidade, é covarde e se baseia em critérios subjetivos para nos analisar.

Trabalhamos com a corda no pescoço. Para mantermos nossos empregos nos sujeitamos às regras estabelecidas e dançamos conforme a música. Evidentemente que nenhum cristão deve fazer algo que se oponha ao Evangelho. Nossos atos não podem ser contrários as Escrituras e ao que Deus nos pede.

Você já foi vítima de uma demissão que aconteceu do nada, de uma hora para outra? Já foi mandado embora de vários empregos numa sequencia, saindo e entrando de empresas num curto período de tempo, e sem motivos para isso? Então você já sentiu na pele o que estou escrevendo aqui.

A selvageria e desumanização desse mercado precisam mudar. As pessoas devem ser vistas num todo. Talvez num primeiro momento você não esteja desempenhando tão bem determinada atividade na empresa, mas se olharem para você num todo, irão enxergar que há em você muitas qualidades, que você é um grande profissional e que bastaria que investissem em você para que você pudesse deslanchar. Seria bom que dissessem “esse(a) aí tem valor, vamos investir nele(a), porque temos certeza que será um(a) grande profissional”. Não era apenas isso que você queria ter ouvido? Você queria apenas que olhassem para você e enxergassem suas qualidades e que fossem capazes de perceber que você poderia se tornar um(a) grande profissional dentro da empresa se lhe dessem uma chance.

O mercado tem tudo isso. Essa é a sua lógica. Estabilidade mesmo, apenas por meio de concursos públicos. Se não é um funcionário concursado, está-se, infelizmente, sujeito a amargar toda essa fúria e desumanização.

Jogo político

Para sobreviver num trabalho o que deve ser feito em primeiro lugar é conhecer o jogo político ali instaurado, isto é, conhecer a regra do jogo, a música que ali se toca (como se diz). Para o mercado não adianta você fazer aquilo que é o melhor para as pessoas; o que conta é você fazer aquilo que os seus superiores consideram que seja o melhor (fato!). Em toda empresa, existem regras de conduta que precisam ser obedecidas para que permaneçamos nela. Não falo de regas deontológicas ou regras morais e éticas da profissão, mas daquelas regras que não estão escritas, regras até obscuras, que se você não tomar cuidado com elas poderá ir para o olho da rua.

São para pessoas que foram vítimas de injustiças do mercado de trabalho, que se sentiram lesadas, feridas, desconsideras por esse mercado cruel que escrevo este artigo.

Você vale muito mais do que um olhar subjetivo sobre você.

Se você saiu da sua empresa, se você foi mandado embora por algum motivo, não pense que você não é capaz, mas saiba que aquela empresa não soube enxergar as suas capacidades. Eu não estou falando de pessoas que realmente não tinham o perfil para o cargo ou aquelas que não eram tão boas e por isso foram demitidas. Estou escrevendo para aqueles que foram injustiçados mesmo tendo muitas potencialidades para serem aproveitas.

Quando sofremos uma dessas injustiças, quando somos demitidos ficamos muito abatidos. Perdemos o chão. É como um luto. Especialistas no setor de mercado dizem que uma demissão é comparada a perda de um ente querido. Não vou entrar nas consequências que a demissão pode provocar em nós (como depressão, tristeza, sentimento de impotência, de não se sentir mais útil etc.), mas vamos resumir numa só frase: ela machuca, fere.

Apegar-se em Deus e fazer a nossa parte

Quando você foi demitido Deus estava te vendo. Ele conhece toda a dor que você está passando ou passou.

Não podemos em hipótese alguma ficar parados. Primeiramente, com fé em Deus, devemos trabalhar para conseguir outro emprego, na confiança de que Deus não nos desampara e que mesmo diante das injustiças que fomos vítimas, Ele nos guarda. Devemos ter a confiança que Deus cuida de nós e que Ele está trabalhando para nos ver bem e tendo sucesso profissional, e em todas as áreas das nossas vidas.

Não vou estender nesse assunto e nem fazer a vez de um analista de mercado, vou dar aqui apenas algumas dicas para que você encontre um novo emprego.

Networking

Procure a sua rede de contatos, de amigos, o que chamamos de networking e diga que você está desempregado e pergunte se eles sabem de alguma coisa. Isso deve ser feito. Eu o fiz, embora eu nunca tenha conseguido um emprego por meio de indicação de um amigo ou conhecido. As oportunidades que se abriram na minha vida foram porque eu mesmo fui atrás. Esse foi o meu caso, no entanto, com você pode ser diferente.

Disparar seu currículo

O que funcionou para mim mesmo foi ter enviado meu currículo para o máximo de empresas. O e-mail foi meu grande aliado e pode ser o seu também.

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Consulte as vagas disponíveis nos cadernos de empregos dos jornais, circule-as, sendo da sua área ou não; nos sites de emprego, nas em fanpages do Facebook que anunciam vagas etc. Quando eu estava desempregado eu enviei meu currículo para áreas fora da minha formação acadêmica, isso para não ficar parado e porque as dívidas não iriam esperar. O curioso é que até hoje, todo emprego que consegui foi através de e-mail que enviei, sabendo da uma vaga em algum lugar ou consultando os cadernos de emprego em jornais, e disparava e-mails!

Reze sempre

Orei muito também. Eu orava a Deus dizendo que o meu desemprego estava me machucando por dentro. Apresentava a Deus as dívidas que tinha, as parcelas que iriam vencer e que eu não tinha dinheiro para pagá-las. Sempre busquei a Deus. Buscava a Deus como alguém busca um grande amigo. Deus é o nosso grande amigo! O tempo que passei desempregado, me doeu muito, em todos os níveis, psicológico, emocional e físico. Mas Deus foi vitorioso na minha vida e consegui. Agora, estou buscando uma melhor colocação. Mas diante da situação que eu estava, Deus lançou uma bóia para que eu me agarrasse.

Dentro do tempo de Deus as coisas em nossas vidas vão se ajeitando. Se eu consegui você também vai conseguir, tenha certeza disso. Faça a sua parte e Deus fará a dEle!

Não desanime, não fique prostrado, olhe para suas capacidades e qualidades. Você tem valor. Aquela situação que te deixou fora do mercado não determina o profissional que você é. Foi apenas uma circunstância em que você não era um dos queridinhos ou você poderia ameaçar a vaga do seu superior ou de um colega de trabalho.

Continue enviando seu CV, curriculum vitae, seu portfólio. Uma porta vai se abrir, em nome de Jesus, ela vai! Mas ponha Deus em primeiro lugar e peça a Ele que te dê o emprego necessário, digno. Não há dúvida que Deus quer te ver feliz e realizado no campo profissional. Ore, entregue a Deus o local que você gostaria de trabalhar. Deve ser uma oração aberta, sincera, dizendo até o quanto você gostaria de ganhar e onde gostaria de trabalhar. Deus está atendo a isso tudo. Ore, faça a sua parte,  e confie!

Boa sorte!

