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30 de abril de 2014

O combate à ideologia de gênero no plano nacional de educação

O combate à ideologia de gênero no plano nacional de educação
A votação de 6 de maio deliberará a meta 3.13 do PNE

A votação do Plano Nacional de Educação deve ser concluída no próximo dia 6 de maio, na Câmara dos Deputados. Na sessão do dia 22 de abril, a maioria dos deputados da Comissão Especial de Educação (15 x 11) rechaçaram a ideologia de gênero, que o relator, Dep. Angelo Vanhoni (PT) queria ver incluída no inciso III, do art. 2 do PNE.

Votaram a favor da ideologia de gênero os seguintes deputados: Angelo Vanhoni, Fátima Bezerra, Margarida Salomão, Artur Bruno, Iara Bernardi, Pedro Uczai, Ivan Valente, Stepan Nercessian, Chico Lopes e Paulo Rubem Santiago. Os deputados que votaram contra a ideologia de gênero foram Lelo Coimbra, Nelson Marchezan Junior, Alex Canziani, Dr. Ubiali, Eduardo Barbosa, Efraim Filho, Jair Bolsonaro, Pastor Eurico, Paulo Freire, professor Sétimo, Professora Dorinha Seabra rezende, Stefano Aguiar, Alfredo Kaefer, Antonio Bulhões, Gastão Vieira, Marcos Rogério, Pedro Chaves, Ronaldo Fonseca e Leopoldo Meyer.

Falta ainda a deliberação de um outro ponto no Plano Nacional de Educação, que precisa excluir a ideologia de gênero. Trata-se da meta 3.13 do PNE. A batalha pró-família, das sessões dos dias 22 e 23 de abril havia sido vencida, em parte. Resta ainda a deliberação da meta 3.13, para que a ideologia de gênero fosse erradicada do Plano Nacional de Educação. Decisão esta que ficou marcada para a sessão da próxima terça-feira, dia 6 de maio. 

Apesar da forte pressão do governo brasileiro (de modo especial o Ministério da Educação), com a militância da UNE nas sessões, foi possível barrar a ideologia de gênero com a aprovação da primeira emenda (incíso III, art. 2). Falta agora o destaque da meta 3.13. Os deputados estarão decidindo sobre o texto do Senado (que já havia feito a exclusão da ideologia de gênero no PNE) e o da Câmara (que retomou o projeto original do relator Vanhoni).

Mesmo depois de votada a meta 3.13, e conseguindo rejeitar a ideologia de gênero, o Plano Nacional de Educação ainda será apreciado no Plenário da Câmara, e o governo poderá ainda tentar incluir mesmo assim a ideologia de gênero no PNE.

Há também, além do Plano Nacional de Educação, mais dois projetos de lei tramitando no Congresso, que visam incluir a ideologia de gênero na educação do País. Tratam-se dos projetos de lei 6010/2013 e 7627/2010. Tais projetos, camuflados em combate à violência contra a mulher e à discriminação contra homossexuais, tem como objetivo viabilizar a chamada "desconstrução da heteronormatividade", e a utilização da ideologia de gênero como ferramenta política para minar a família. Por isso, precisamos estar vigilantes e atuantes, para evitar tais aprovações e deter o projeto do governo brasileiro de corroer a instituição familiar, instrumentalizando os educadores para fins tão perversos.

Prof. Hermes Rodrigues Nery
Colunista do Blog Evangelizando (+ artigos
Especialista em Bioética (pela PUC-RJ), Coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté, membro da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, diretor da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e da Associação Guadalupe. É casado, tem dois filhos e é catequista.

O sentido e o valor da maternidade - Prof. Hermes Rodrigues Nery

O sentido e o valor da maternidade - Prof. Hermes Rodrigues NeryPor Prof. Hermes Rodrigues Nery*
(Transcrição de uma das exposições do curso "Família, escola de vida")

Caríssimos amigos,

Damos hoje continuidade ao curso “Família, Escola de Vida”, iniciado em 25 de março, em que começamos refletindo sobre os fundamentos da família, núcleo fundante de onde deve florescer e frutificar a comunidade humana, no melhor dos relacionamentos. Daí que o primeiro cuidado deve ser no sentido de que hajam relações de afeto, com discernimento, mútuo-respeito, de efetiva solidariedade. Pois se não for assim, a família desaba na discórdia, até mesmo na violência, soçobrando em meio às piores perversões. Por isso, a palavra-chave nesse processo é “cuidado”, em todos os sentidos, pois se não cuidarmos e a cultivarmos, a família perde sua significação, deixa de ser suporte e compromete assim a realização da pessoa humana, de cada pessoa chamada a ser e a agir na verdade e no bem.

É certo de que se a família não vai bem, nada mais vai bem na sociedade, principalmente no itinerário que se faz necessário percorrer para cada um de nós – pessoa criada para a felicidade – alcançar a vida eterna em plenitude. Começamos aqui a edificar o que seremos na eternidade. As decisões de hoje, a partir da família em que estamos constituídos, determinarão a nossa condição definitiva, na vida futura, pois “no infinito, o homem assume todos os planos que fez para esta vida” ¹

Dissemos na aula passada sobre a necessidade da preparação para o matrimônio, atenção esta que não tem tido hoje o devido cuidado, pois requer, sim, preparar-se para aquilo que se quer viver para sempre. Nesse sentido, a pós-modernidade nos leva à direção contrária da continuidade, que exige ascese, paciência, cultivação (investimento, utilizando um termo atual), mas continuidade enquanto perseverança no bem. “Na sociedade atual parece haver sofrido transformação a proposta básica de ascese tradicional. Já não se inculcam a mortificação, a conquista da humildade, o exercício da renúncia, o amor ao sacrifício”

Aí reside o x da questão para entender a mudança de mentalidade imposta às novas gerações, por forças econômicas e políticas interessadas numa fragilização maior da vida humana, para melhor manipular as pessoas, tornando-as mais vulneráveis e presas fáceis de muitos escapismos. O fato é que perdemos a noção e a motivação para o sacrifício e a renúncia, sem os quais não é possível amar por inteiro, pois “não existe ninguém que não possa sempre se tornar melhor” 3 E só nos tornamos excelentes como pessoa humana, amando – o imperativo do mandamento maior, “a opção fundamental da vida humana”. 4

“Amar é estar pronto para sofrer”, quando necessário, e é justamente isso que temos tido dificuldade de entender: sofrer por amor, pois as exigências do amor requerem de nós a firme e boa vontade em perseverar no bem, especialmente quando, para isso, temos que renunciar ao prazer e a qualquer outra vantagem temporal. Ou ainda – o que é mais importante – quando para isso temos que renunciar ao poder e à tentação de dominar e subjugar o outro, o próximo de nós, no afã de ter nas mãos a vida do próximo, quando a nossa vida deve estar somente nas mãos de Deus, que é – como rezamos no Credo – Pai e Todo-Poderoso.

O poder de Deus não é de dominação e subjugação, ou até de aniquilamento, como infelizmente o poder humano muitas vezes é exercido, em sentido totalmente contrário ao poder de Deus, que justamente nos deu o livre-arbítrio, para que possamos fazer escolhas como “alguém” e não “algo” ou objeto manipulável, mas como sujeito capaz de aderir àquilo que realmente acredita como o sumo bem. Daí que falham todas as tentativas de dominação e subjugação, todos os sistemas políticos totalitários, toda relação autoritária, enfim, a tentação de controlar pessoas, tê-las nas mãos, quando somente Deus governa o mundo.

