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9 de fevereiro de 2014

O VENENO DA INVEJA

O VENENO DA INVEJA
"Há poucos homens capazes de prestar homenagem ao sucesso de um amigo, sem qualquer inveja."

(Ésquilo)

Não posso garantir que a frase acima é do autor em questão. Mas uma coisa sei, ela carrega consigo uma verdade. Muitos se alegram com as dores do outro. Contraditório? Não. Quando alguém não consegue uma vitória que havia buscado, há uma solidariedade por vezes camuflada. Nem todos se alegram, mas é verdade também que nem todos se compadecem. É mais fácil ser solidário na dor que alegrar-se com as conquistas dos amigos. Ver a felicidade alheia causa sintomas que roubam a paz que falta no olhar de quem vem o sorriso da vitória.

Um sorriso que não nasce dos nossos próprios lábios sempre é mais difícil de ser digerido. Bom mesmo é sorrir com nossas conquistas e ver o olhar do outro querendo consumir em prestações a nossa felicidade. Triste realidade de quem vive na dependência do consumismo alheio. Mais triste ainda é ver a inveja destruir amizades.

Há diamantes querendo ser topázios, no entanto não compreenderam que o rubi nunca será uma esmeralda. Cada um é um no projeto singular da existência humana. Se Deus nos fez diamantes ele irá ao longo da vida nos lapidar para que sejamos um diamante mais bonito, mas nunca deixaremos de ser um diamante e nos tornaremos um topázio. É preciso aceitar as nossas belezas e deixar que o outro seja tão belo quanto ele foi criado. Este processo leva tempo e requer maturidade e confiança na graça de Deus que nos fez únicos para sermos luz no mundo.

A inveja talvez tenha sua raiz na incapacidade que uma pessoa carrega em si de fazer a diferença a partir de suas próprias capacidades. Quando o jardim do outro parece mais bonito do que o nosso próprio jardim, deixamos o cuidado do nosso tempo ao descuido e passamos a vida a contemplar as flores que não nos pertencem e deixamos as nossas morrerem secas pela inveja que não nos permite cuidar de nossa própria vida.

A inveja deixa sim os olhos grandes: de incapacidades que poderiam ter se transformado em lindos jardins. Não é o elogio que faz o outro feliz, mas sim a capacidade que temos de cuidar de nossas próprias vidas e deixar que o outro seguir seus próprios caminhos. Quem se preocupa demais com a vida alheia é porque já não tem mais tempo de cuidar de suas próprias demandas existências. Transformou sua vida no mito de narciso, mas ao invés de contemplar sua própria face enxerga sempre no lago de seus pensamentos o rosto da felicidade alheia. Perdeu seus olhos em um mundo que nunca será seu. O tempo que se usa vigiando a vida do outro seria muito mais bem aproveitado cuidando de suas próprias fragilidades humanas.

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://www.padreflaviosobreiro.com


Namoro: será que sou muito exigente?

Namoro: será que sou muito exigente?
Nunca se esqueça que o mais importante é “invisível aos olhos”

Normalmente, é no próprio ciclo das amizades e ambientes de convívio que os namoros começam. Para namorar, você deverá procurar alguém naquele ambiente onde são vividos os valores que são importantes para você. Se você é cristão, então procure entre famílias cristãs, ambientes cristãos, grupos de jovens etc., a pessoa que você procura.

O namoro começa com uma amizade, que pode ser um “pré – namoro” que vai evoluindo. Não mergulhe de cabeça num namoro, só porque você ficou “fisgado” pelo outro. Não vá com muita sede ao pote, porque você pode quebrá-lo.

Nunca se esqueça que o mais importante é “invisível aos olhos”.

Aquilo que você não vê: o caráter da pessoa, a sua simpatia, o seu coração bom, a sua tolerância com os outros, as suas boas atitudes, etc., isto não passa, isto o tempo não pode destruir. É o que vale.

A sua felicidade não está na cor da sua pele, no tipo do seu cabelo e na altura do seu corpo, mas na grandeza da sua alma.

Ao escolher o namorado, não se prenda só nas aparências físicas, mas desça até as profundezas da sua alma. Busque lá os seus valores.

Há uma velha música dos meus tempos de garoto, que dizia assim: “Quem eu quero não me quer, quem me quis mandei embora, e por isso já não sei, o que será de mim agora.” Será que você não “mandou embora”, quem de fato a amava e poderia fazê-la feliz? Lembre-se, paixão não é amor.

Se você encontrou aquela pessoa que satisfaz osvalores “mais essenciais”, não seja muito exigente naquilo que é secundário. E você terá que aprender a ceder em alguns pontos, repito, não essenciais. Há um ditado que diz que “quem tudo quer, tudo perde”. Se você for “hiper- exigente” poderá ficar só. Muitas vezes aquele que quer escolher muito acaba sendo o último contemplado.

Não force um namoro quando o outro não o quer. Se você forçar a situação, o relacionamento não será maduro e nem duradouro. Não tente “segurar” o seu namorado junto de você pelo sexo, ou com outras chantagens. O namoro não é a hora de viver a vida sexual. Espere o casamento.

Certa vez o governo fez uma campanha para reduzir o número de acidentes de automóvel; usou este “slogan”: “Não faça do seu carro uma arma, a vítima pode ser você!” Posso plagiar esta frase e lhe dizer com toda a segurança: “Não faça do seu corpo uma arma, a vítima pode ser você!”

Ao se escolher com quem namorar, não se pode deixar de lado alguns aspectos como: idade, nível social e cultural, financeiro, religião, etc. Uma diferença de idade muito grande entre ambos pode ser uma dificuldade séria, especialmente se a mais idosa for a mulher.

O amor, quando é autêntico, é capaz de superar tudo, mas isto será uma pedrinha a mais no sapato dos dois. A diferença de nível social e financeiro também pode ser uma dificuldade a mais, mesmo que possa ser vencido por um amor autêntico entre ambos.

Um rapaz culto e estudado pode ter sérias dificuldades para se relacionar com uma moça sem estudos.
Também a diferença de religião deve ser evitada, pois será também um entrave para o crescimento espiritual do casal; especialmente na hora de educar os filhos.