Por Thiago Zanetti
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)

3 de maio de 2014

III Domingo da Páscoa - Olhos que se abrem, corações que ardem, vidas que se transformam

At 2,14.22-33
Sl 15
1Pd 1,17-21
Lc 24,13-35

No Tempo Pascal a Igreja vive, celebra e testemunha sua certeza, aquela convicção que a faz existir e sem a qual ela não teria sentido neste mundo: “Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou por meio Dele entre vós. Deus, em Seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue nas mãos dos ímpios e vós O matastes pregando numa cruz... Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas. Exaltado pela Direita de Deus, Jesus recebeu o Espírito Santo prometido e O derramou...” Este é o núcleo da nossa fé, o fundamento da nossa esperança, a inspiração para a nossa vida e nossa ação, isto é, para nossas atitudes concretas, nossa vida moral; esta é a certeza que nos faz enfrentar as provações da vida e o medo da morte! Sim, Deus, o Pai, ressuscitou Jesus dentre os mortos e fê-Lo Senhor!

Na Liturgia da Palavra deste Domingo, o encontro de Emaús sintetiza muito bem a experiência cristã. Prestemos atenção, porque é de nós que fala o Evangelho de hoje! O que há aí? Há, primeiramente o caminho – aquele da vida: nele, os discípulos conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido com Jesus. Mas, os acontecimentos da existência, lidos somente à nossa luz, segundo a nossa razão e os nossos critérios, são opacos, são tantas e tantas vezes, sem sentido... Por isso, no coração e no rosto daqueles dois havia tristeza e escuro; eles estavam cegos e tristes... Dominava-os o desânimo e a incerteza: esperaram tanto e, agora, só restava um túmulo vazio... Mas, à luz do Ressuscitado – quando O experimentamos vivo entre nós – tudo muda, absolutamente. Primeiro o coração arde no nosso peito. Arde com a alegria e o calor de quem vê um sentido – e um sentido de amor e de vida, ainda que sempre tão misterioso – para os acontecimentos da existência, mesmo os mais sombrios: “Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar na glória?” Que palavras impressionantes! São as mesmas dos Atos dos Apóstolos, na primeira leitura: “Deus em Seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue...” Aqui, compreendamos bem: só na fé se pode penetrar o mistério e ultrapassar o absurdo! Então, com Jesus, na Sua luz, os olhos nossos se abrem e reconhecemos o Ressuscitado, experimentamo-Lo vivo, próximo, como Senhor, que dá orientação, sustento e sentido à nossa vida! Sentimos, assim, a necessidade de conviver e compartilhar com outros que fizeram a mesma experiência, todos reunidos em torno daqueles que o Senhor constituiu como primeiras testemunhas Suas – os Apóstolos e seus sucessores, os Bispos em comunhão com o Sucessor de Simão, a quem o Senhor apareceu em primeiro lugar dentre os Apóstolos. É assim que somos cristãos; é assim que somos Igreja!

Esta é, portanto, a certeza dos cristãos, a nossa certeza! Hoje somos nós as testemunhas! Hoje somos nós quem devemos pedir: “Mane nobiscum, Domine!” – “Fica conosco, Senhor!” Somente seremos cristãos de verdade se ficarmos com o Senhor que permanece conosco, se O encontrarmos sempre na Palavra e no Pão eucarístico. Nunca esqueçamos: os discípulos sentiram o coração arder ao escutá-Lo na Escritura e O reconheceram ao partir o Pão! Esta é a experiência dos cristãos de todos os tempos. São João Paulo II, precisamente na sua Carta Apostólica Mane nobiscum Domine afirmava essa necessidade absoluta de Cristo, necessidade de voltar sempre a Ele: “Cristo está no centro não só da história da Igreja, mas também da história da humanidade. Tudo é recapitulado Nele. Cristo é o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização, o centro do gênero humano, a alegria de todos os corações e a plenitude de suas aspirações. Nele, Verbo feito carne, revelou-se realmente não só o mistério de Deus, mas também o próprio mistério do homem. Nele, o homem encontra a redenção e a plenitude!” (n. 6).

O mundo atual – e o mundo de sempre – deseja apontar outros caminhos de realização para o homem, outras possibilidades de vida... Os cristãos não se iludem! Sabemos onde está a nossa vida, sabemos onde encontrar o caminho e a verdade de nossa existência: em Cristo sempre presente na Palavra e na Eucaristia experimentadas na vida da Igreja! Repito: este é o centro da experiência cristã; e precisamente daqui brotam as exigências de coerência de nossa vida: “Fostes resgatados da vida fútil herdade de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata e o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um Cordeiro sem mancha e sem defeito. Antes da criação do mundo Ele foi destinado para isso, e neste final dos tempos, Ele apareceu por amor de vós!” Eis, que mistério! Antes do início do mundo o Pai nos tinha preparado este Cordeiro imolado, para que Nele encontrássemos a vida e a paz! Por Ele alcançamos a fé em Deus; por Ele, nossa vida ganhou um novo sentido; por Ele, não mais pensamos, vivemos e agimos como o mundo das trevas! E porque Deus O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a glória, a nossa fé e a nossa esperança estão em Deus, estão firmadas na Rocha! “Vivei, pois, respeitando a Deus durante o tempo da vossa migração neste mundo!” Vivamos para Deus e manifestemos isso pelo nosso modo de pensar, falar, agir e viver!

Irmãos! Irmãs! Não tenhais medo de colocar em Cristo toda a vossa vida e toda a vossa esperança! É Ele Quem nos fala agora, na Palavra, e agora mesmo, para que nossos olhos se abram e o reconheçamos, Ele mesmo nos partirá o Pão na divina Liturgia dominical. A Ele a glória pelos séculos! Amém.

Dom Henrique Soares da Costa 
Colunista do Blog Evangelizando (+ artigos)
Bispo da Diocese de Palmares
Blog: Visão Cristã


2 de maio de 2014

Médicos negam fazer aborto a menor violada por padrasto

Médicos negam fazer aborto a menor violada por padrasto
Caso voltou a dividir a sociedade argentina. Médicos fazendo o seu verdadeiro papel, salvando vidas! Noticia publicada no site tvi 24 no dia 29 de abril de 2014. 


Tradução: Iury Nascimento

Uma menor de 13 anos foi violada pelo padrasto, de 27 anos, e está grávida de 23 semanas e meia. O caso voltou a dividir a sociedade argentina, uma vez que os médicos se recusam a fazer o aborto.

Segundo «as pessoas», a mãe da menor, de 41 anos, tem escassos recursos econômicos e é mãe de outros oito filhos. Em março, teria feito queixa do companheiro por ter violado a filha às autoridades de Buenos Aires que registraram a denúncia como «abuso» em vez de «violação».

«Depois notei que a menina estava mais gordinha e no dia 21 de abril comprei o teste de gravidez e deu que ela estava grávida. No dia seguinte fui ao hospital Mariano e Luciano pela manhã e pedi para o ginecologista atende-la», afirmou, acrescentando que apesar da urgência e de ser uma menor de idade, assegura que lhe deram um prazo «de até 45 dias», ou seja, quando a gravidez atingir os 7 meses e meio. 

O caso atingiu as manchetes e estalou o escândalo na Argentina, com os ginecologistas a defenderem que caso fizessem o aborto colocarão a vida da jovem em risco.