O poder de dominação de um sobre o outro é o que corrói, muitas vezes, o relacionamento humano, seja o de irmãos, até mesmo de pais e filhos, de marido e esposa, de parentes, e depois nos ambientes de escola, de trabalho, de lazer, até mesmo dentro da Igreja, ou em qualquer outra organização social. Quando, na verdade, devemos ser um suporte do outro, ajudando-nos mutuamente, para que cada um, com seus talentos e especificidades próprias, possa contribuir para o bem de todos. Todo sofrimento humano vem da falta deste entendimento básico, para que haja efetiva solidariedade. E a família deve ser a primeira instância desse desafio, pois se em família não for possível o mútuo-respeito e a mútua-ajuda, não será também em sociedade, pois é na família “o seio da qual o homem recebe as primeiras e determinantes noções acerca da verdade e do bem, aprende o que significa amar e ser amado e, consequentemente, o que quer dizer, em concreto, ser uma pessoa.”5

“A fé é um caminho, e é preciso reconhecer as etapas”.6 Não é fácil, porém, acertar o passo no caminho para o bem. Há as etapas, os degraus da escada em que é preciso ascender, a superação de obstáculos, o enfrentamento das adversidades, os posicionamentos que se fazem necessários, as decisões que contrariam os interesses pérfidos, a paciência e a mansidão para o tempo da colheita, quando procuramos semear a cada dia, o bem perdurável. “No processo mediante o qual tendemos para a bem-aventurança, que é o fim de todos os nossos desejos, aparecem muitas dificuldades a ser enfrentadas, pois a virtude, pela qual se vai à bem-aventurança, tem por objeto coisas difíceis (II Ética 2, 1105a; Cmt 3, 278). Por isso, para que o homem mais facilmente em menos tempo tendesse para a bem-aventurança, foi necessário acrescentar-se a esperança de consegui-la”.7 Por isso, “regenerou-nos na esperança viva, para uma herança interminável que está conservada nos céus (1 Pd 1, 3-4), daí que “fomos salvos pela esperança” (Rm 8. 24).

Enquanto cristão, tenho a firme convicção de que “não são os elementos do cosmo, as leis da matéria que, no fim das contas, governam o mundo e o homem, mas é um Deus pessoal que governa as estrelas, ou seja, o universo; as leis da matéria e da evolução não são a última instância, mas razão, vontade, amor: uma Pessoa.” 8 E ainda, que “o céu não está vazio. A vida não é um simples produto das leis e da casualidade da matéria, mas em tudo e, contemporaneamente, acima de tudo há uma vontade pessoal, há um Espírito que em Jesus Se revelou como Amor” 9, daí que mais do que segurança material neste mundo, devemos buscar – almejar mesmo – a salvação integral da pessoa. Como “embaixador de Cristo” (2Cor 5, 18-20), trago comigo, inscrito em meu coração, a boa notícia de que Aquele que nos governa e nos ama tão profundamente e por inteiro, tem o poder de nos salvar de todos os perigos e ilusões, e nos levar à verdade do que somos, destinados todos à bem-aventurança. Daí que a Sua lei é caminho de verdade para a vida plena.

É por conta desta viva esperança que estamos hoje aqui, a defender a família e a dignidade da pessoa humana, e buscando neste curso aprofundar a reflexão sobre o sentido e o valor da família, “santuário da vida humana”. Esperança de que – na perspectiva cristã possamos atualizar a vocação e a missão da família, como “fermento na massa”, para a boa colheita. Por isso que a nossa base é a perspectiva cristã, que ainda tem muito a dizer e a fazer história.

A família é base para uma realidade projetiva, está para além deste mundo, “consiste em antecipação do futuro, do que vai fazer, de quem pretende ser, e é amorosa, definida pela afeição por algumas pessoas e o dever de que se estenda às demais”.10 Por isso, é a partir dela e com ela, que é possível a realização como pessoa humana.

Meus amigos! Estamos nos primeiros dias de maio, o mês mariano, em que celebramos o valor e o sentido da maternidade, a partir do exemplo de Maria, a Virgem de Nazaré, que concebeu pelo poder do Espírito Santo. A única mulher do mundo a reunir em si o mistério da virgindade e da maternidade, condição pela qual foi (e ainda é) possível a salvação do gênero humano.

O sentido e o valor da maternidade - Prof. Hermes Rodrigues NeryA festa mariana em maio foi associada ao calendário cristão por Afonso X, o Sábio, rei de Castela e Léon (século XIII). “Uma de suas Cantigas [Literatura 1, 5, c], dedicada a celebrar as festas estacionais de maio, vê na devoção a Maria o modo de coroá-las dignamente e de santificá-las na alegria. Trata-se de alusões: cantando a abundância dos bens que maio traz, convida a invocar a Virgem para que ele seja abundante de bençãos materiais e espirituais”.11 Gostaria de, neste momento, partilhar com vocês, a apreciação que tenho da festa mariana nesta comunidade, especialmente da coroação da imagem de Nossa Senhora, nas missas dominicais, em meio aos cânticos marianos, entre eles, a emocionante “Com minha mãe, no céu estarei”. Sempre me tocou tão profundamente aquele cântico religioso, com vozes de crianças, a ressoar no interior da magnífica igreja Matriz desta cidade. Ver as crianças desta comunidade coroarem Nossa Senhora, é, para mim, motivo de tão grande emoção e alegria. Mais tocante ainda foi ser procurado por tantas mães desejando que eu fotografasse as crianças para que elas pudessem fazer retratos que pudessem ser expostos em suas casas, como um gesto de fé autêntica, a testemunhar a devoção delas, como mães, àquela que é a Mãe de Deus.

Quis então, neste segundo encontro nosso do curso “Família, Escola de Vida”, homenagear as mães desta cidade, refletindo com vocês o valor e o sentido da maternidade, segundo a perspectiva cristã.

Maria, “bendita entre todas as mulheres”, “como lugar de encontro entre o divino e o humano, não é o centro, porém é central no cristianismo”.12 Maria é a figura feminina de maior impacto na história ocidental dos últimos dois mil anos, cuja influência repercutiu no melhor da literatura, da pintura, da escultura, da música, enfim, das artes em geral.

O mais notável da influência é que ela vem aumentando nos últimos tempos (visões, aparições, mensagens, exortações a oração e a penitência, decretações papais de dois dogmas), principalmente como fenômeno de devoção popular; ao ponto de especialistas considerarem os séculos XIX e XX como uma era de Marialis cultus.

Como uma simples camponesa judia de Nazaré, “cujo relato é desesperadoramente breve no Novo Testamento”, pôde assumir um papel tão importante na cultura dos povos? Fonte constante de inspiração, o arquétipo de Maria tem superado os relativismos culturais contemporâneos e conseguido se impor como um referencial supremo e perene de virtude.

É interessante observar que Maria emerge com mais força simbólica nas culturas justamente quando o modelo de feminilidade que ela representa está seriamente ameaçado pela concepção moderna e pós-moderna do que seja verdadeiramente uma mulher.

Duas características intrigantes do nosso tempo reforçam os motivos pelos quais Maria continua uma realidade viva na mentalidade dos povos: o fato dela ser Virgem e Mãe. Paradoxo central da fé católica, que incorpora o mistério profundo da forma como Deus se fez homem, e quis tornar-se presença concreta entre nós. O conceito de feminilidade simbolizado pela Mãe de Deus (irradiado pelo cristianismo) está profundamente identificado com dois valores duramente atacados pela modernidade: o da castidade e o da maternidade.

Hoje, prevalece um profundo mal-estar entre a maioria das mulheres, que se vêem vítimas de uma sexualidade reducionista, que dissocia o prazer de um compromisso afetivo mais integral e as tornam vulneráveis a relações descartáveis, com conseqüências práticas danosas a sua própria realização como pessoa. As mulheres também, forçadas pelo utilitarismo e pela lógica de um sistema social altamente consumista e competitivo, não têm conseguido as condições adequadas para vivenciar a experiência frutuosa da maternidade, ocasionando com isso lacunas afetivas que lhes trazem frustrações psíquicas, e deixam os filhos mais suscetíveis aos apelos do imediatismo, do consumo alienante e da violência. A mulher pós-moderna, enfim, distante do modelo proposto por Maria, se vê diante de uma vida mais complexa e muito mais infeliz. A liberdade defendida pelas promessas feministas, não lhe deu maior segurança, não a conduziu à verdade e não lhe trouxe paz e a felicidade.