Na hora de escolher alguém você precisa ter claro os valores fundamentais para a sua vida toda.
Há coisas que são mutáveis, mas há outras que não. Você pode ajudar sua namorada a estudar e chegar ao seu nível cultural um dia – e isto é muito bonito – , mas será difícil você fazê-la mudar de religião, se ela é convicta da fé que recebeu dos pais.

O namoro é para isto, para que jamais você reclame no futuro dizendo que se casou enganado. Isto ocorre com quem não leva o namoro a sério. Se você não namorar bem hoje, não reclame amanhã de ter se casado mal, ou com quem não devia; a escolha será sua.

Sobretudo lembre-se que você nunca encontrará alguém perfeito para namorar; mesmo porque “amar é construir alguém querido, e não, querer alguém já construído.”

Texto extraído do Livro – Namoro, Prof. Felipe Aquino



Prof. Felipe Aquino
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Blog: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/ Site: http://cleofas.com.br/






6 de fevereiro de 2014

Estudo espiritual do tempo quaresmal - Parte 1

Estudo espiritual do tempo quaresmal - Parte 1
O tempo litúrgico da Quaresma como o conhecemos hoje sofreu uma evolução ao longo da história da Igreja. Nesta série de artigos, procuraremos trabalhar a riqueza da  teologia e espiritualidade deste tempo.

Nosso estudo tem como fonte a carta circular: Paschalis Sollemnitatis - A Preparação e Celebração das Festas Pascais (Congregação para o Culto Divino - 16 de janeiro de 1988).

O caminho penitencial do tempo quaresmal é um tempo de graça. A Quaresma tem dupla característica: preparar os catecúmenos que serão admitidos aos sacramentos da iniciação cristã; e os fiéis por meio da escuta frequente da Palavra de Deus e de uma oração mais intensa, são preparados coma Penitência para renovar as promessas do Batismo (6).

A vigília pascal é considerada o tempo mais propicio para celebrar os sacramentos da iniciação cristã. As comunidades eclesiais que não possuem catecúmenos são convidadas a orar por aqueles que em outras comunidades receberão os sacramentos da iniciação cristã (7-8).

Os domingos da Quaresma tem sempre a precedência também nas festas do Senhor e em todas as solenidades. As solenidades que coincidem com os domingos da Quaresma, são antecipadas para o sábado (11).

O conteúdo das homilias de domingo deve instruir catequeticamente os fiéis sobre o mistério pascal e sobre os sacramentos, com explicação mais cuidadosa dos textos do Lecionário, sobretudo as perícopes do Evangelho, que ilustram os vários aspectos do Batismo e dos outros sacramentos e também a misericórdia de Deus (12).

Os fiéis são convidados a participarem com frequência das missas feriais e, quando não for possível, sejam convidadas a ler pelo menos os textos das leituras correspondentes, em família ou em particular (13).

Os pastores estejam mais disponíveis para o ministério da Reconciliação e, ampliando os horários para a confissão individual, facilitem o acesso a este sacramento (15).

Na Quaresma não se colocam flores no altar e o som dos instrumentos é permitido só para sustentar o canto, no respeito a índole penitencial deste tempo.  Omite-se o Aleluia em todas as celebrações, desde o início da Quaresma até a Vigília pascal, também nas solenidades e festas. Os cantos sejam escolhidos de acordo com o tempo quaresmal e correspondam o mais possível aos textos litúrgicos (16-19).

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://blog-lumenchristi.blogspot.com.br/

* Os números entre parênteses correspondem as citações retiradas da carta circular: Paschalis Sollemnitatis - A Preparação e Celebração das Festas Pascais

2 de fevereiro de 2014

O VALOR DE UMA CARTA

O VALOR DE UMA CARTA
Creio que todos recordam muito bem, pelo menos os mais idosos, do uso das cartas para se comunicar com parentes, amigos, instituições etc. A carta sempre foi uma experiência a dois sentidos: a primeira a experiência da emoção de escrever, e a segunda a expectativa de receber uma resposta, resposta que às vezes durava semanas e até meses para chegar. Hoje, na chamada era digital, pós-moderna, o uso desse meio de comunicação diminuiu muito, pois a grande maioria usa a internet para escrever, para se comunicar. Alguém já sentenciou no passado: “preparem-se para viver em um mundo sem Correios”. O e-mail, Facebook e SMS, têm praticamente dizimado as cartas. Usam-se o telefone e os torpedos: são mais velozes, chegam antes. Mas neste nosso mundo do imediatismo e da velocidade perdemos a poesia da escrita pensada e esperada.

Pensada, refletida, escrita e reescrita; e esperada e sonhada. Sim sonhar aquelas palavras que foram escritas talvez a milhares de quilômetros de distância e que traduzem sentimentos e afetos que o espaço não cancela. Essa reflexão surge do fato que nesta semana a Rádio Vaticano retomou uma entrevista concedida pelo Responsável do Setor de Correspondência do Papa, Mons. Giuliano Gallorini, ao semanário de informação "Vatican Magazine", produzido pelo Centro Televisivo Vaticano.

Nesta entrevista Mons. Gallorini desenterra as cartas esquecidas no tempo por causa do uso das redes sociais, e re-propõe o uso das mesmas por fiéis e não fiéis que desejam se comunicar com o Papa Francisco.

“O homem que veio do fim do mundo”, acessível também através das cartas, recebe todas as semanas milhares delas, junto com pacotes, desenhos e objetos. Destinatário: o Papa Francisco, endereço; talvez o mais conhecido no mundo, Casa Santa Marta, Cidade do Vaticano. Os emitentes: gente do mundo inteiro.

Escritas com uma grafia fácil de se ler ou às vezes quase incompreensível, ou de modo eletrônico com o computador, as cartas descrevem de modo simples histórias de cada dia: histórias de famílias, de alegrias, mas também de dramas, dilemas, pedindo a Francisco uma palavra, um conselho, uma benção. Descrevem –

disse Mons Gallorini – dramas pessoais e o auspício de receber uma luz, uma indicação, quase uma bóia de salvação onde se agarrar, e não perder a esperança. Sim, o Papa Francisco fez com que as pessoas descobrissem mais uma vez o papel, a caneta, a carta, para expressar e partilhar seus sentimentos e aspirações.