«O risco de operar poderia produzir uma hemorragia massiva (Hemorragia massiva devido à rotura do útero) que comprometeria a vida da menor», afirmou a diretora médica Mariana Dunayevich, acrescentando que «com quase seis meses de gravidez, o útero está muito vascularizado para nutrir o ser que está a crescer».

Peçamos a Deus pela vida desta jovem e pela criança que estar em seu ventre. Graças a Deus temos médicos conscientes e que defendem a vida. (Iury Nascimento)

Fonte: tvi 24

Ainda há quem mate em nome de Deus, afirma Papa


Ainda há quem mate em nome de Deus, afirma Papa

Francisco revelou ter chorado quando viu nos órgãos de comunicação social a notícia de cristãos que foram crucificados em certos países não cristãos

Papa Francisco celebrou a Santa Missa, nesta sexta-feira, 2, na Capela da Casa de Santa Marta. No centro da homilia, esteve o Evangelho da multiplicação dos pães e dos peixes e a leitura dos Atos dos Apóstolos em que os discípulos de Jesus são flagelados por ordem do Sinédrio.

Francisco desenvolveu a sua meditação utilizando três imagens figurativas, três ícones para descrever a Palavra de Deus neste dia. O primeiro foi o amor de Jesus por Seu povo, a Sua atenção aos problemas, o Seu acompanhamento manso e humilde. Em um segundo ícone, o Papa destacou os ciúmes das autoridades religiosas da época que não toleravam Jesus e que se deixavam dominar pela inveja. Já no terceiro ícone, ele falou da alegria do testemunho dos que foram flagelados.

Neste momento, Francisco revelou ter chorado quando viu, nos meios de comunicação social, a notícia de cristãos que foram crucificados em certos países não cristãos. “Também hoje há tanta gente que, em nome de Deus, mata e persegue. E, hoje em dia, ainda vemos tantos que, como os apóstolos, se sentem felizes por serem ultrajados em nome de Jesus, colocando assim, em ação, o terceiro ícone da alegria do testemunho”.

No fim da homilia, o Papa Francisco recordou as três imagens retiradas da Palavra de Deus, nesta sexta-feira, para a reflexão pessoal de cada um.

“Primeiro ícone: Jesus conosco, o amor, o caminho que Ele nos ensinou, no qual devemos andar. Segundo ícone: a hipocrisia desses dirigentes religiosos, que tinham aprisionado o povo com todos esses mandamentos, com essa legalidade fria, dura e que pagaram para esconder a verdade. Terceiro ícone: a alegria dos mártires cristãos, a alegria de tantos irmãos e irmãs nossos que, na história, sentiram essa alegria, esse agrado de serem julgados dignos de suportar ultrajes em nome de Jesus. E hoje há tantos! Pensai que, em alguns países, apenas para levar o Evangelho, vais para a prisão. Tu não podes levar uma cruz: fazem-te pagar uma multa. Mas o coração está feliz. Os três ícones. Olhemos para eles hoje. É parte da nossa história da salvação”.

Fonte: Canção Nova

1 de maio de 2014

Arquidiocese do Rio dará entrada no processo de canonização do surfista Guido Schäffer

Arquidiocese do Rio dará entrada no processo de canonização do surfista Guido Schäffer
No dia 1º de maio de 2009, subia para o céu o jovem sufista Guido Schäffer; hoje 1° de maio 2014, completa 5 anos de seu falecimento. Guido um jovem como qualquer outro jovem, mas com traços diferentes, traços de uma vivência santa; Guido: o médico, seminarista e surfista carioca que pode virar santo. "Era um jovem normal, surfista carioca da Zona Sul, que ‘pegava onda’, falava gíria e tinha um ideal na vida. Ele namorou, ficou noivo, estudou, se formou e foi um grande médico, elogiado pelos professores de Medicina e pelos pacientes. Tinha carinho pelos simples e pobres e trabalhava com os moradores de rua.” 

Jovem médico que recebeu o chamado para o sacerdócio ao se deparar com o olhar do São João Paulo II durante sua visita apostólica ao Rio de Janeiro em 1991, Guido Schäffer viveu a fé cristã com a alegria da juventude. Ele foi seminarista e, nas horas de lazer, gostava de “pegar umas ondas”.

Guido Schäffer nasceu em 22 de maio de 1974, em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Em 1998, formou-se em Medicina e, um ano depois, iniciou sua residência médica na Santa Casa de Misericórdia e o atendimento médico à população de rua com as Missionárias da Caridade. Em 2001, passou a integrar o corpo clínico da Santa Casa e a atuar na Pastoral da Saúde.

Arquidiocese do Rio dará entrada no processo de canonização do surfista Guido Schäffer
Processo de Canonização

O primeiro passo do processo de canonização do jovem seminarista e surfista Guido Schäffer será dado no dia 12 de maio. Trata-se do pedido de concessão do 'nihil obstat', uma espécie de nada consta que é solicitado à Congregação para as Causas dos Santos. Com Guido, serão quatro processos no Rio de Janeiro, de acordo com Dom Roberto Lopes, vigário episcopal para a Vida Consagrada e delegado para a Causa dos Santos.

Dom Roberto explicou que a abertura do processo pode ser solicitada pela ordem ou congregação à qual o candidato fazia parte ou pela diocese/arquidiocese onde ele viveu. O seminarista da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Guido Schäffer, faleceu no dia 1º de maio de 2009, com trinta e quatro anos de idade, vítima de uma contusão na nuca que gerou desmaio e afogamento, enquanto surfava, na praia da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

Depois de concedido o 'nihil obstat', a causa entra a nível arquidiocesano. Para cada causa é escolhido pelo bispo um postulador, espécie de advogado, que tem a tarefa de investigar detalhadamente a vida do candidato para conhecer sua fama de santidade.

O candidato recebe o título de Servo de Deus quando a causa é iniciada. O primeiro processo é o das virtudes ou martírio. O postulador deve investigar minuciosamente a vida do Servo de Deus. No caso de um mártir, são estudadas as circunstâncias que envolveram sua morte para comprovar ou refutar o martírio. Ao final desse processo, a pessoa é considerada Venerável.

É necessária a comprovação de um milagre para a beatificação. No caso dos mártires, não é necessária a comprovação de milagre. O terceiro e último passo é o milagre para a canonização. Este tem que ter ocorrido após a beatificação. Comprovado o milagre, o beato é canonizado e o novo Santo passa a ser cultuado universalmente.

Até os anos 1200, segundo Dom Roberto, o processo de canonização era a exumação do corpo do candidato, que já era aclamado como santo pela população. A partir de então, foi dado início ao processo para investigar a vida do santo.

Fonte: Arquidiocese do Rio de Janeiro

Por Iury Nascimento
Administrador do Blog Evangelizando


30 de abril de 2014

O combate à ideologia de gênero no plano nacional de educação

O combate à ideologia de gênero no plano nacional de educação
A votação de 6 de maio deliberará a meta 3.13 do PNE

A votação do Plano Nacional de Educação deve ser concluída no próximo dia 6 de maio, na Câmara dos Deputados. Na sessão do dia 22 de abril, a maioria dos deputados da Comissão Especial de Educação (15 x 11) rechaçaram a ideologia de gênero, que o relator, Dep. Angelo Vanhoni (PT) queria ver incluída no inciso III, do art. 2 do PNE.