A força de Maria está justamente na recusa do povo em aceitar um modelo estranho do que é ser mulher, que sacrifica dois importantes valores da cristandade. A virgindade antes do casamento quer levar os jovens nubentes a valorizar a fidelidade (e a mantê-la na dimensão sacramental do matrimônio). O casamento também na ótica cristã pressupõe filhos, como sinal concreto de compromisso e doação. Esse modelo entrou em crise na modernidade, afetando crenças, costumes, e, inclusive, a própria dignidade da relação familiar. A virgindade deixou de ser valorizada, o casamento perdeu o sentido sacramental, os filhos deixaram de ser prioridade afetiva, a fidelidade não é mais mantida. Tudo isso causa perplexidade, e as pessoas não sabem como fazer em meio a esse caos de relativismo cultural, cujas conseqüências práticas estão bem evidentes: solidão e abandono, desestrutura familiar, desentendimento, separação, angústia, imoralidade, permissividade, violência, e, acima de tudo, infelicidade.

Maria vem contrapor-se a esse contexto, indicando um modelo de relação humana onde a fidelidade e o senso do compromisso passam a ser vistos como meios indispensáveis para a verdadeira realização pessoal e comunitária. Talvez, por isso que, inconscientemente, pessoas dos mais diversos níveis culturais e sociais, vêem em Maria um autêntico sentido de vida. Por isso recorremos a ela, com devoção profunda: Mater misericordia, ora pro nobis!

Recebo aqui, várias mães, que hoje iremos homenagear, sinalizando o quanto estamos empenhados em afirmar a cultura da vida, na defesa da família e da dignidade da pessoa humana, a partir dos valores da cristandade. Acolho a cada uma das mães que aqui estão, com uma palavra de ânimo e de esperança, com a convicção de que o heroísmo cotidiano da maternidade – expressão autêntica da gratuidade – haverá de ser recompensado por quem nos vê em segredo, e sabe dos esforços feitos para cultivar a vida, a humanidade, o afeto e a solidariedade, em nossas relações mais próximas. “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu!” (Mt 6, 1).

Caríssimas mães, tenham a certeza de que os tantos sacrifícios cotidianos, no melhor exercício do bem feito em silêncio, que a rica experiência da maternidade proporciona, trará um bem espiritual inenarrável, especialmente àquelas que assumem a maternidade como missão especialíssima de fazer o bem, preparando os filhos para viver a vida conforme os tesouros do céu e não as efemeridades do mundo; àquelas mães que cultivam em seus filhos as excelsas virtudes cristãs, a partir da oração e do trabalho, para que eles sejam capazes de decidirem pelo bem da vida, em todos os aspectos e circunstâncias.

A família é um grande patrimônio, daí que ela é preservada e valorizada pelo matrimônio. A maternidade, com suas exigências e desafios, faz parte desse mistério de tornar o homem e a mulher, participantes de uma obra que se constrói na complementaridade, onde um é chamado a ser para o outro, expressão do amor desinteressado, que une, integra, eleva, promove, pereniza, glorifica e santifica.

A todas as mães aqui presentes, recebam o meu mais afetuoso cumprimento.

Bibliografia: 

1. Antonio Mesquita Galvão, O Grão de Trigo – Reflexões Cristãs sobre a vida depois da morte, Ed. Ave Maria, 2000, p. 103). 
2. Tullo Goffi, Dicionário de Espiritualidade, Ascese, Paulus, 2ª edição, 1993, p. 61. 
3. Leão Magno, Sermões, Ed. Paulus, 1996, p. 90. 
4. Papa Bento XVI, Encíclica Deus Caritas Est, 1, 2005;
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html
5. Papa João Paulo II, Encíclica Centesimus annus, 39, 1991; http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus_po.html). 
6. Joseph Ratzinger, O Sal da Terra – O Cristianismo e a Igreja Católica no Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald , Ed. Imago, 1997, Pág. 78. 
7. São Tomás de Aquino, Suma Contra os Gentios, Volume II, Livros IIIº e IVº, EDIPUCRS em co-edição com Edições EST, Porto Alegre, 1996, p. 667. 
8. Papa Bento XVI, Encíclica Spe Salvi, 5, 2007; (http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html) 
9. Papa Bento XVI, Encíclica Spe Salvi, 5, 2006; (http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html 
10. Júlian Marías, A Perspectiva Cristã, Ed. Martins Fontes, 2000, p. 112. 
11. S. Rosso, Mês Mariano, Dicionário de Mariologia, Ed. Paulus, 1995, p. 887. 
12. A. Serra, Mãe de Deus, Dicionário de Mariologia, Ed. Paulus, 1995, p. 780.

* O autor:
Prof. Hermes Rodrigues Nery é Especialista em Bioética (pela PUC-RJ), Coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté, membro da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, diretor da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e da Associação Guadalupe. É casado, tem dois filhos e é catequista.

26 de abril de 2014

'O DIA DOS QUATRO PAPAS'

'O DIA DOS QUATRO PAPAS'
Amanhã, 27 de abril, mais dois papas serão canonizados, dois novos santos para a Igreja: João Paulo II e João XXIII; e mais dois papas estarão presentes para a cerimônia, nosso querido Papa Emérito Bento XVI que confirmou ao vaticano sua presença e o Papa Francisco. Este momento é um acontecimento histórico para toda a Igreja. 

“A canonização é uma sentença definitiva e irrevogável, na qual o Papa afirma, utilizando-se do seu poder pontifício, que aquela pessoa viveu de forma extraordinária a graça do primeiro mandamento que é amar a Deus sobre todas as coisas e que, por causa disso, serve como modelo para todos aqueles que almejam viver a mesma Graça. A igreja ganha mais dois Santos.”

“João XXIII, conhecido como o “Papa bom”; o Papa mais engraçado da história. Um humor que nascia da simplicidade que transbordava de sua humildade e íntima relação com Deus.”.

João Paulo II, o Papa Mariano. Totus Tuus Mariae, ele assim viveu, esse foi o seu lema: Todo Teu Maria, e nisso aspirou verdadeiramente a santidade, colocando toda a sua vida sacerdotal sob a proteção de Nossa Senhora. Eis o Santo Papa de Maria, eis São João Paulo II, este que em nossos corações já é santo.  

O Papa Emérito Bento XVI, com o seu testemunho de fé, este também que no seu pontificado nos deixou um vasto ensinamento sobre a fé católica, nos impulsionando a sermos verdadeiramente buscadores da verdade, nos enche de alegria ao confirmar que estará na cerimônia de canonização. E por fim, o Papa Francisco que já é assunto bastante comentado, pelo o seu testemunho cristão, pelo seu carisma e pelo seu amor aos mais necessitados, na qual nos impulsiona a amar o próximo. 

Irmãos, isso é Igreja; isso é unidade. Homens de grandes testemunhos para nós fiéis, pessoas que são referencias na nossa caminhada cristã. Peçamos a São João Paulo II e São João XXIII que roguem por nós, para que nós também sejamos testemunhas vivas da graça e da misericórdia de Deus. 

Iury Nascimento
Seminarista da Arquidiocese de Fortaleza e Administrador do Blog Evangelizando

22 de abril de 2014

Pregar a Palavra ao modelo de Jesus

Pregar a Palavra ao modelo de Jesus
Certo dia, um pregador ia anunciar o Evangelho de Cristo para uma multidão faminta e sedenta de Deus, porém não vivia aquilo que pregava. Pergunta-se: Como se pode levar o povo à salvação pela pregação, sem antes, o próprio pregador viver o que prega? Ah, pregadores! Por que não viver antes de pregar? O povo necessita da Palavra de Deus, mas, sobretudo do testemunho.