“Os pedidos são, sobretudo, de conforto e de oração. Muitos dizem respeito – certamente também devido ao momento que vivemos – a dificuldades, sobretudo a doenças... Pedem orações para as crianças, descrevem também situações de dificuldades econômicas”, disse Mons. Gallorini.

Com essas cartas os emitentes se sentem próximos ao Papa, que acolhe os seus sofrimentos, as suas dificuldades, está próximo com a sua oração. Muitos desses pedidos são dirigidos aos setores específicos, como por exemplo os pedidos de ajudas econômicas que “são transmitidos às Caritas diocesanas a fim de que possam verificar e sejam imediatamente mais atuantes”.

Certamente há os casos mais delicados como os de consciência, então esses pedidos são levados aos secretários para que o Papa tome conhecimento diretamente: sem dúvida as lê, coloca a sigla e orienta sobre como se deve responder.

O Papa não pode responder a todas as cartas e pedidos que cruzam os muros do Vaticano, seria impossível, mas todas as missivas que chegam para Francisco recebem uma resposta. Aí vem a poesia da espera, do retorno das palavras enviadas. Sim esperar aquelas palavras tão desejadas, que podem até mesmo mudar a vida. Podem ser somente de gratidão e apreço, mas é a resposta do Papa Francisco, do homem simples e gentil.

Assim, com esse meio de comunicação enterrado pelas novidades tecnológicas, se descobre a alegria do partilhar, da proximidade, do valor das palavras; a alegria de esperar uma resposta, um incentivo, um muito obrigado. A simplicidade da carta, dá em certo sentido o tom simples de um pontificado cheio de surpresas, um pontificado marcado pelo estilo da partilha, pela simplicidade. É o pastor que vai, também como esse instrumento, ao encontro do seu rebanho, ao encontro das suas ovelhas para viver com elas a grande experiência da vida.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".



29 de janeiro de 2014

Rute e Noemi – Um itinerário espiritual do cuidado com os idosos

Rute e Noemi - Um itinerário espiritual do cuidado com os idosos
Conta-se que em Israel houve uma grande fome, por isso Elimeleque (que residia em Belém, cidade da região de Judá), sua esposa Noemi e seus dois filhos Malon e Quiliom mudaram-se para um país chamado Moabe. Passado algum tempo o esposo de Noemi morreu e ela ficou somente com seus dois filhos. Estes depois de algum tempo se casaram e o nome de suas esposas eram: Orfa e Rute. Após dez anos morando Malon e Quilion também morreram. Noemi ficou só, sem os filhos e sem o marido. Com o tempo Noemi soube que Deus tinha ajudado o seu povo, dando-lhes boas colheitas e decidiu voltar  para Judá. Noemi disse as suas noras que as mesmas deveriam voltar para suas casas e ficarem com suas mães. Orfa e Rute disseram que não. Mas ao final Orfa voltou e Rute decidiu continuar ao lado de Noemi.

Esta história se encontra no pequeno  livro bíblico de Rute. Noemi fica sob os cuidados de Rute que não abandona-a em momento algum. Rute casa-se novamente e Noemi continua junto de sua amada nora Rute.
O livro de Rute ensina-nos o cuidado que falta hoje em dia com muitas pessoas idosas. Vivemos em uma sociedade que busca descartar aqueles que nada mais podem produzir. É a sociedade de consumo que exclui a dignidade e o respeito da vida de muitos irmãos e irmãs nossos. Esta realidade é frequente principalmente em muitos lares, onde pessoas idosas tem de conviver com a falta de respeito, carinho e atenção de seus familiares.

A síndrome da eterna juventude tem se infiltrado em muitos corações. O tempo passa para todos e a juventude só será eterna no coração. As plásticas podem esconder as rugas do tempo impressas no rosto, mas não podem impedir os anos de passarem.

Muitos idosos sofrem em silêncio o descaso de seus familiares. Vivem isolados porque não mais encontram um espaço para partilharem a vida. Falta a paciência e compreensão dos mais novos que no futuro também serão idosos. Como é triste encontrarmos pais e mães que perambulam pela vida com o sentimento de terem sido descartados e estarem atrapalhando a vida dos mais novos. É preciso urgentemente uma mudança de consciência das gerações mais novas. É preciso reavaliarmos o valor daqueles que já contribuíram com a criação dos filhos e netos e hoje merecem nosso cuidado, carinho e atenção.

É inadmissível que os idosos sejam tratados como objetos descartáveis por filhos, netos e demais familiares. O que somos hoje se deve ao trabalho e carinho destes nossos irmãos que hoje desejam apenas cultivarem o sentimento de serem amados por seus familiares e entes queridos. Não há desculpa para quem maltrata uma pessoa idosa. Os vizinhos podem não saber como os idoso de uma determinada família são muitas vezes maltratados, mas a vida é uma escola, e quem não aprende por bem terá que um dia se deparar com as consequências das escolhas que um dia fez na vida.

O sentimento de culpa é pessoal, e quem um dia maltratou seu pai ou sua mãe, seu avô ou sua avô terá que conviver com o peso deste sentimento até o último dia de sua vida.

Queridos irmãos e irmãs que convivem com o desprezo de seus familiares, continuem firmes na fé, não percam a esperança em meio aos sofrimentos. Deus vê suas dores e recolhe suas lágrimas. Eu rezo por vocês.

Rute é modelo para todos nós. Ao cuidar de Noemi e não abandona-la ela nos ensina que o bem que fazemos ao próximo a nós é devolvido cem vezes mais. Que no exemplo de Rute acolhamos as Noemis de nosso tempo.

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://www.padreflaviosobreiro.com

26 de janeiro de 2014

Comunicar: apaixonante desafio

Comunicar: apaixonante desafio
No próximo dia 1º de junho celebraremos o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano tem como tema “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro”. A comemoração desse Dia foi instituída pelo Concílio Vaticano II, com o Decreto Inter Mirifica, de 1963. E como ocorre todos os anos, por ocasião da memória litúrgica de São Francisco de Sales, patrono dos comunicadores, o Santo Padre divulgou uma mensagem ao mundo da comunicação social, aos profissionais e usuários.