Votaram a favor da ideologia de gênero os seguintes deputados: Angelo Vanhoni, Fátima Bezerra, Margarida Salomão, Artur Bruno, Iara Bernardi, Pedro Uczai, Ivan Valente, Stepan Nercessian, Chico Lopes e Paulo Rubem Santiago. Os deputados que votaram contra a ideologia de gênero foram Lelo Coimbra, Nelson Marchezan Junior, Alex Canziani, Dr. Ubiali, Eduardo Barbosa, Efraim Filho, Jair Bolsonaro, Pastor Eurico, Paulo Freire, professor Sétimo, Professora Dorinha Seabra rezende, Stefano Aguiar, Alfredo Kaefer, Antonio Bulhões, Gastão Vieira, Marcos Rogério, Pedro Chaves, Ronaldo Fonseca e Leopoldo Meyer.

Falta ainda a deliberação de um outro ponto no Plano Nacional de Educação, que precisa excluir a ideologia de gênero. Trata-se da meta 3.13 do PNE. A batalha pró-família, das sessões dos dias 22 e 23 de abril havia sido vencida, em parte. Resta ainda a deliberação da meta 3.13, para que a ideologia de gênero fosse erradicada do Plano Nacional de Educação. Decisão esta que ficou marcada para a sessão da próxima terça-feira, dia 6 de maio. 

Apesar da forte pressão do governo brasileiro (de modo especial o Ministério da Educação), com a militância da UNE nas sessões, foi possível barrar a ideologia de gênero com a aprovação da primeira emenda (incíso III, art. 2). Falta agora o destaque da meta 3.13. Os deputados estarão decidindo sobre o texto do Senado (que já havia feito a exclusão da ideologia de gênero no PNE) e o da Câmara (que retomou o projeto original do relator Vanhoni).

Mesmo depois de votada a meta 3.13, e conseguindo rejeitar a ideologia de gênero, o Plano Nacional de Educação ainda será apreciado no Plenário da Câmara, e o governo poderá ainda tentar incluir mesmo assim a ideologia de gênero no PNE.

Há também, além do Plano Nacional de Educação, mais dois projetos de lei tramitando no Congresso, que visam incluir a ideologia de gênero na educação do País. Tratam-se dos projetos de lei 6010/2013 e 7627/2010. Tais projetos, camuflados em combate à violência contra a mulher e à discriminação contra homossexuais, tem como objetivo viabilizar a chamada "desconstrução da heteronormatividade", e a utilização da ideologia de gênero como ferramenta política para minar a família. Por isso, precisamos estar vigilantes e atuantes, para evitar tais aprovações e deter o projeto do governo brasileiro de corroer a instituição familiar, instrumentalizando os educadores para fins tão perversos.

Prof. Hermes Rodrigues Nery
Colunista do Blog Evangelizando (+ artigos
Especialista em Bioética (pela PUC-RJ), Coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté, membro da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, diretor da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e da Associação Guadalupe. É casado, tem dois filhos e é catequista.

O sentido e o valor da maternidade - Prof. Hermes Rodrigues Nery

O sentido e o valor da maternidade - Prof. Hermes Rodrigues NeryPor Prof. Hermes Rodrigues Nery*
(Transcrição de uma das exposições do curso "Família, escola de vida")

Caríssimos amigos,

Damos hoje continuidade ao curso “Família, Escola de Vida”, iniciado em 25 de março, em que começamos refletindo sobre os fundamentos da família, núcleo fundante de onde deve florescer e frutificar a comunidade humana, no melhor dos relacionamentos. Daí que o primeiro cuidado deve ser no sentido de que hajam relações de afeto, com discernimento, mútuo-respeito, de efetiva solidariedade. Pois se não for assim, a família desaba na discórdia, até mesmo na violência, soçobrando em meio às piores perversões. Por isso, a palavra-chave nesse processo é “cuidado”, em todos os sentidos, pois se não cuidarmos e a cultivarmos, a família perde sua significação, deixa de ser suporte e compromete assim a realização da pessoa humana, de cada pessoa chamada a ser e a agir na verdade e no bem.

É certo de que se a família não vai bem, nada mais vai bem na sociedade, principalmente no itinerário que se faz necessário percorrer para cada um de nós – pessoa criada para a felicidade – alcançar a vida eterna em plenitude. Começamos aqui a edificar o que seremos na eternidade. As decisões de hoje, a partir da família em que estamos constituídos, determinarão a nossa condição definitiva, na vida futura, pois “no infinito, o homem assume todos os planos que fez para esta vida” ¹

Dissemos na aula passada sobre a necessidade da preparação para o matrimônio, atenção esta que não tem tido hoje o devido cuidado, pois requer, sim, preparar-se para aquilo que se quer viver para sempre. Nesse sentido, a pós-modernidade nos leva à direção contrária da continuidade, que exige ascese, paciência, cultivação (investimento, utilizando um termo atual), mas continuidade enquanto perseverança no bem. “Na sociedade atual parece haver sofrido transformação a proposta básica de ascese tradicional. Já não se inculcam a mortificação, a conquista da humildade, o exercício da renúncia, o amor ao sacrifício”

Aí reside o x da questão para entender a mudança de mentalidade imposta às novas gerações, por forças econômicas e políticas interessadas numa fragilização maior da vida humana, para melhor manipular as pessoas, tornando-as mais vulneráveis e presas fáceis de muitos escapismos. O fato é que perdemos a noção e a motivação para o sacrifício e a renúncia, sem os quais não é possível amar por inteiro, pois “não existe ninguém que não possa sempre se tornar melhor” 3 E só nos tornamos excelentes como pessoa humana, amando – o imperativo do mandamento maior, “a opção fundamental da vida humana”. 4

“Amar é estar pronto para sofrer”, quando necessário, e é justamente isso que temos tido dificuldade de entender: sofrer por amor, pois as exigências do amor requerem de nós a firme e boa vontade em perseverar no bem, especialmente quando, para isso, temos que renunciar ao prazer e a qualquer outra vantagem temporal. Ou ainda – o que é mais importante – quando para isso temos que renunciar ao poder e à tentação de dominar e subjugar o outro, o próximo de nós, no afã de ter nas mãos a vida do próximo, quando a nossa vida deve estar somente nas mãos de Deus, que é – como rezamos no Credo – Pai e Todo-Poderoso.

O poder de Deus não é de dominação e subjugação, ou até de aniquilamento, como infelizmente o poder humano muitas vezes é exercido, em sentido totalmente contrário ao poder de Deus, que justamente nos deu o livre-arbítrio, para que possamos fazer escolhas como “alguém” e não “algo” ou objeto manipulável, mas como sujeito capaz de aderir àquilo que realmente acredita como o sumo bem. Daí que falham todas as tentativas de dominação e subjugação, todos os sistemas políticos totalitários, toda relação autoritária, enfim, a tentação de controlar pessoas, tê-las nas mãos, quando somente Deus governa o mundo.