Sabemos que os homens têm os corações duros, fechados; em uns a Palavra de Deus cresce, em outros é sufocada; mas em muitos, a graça de Deus, pelo testemunho cristão, faz crescer e germinar frutos nos corações que eram duros e fechados e agora não mais o são.

Tenhamos em conta que quando o pregador proclama algo, quando fala algumas palavras os primeiros ouvidos a escuta-las são os seus; por isso, as palavras do Evangelho devem ser semente primeiramente no coração daquele que o anuncia. As palavras de Jesus devem dar frutos também, e principalmente, no coração do pregador, no coração do missionário evangelizador.

Viver como Jesus viveu, pregar como ele pregava. Eis aí a forma correta com a qual os discípulos devem anunciar o Evangelho: como Jesus! Ah! Será difícil o dia do Juízo para os pregadores infiéis porque almas estão nas mãos destes missionários; por isso, pregadores que não fazem do anúncio do Evangelho um testemunho de vida, que não vivem aquilo que dizem, que contradizem na vida aquilo que falam correm o risco de perder almas e não darem frutos; e no fim perderem-se a si próprios.

“Um homem é bem forte para convencer e persuadir, quando se vê que ele pratica tudo o que ensina” (Introdução dos Catecismos de São Cura d’Ars); ou como ensina São Francisco “pregue o Evangelho em todo tempo, se necessário, use as palavras”. Ou seja, o testemunho arrasta mais do que as próprias palavras proclamadas. O que adianta falar muito e viver pouco daquilo que se diz? Nada! Qual será o exemplo que as pessoas terão? Viver e pregar são duas atitudes que devem estar unidas.

Iury Nascimento
Seminarista da Arquidiocese de Fortaleza e Administrador do Blog Evangelizando

Texto revisado pelo Pe. Rafhael Maciel
Reitor do Seminário Propedêutico de Fortaleza e Coordenador da Pastoral Vocacional

18 de abril de 2014

Nada é possível contra o amor

Nada é possível contra o amor




























O Papa Francisco deu início no último domingo, com a procissão de ramos, aos ritos da Semana Santa ao longo da qual, com diversos atos litúrgicos, celebramos a Paixão, Morte e na Vigília de Páscoa, a Ressurreição de Jesus. E no início desta Semana que nós chamamos de Santa, centro da fé cristã, o Papa Francisco, improvisando a sua homilia, fez uma profunda reflexão recordando os personagens descritos na leitura do Evangelho daquele dia, e pedindo um exame de consciência a todos os fiéis, e com qual personagem eles se identificavam.

A recordação da alegria, que envolveu jovens e crianças, com a entrada de Jesus em Jerusalém no Domingo de Ramos, deu lugar ao longo da semana, à meditação da herança que Jesus nos deixou; antes de tudo o amor pelo próximo, o serviço, e a instituição da Eucaristia; mas também deu lugar à reflexão sobre a tristeza e a amargura da traição.

O Papa Francisco fez uma pergunta que tocou o coração dos milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro: Quem sou eu diante do meu Senhor? Quem sou eu? E as perguntas continuaram tocando fundo os sentimentos de todos. Eu sou como Judas que finge amar e beija o Mestre para entregá-lo, para traí-lo? Eu sou um traidor? Eu sou como os líderes que, com pressa, fazem o tribunal e procuram falsos testemunhos?

O Papa vai mais longe e recorda a figura de Pilatos, perguntando-se se sou como Pilatos que, quando vejo que a situação está difícil, eu lavo as minhas mãos e não sei assumir a minha responsabilidade? Ou sou como os soldados que batem no Senhor, cospem n’Ele, O insultam, se divertem com a humilhação do Senhor? Talvez eu seja como o Cirineu, que voltava do trabalho, cansado, e teve a boa vontade de ajudar o Senhor a carregar a cruz? Ou eu sou como aqueles que passavam diante da Cruz de Jesus e zombavam d’Ele. Francisco recorda ainda de José, o discípulo escondido, que leva o corpo de Jesus com amor, para sepultá-lo. Pergunta também: Eu sou como as duas Marias que permanecem na porta do sepulcro, chorando, rezando? Ou sou como os líderes que no dia seguinte foram a Pilatos para dizer: “Mas, olha ele dizia que iria ressuscitar; que não seja mais um engano”, e bloqueiam a vida, bloqueando o sepulcro para defender a doutrina, para que a vida não venha para fora? A qual de todas essas pessoas eu me assemelho, perguntou Francisco.

Muitos de nossos irmãos ao longo dos séculos responderam a essa pergunta com suas vidas, com a doação total de si mesmos à causa do Evangelho, do irmão que sofre, dos deserdados desta vida. Muitos deles foram declarados santos pela Igreja, como o caso do Padre José de Anchieta, que entregou

toda a sua vida em prol da evangelização do novo mundo. Como João Paulo II e João XXIII que serão declarados Santos no próximo domingo, com a dedicação total ao Evangelho. Mas também muitos dos que responderam com sua vida e testemunho à pergunta, “quem sou eu diante do meu Senhor?” são desconhecidos, são “Cirineus” que depositaram suas vidas nas mãos do Senhor, na esperança de aliviar a dor dos necessitados e dos últimos, sendo testemunhas fiéis do amor de Deus.

Mas ao longo dos séculos, e também hoje, temos ainda muitos Judas que em nome de outro deus, o deus dinheiro, colocam valores nos seres humanos. Transformam o ser humano em fonte de lucro, em escravos da era moderna; seja através da exploração, seja através da droga. A traição de Judas colocou um preço em Jesus “como se estivesse num mercado”, disse nesta semana Papa Francisco.

A Paixão de Cristo que tem início com a sua traição e prisão é como “um espelho dos sofrimentos da humanidade”. Jesus toma todo este sofrimento sobre si e morre numa Cruz, castigo para os criminosos, estrangeiros e escravos. Mas como recordou o Santo Padre na última quarta-feira durante a audiência geral na Praça São Pedro, “quando tudo parece perdido, é então que Deus intervém com a força da ressurreição. “A ressurreição de Jesus – que celebramos nesta noite das noites - não é o final feliz de uma linda fábula, mas a intervenção de Deus Pai, quando toda a esperança humana já tinha desmoronado.

Cheios de confiança, vamos deixar de lado o Judas que temos dentro de nós, e vamos entregar todas as nossas esperanças ao Deus amor, que se entregou e morreu por nós. Somos chamados a seguir Jesus até o fim. Ele nos ensinou que nada é possível contra o amor.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

Deus é maior que os seus problemas!

Muitos conhecem e falam a seguinte passagem bíblica: “Jesus é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Último, o Começo e o Fim” (cf. Ap 22,13). Mas, talvez, não pararam para refletir sobre o que significa essa asserção.

Tudo bem que nós sabemos que Deus é poderoso e que criou o mundo… Mas por que, então, na hora em que devemos ter confiança nEle não conseguimos tê-la? Por que, na hora do aperto, quando bate um desespero, pulamos do barco, reclamamos da vida, desacreditamos em Deus, e procuramos caminhos mais imediatos tais como em seitas, horóscopos, benzedeiras, cartomantes, banhos de água, tudo para “tentar” controlar o nosso futuro? A nossa insegurança diante dos fatos é tamanha que apelamos para qualquer coisa. Tudo bem, você acredita em Deus. Então, por que não fica nesse acreditar e deixa que sua fé o sustente nas tribulações?