Nos últimos tempos o tema recorrente das mensagens foi o da Internet e as novas formas de relacionamento nas redes sociais. Na sua primeira mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Francisco dá continuidade à temática que vem abordando quase cotidianamente, ou seja, a da cultura do encontro. E o verdadeiro poder da comunicação – sublinha Francisco – é a “proximidade”.

Os novos espaços onde evangelizar, onde estar presente nos devem como comunicadores e usuários, levar a uma reflexão sobre o serviço que a comunicação presta para aproximar as pessoas, para criar relações interpessoais. Estamos vivendo um período, diria, histórico e muito particular: evidentemente notamos um progresso técnico extraordinário, que cria novas oportunidades, inéditas de interação entre os homens e entre os povos; em certo sentido estamos vivendo realmente uma globalização das relações. Mas essa globalização dever ajudar as pessoas, o indivíduo a crescer em humanidade, excluindo o egoísmo, o isolamento, o indiferentismo, concentrando energias e aspirações nos encontros que cancelam desconfianças, preconceitos, barreiras.

O Papa Francisco constata na sua mensagem que hoje nós vivemos em um mundo cada vez menor, mas onde ainda permanecem divisões e exclusões. E os meios de comunicação podem ajudar a nos sentirmos mais próximos uns dos outros. O Santo Padre parte dessas considerações para desenvolver a sua reflexão aos comunicadores. A tecla que Francisco toca é mais uma vez a da “cultura do encontro” pois podemos notar que apesar dos avanços da humanidade, em nível global vemos a distância escandalosa que

existe entre o “luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres”. E uma dura constatação: “estamos já tão habituados a tudo isso que nem nos impressiona mais”.

E a cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber dos outros. Os meios de comunicação podem ajudar nisso. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos. E Francisco chama a atenção para os problemas que se apresentam neste mundo virtual: antes de tudo a “velocidade da informação” que “supera a nossa capacidade de reflexão e julgamento”. O desejo da tão fala conexão digital – e isso já é linguagem cotidiana, estou conectado – pode, é a advertência, nos levar ao isolamento, distanciar-se do nosso próximo. Temos ainda o paradoxo, quem não tem internet, não está na rede, corre o “perigo de ficar excluído”.

Neste universo da tecnologia e da velocidade, o Santo Padre recorda que não devemos rejeitar a mídia social e que a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica: daí brota o convite contracorrente, de “recuperar o sentido de lentidão e de calma”. Temos necessidade de ser pacientes. Um convite distinto, vamos diminuir a velocidade para que possamos conhecer o outro, aquele que é diferente de nós, aquele que encontramos no nosso caminho. Não só encontrar, mas também ajudar.

Então a pergunta de Francisco, como a comunicação pode estar ao serviço da cultura do encontro? Recordando a parábola do Bom Samaritano vem fora a dimensão da “proximidade”. De fato, quem comunica se faz próximo. E citando ainda a Parábola o Papa adverte que quando a comunicação tem como finalidade principal levar ao consumo ou à manipulação das pessoas, estamos diante de uma agressão violenta como aquela sofrida pelo homem que foi surrado pelos bandidos e deixado ao longo da estrada. E aí vem a chamada de atenção, porque alguns meios de comunicação levam as pessoas a ignorar o próximo. As redes sociais devem ser um lugar rico de humanidade, não uma rede de fios, mas sim de pessoas humanas. Essas estradas digitais estão cheias de humanidade e muitas vezes humanidade ferida.

O Convite, então à Igreja para que abra a portas também no ambiente digital para que o Evangelho possa atravessar os umbrais do tempo e sair ao encontro de todos. O convite do Papa é para não termos medo de sermos cidadãos do ambiente digital, para dialogarmos com o homem de hoje e levá-lo ao encontro com Cristo. A revolução nos meios de comunicação e de informação - a ultima constatação de Francisco – “é um grande e apaixonante desafio que requer energias frescas e uma imaginação nova para transmitir aos outros a beleza de Deus”.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

23 de janeiro de 2014

Ex-campeão do aborto se converte após sonho com Santo Tomás.

Ex-campeão do aborto se converte após sonho com Santo Tomás.
Madrid, Espanha, (CNA) -. O jornal espanhol “La Razón” publicou um artigo sobre a conversão ao movimento pró-vida de um ex-”campeão do aborto.” Stojan Adasevic, que realizou 48,000 abortos, às vezes chegando ao número de até 35 abortos por dia, é agora o mais importante líder pró-vida na Sérvia, após 26 anos como o médico mais renomado do aborto no país.

Segundo Adasevic “Os manuais de medicina do regime Comunista diziam que o aborto era apenas a remoção de uma mancha de tecido”, e “a chegada dos aparelhos de ultra-som que permitiam a visão da vida fetal chegaram apenas depois dos anos 80, mas mesmo depois eles se recusaram a mudar aquela opinião histórica. Contudo, eu comecei a ter pesadelos”.

Ao descrever sua conversão histórica,o artigo relata o sonho de Adasevic:

“Sonhei com um belo campo cheio de crianças e jovens que estavam brincando e rindo, de 4 a 24 anos de idade, mas que fugiam de mim com medo. Foi então quando um homem vestido com um hábito preto e branco começou a olhar pra mim, em silêncio. Este sonho foi se repetindo a cada noite, ao que eu acordava suando frio. Uma noite, eu perguntei ao homem de preto e branco quem ele era. “Meu nome é Tomás de Aquino”.

Adasevic, educado em escolas comunistas, nunca tinha ouvido falar do santo e gênio Dominicano. “Eu não reconheci o nome”.

“Por que você não me pergunta quem são essas crianças?”, questionou o santo a Adasevic em seu sonho.

“Eles são aqueles que você matou com seus abortamentos”, São Tomás afirmou a ele.

“Então Adasevic acordou impressionado e decidiu não realizar abortos nunca mais”.

“Naquele mesmo dia um primo veio até o hospital com sua namorada, grávida de 4 meses, que gostaria de realizar nela o seu nono aborto – um hábito bem frequente nos países do bloco soviético. O médico concordou. Ao invés de remover o feto pedaço por pedaço, ele decidiu desmontá-lo e removê-lo como uma massa única. Contudo, no momento em que o feto foi totalmente destruído e retirado, seu coração pequeno ainda batia. Adasevic percebeu isso, e se deu conta de que tinha acabado de matar um ser humano”.