O poder de dominação de um sobre o outro é o que corrói, muitas vezes, o relacionamento humano, seja o de irmãos, até mesmo de pais e filhos, de marido e esposa, de parentes, e depois nos ambientes de escola, de trabalho, de lazer, até mesmo dentro da Igreja, ou em qualquer outra organização social. Quando, na verdade, devemos ser um suporte do outro, ajudando-nos mutuamente, para que cada um, com seus talentos e especificidades próprias, possa contribuir para o bem de todos. Todo sofrimento humano vem da falta deste entendimento básico, para que haja efetiva solidariedade. E a família deve ser a primeira instância desse desafio, pois se em família não for possível o mútuo-respeito e a mútua-ajuda, não será também em sociedade, pois é na família “o seio da qual o homem recebe as primeiras e determinantes noções acerca da verdade e do bem, aprende o que significa amar e ser amado e, consequentemente, o que quer dizer, em concreto, ser uma pessoa.”5

“A fé é um caminho, e é preciso reconhecer as etapas”.6 Não é fácil, porém, acertar o passo no caminho para o bem. Há as etapas, os degraus da escada em que é preciso ascender, a superação de obstáculos, o enfrentamento das adversidades, os posicionamentos que se fazem necessários, as decisões que contrariam os interesses pérfidos, a paciência e a mansidão para o tempo da colheita, quando procuramos semear a cada dia, o bem perdurável. “No processo mediante o qual tendemos para a bem-aventurança, que é o fim de todos os nossos desejos, aparecem muitas dificuldades a ser enfrentadas, pois a virtude, pela qual se vai à bem-aventurança, tem por objeto coisas difíceis (II Ética 2, 1105a; Cmt 3, 278). Por isso, para que o homem mais facilmente em menos tempo tendesse para a bem-aventurança, foi necessário acrescentar-se a esperança de consegui-la”.7 Por isso, “regenerou-nos na esperança viva, para uma herança interminável que está conservada nos céus (1 Pd 1, 3-4), daí que “fomos salvos pela esperança” (Rm 8. 24).

Enquanto cristão, tenho a firme convicção de que “não são os elementos do cosmo, as leis da matéria que, no fim das contas, governam o mundo e o homem, mas é um Deus pessoal que governa as estrelas, ou seja, o universo; as leis da matéria e da evolução não são a última instância, mas razão, vontade, amor: uma Pessoa.” 8 E ainda, que “o céu não está vazio. A vida não é um simples produto das leis e da casualidade da matéria, mas em tudo e, contemporaneamente, acima de tudo há uma vontade pessoal, há um Espírito que em Jesus Se revelou como Amor” 9, daí que mais do que segurança material neste mundo, devemos buscar – almejar mesmo – a salvação integral da pessoa. Como “embaixador de Cristo” (2Cor 5, 18-20), trago comigo, inscrito em meu coração, a boa notícia de que Aquele que nos governa e nos ama tão profundamente e por inteiro, tem o poder de nos salvar de todos os perigos e ilusões, e nos levar à verdade do que somos, destinados todos à bem-aventurança. Daí que a Sua lei é caminho de verdade para a vida plena.

É por conta desta viva esperança que estamos hoje aqui, a defender a família e a dignidade da pessoa humana, e buscando neste curso aprofundar a reflexão sobre o sentido e o valor da família, “santuário da vida humana”. Esperança de que – na perspectiva cristã possamos atualizar a vocação e a missão da família, como “fermento na massa”, para a boa colheita. Por isso que a nossa base é a perspectiva cristã, que ainda tem muito a dizer e a fazer história.

A família é base para uma realidade projetiva, está para além deste mundo, “consiste em antecipação do futuro, do que vai fazer, de quem pretende ser, e é amorosa, definida pela afeição por algumas pessoas e o dever de que se estenda às demais”.10 Por isso, é a partir dela e com ela, que é possível a realização como pessoa humana.

Meus amigos! Estamos nos primeiros dias de maio, o mês mariano, em que celebramos o valor e o sentido da maternidade, a partir do exemplo de Maria, a Virgem de Nazaré, que concebeu pelo poder do Espírito Santo. A única mulher do mundo a reunir em si o mistério da virgindade e da maternidade, condição pela qual foi (e ainda é) possível a salvação do gênero humano.

O sentido e o valor da maternidade - Prof. Hermes Rodrigues NeryA festa mariana em maio foi associada ao calendário cristão por Afonso X, o Sábio, rei de Castela e Léon (século XIII). “Uma de suas Cantigas [Literatura 1, 5, c], dedicada a celebrar as festas estacionais de maio, vê na devoção a Maria o modo de coroá-las dignamente e de santificá-las na alegria. Trata-se de alusões: cantando a abundância dos bens que maio traz, convida a invocar a Virgem para que ele seja abundante de bençãos materiais e espirituais”.11 Gostaria de, neste momento, partilhar com vocês, a apreciação que tenho da festa mariana nesta comunidade, especialmente da coroação da imagem de Nossa Senhora, nas missas dominicais, em meio aos cânticos marianos, entre eles, a emocionante “Com minha mãe, no céu estarei”. Sempre me tocou tão profundamente aquele cântico religioso, com vozes de crianças, a ressoar no interior da magnífica igreja Matriz desta cidade. Ver as crianças desta comunidade coroarem Nossa Senhora, é, para mim, motivo de tão grande emoção e alegria. Mais tocante ainda foi ser procurado por tantas mães desejando que eu fotografasse as crianças para que elas pudessem fazer retratos que pudessem ser expostos em suas casas, como um gesto de fé autêntica, a testemunhar a devoção delas, como mães, àquela que é a Mãe de Deus.

Quis então, neste segundo encontro nosso do curso “Família, Escola de Vida”, homenagear as mães desta cidade, refletindo com vocês o valor e o sentido da maternidade, segundo a perspectiva cristã.

Maria, “bendita entre todas as mulheres”, “como lugar de encontro entre o divino e o humano, não é o centro, porém é central no cristianismo”.12 Maria é a figura feminina de maior impacto na história ocidental dos últimos dois mil anos, cuja influência repercutiu no melhor da literatura, da pintura, da escultura, da música, enfim, das artes em geral.

O mais notável da influência é que ela vem aumentando nos últimos tempos (visões, aparições, mensagens, exortações a oração e a penitência, decretações papais de dois dogmas), principalmente como fenômeno de devoção popular; ao ponto de especialistas considerarem os séculos XIX e XX como uma era de Marialis cultus.

Como uma simples camponesa judia de Nazaré, “cujo relato é desesperadoramente breve no Novo Testamento”, pôde assumir um papel tão importante na cultura dos povos? Fonte constante de inspiração, o arquétipo de Maria tem superado os relativismos culturais contemporâneos e conseguido se impor como um referencial supremo e perene de virtude.

É interessante observar que Maria emerge com mais força simbólica nas culturas justamente quando o modelo de feminilidade que ela representa está seriamente ameaçado pela concepção moderna e pós-moderna do que seja verdadeiramente uma mulher.

Duas características intrigantes do nosso tempo reforçam os motivos pelos quais Maria continua uma realidade viva na mentalidade dos povos: o fato dela ser Virgem e Mãe. Paradoxo central da fé católica, que incorpora o mistério profundo da forma como Deus se fez homem, e quis tornar-se presença concreta entre nós. O conceito de feminilidade simbolizado pela Mãe de Deus (irradiado pelo cristianismo) está profundamente identificado com dois valores duramente atacados pela modernidade: o da castidade e o da maternidade.