Quando a alma dói, dói mesmo. Dor é dor, não tem jeito. Quando o conflito, a depressão, a tribulação, os ataques vêm – e estamos sujeitos a isso a toda hora – é difícil, mas o confiar somente em Deus vai nos sustentar para passar por tudo. Mas não é bem isso que fazemos. Às vezes, uma carta parece maior do que Deus, um ombro de um namorado parece maior do que Deus.

É incrível a nossa capacidade de pegar algo que não tem importância ou que não vai resolver os nossos problemas e colocar como maior do que Deus. Se você se desesperar diante de um acontecimento, o seu desespero lhe parecerá maior do que Deus; se alguém estiver doente na família e você se desesperar, aquela doença lhe parecerá maior do que Deus.

Nos tempos em que vivemos, com tamanhos sofrimentos e dificuldades financeiras, sociais (violência…), enfim, tudo que contamina esses tempos, precisamos deixar claro para nós mesmos o tamanho que Deus é e o tamanho do seu poder. Precisamos, a toda hora, fixar em nossos corações: Deus é Deus e não há outro! Ele o sustenta; você pode confiar! Deus tudo pode, basta acreditar! Diga isso a você mesmo: confie!

E como ver Deus? Na Bíblia, listei algumas passagens, pois existem muitas, mas coloquei as que considerei importantes para esse momento, a fim de que tentemos fixar o tamanho de Deus em nossa mente, coração e vida. Muitos não tomaram consciência destas reflexões:

1. Contra Deus, ninguém pode. Ele nos diz isto: “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que vem, o Dominador” (Ap 1,8). Nós só conhecemos o instante momento, o presente apenas.

2. Deus, na Sua Onipotência, diz: “Realizaram-se os primeiros acontecimentos anunciados, eu predigo outros; antes que aconteçam, eu vo-los faço conhecer” (Is 42,9). Antes que aconteça, Deus faz acontecer! Quem na face da terra é capaz de fazer uma coisa dessas? Ninguém.

3. Deus diz: “Não preciso do novilho do teu estábulo, nem dos cabritos de teus apriscos, pois minhas são todas as feras das matas: há milhares de animais nos meus montes. Conheço todos os pássaros do céu, e tudo o que se move nos campos. Se tivesse fome, não pecisava dizer-te, porque minha é a terra e tudo o que ela contém” (Sl 49,9-11).

Leia também todo o Salmo 49; ele é fantástico! Deus ali está repreendendo os sacrifícios e ofertas que Israel estava Lhe oferecendo. Deus diz que tudo Lhe pertence e que era preciso apenas um louvor sincero a Ele: “Oferece, antes, a Deus um sacrifício de louvor e cumpre teus votos para com o Altíssimo” (vs. 14). “Invoca-me nos dias de tribulação, e eu te livrarei e me darás glória” (vs. 15). Como podemos ir contra ou nos opormos a um Deus a quem tudo pertence?

4. “Deus disse: ‘Que as águas que estão debaixo dos céus se ajuntem num mesmo lugar, e apareça o elemento árido’. E assim se fez. Deus chamou ao elemento árido TERRA, e ao ajuntamento das águas MAR. E Deus viu que tudo era bom” (Gn 1,9). Dá para discutir com Alguém assim? Não.

5. Deus fala para você: “Eis o que diz o Senhor a Ciro, seu ungido, que ele levou pela mão para derrubar as nações diante dele, para desatar o cinto dos reis, para abrir-lhes as portas, a fim de que nenhuma lhe fique fechada: ‘Irei eu mesmo diante de ti, aplainando as montanhas arrebentando os batentes de bronze, arrancando os ferrolhos de ferro. Dar-te-ei os tesouros enterrados e as riquezas escondidas, para mostrar-te que sou eu o Senhor, aquele que te chama pelo teu nome, o Deus de Israel. É por amor de meu servo, Jacó, e de Israel que escolhi, que te chamei pelo teu nome, com títulos de honra, se bem que não me conhecesses. Eu sou o Senhor, sem rival, não existe outro Deus além de mim. Eu te cingi, quando ainda não me conhecias, a fim de que se saiba, do levante ao poente que nada há fora de mim” (Is 45,1-6).

Enquanto nós estamos indo para o amanhã, para o futuro, Deus está voltando de lá; Ele é o Senhor do tempo.

Não existe algo mais extraordinário do que Jesus Eucarístico. Quando é levantado o ostensório com Cristo Eucarístico, milagres e curas acontecem a quilômetros do local onde o erguem. Não dá para discutir com Alguém que era, é e sempre será! É mesmo difícil competir com Deus. Tentar vencê-lo muito mais difícil ainda, ou melhor, impossível. Deus é três vezes santo. Você pode buscar a santidade, mas Deus já é santo. Deus é Deus, um Deus poderosíssimo, mas que se anula e corre devido as fechadas do nosso coração.

Quer ser de Deus? Comece pelo coração, para que Jesus possa fazer morada santa em você. Você não foi feito para o pecado, para a derrota, para se deixar vencer pelos problemas que a vida nos impõe; mas para ser instrumento do amor de Deus, ser vitorioso(a) nEle. Confie e se abandone no poder de Jesus!

Por Thiago Zanetti
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16 de abril de 2014

Hoje é aniversário do Papa Emérito Bento XVI!

Hoje é aniversário do Papa Emérito Bento XVI!























Hoje dia 16 de Abril, o Papa Emérito Bento XVI celebra seus 87 anos de vida. O Papa Francisco ano passado dedicou a Santa Missa em ação de graças pela vida de seu predecessor, e disse essas palavras: “Ofereçamos a missa por ele (Bento XVI), para que o Senhor esteja com ele, o conforte e lhe dê muita consolação”, disse aos participantes da celebração eucarística. Façamos nós também hoje, esse ato de amor, como nos ensina Santa Teresinha do Menino Jesus: "... Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela". 

Bento XVI presentou a Igreja com sua disponibilidade de coração, com o seu testemunho de vida ele nos ajudou a caminhar com Cristo e ter fé; a amar a Igreja, a Sagrada Liturgia e os seus mistérios; muitos ensinamentos ele nos deixou como: o Youcat para a Juventude. Hoje ainda continua a ajudar a Igreja, com suas orações. Feliz Aniversário! Agora nessa geração de dois papas, somos contigo também juventude, Benedictus e também Francisco. 

"Confesso em particular que sou seu seguidor, ainda estou no começo; mas os seus documentos já tem me ensinado muito. Rezo sempre pelo senhor. Que a Virgem Maria esteja sempre com você, levando sempre a dizer o seu Fiat." (Iury Nascimento)

O Blog Evangelizando lhes deseja um Feliz Aniversário! Este apostolado que nasceu do pedido feito pelo Papa Emérito quando ainda era Bispo de Roma (Papa), para que a Igreja evangelize através da internet e dos meios digitais, coincidindo com o Ano da Fé. Espero que o blog, esteja de fato ajudando à toda Igreja levando a Boa Nova de Jesus a todos os confins da Terra. Rezemos pelo nosso amado Papa Emérito Bento XVI. 

Iury Nascimento
Seminarista da Arquidiocese de Fortaleza e Administrador do Blog Evangelizando

15 de abril de 2014

A roupa da mulher influência estupros?

A roupa da mulher influência estupros?
Temos visto nas últimas semanas toda uma polêmica gerada por um órgão de pesquisa que apontou que a maioria dos brasileiros julgariam que o comportamento da mulher, influencia sim, num caso de estupro.