Após essa experiência, Adasevic “disse ao hospital que ele deixaria de fazer abortos. Nunca antes um médico na Iugoslávia comunista havia se recusado a fazer abortos. Então eles cortaram seu salário pela metade, demitiram sua filha de seu emprego, e impediram seu filho de ingressar na universidade”.

Depois de anos de pressão e sofrimento, e quase a ponto de voltar ao antigo hábito de fazer abortos, ele teve um outro sonho com Santo Tomás.

“Você é um bom amigo, não desista”, lhe disse o homem de preto e branco. Adasevic buscou se envolver com o movimento pró-vida e por fim acabou conseguindo o feito de exibir na TV da Iugoslávia o filme “O Grito Silencioso” do Dr. Bernard Nathanson, duas vezes.

Adasevic já contou a sua história em diversos jornais e revistas do leste europeu. Ele voltou a fé ortodoxa, que viveu durante sua infância, voltou sua atenção aos escritos de São Tomás de Aquino.

“Influenciado por Aristóteles,e devido o pouco conhecimento científico da época, Tomás chegou a acreditar que a vida humana começava quarenta dias após a fertilização”, escreveu Adasevic em um artigo. O jornal La Razon comentou que Adasevic “sugere que talvez o santo lhe apareceu em sonho porque queria fazer as pazes para esse equívoco.” Hoje o médico sérvio continua a lutar pela vida dos nascituros.

Fonte: ocampones.com

18 de janeiro de 2014

REDESENHAR O MUNDO

REDESENHAR O MUNDO
Mais uma semana com o Papa Francisco, cheia de novidades, reflexões e convites. A novidade já no último domingo, 12, durante o Angelus quando tocou o coração da Igreja de 12 países com a criação de 16 novos cardeais eleitores – entre os quais o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta – dando cada vez mais, uma nova face à Igreja de Pedro presente em todo o mundo. Sim, porque entre os novos cardeais temos arcebispos que não eram das chamadas “cidades cardinalícias”, ou seja, tradicionalmente com a presença de um cardeal, como de Cotabato nas Filipinas, e Les Cayes, no Haiti. O Papa nas suas escolhas – e a imprensa internacional salientou muito isso -, confirmou o seu desejo de uma Igreja simples, humilde, pobre, pois foi buscar também em realidades pequenas e inexistentes no cenário mundial – parece recordar Nazaré e Belém no tempo de Jesus – colaboradores mais estreitos para fazer parte do seleto grupo de cardeais, outrora chamados de “príncipes da Igreja”, hoje mais insistentemente “servidores da Igreja”. Foi uma escolha pessoal de Francisco que nem mesmo os cardeais nomeados sabiam, pois ficaram sabendo junto com os fiéis de todo o mundo. E para não distorcer o papel e a missão dos cardeais, nesta semana o Papa Francisco escreveu aos neo-cardeais recordando que o “cardinalato não significa uma promoção, nem uma honra e nem uma condecoração. É simplesmente um serviço que exige ampliar o olhar e dilatar o coração". O Papa Francisco pediu aos futuros cardeais para "receberem esta designação com um coração simples e humilde".

Com a criação dos novos cardeais, o Papa Francisco dá um sinal importante e concreto da visão que ele tem para a Igreja, pois foi buscar colaboradores na grande periferia do mundo, aquela periferia que tanto ele ama e que não cansa de citar. Alguns meios de comunicação internacional sentenciaram em títulos garrafais, “começou a revolução de Francisco”, uma revolução patente quer nas escolhas relativas ao Colégio Cardinalício, quer nas situações evidenciadas diante dos embaixadores de todo o mundo acreditados junto à Santa Sé no seu discurso da última segunda-feira, na Sala Régia, no Vaticano.

A primeira comunicação, aos novos cardeais, o Papa Francisco fez da janela do Palácio Apostólico, durante o Angelus, diante de

milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro e dos fiéis coligados com o Vaticano através do rádio, da televisão e internet. Uma comunicação para a grande massa de fiéis, dispersa em todos os ângulos do planeta.

A segunda comunicação, e também os convites ao mundo inteiro, foram feitas dentro de uma sala, a Sala Régia, aos representantes das cerca de 180 nações que mantém relações diplomáticas com a Santa Sé, diante dos embaixadores que representam seus países e governos. Sim, de dentro de uma sala fechada o Papa também falou ao mundo através desses representantes diplomáticos para fazer chegar a sua voz aos potentes do mundo, àqueles que tem poder de decisão sobre a vida de milhões de pessoas. Assim Francisco, no seu discurso à diplomacia abriu o seu coração, olhar e pensamento para o mundo, para as situações mais difíceis e frágeis, dolorosas. Mas também falou de esperança, pedindo aos que podem ajudar a encontrar soluções, que o façam.

O homem que “veio do fim do mundo” e que ganhou o mundo com a sua simplicidade e gestualidade, não perdeu a oportunidade de enfatizar mais uma vez, a sua rejeição à cultura do descartável, não só dos alimentos ou bens, mas também de seres humanos. Levantou a voz em defesa das crianças e do horror ao aborto, ao tráfico de pessoas, que são objeto de mercado numa nova forma de escravidão moderna, um verdadeiro “crime contra a humanidade”; falou da valorização dos jovens e dos idosos.

Os temas tocados no discurso aos embaixadores denotam mais uma vez, a importância que o Papa dá à pessoa, individualmente, onde quer que ela esteja, mas com um acento agudo àqueles que vivem na periferia, seja da Igreja, seja da cidade, seja do mundo, os últimos, para Francisco não faz diferença.

O Santo Padre demonstrou mais uma vez nesta semana, primeiramente com o chamado dos 16 novos cardeais ao Colégio Cardinalício, e depois com suas palavras aos representantes diplomáticos, que no seu coração está a família humana à qual todos nós pertencemos. Está o desejo da cultura do encontro, da paz, da partilha, da fraternidade. Assim, Francisco continua a nos indicar o caminho para redesenhar um novo cenário do mundo.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

15 de janeiro de 2014

A IGREJA CATÓLICA E O MARXISMO

A IGREJA CATÓLICA E O MARXISMO

Em síntese: Desde 1846 a Igreja vem condenando o marxismo ateu em sua evolução; embora pareça abrandar ultimamente sua sanha anti-religiosa, é sempre ateu e materialista. Semelhante evolução se dá com o socialismo.