Hoje, prevalece um profundo mal-estar entre a maioria das mulheres, que se vêem vítimas de uma sexualidade reducionista, que dissocia o prazer de um compromisso afetivo mais integral e as tornam vulneráveis a relações descartáveis, com conseqüências práticas danosas a sua própria realização como pessoa. As mulheres também, forçadas pelo utilitarismo e pela lógica de um sistema social altamente consumista e competitivo, não têm conseguido as condições adequadas para vivenciar a experiência frutuosa da maternidade, ocasionando com isso lacunas afetivas que lhes trazem frustrações psíquicas, e deixam os filhos mais suscetíveis aos apelos do imediatismo, do consumo alienante e da violência. A mulher pós-moderna, enfim, distante do modelo proposto por Maria, se vê diante de uma vida mais complexa e muito mais infeliz. A liberdade defendida pelas promessas feministas, não lhe deu maior segurança, não a conduziu à verdade e não lhe trouxe paz e a felicidade.

A força de Maria está justamente na recusa do povo em aceitar um modelo estranho do que é ser mulher, que sacrifica dois importantes valores da cristandade. A virgindade antes do casamento quer levar os jovens nubentes a valorizar a fidelidade (e a mantê-la na dimensão sacramental do matrimônio). O casamento também na ótica cristã pressupõe filhos, como sinal concreto de compromisso e doação. Esse modelo entrou em crise na modernidade, afetando crenças, costumes, e, inclusive, a própria dignidade da relação familiar. A virgindade deixou de ser valorizada, o casamento perdeu o sentido sacramental, os filhos deixaram de ser prioridade afetiva, a fidelidade não é mais mantida. Tudo isso causa perplexidade, e as pessoas não sabem como fazer em meio a esse caos de relativismo cultural, cujas conseqüências práticas estão bem evidentes: solidão e abandono, desestrutura familiar, desentendimento, separação, angústia, imoralidade, permissividade, violência, e, acima de tudo, infelicidade.

Maria vem contrapor-se a esse contexto, indicando um modelo de relação humana onde a fidelidade e o senso do compromisso passam a ser vistos como meios indispensáveis para a verdadeira realização pessoal e comunitária. Talvez, por isso que, inconscientemente, pessoas dos mais diversos níveis culturais e sociais, vêem em Maria um autêntico sentido de vida. Por isso recorremos a ela, com devoção profunda: Mater misericordia, ora pro nobis!

Recebo aqui, várias mães, que hoje iremos homenagear, sinalizando o quanto estamos empenhados em afirmar a cultura da vida, na defesa da família e da dignidade da pessoa humana, a partir dos valores da cristandade. Acolho a cada uma das mães que aqui estão, com uma palavra de ânimo e de esperança, com a convicção de que o heroísmo cotidiano da maternidade – expressão autêntica da gratuidade – haverá de ser recompensado por quem nos vê em segredo, e sabe dos esforços feitos para cultivar a vida, a humanidade, o afeto e a solidariedade, em nossas relações mais próximas. “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu!” (Mt 6, 1).

Caríssimas mães, tenham a certeza de que os tantos sacrifícios cotidianos, no melhor exercício do bem feito em silêncio, que a rica experiência da maternidade proporciona, trará um bem espiritual inenarrável, especialmente àquelas que assumem a maternidade como missão especialíssima de fazer o bem, preparando os filhos para viver a vida conforme os tesouros do céu e não as efemeridades do mundo; àquelas mães que cultivam em seus filhos as excelsas virtudes cristãs, a partir da oração e do trabalho, para que eles sejam capazes de decidirem pelo bem da vida, em todos os aspectos e circunstâncias.

A família é um grande patrimônio, daí que ela é preservada e valorizada pelo matrimônio. A maternidade, com suas exigências e desafios, faz parte desse mistério de tornar o homem e a mulher, participantes de uma obra que se constrói na complementaridade, onde um é chamado a ser para o outro, expressão do amor desinteressado, que une, integra, eleva, promove, pereniza, glorifica e santifica.

A todas as mães aqui presentes, recebam o meu mais afetuoso cumprimento.

Bibliografia: 

1. Antonio Mesquita Galvão, O Grão de Trigo – Reflexões Cristãs sobre a vida depois da morte, Ed. Ave Maria, 2000, p. 103). 
2. Tullo Goffi, Dicionário de Espiritualidade, Ascese, Paulus, 2ª edição, 1993, p. 61. 
3. Leão Magno, Sermões, Ed. Paulus, 1996, p. 90. 
4. Papa Bento XVI, Encíclica Deus Caritas Est, 1, 2005;
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html
5. Papa João Paulo II, Encíclica Centesimus annus, 39, 1991; http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus_po.html). 
6. Joseph Ratzinger, O Sal da Terra – O Cristianismo e a Igreja Católica no Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald , Ed. Imago, 1997, Pág. 78. 
7. São Tomás de Aquino, Suma Contra os Gentios, Volume II, Livros IIIº e IVº, EDIPUCRS em co-edição com Edições EST, Porto Alegre, 1996, p. 667. 
8. Papa Bento XVI, Encíclica Spe Salvi, 5, 2007; (http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html) 
9. Papa Bento XVI, Encíclica Spe Salvi, 5, 2006; (http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html 
10. Júlian Marías, A Perspectiva Cristã, Ed. Martins Fontes, 2000, p. 112. 
11. S. Rosso, Mês Mariano, Dicionário de Mariologia, Ed. Paulus, 1995, p. 887. 
12. A. Serra, Mãe de Deus, Dicionário de Mariologia, Ed. Paulus, 1995, p. 780.

* O autor:
Prof. Hermes Rodrigues Nery é Especialista em Bioética (pela PUC-RJ), Coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté, membro da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, diretor da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e da Associação Guadalupe. É casado, tem dois filhos e é catequista.

26 de abril de 2014

'O DIA DOS QUATRO PAPAS'

'O DIA DOS QUATRO PAPAS'
Amanhã, 27 de abril, mais dois papas serão canonizados, dois novos santos para a Igreja: João Paulo II e João XXIII; e mais dois papas estarão presentes para a cerimônia, nosso querido Papa Emérito Bento XVI que confirmou ao vaticano sua presença e o Papa Francisco. Este momento é um acontecimento histórico para toda a Igreja. 

“A canonização é uma sentença definitiva e irrevogável, na qual o Papa afirma, utilizando-se do seu poder pontifício, que aquela pessoa viveu de forma extraordinária a graça do primeiro mandamento que é amar a Deus sobre todas as coisas e que, por causa disso, serve como modelo para todos aqueles que almejam viver a mesma Graça. A igreja ganha mais dois Santos.”

“João XXIII, conhecido como o “Papa bom”; o Papa mais engraçado da história. Um humor que nascia da simplicidade que transbordava de sua humildade e íntima relação com Deus.”.