Na semana seguinte a esta notícia, o mesmo órgão de pesquisa admitiu um erro e anunciou por nota que houve uma troca nos gráficos, que o correto é afirmar que 26% dos entrevistados concordam com a frase “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”, ao invés dos 65% divulgados primeiramente.
A pesquisa traz ainda outros dados que achei interessante para entendermos como as pessoas estão percebendo  à sexualidade nos dias de hoje, por exemplo: 54,9% também concordam ou concordam parcialmente que “tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama”. E a partir de afirmações como essas os estudiosos do órgão pesquisador também tiraram algumas conclusões: “Por trás da afirmação [referente ao estupro], está a noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais”, e “Constitui importante desafio reduzir os casos de violência contra as mulheres. (…) Uma das formas de se alcançar a diminuição deste fenômeno, além da garantia de punição para os agressores, é a educação. Transformar a cultura machista (…) é o maior desafio atualmente”.
Penso que tais conclusões são fruto de uma forma superficial de analisar o problema. Culpar a cultura machista ou o comportamento feminino pela crescente violência que estamos presenciando é equivalente a cuidar dos sintomas sem querermos nos esforçar por descobrir a doença. Daí então questiono se não seria tudo isso, antes, o reflexo de uma cultura que quer nos impor a todos, homens e mulheres, uma idolatria ao sexo, em formar as mentalidades para o culto ao corpo e a expressar os impulsos sexuais como forma de liberdade ou felicidade plena?
Ninguém se transforma num estuprador da noite para o dia. Até chegar ao ponto de cometer uma atrocidade dessas, um homem foi influenciado por estímulos, iniciando pelos mais simples que parecem inofensivos como as dançarinas seminuas num programa de domingo, até ele ir para a pornografia e depois cometer um crime.
Quero deixar bem claro que não estou justificando o ato violento. Em hipótese alguma a mulher deveria sofrer este tipo de agressão, nem qualquer outro tipo. Mas, é preciso denunciar que estamos sendo violados – mulheres e homens – em nossa dignidade de seres humanos, por tanta sexualização em nosso meio.
Após a revolução sexual e a constante incidência da erotização em nosso cotidiano, estão transformando o masculino (que é mais inclinado ao ato sexual, pois, a natureza que lhe deu o material genético que fecunda, então o fez com características psicológicas a buscar fecundar) numa máquina de sexo. Ou seja, estão ensinando o homem a manifestar seus impulsos naturais de forma animalesca ao invés de trabalhar para tranquilizá-los e conviver pacificamente com estes, pois isso é o normal e perfeitamente natural. Nisso é verdadeiro que “os homens não estão conseguindo controlar seus apetites sexuais”, desde a masturbação até os que chegam a cometer um ato criminoso.
Em contrapartida, estão demonstrando as mulheres que seu valor está na auto imagem. Como se os anseios mais profundos do coração feminino pudessem ser preenchidos quando ela se torna bela e desejável, só que pela via mais primitiva e superficial impressão dela mesma, que é a sensualidade.
Ao usar roupa curta, justa, os decotes, o shortinho, a legging que marca praticamente tudo, ela sabe que vai chamar a atenção, que os homens irão olhar para ela, mas sua intenção é de ser notada, ser vista, ser  reconhecida, de forma normal e natural. Ela não entende que está sendo provocativa, pois não é tão visual quanto o homem.

E sendo percebida, consequentemente aumentará sua autoestima e ela terá uma boa impressão de seu valor perante os outros. Ao sentir-se bonita e notável essa moça pensa que está despertando nos outros o interesse pela sua pessoa e por aquilo que ela porta em seu intimo.
Mas, quando um rapaz olha para ela, não é bem isso que ele pensa. A formosura e a notoriedade que ela quer e precisa estão muito além da sensualidade. “O que é mais importante é invisível aos olhos”, entretanto ao vê-la com vestes assim, primeiramente nesse rapaz despertará a sua fantasia sexual, e muito provavelmente é essa a impressão que ele levará dela. Infelizmente, daí vem a pobre afirmação: “tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama”. E o pior, é que existem mulheres que estão condicionadas, reféns de uma necessidade dos elogios vindos de quando usam essas vestimentas tipo “arrasa quarteirão”, ou “de parar o trânsito”, como um “vício”.
Enfim, a intenção de um não é o entendimento do outro e o significado de um não é como o outro percebe.
Somente se falarmos a mesma linguagem é que poderemos nos entender, e neste caso, a “educação” indicada como solução na conclusão da pesquisa, só se fará mesmo pela beleza da castidade. Esta virtude que Mons. Jonas Abib tanto preza e nos recomenda pela “sadia convivência entre homens e mulheres”. É possível que um rapaz olhe para uma moça sem cobiça e com pureza, e vice versa? Sim, é possível!
Inseridos no amor de Cristo, desde as nossas amizades, aprendamos a treinar o amor desinteressado. São em gestos gratuitos de amor, em ofertar nosso tempo, nosso ouvido, em prestar um favor ao outro sem esperar retribuição, que podemos nos desvencilhar do nosso egoismo, controlar os instintos e descobrir nosso valor de pessoa. Nosso mais acertado auto reconhecimento está inscrito no coração de Deus, é lá que precisamos nos identificar.

Quando aprendemos à achegar-nos a alguém, não por ele poder nos trazer vantagens, mas por nosso amor gratuito, é que nosso coração e mente, daí também nossa sexualidade, irão sendo curados e fortalecidos na paz, no amor e na bondade.

Sei que algumas pessoas vão discordar e achar que a culpa é mesmo da mulher, ou culparão a mentalidade machista. Cada um tem o direito de usar a roupa que quer e querer viver o autocontrole ou não. Contudo, se falássemos mais de Castidade não somente a violência diminuiria, mas também a família e a sociedade viveriam de forma mais amorosa.
Colunista do Blog Evangelizando (+ artigos)

13 de abril de 2014

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor – Ano A

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor – Ano A
Mt 21,1-11

“Dizei à filha de Sião: ‘Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta!” – Assim, caríssimos irmãos, o nosso Jesus entra hoje em Jerusalém para sofrer Sua Paixão e fazer Sua Páscoa deste mundo para o Pai.

Jerusalém é a cidade do Messias; nela deveria manifestar-se o Reino de Deus. O Senhor Jesus, ao entrar nela de modo solene, realiza a esperança de Israel. Por isso o povo grita: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em Nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!”

Hoje, com nossos ramos levados em procissão, fazemos solene memória desse acontecimento e proclamamos com nossos cânticos que Jesus é o Messias prometido! Também nós cantaremos: Hosana ao Filho de Davi!

Mas, atenção! Este Messias não vem como rei potente, num majestoso cavalo de guerra, símbolo de força e poder! Ele vem num burrico, usado pelos servos nos seus duros trabalhos. Ele vem como manso e humilde servo!

Eis o escândalo que Israel não suporta! Esperava-se um Messias que fosse Rei potente e Deus envia um servo humilde e frágil! Que lógica, a de Deus! E, misteriosamente, Israel não consegue compreendê-la e refutará Jesus!

Mas, e nós, compreendemos de verdade essa lógica? Hoje, seguir o Cristo em procissão é estar dispostos a aceita-Lo como Messias que tem como trono a cruz e como coroa os espinhos! Segui-Lo pela rua é comprometer-se a segui-lo pela vida! Caso contrário, nossa liturgia não passará de um teatro vazio...

Vamos com Jesus! Aclamemos Jesus! E quando na vida, a cruz vier, a dor vier, os espinhos vierem, tomemos nas mãos os ramos que levaremos hoje para nossas casas e recordemos que nos comprometemos a seguir o Cristo até a morte e morte de cruz, para chegarmos à Páscoa da Ressurreição!

+Dom Henrique Soares da Costa

12 de abril de 2014

CONTAGIAR O MUNDO COM A ALEGRIA

CONTAGIAR O MUNDO COM A ALEGRIA
Neste Domingo de Ramos, que nos introduz à Semana Santa - a Semana por excelência para os cristãos de todo o mundo e que nos levará a meditar a paixão e morte de Jesus e depois exultar com a Páscoa da ressurreição -, celebramos, além da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém, a Jornada Mundial da Juventude em nível diocesano. De fato todas as dioceses do mundo neste dia 13 celebrarão esse evento especial que envolve jovens de todas as idades. No último dia 6 de fevereiro o Papa Francisco publicou a sua mensagem para essa ocasião que tem como tema «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3). A mensagem traz a data de 21 de janeiro, Memória de Santa Inês, virgem e mártir.