* * *

Houve - e ainda há - católicos que pretendem conciliar entre si marxismo e Cristianismo. Na verdade, a conciliação é impossível, como tem proclamado a Igreja desde 1846. Quanto à palavra “socialismo”, ela encobre um leque de concepções, das quais algumas pretendem compatibilizar-se com a fé. Percorreremos, a seguir, o histórico da conde­nação do marxismo e das ideologias derivadas.

1. Não ao marxismo

Já em 1846, antes que se publicassem o Manifesto do Partido Co­munista de Marx a Engels (1848), o Papa Pio IX falava da ”execrável doutrina dita do comunismo”. Referia-se assim Pio IX à doutrina que sur­gia no seio do socialismo nascente e que proclamava a revolução do pro­letariado. Em 1849 o mesmo Papa chamava a atenção dos fiéis para o perigo de “conspirar com os sistemas perversos do socialismo e do comunismo”.

Em 1891 o Papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum Novarum, em que mencionava o socialismo como sendo “um corpo de doutrinas amplamente inspiradas pelo pensamento marxista”.

Quarenta anos mais tarde, Pio XI, na Encíclica Quadragésimo Anno, distinguia nitidamente socialismo e marxismo - distinção esta que Leão XII não observara. A razão da diferenciação está no fato de que entre 1891 e 1931 haviam ocorrido duas revoluções: a russa e a mexica­na. A primeira havia revolvido o mapa da política de modo notável: Lenine ocasionou a transferência do centro marxista de Berlim para Moscou; em lugar do Partido Social-Democrata alemão proclamou o comunismo mar­xista; ergueu assim a internacional III em lugar da Internacional II, que ficaria com os Partidos Socialistas e se comprometera com o nacionalis­mo guerreiro de 1914.

Todavia Pio XI observava que marxismo e socialismo partem de uma fonte comum, embora o comunismo reivindicasse para si a ortodo­xia do marxismo. O Papa falava da “índole ímpia e injusta do comunismo” e ao mesmo templo declarava que “socialismo religioso, socialismo cris­tão são expressões contraditórias; ninguém pode ser simultaneamente católico e autêntico socialista”.

Em 1937 a guerra civil na Espanha levou Pio XI a escrever a encíclica “Divini Redemptoris” (19/03/37), na qual se lê:

“A doutrina que o comunismo esconde sob aparências perfeitas e sedutoras, tem por fundamento os princípios do materialismo histórico e dialético já propostos por Marx e pelos mestres do bolchevismo, que pre­tendem possuir a única interpretação do marxismo autêntica. Eis o novo Evangelho que o comunismo bolchevista e ateu quer anunciar ao mundo como mensagem de salvação e de redenção. Sistema cheio de erros e de sofismas, oposto tanto à razão quanto à revelação divina; doutrina subver­siva da ordem social porque destrói os fundamentos mesmos dessa or­dem… Pela primeira vez na história assistimos a uma luta friamente dese­jada e sabiamente preparada do homem contra tudo o que é divino. Vigiai, veneráveis irmãos, para que os fiéis não se deixem iludir. O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir de maneira alguma a co­laboração com ele da parte de quem queira salvar a civilização cristã”.

Como se vê, a denúncia é mais explícita e enfática.

Por ocasião do Natal de 1942 Pio XII reiterou a condenação de todo socialismo - comunista ou não - visto que se inspira no marxismo.

Anos depois, o Papa verificou que o marxismo fora implantado em vários países, inclusive em alguns de venerável tradição cristã, atraindo muitos intelectuais. No Natal de 1955 removeu mais uma vez toda possi­bilidade de compromisso com o marxismo:

“Rejeitamos o comunismo como sistema social inspirado pela fé cristã, devemos afirmar os fundamentos do direito natural. Pelas mes­mas razões rejeitamos a opinião segundo a qual o cristão deveria consi­derar atualmente o comunismo como um fenômeno ou uma etapa no cur­so de história, como um momento necessário da evolução da história e, por conseguinte, devemos aceitá-lo como algo decretado pela Divina Pro­vidência”.

Paulo VI reforçou esses dizeres apontando a “Igreja do Silêncio”:

“Em certo sentido, não somos nós apenas que condenamos os sis­temas marxistas, mas são, antes do mais, eles mesmos que se conde­nam, apresentando regimes que se opõem a nós por suas idéiase nos oprimem por seus atos. Nossa queixa é, antes, um gemido mais do que uma sentença de juízes” (Ene. “Ecclesiam Suam” 105).

João XXIII levantou a hipótese de se efetuarem encontros no plano das realizações práticas, encontros que até 1963 foram tidos como ino­portunos, tendo por interlocutores a Igreja e certos movimentos de ordem econômica, social, cultural ou política, mesmo que tais movimentos te­nham em suas origens a inspiração de falsos sistemas filosóficos (ver encíclica “Pacem in Terris” 159-160). Para que o diálogo assim proposto pudesse tornar-se realidade, os mencionados movimentos deveriam ter passado por uma evolução que os afastasse das suas origens e os pu­sesse de acordo com as justas operações da pessoa humana. Por sua parte, os católicos deveriam permanecer fiéis aos princípios do direito natural e às diretrizes das autoridades eclesiásticas. Tais considerações não podiam ter em vista o marxismo como tal, mas um socialismo distan­ciado das suas origens ateias militantes. Com efeito, no ano de 1959 por ocasião do seu Congresso em Bad-Godesberg o Partido Social Democrá­tico alemão renegou formalmente qualquer referência a Karl Marx. É pro­vavelmente a tal movimento que se referia João XXIII em “Pacem in Terris” 159.