João Paulo II, o Papa Mariano. Totus Tuus Mariae, ele assim viveu, esse foi o seu lema: Todo Teu Maria, e nisso aspirou verdadeiramente a santidade, colocando toda a sua vida sacerdotal sob a proteção de Nossa Senhora. Eis o Santo Papa de Maria, eis São João Paulo II, este que em nossos corações já é santo.  

O Papa Emérito Bento XVI, com o seu testemunho de fé, este também que no seu pontificado nos deixou um vasto ensinamento sobre a fé católica, nos impulsionando a sermos verdadeiramente buscadores da verdade, nos enche de alegria ao confirmar que estará na cerimônia de canonização. E por fim, o Papa Francisco que já é assunto bastante comentado, pelo o seu testemunho cristão, pelo seu carisma e pelo seu amor aos mais necessitados, na qual nos impulsiona a amar o próximo. 

Irmãos, isso é Igreja; isso é unidade. Homens de grandes testemunhos para nós fiéis, pessoas que são referencias na nossa caminhada cristã. Peçamos a São João Paulo II e São João XXIII que roguem por nós, para que nós também sejamos testemunhas vivas da graça e da misericórdia de Deus. 

Iury Nascimento
Seminarista da Arquidiocese de Fortaleza e Administrador do Blog Evangelizando

22 de abril de 2014

Pregar a Palavra ao modelo de Jesus

Pregar a Palavra ao modelo de Jesus
Certo dia, um pregador ia anunciar o Evangelho de Cristo para uma multidão faminta e sedenta de Deus, porém não vivia aquilo que pregava. Pergunta-se: Como se pode levar o povo à salvação pela pregação, sem antes, o próprio pregador viver o que prega? Ah, pregadores! Por que não viver antes de pregar? O povo necessita da Palavra de Deus, mas, sobretudo do testemunho.

Sabemos que os homens têm os corações duros, fechados; em uns a Palavra de Deus cresce, em outros é sufocada; mas em muitos, a graça de Deus, pelo testemunho cristão, faz crescer e germinar frutos nos corações que eram duros e fechados e agora não mais o são.

Tenhamos em conta que quando o pregador proclama algo, quando fala algumas palavras os primeiros ouvidos a escuta-las são os seus; por isso, as palavras do Evangelho devem ser semente primeiramente no coração daquele que o anuncia. As palavras de Jesus devem dar frutos também, e principalmente, no coração do pregador, no coração do missionário evangelizador.

Viver como Jesus viveu, pregar como ele pregava. Eis aí a forma correta com a qual os discípulos devem anunciar o Evangelho: como Jesus! Ah! Será difícil o dia do Juízo para os pregadores infiéis porque almas estão nas mãos destes missionários; por isso, pregadores que não fazem do anúncio do Evangelho um testemunho de vida, que não vivem aquilo que dizem, que contradizem na vida aquilo que falam correm o risco de perder almas e não darem frutos; e no fim perderem-se a si próprios.

“Um homem é bem forte para convencer e persuadir, quando se vê que ele pratica tudo o que ensina” (Introdução dos Catecismos de São Cura d’Ars); ou como ensina São Francisco “pregue o Evangelho em todo tempo, se necessário, use as palavras”. Ou seja, o testemunho arrasta mais do que as próprias palavras proclamadas. O que adianta falar muito e viver pouco daquilo que se diz? Nada! Qual será o exemplo que as pessoas terão? Viver e pregar são duas atitudes que devem estar unidas.

Iury Nascimento
Seminarista da Arquidiocese de Fortaleza e Administrador do Blog Evangelizando

Texto revisado pelo Pe. Rafhael Maciel
Reitor do Seminário Propedêutico de Fortaleza e Coordenador da Pastoral Vocacional

18 de abril de 2014

Nada é possível contra o amor

Nada é possível contra o amor




























O Papa Francisco deu início no último domingo, com a procissão de ramos, aos ritos da Semana Santa ao longo da qual, com diversos atos litúrgicos, celebramos a Paixão, Morte e na Vigília de Páscoa, a Ressurreição de Jesus. E no início desta Semana que nós chamamos de Santa, centro da fé cristã, o Papa Francisco, improvisando a sua homilia, fez uma profunda reflexão recordando os personagens descritos na leitura do Evangelho daquele dia, e pedindo um exame de consciência a todos os fiéis, e com qual personagem eles se identificavam.

A recordação da alegria, que envolveu jovens e crianças, com a entrada de Jesus em Jerusalém no Domingo de Ramos, deu lugar ao longo da semana, à meditação da herança que Jesus nos deixou; antes de tudo o amor pelo próximo, o serviço, e a instituição da Eucaristia; mas também deu lugar à reflexão sobre a tristeza e a amargura da traição.

O Papa Francisco fez uma pergunta que tocou o coração dos milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro: Quem sou eu diante do meu Senhor? Quem sou eu? E as perguntas continuaram tocando fundo os sentimentos de todos. Eu sou como Judas que finge amar e beija o Mestre para entregá-lo, para traí-lo? Eu sou um traidor? Eu sou como os líderes que, com pressa, fazem o tribunal e procuram falsos testemunhos?

O Papa vai mais longe e recorda a figura de Pilatos, perguntando-se se sou como Pilatos que, quando vejo que a situação está difícil, eu lavo as minhas mãos e não sei assumir a minha responsabilidade? Ou sou como os soldados que batem no Senhor, cospem n’Ele, O insultam, se divertem com a humilhação do Senhor? Talvez eu seja como o Cirineu, que voltava do trabalho, cansado, e teve a boa vontade de ajudar o Senhor a carregar a cruz? Ou eu sou como aqueles que passavam diante da Cruz de Jesus e zombavam d’Ele. Francisco recorda ainda de José, o discípulo escondido, que leva o corpo de Jesus com amor, para sepultá-lo. Pergunta também: Eu sou como as duas Marias que permanecem na porta do sepulcro, chorando, rezando? Ou sou como os líderes que no dia seguinte foram a Pilatos para dizer: “Mas, olha ele dizia que iria ressuscitar; que não seja mais um engano”, e bloqueiam a vida, bloqueando o sepulcro para defender a doutrina, para que a vida não venha para fora? A qual de todas essas pessoas eu me assemelho, perguntou Francisco.

Muitos de nossos irmãos ao longo dos séculos responderam a essa pergunta com suas vidas, com a doação total de si mesmos à causa do Evangelho, do irmão que sofre, dos deserdados desta vida. Muitos deles foram declarados santos pela Igreja, como o caso do Padre José de Anchieta, que entregou

toda a sua vida em prol da evangelização do novo mundo. Como João Paulo II e João XXIII que serão declarados Santos no próximo domingo, com a dedicação total ao Evangelho. Mas também muitos dos que responderam com sua vida e testemunho à pergunta, “quem sou eu diante do meu Senhor?” são desconhecidos, são “Cirineus” que depositaram suas vidas nas mãos do Senhor, na esperança de aliviar a dor dos necessitados e dos últimos, sendo testemunhas fiéis do amor de Deus.

Mas ao longo dos séculos, e também hoje, temos ainda muitos Judas que em nome de outro deus, o deus dinheiro, colocam valores nos seres humanos. Transformam o ser humano em fonte de lucro, em escravos da era moderna; seja através da exploração, seja através da droga. A traição de Judas colocou um preço em Jesus “como se estivesse num mercado”, disse nesta semana Papa Francisco.