Na sua primeira mensagem para a JMJ, Francisco, depois dos grandes e intensos momentos vividos no Rio de Janeiro com a “Jornada carioca”, que ficou esculpida na mente e nos corações dos jovens do mundo inteiro, continua, se assim podemos dizer, o seu colóquio, a sua conversa com os jovens: o Santo Padre recorda, antes de tudo, que o próprio Jesus mostrou o caminho a seguir, encarnando as Bem-aventuranças em toda a sua vida: viver as Bem-aventuranças hoje é para os jovens um verdadeiro e próprio desafio.

O Papa exorta os jovens a rejeitarem toda oferta de felicidade “a baixo preço”, a encontrar a “coragem da felicidade” autêntica que só Deus pode dar. Francisco explica então aos jovens o que significa ser pobre em espírito, entrando no coração do tema desta Jornada Mundial da Juventude. O próprio Jesus escolheu uma via de despojamento e de pobreza e o Papa dirige aos jovens o forte convite a imitá-lo, indicando-lhes o exemplo de São Francisco de Assis. Os jovens são, portanto, chamados à conversão, a abraçar um estilo de vida marcado pela sobriedade, pela busca do essencial e pela sobriedade concreta em relação aos pobres.

O Santo Padre ressalta ainda a ligação profunda entre o tema da JMJ do Rio – “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19) – e a Bem-aventurança dos pobres em espírito. De fato a pobreza evangélica é condição essencial para que o Reino de Deus se estenda: muitas vezes brota dos corações mais simples a alegria autêntica que é o próprio motor da evangelização.

O Papa recorda enfim o trigésimo aniversário da entrega aos jovens da Cruz do Jubileu da Redenção. “Foi precisamente a partir daquele ato simbólico de João Paulo II que teve início a grande peregrinação juvenil que, desde então, continua a atravessar os cinco continentes”; e Francisco anunciou que após a sua canonização, João Paulo II será o grande patrono das Jornadas Mundiais da Juventude.

As Jornadas são “um grande sinal de esperança, um grande dom, um estimulante para a criatividade e imaginação missionárias”: palavras do Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Stanislaw Rylko, que nesta semana abriu, nas proximidades de Roma, o encontro internacional sobre as Jornadas Mundiais da Juventude Rio 2013 e Cracóvia 2016, que se encerra neste domingo, dia 13. As Jornadas Mundiais da Juventude se tornaram parte integrante da pastoral da juventude no mundo e deve ser entendida a importância do projeto pastoral que elas trazem para a Igreja, disse ainda o purpurado.

Falando da JMJ no Rio de Janeiro, o Cardeal Rylko a definiu como “revolucionária, capaz de um impulso missionário de força extraordinária para toda a Igreja e para as gerações jovens”. “Uma gigantesca semeadura da Palavra de Deus, em especial nos corações dos jovens”. Agora, esta grande aventura da fé continua rumo a Cracóvia 2016, onde a JMJ voltará depois de 25 anos da experiência extraordinária de Czestochowa em 1991.

A JMJ deste domingo precede um evento histórico e de importância singular para a Igreja, a canonização de dois Papas, João XXIII e João Paulo II. E certamente os jovens, que viveram os eventos das Jornadas Mundiais já projetam o seu olhar para Cracóvia.

Em 2016, em Cracóvia, "João Paulo II voltará entre seus jovens como o Santo Patrono, amigo do céu em que se pode confiar". O Papa Francisco, como todos pudemos notar e sentir desde a sua eleição à Cátedra de Pedro, confia muito nos jovens e não perde a oportunidade para convidá-los a terem esperança, a serem corajosos. Corajosos em seguir Cristo, em responder ao seu chamado, a viver a sua verdadeira juventude, ir contracorrente, ser jovem cheio de utopias e desejos. Francisco encoraja os jovens a desejarem coisas grandes, a ampliarem seus corações; a terem a coragem da verdadeira felicidade! Dizer não à cultura do provisório, da superficialidade e do descartável. O Papa encoraja os jovens a serem felizes e contagiarem o mundo com a sua alegria. 

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

11 de abril de 2014

Jesus seria casado... Dom Henrique responde.

Jesus seria casado... Dom Henrique responde!























Notícia tola disfarçada de coisa séria e discutida por quem não entende nada de teologia ou história do cristianismo!
Afirmam que um papiro escrito entre o século IV e VIII é autêntico! Neste papiro, escrito em língua copta, afirmar-se-ia que Jesus seria casado...
1. Que significa afirmar que um documento antigo é autêntico? Significa que ele é realmente antigo e não uma falsificação atual. Não há nenhum juízo sobre o seu conteúdo.
2. Que é, concretamente, esse papiro? Um texto muito tardio de um evangelho apócrifo... Há muitos deles no cristianismo primitivo. Em geral são extremamente fantasiosos... Os evangelhos canônico são do século I! O período dos séculos IV a VIII já são bem recentes em se tratando de cristianismo. Nenhum "evangelho" desse período pode merecer crédito algum!
3. Qual o valor histórico ou teológico desse papiro "antigo"? Nenhum!
4. Qual a probabilidade de Jesus ter sido casado? Nenhuma! Os textos canônicos são unânimes em afirmar ou supor que Jesus era celibatário. Se Ele tivesse sido casado haveria textos realmente antigos (século I) que dariam conta disto.
5. E o resto? Conversa para boi dormir... Já estamos acostumados a essas tolices da imprensa no Natal e na Páscoa... Gente parecendo falar com grande autoridade de temas sobre os quais não têm noção alguma... É a cultura do superficial, da bobagem, do descartável...

+ Henrique Soares da Costa

1 de abril de 2014

Não podeis servir a Deus e ao dinheiro

A Bíblia diz que o mais importante é buscar “em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33).

É lamentável saber que o valor que temos para muitas pessoas se resume, basicamente, em dois aspectos análogos: o quanto de dinheiro eu tenho; e mesmo não tendo dinheiro, de que maneira eu posso contribuir para que o outro tenha mais dinheiro. Portanto, tudo gira em torno do dinheiro.

Jesus mesmo disse que muitos prestam algum tipo de favor a outros para receber o mesmo de volta (cf. Lc 6,34). Agir assim é agir por interesse. Ensinou-nos Jesus: “fazei o bem e prestai ajuda sem esperar coisa alguma em troca” (Lc 6,35). É isso que vemos por aí? De forma alguma, ao contrário, as relações são marcadas pelo interesse, pela perspectiva do quanto se pode lucrar, seja monetariamente, no status, na fama, no poder etc.; do quanto se pode beneficiar com a sombra, “amizade” do outro.

É assustador como o dinheiro tem de corromper as pessoas. Muitos fazem loucuras por ele. Amizades são desfeitas, casamento são feitos, pessoas cometem crimes, vendem o próprio corpo, matam, roubam, falsificam, adulteram, enganam, simulam, acusam faltamente enfim.

O dinheiro corrói os relacionamentos; como citamos, estabelece casamentos arranjados, por puro interesse. Casa-se com o bem-sucedido para se ter uma vida de luxo e se não for de luxo ao menos garantir o básico para não viver na pindaíba. E o amor, o amor sincero, verdadeiro? “Amor pra que, ele não enche barriga”, dizem essas vozes. Jogam por terra o sacramento do matrimônio sagrado aos olhos de Deus. Na verdade, quando chegam a se casarem na Igreja.