Paulo VI contribuiu para o reto entendimento das palavras de João XXIII ao escrever:

“Segundo os continentes e as culturas, o socialismo toma formas diferentes, dando significados diversos ao mesmo vocábulo… Impõe-se atento discernimento. Muitas vezes os cristãos, atraídos pelo socialismo, tendem a idealizá-lo em termos muito generosos como arauto de justiça, solidariedade e igualdade. Não querem reconhecer as marcas dos movi­mentos históricos socialistas que permanecem condicionados pela ideolo­gia de suas origens. Entre os diversos níveis de expressão do socialismo, será preciso fazer distinções que orientarão as opções concretas. Mesmo feitas essas distinções, é necessário não julgar que os diversos níveis do socialismo são completamente separados e independentes uns dos ou­tros… Essa perspicácia permitirá aos cristãos avaliar até que ponto lhes é lícitocomprometer-se com tais movimentos, salvaguardados os valores da liberdade, da responsabilidade e da abertura para o plano espiritual, valores que garantem o desabrochamento integral da pessoa humana” (ene. “Octogésima Adveniens” 31).

João Paulo II opôs-se ao uso do marxismo na construção da Teolo­gia da Libertação, muito em voga na América Latina. Em 1991, após a queda do comunismo na Europa, escrevia esse Papa:

“Num passado recente o sincero desejo de estar do lado dos oprimi­dos e de não ficarem alheios ao curso da história levou muitos fiéis a procurarem diversas maneiras de encontrar a possibilidade de um compromisso entre o marxismo e o Cristianismo. O momento presente põe em evidência o que havia de caduco nessas tentativas e incita a reafirmar o caráter posi­tivo de uma autêntica Teologia da Libertação integral do homem. Conside­rados nesta perspectiva, os acontecimentos de 1989 se mostram impor­tantes para os países do Terceiro Mundo, que trilham os caminhos do seu desenvolvimento (ene. “Centesimus Annus” 26).

A rejeição do marxismo por parte dos Papas não procede de um espírito sectário, nem sobre uma visão unilateral do mundo, pois os Pa­pas condenaram também o liberalismo, que, conforme Paulo VI, “é uma afirmação errônea da autonomia do homem” (ene. “Octogésima Adve-niens”35)..

João Paulo II observa que o marxismo e sua expansão foram de certo modo, preparados pelas correntes filosóficas racionalistas e ateias dos séculos XVIII e XIX.

“O ateísmo de que falamos está estritamente ligado ao racionalismo da Filosofia das Luzes (racionalismo do século XVIII), que concebe a rea­lidade humana e social de maneira mecanicista: negam assim a intuição última da verdadeira grandeza do homem e sua transcendência frente ao mundo material; negam a contradição que ele experimenta em seu cora­ção entre o desejo da plenitude de bem e sua incapacidade de obtê-la e, principalmente, a necessidade de salvação que decorre dessa experiên­cia” (ene. “Centesimus Annus” 13).

O conceito de ser humano proclamado pelo racionalismo liberal é descrito por Pio XI em sua Mensagem de Natal (1949) nos seguintes ter­mos:

“A noção de criatura que tem origem e destino em Deus foi substitu­ída pelo falso retrato do homem autônomo em sua consciência, incontrolável legislador dessa consciência, irresponsável frente aos seus semelhantes e a sociedade, sem outro destino fora dos valores deste mun­do, sem outra finalidade senão a de gozar dos bens finitos, sem outra lei que não a dos fatos consumados e a satisfação indisciplinada dos própri­os desejos”

Infeliz caricatura do ser humano, que Deus fez para o Bem Infinito e que só repousa quando se volta para Ele!

Por D. ESTÊVÃO BETTENCOURT

Fonte: Grupo - Facebook: familiaevida.org


O BBB nosso de cada dia

O BBB nosso de cada
Mais um ano começa e com ele a 14ª edição do Big Brother Brasil. Este programa televisivo é amado por uns e amaldiçoado por outros. Ao que parece outras edições virão. Parece haver público disponível para acompanhar todas as noites o que acontece na casa mais “vigiada do Brasil”.

Longe das telas, mas inserido na vida cotidiana, nossas redes sociais não deixam de ser um BBB. Partilhamos as fotografias do “churrascão” no final de semana. Postamos as fotos da última viagem. Dividimos com um grande público o nosso passeio pelo shopping. Não gostamos do Big Brother Brasil, mas por vezes estamos vivendo em uma casa onde todos tem acesso a nossa intimidade.

Repelimos a exposição midiática de quem entra em uma casa sendo monitorada por câmeras 24h por dia. No entanto nossas redes sociais também estão a disposição daqueles que dela tem acesso 24h por dia.
Este artigo não é uma defesa ao BBB, mesmo porque não assisto. É apenas uma tentativa de refletirmos sobre o nosso telhado de vidro, ou ainda sobre como estamos sendo acompanhados 24h por dia por muita gente.

Fato é que não ganharemos um milhão de reais, mas uma “curtidinha” em nossas fotos nos deixa por vezes mais felizes do que o vencedor do BBB.

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://www.padreflaviosobreiro.com



14 de janeiro de 2014

Porta dos Fundos: quando o humor se torna ofensivo

Porta dos Fundos: quando o humor se torna ofensivo
O vídeo produzido pelo grupo Porta dos Fundos, intitulado Especial de Natal, possui mais de 4 milhões de visualizações no youtube. O vídeo em questão tem gerado inúmeras polêmicas no meio cristão. O Cardeal Dom Odilo Scherer fez um pronunciamento na rede social Twitter dirigindo-se aos integrantes do grupo Porta dos Fundos: “@vanderluciosz @portadosfundos @FabioPorchat - será que isso é humor? Ou é intolerância religiosa travestida de humor? Péssimo mau gosto!” (@DomOdiloScherer. 5 de janeiro de 2013). A cervejaria que patrocina as produções do programa também se manifestou: ““Nossa Constituição Federal fixa a liberdade de expressão, impondo limites ao se atingir liberdades e direitos alheios, respondendo cada um por seus atos. O Grupo Petrópolis respeita esses direitos, assim como respeita os princípios de fé de manifestação religiosa de todos. Dessa forma, o Grupo Petrópolis não endossa e não apoia qualquer manifestação que venha a atingir esses valores religiosos que se tem como sagrados. Portanto, na recente veiculação do programa “Especial de Natal”, do humorístico “Porta dos Fundos”, o Grupo Petrópolis, além de não ter previamente mantido qualquer tipo de contato com seu conteúdo, ainda, não admite que suas marcas sejam relacionadas com tais manifestações, pois não representa o pensamento de seus Diretores. O Grupo Petrópolis aproveita a oportunidade para manifestar o seu mais profundo respeito por todas as manifestações religiosas”.