A Paixão de Cristo que tem início com a sua traição e prisão é como “um espelho dos sofrimentos da humanidade”. Jesus toma todo este sofrimento sobre si e morre numa Cruz, castigo para os criminosos, estrangeiros e escravos. Mas como recordou o Santo Padre na última quarta-feira durante a audiência geral na Praça São Pedro, “quando tudo parece perdido, é então que Deus intervém com a força da ressurreição. “A ressurreição de Jesus – que celebramos nesta noite das noites - não é o final feliz de uma linda fábula, mas a intervenção de Deus Pai, quando toda a esperança humana já tinha desmoronado.

Cheios de confiança, vamos deixar de lado o Judas que temos dentro de nós, e vamos entregar todas as nossas esperanças ao Deus amor, que se entregou e morreu por nós. Somos chamados a seguir Jesus até o fim. Ele nos ensinou que nada é possível contra o amor.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

Deus é maior que os seus problemas!

Muitos conhecem e falam a seguinte passagem bíblica: “Jesus é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Último, o Começo e o Fim” (cf. Ap 22,13). Mas, talvez, não pararam para refletir sobre o que significa essa asserção.

Tudo bem que nós sabemos que Deus é poderoso e que criou o mundo… Mas por que, então, na hora em que devemos ter confiança nEle não conseguimos tê-la? Por que, na hora do aperto, quando bate um desespero, pulamos do barco, reclamamos da vida, desacreditamos em Deus, e procuramos caminhos mais imediatos tais como em seitas, horóscopos, benzedeiras, cartomantes, banhos de água, tudo para “tentar” controlar o nosso futuro? A nossa insegurança diante dos fatos é tamanha que apelamos para qualquer coisa. Tudo bem, você acredita em Deus. Então, por que não fica nesse acreditar e deixa que sua fé o sustente nas tribulações?

Quando a alma dói, dói mesmo. Dor é dor, não tem jeito. Quando o conflito, a depressão, a tribulação, os ataques vêm – e estamos sujeitos a isso a toda hora – é difícil, mas o confiar somente em Deus vai nos sustentar para passar por tudo. Mas não é bem isso que fazemos. Às vezes, uma carta parece maior do que Deus, um ombro de um namorado parece maior do que Deus.

É incrível a nossa capacidade de pegar algo que não tem importância ou que não vai resolver os nossos problemas e colocar como maior do que Deus. Se você se desesperar diante de um acontecimento, o seu desespero lhe parecerá maior do que Deus; se alguém estiver doente na família e você se desesperar, aquela doença lhe parecerá maior do que Deus.

Nos tempos em que vivemos, com tamanhos sofrimentos e dificuldades financeiras, sociais (violência…), enfim, tudo que contamina esses tempos, precisamos deixar claro para nós mesmos o tamanho que Deus é e o tamanho do seu poder. Precisamos, a toda hora, fixar em nossos corações: Deus é Deus e não há outro! Ele o sustenta; você pode confiar! Deus tudo pode, basta acreditar! Diga isso a você mesmo: confie!

E como ver Deus? Na Bíblia, listei algumas passagens, pois existem muitas, mas coloquei as que considerei importantes para esse momento, a fim de que tentemos fixar o tamanho de Deus em nossa mente, coração e vida. Muitos não tomaram consciência destas reflexões:

1. Contra Deus, ninguém pode. Ele nos diz isto: “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que vem, o Dominador” (Ap 1,8). Nós só conhecemos o instante momento, o presente apenas.

2. Deus, na Sua Onipotência, diz: “Realizaram-se os primeiros acontecimentos anunciados, eu predigo outros; antes que aconteçam, eu vo-los faço conhecer” (Is 42,9). Antes que aconteça, Deus faz acontecer! Quem na face da terra é capaz de fazer uma coisa dessas? Ninguém.

3. Deus diz: “Não preciso do novilho do teu estábulo, nem dos cabritos de teus apriscos, pois minhas são todas as feras das matas: há milhares de animais nos meus montes. Conheço todos os pássaros do céu, e tudo o que se move nos campos. Se tivesse fome, não pecisava dizer-te, porque minha é a terra e tudo o que ela contém” (Sl 49,9-11).

Leia também todo o Salmo 49; ele é fantástico! Deus ali está repreendendo os sacrifícios e ofertas que Israel estava Lhe oferecendo. Deus diz que tudo Lhe pertence e que era preciso apenas um louvor sincero a Ele: “Oferece, antes, a Deus um sacrifício de louvor e cumpre teus votos para com o Altíssimo” (vs. 14). “Invoca-me nos dias de tribulação, e eu te livrarei e me darás glória” (vs. 15). Como podemos ir contra ou nos opormos a um Deus a quem tudo pertence?

4. “Deus disse: ‘Que as águas que estão debaixo dos céus se ajuntem num mesmo lugar, e apareça o elemento árido’. E assim se fez. Deus chamou ao elemento árido TERRA, e ao ajuntamento das águas MAR. E Deus viu que tudo era bom” (Gn 1,9). Dá para discutir com Alguém assim? Não.

5. Deus fala para você: “Eis o que diz o Senhor a Ciro, seu ungido, que ele levou pela mão para derrubar as nações diante dele, para desatar o cinto dos reis, para abrir-lhes as portas, a fim de que nenhuma lhe fique fechada: ‘Irei eu mesmo diante de ti, aplainando as montanhas arrebentando os batentes de bronze, arrancando os ferrolhos de ferro. Dar-te-ei os tesouros enterrados e as riquezas escondidas, para mostrar-te que sou eu o Senhor, aquele que te chama pelo teu nome, o Deus de Israel. É por amor de meu servo, Jacó, e de Israel que escolhi, que te chamei pelo teu nome, com títulos de honra, se bem que não me conhecesses. Eu sou o Senhor, sem rival, não existe outro Deus além de mim. Eu te cingi, quando ainda não me conhecias, a fim de que se saiba, do levante ao poente que nada há fora de mim” (Is 45,1-6).

Enquanto nós estamos indo para o amanhã, para o futuro, Deus está voltando de lá; Ele é o Senhor do tempo.

Não existe algo mais extraordinário do que Jesus Eucarístico. Quando é levantado o ostensório com Cristo Eucarístico, milagres e curas acontecem a quilômetros do local onde o erguem. Não dá para discutir com Alguém que era, é e sempre será! É mesmo difícil competir com Deus. Tentar vencê-lo muito mais difícil ainda, ou melhor, impossível. Deus é três vezes santo. Você pode buscar a santidade, mas Deus já é santo. Deus é Deus, um Deus poderosíssimo, mas que se anula e corre devido as fechadas do nosso coração.

Quer ser de Deus? Comece pelo coração, para que Jesus possa fazer morada santa em você. Você não foi feito para o pecado, para a derrota, para se deixar vencer pelos problemas que a vida nos impõe; mas para ser instrumento do amor de Deus, ser vitorioso(a) nEle. Confie e se abandone no poder de Jesus!

Por Thiago Zanetti
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
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