Bem antes do casamento, quando os dois ainda estão se conhecendo, ela pergunta o que ele faz, onde trabalha. Dependendo da resposta o interesse aumenta eu cessa. Ele é maravilho, educado, inteligente, e marcam para sair. – “Tô sem carro, nos encontramos no shopping, pode ser?”. Já era! – “O que, andar de ônibus nesse calor”, pensa ela. A coisa não decola já ali mesmo. Mas vem cá, ela está a fim do cara ou do carro? – “Tem tanto cara aí dando sopa e com um carrinho, por que vou sair com este que não tem”, pensa ela. Essa não te serve, e não serve para ninguém. O que move a relação é o interesse. Você é só um pretexto.

Nem precisa falar que no mundo das celebridades está repleto de casamentos por conveniências e tendo o dinheiro como motivo. Mulheres com desejo de fama, sucesso, status e bem-estar, casam-se com jogadores de futebol que estão em alta, sertanejos, empresários bem sucedidos, cantores da hora, artistas do momento etc. Tudo em nome da fama, do poder, do status, do dinheiro.

Eu te dou mais ou menos atenção dependendo do quanto você tem, do quanto ganha. Se você sai de um carro de luxo – ou um mais potente – e entra num restaurante, o seu tratamento será diferenciado. Isso já sabemos.

No Brasil, o preconceito não é tanto racial, mas muito mais sócio-econômico. Um gari negro, é negro, um trabalhador qualquer negro, é negro. São olhados do alto a baixo. Já um ministro do supremo, um médico negro, ninguém lembra da cor deles, não faz diferença nessa caso.

Aquela pessoa é seu amiga até o momento que me você não lhe pede dinheiro emprestado. Se pedir poderá ouvir “amigos, amigos, negócios à parte”. Mas o amigo de verdade não é para nos estender a mão nos momentos difíceis?

Pessoas sem a menor noção da vida, muitas vezes se apresentam apenas pelo sobrenome, para dizer “você conhece a família que eu venho, não é?”.

Diz-se que para se conhecer um homem basta dá-lhe poder, dinheiro e mulher – esse último não é objeto de nossa análise neste momento.

Por dinheiro, filhos matam os pais. O desejo de ter dinheiro rápido e fácil levam pessoas a cometerem infinidades de crimes e absurdos.

Quem tem dinheiro tem poder. Quanto mais se tem, mais se quer ter. Vivemos num mundo onde o ter é mais valorizado do que o ser.

Ser bom, íntegro, honesto, trabalhador, não vai fazer com que você conquiste aquela gata (interesseira, claro). Ela sairá com aquele outro que não lhe apetece os olhos, mas para andar de Hilux, Corolla vale tudo.

Por causa de uma bacia de petróleo nações entram em guerra e alegam motivos diversos, menos o que está por trás: o dinheiro.

Para o Papa Gregório o homem avarento era um assassino. E dizia o Pontífice: “Aquele que guarda para seu próprio uso o que iria sustentar o pobre, está matando todos aqueles que poderiam viver para a sua abundância”.

A avareza é um dos sete pecados capitais. É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades.

O ano de 2012 foi o ano em que o funk da ostentação, que fala de dinheiro, carro importado, roupas de grife, jóias, carrões etc. ficou no topo do hit parade.

Uma música que falava da aquisição de um carro importado comprado com a herança do “véio”, emplacou uma dupla sertaneja e foi cantada pelo Brasil inteiro. A letra diz que quando ele tinha uma CG não era notado. Depois, ao comprar um Camaro ele passou “a escolher, porque tá sobrando mulher”. Que mulheres são essas? As interesseiras, que não escolhem um homem pelo que ele é, mas pelo que tem, onde mora, qual carro possui.

Uma das coisas que me trazem indignação é a má distribuição de renda, que consiste na divisão do capital (riqueza) de maneira desigual, poucos concentram a maioria da riqueza, enquanto muitos permanecem em situação de pobreza. De acordo com o site G1.com um estudo elaborado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos, o Brasil tem a quarta pior distribuição de renda entre os países da América Latina e do Caribe. Só Guatemala, Honduras e Colômbia são piores.

Jesus foi o mestre em todas as áreas da vida humana. Na economia, Jesus nos deu uma lição para amenizar o problema da pobreza no mundo, ao nos ensinar: “Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo” (Lc 3,11).

Uma frase clássica diz que dinheiro não compra felicidade. Uns dizem que não compra, mas manda buscar.

Vamos trabalhar com o seguinte conceito de felicidade: é feliz não aquele que tem o que quer, mas aquele que se contenta com o que tem.

Se ser feliz é amar a Deus e ao próximo e levar uma vida digna, independente do quanto se tem financeiramente (e aí está a verdadeira felicidade, a paz de espírito; sentir o amor de Deus e a partir daí sim, buscar as outras coisas), então nesse sentido o dinheiro não pode trazer felicidade. Pode dar um bem-estar, um conforto, mas não pode comprar o amor do outro. Porque o amor é dado livremente. O dinheiro pode comprar a companhia de uma loira de 1,80 metros de altura de olhos azuis, corpo sarado. Mas esta relação será marcada pelo interesse, pela compra, como se compra um produto na prateleira do supermercado.

A Bíblia fala da incompatibilidade entre ricos e pobres. Lê-se em Eclesiástico: “Que ligação pode ter um rico com um pobre [...] o pobre é causa de horror ao rico” (Eclo 13,22;24). Está escrito no versículo 25: “Um rico abalado é apoiado pelos seus amigos. O pobre que tropeça é ainda empurrado pelos seus companheiros”. Nos versículos 28 e 29 se lê isto: “Se fala o rico, todos se calam, e glorificam suas palavras até às nuvens; se fala um pobre, dizem: ‘Que é este homem?’”.

É importante ressaltar que a palavra de Deus não condena a riqueza, mas sim o apego a ela. Diz Eclesiástico 13,30: “A riqueza é boa para quem não tem a consciência pesada”. Portanto, a riqueza faz bem para quem sabe usar o dinheiro e não tem nela a sua segurança, mas sim no Senhor.

A Bíblia não condena o dinheiro em si mesmo, mas o seu apego, o seu mal uso. Se não fosse assim, Jesus não teria chamado um tesoureiro, Mateus, para ser um dos doze apóstolos.

A Palavra de Deus garante que melhor do que a riqueza é o temor a Deus (Pr 15,16), a honestidade (Pr 16,8), a serenidade (Sl 36,16), a saúde (Eclo 30,14-15).

O dinheiro pode fazer a pessoa esquecer-se de Deus: “Aquele que ouviu bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas a sufocam” (Mt 13,22). “Ninguém pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará a outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24).

O desejo de enriquecer é fonte de muitas tentações: “Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do demônio” (1Tm 6,9-10). Mas deve-se tomar cuidado com a leitura cega e fora de contexto da Palavra de Deus. Não se pode usar esse versículo para condenar a prosperidade material. O que não é de Deus é ter como meta qualquer objetivo colocando Ele, o Senhor, em segundo plano, enquanto que em primeiro lugar deve estar Deus, em todas as coisas. Este é o primeiro mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento” (Mt 22,37-38).

A palavra de Deus não condena a riqueza em si mesma, adquirida pelo suor, pelo trabalho honesto. Quanto mais você tem, mais você também pode ajudar. O que é condenável, é a ganância, a avareza, a ostentação, o exibicionismo.

A Bíblia quer nos mostrar que o mais importante é buscar o Reino de Deus e as demais coisas nos serão dadas por acréscimo (cf. Mt 6,33).

Viva, trabalhe, prospere, tendo em mente que tudo é dom de Deus e nossa meta é o seu Reino e não as coisas materiais.

Sendo desapegado você viverá bem com a riqueza e sendo humilde de coração você se contentará com o que tem.

Por Thiago Zanetti
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