Há dois tipos de humor: o saudável e o ofensivo. O saudável nos faz rir sem agredir as convicções que temos e respeita o ser humano e suas crenças. O ofensivo gera mal estar, agride o ser humano e suas crenças. Na vida há limites que devem ser respeitados. Quando ultrapassa-se o limite do respeito ao ser humano ou as suas convicções religiosas, entramos no campo da agressão seja ela moral ou religiosa.

Ninguém é obrigado a crer em Jesus ou nos ensinamentos bíblicos. No entanto, faz-se necessário respeitar aqueles que acreditam. Crer é uma questão de fé. Em participação no programa Na Moral, na rede Globo de televisão, um dos membros do Porta dos Fundos afirma não ter religião. Ninguém é obrigado a ter religião, mas é sim obrigado a respeitar quem tem e acredita em Deus.

O Porta dos Fundos demonstra claramente o desrespeito e intolerância por quem acredita em Jesus Cristo e nos princípios bíblicos. Em vídeos publicados integrantes do grupo falam abertamente sobre tal assunto. Uma liberdade sem limites é prejudicial, pois agride o outro, no caso do Porta dos Fundos agride a crença religiosa dos cristãos.

É preciso discutirmos de modo adulto e coerente os limites da liberdade dentro do meio humorístico. Não será promovendo cruzadas santas e troca de elogios grosseiros que chegaremos a uma reflexão séria sobre o assunto em questão. Se nos igualarmos ao nível daqueles que não nos respeitam nos tornamos iguais ou piores que eles.

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do blog Evangelizando.(+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://www.padreflaviosobreiro.com



11 de janeiro de 2014

Abrir novos caminhos

Abrir novos caminhos
Cerca de 50 anos atrás, exatamente no dia 4 de janeiro de 1964, Paulo VI realizava sua peregrinação à Terra Santa. Era um evento histórico, pois pela primeira vez “Pedro” voltava à Terra de Jesus depois de 2 mil anos. Uma peregrinação de três dias que também representou a primeira Viagem Apostólica internacional de um Pontífice na era contemporânea.

Agora será o Papa Francisco a seguir as pegadas de Cristo e de seus predecessores. De fato, no Angelus do último domingo, o próprio Santo Padre, em meio a um “clima de alegria” do período natalício, comunicou ao mundo a sua decisão de realizar a sua segunda viagem internacional – a primeira foi ao Brasil -, com o objetivo, antes de tudo, de comemorar o histórico encontro entre Paulo VI e o Patriarca de Constantinopla, Atenágoras I.

O encontro entre os dois líderes religiosos na cidade de Jerusalém foi histórico e importante no sentido de anular as excomunhões do Grande Cisma do Oriente de 1054. Foi um passo significativo na restauração da comunhão entre a igreja de Roma e a de Constantinopla. De fato, esse encontro produziu a declaração de União Católico-Ortodoxa em 1965, simultaneamente ao Concílio Vaticano II. A declaração não acabou com o cisma, mas mostrou um grande desejo de reconciliação entre ambas as igrejas, representadas por Paulo VI e Atenágoras I.

A visita de Paulo VI à Terra Santa, criou naquele tempo uma grande expectativa, - a mesma que se verificou com João Paulo II, Bento XVI e agora com Francisco -, pois abriu os horizontes de uma nova era na Igreja.

Agora a visita do Papa Francisco no próximo mês de maio desperta nos habitantes da Terra Santa grande esperança com novas oportunidades, novos momentos de diálogo para se alcançar a tão desejada paz neste pedaço de terra que viu nascer o “Príncipe da Paz”. Desperta grande esperança na comunidade cristã, uma minoria, que se encontra no meio do conflito entre israelenses e palestinos, entre judeus e muçulmanos.

Por isso, a peregrinação de Francisco certamente será uma visita de oração, mas terá também uma dimensão social e política, sobretudo no que diz respeito à reflexão sobre o Oriente Médio e sobre a vida das comunidades eclesiais locais. Basta notar os esforços contínuos do Santo Padre para que a paz seja uma realidade nesta região, na Terra Santa. E seu olhar vai para além de Israel e Palestina, vai à Jordânia, à Síria, onde vidas inocentes são ceifas em uma guerra fratricida, que produz também deslocados e refugiados. Já está programado um encontro do Papa às margens do Rio Jordão, no dia 24 de maio, na Jordânia, no lugar do Batismo de Jesus; ali Francisco jantará com um grupo de refugiados sírios e pobres da comunidade local.

Como se pode notar será uma viagem a 360 graus, marcada pela simplicidade e humildade durante a qual o Sucessor de Pedro tocará as consciências e corações de fiéis das três religiões monoteístas. Segundo o Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Twal, se espera que com o seu apelo à paz a visita anime a Jordânia em seu esforço pela paz e a justiça, particularmente na Palestina, na atenção aos refugiados sírios, e nas iniciativas para preservar a identidade árabe do cristianismo e afirmar a rejeição de toda violência e ataque aos lugares santos e à dignidade humana.

As etapas da viagem serão três: Amã, Belém e Jerusalém, e no Santo Sepulcro será realizado um encontro ecumênico com todos os representantes das Igrejas cristãs de Jerusalém e com o Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla. O Santo Padre neste terreno arado e aberto pelos seus predecessores deseja abrir novos sulcos, para responder de uma maneira nova e atual às novas necessidades que surgiram. Mas a sua viagem, sua visita, é também uma visita de busca e de esperança.

Aqueles que vivem na Terra Santa e que por muitos motivos vivem uma situação difícil, precisam de esperança; muitos cristãos deixaram a região por falta de futuro. É por esta razão que o Papa Francisco vai ao encontro deles, para mostrar o caminho que ele mesmo irá abrir com seus gestos, suas palavras, seu estilo, sua simplicidade.

Serão três dias em que ressoará forte o apelo à “paz e ao diálogo”, três dias de Boa Nova.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

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