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15 de janeiro de 2014

O BBB nosso de cada dia

O BBB nosso de cada
Mais um ano começa e com ele a 14ª edição do Big Brother Brasil. Este programa televisivo é amado por uns e amaldiçoado por outros. Ao que parece outras edições virão. Parece haver público disponível para acompanhar todas as noites o que acontece na casa mais “vigiada do Brasil”.

Longe das telas, mas inserido na vida cotidiana, nossas redes sociais não deixam de ser um BBB. Partilhamos as fotografias do “churrascão” no final de semana. Postamos as fotos da última viagem. Dividimos com um grande público o nosso passeio pelo shopping. Não gostamos do Big Brother Brasil, mas por vezes estamos vivendo em uma casa onde todos tem acesso a nossa intimidade.

Repelimos a exposição midiática de quem entra em uma casa sendo monitorada por câmeras 24h por dia. No entanto nossas redes sociais também estão a disposição daqueles que dela tem acesso 24h por dia.
Este artigo não é uma defesa ao BBB, mesmo porque não assisto. É apenas uma tentativa de refletirmos sobre o nosso telhado de vidro, ou ainda sobre como estamos sendo acompanhados 24h por dia por muita gente.

Fato é que não ganharemos um milhão de reais, mas uma “curtidinha” em nossas fotos nos deixa por vezes mais felizes do que o vencedor do BBB.

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://www.padreflaviosobreiro.com



14 de janeiro de 2014

Porta dos Fundos: quando o humor se torna ofensivo

Porta dos Fundos: quando o humor se torna ofensivo
O vídeo produzido pelo grupo Porta dos Fundos, intitulado Especial de Natal, possui mais de 4 milhões de visualizações no youtube. O vídeo em questão tem gerado inúmeras polêmicas no meio cristão. O Cardeal Dom Odilo Scherer fez um pronunciamento na rede social Twitter dirigindo-se aos integrantes do grupo Porta dos Fundos: “@vanderluciosz @portadosfundos @FabioPorchat - será que isso é humor? Ou é intolerância religiosa travestida de humor? Péssimo mau gosto!” (@DomOdiloScherer. 5 de janeiro de 2013). A cervejaria que patrocina as produções do programa também se manifestou: ““Nossa Constituição Federal fixa a liberdade de expressão, impondo limites ao se atingir liberdades e direitos alheios, respondendo cada um por seus atos. O Grupo Petrópolis respeita esses direitos, assim como respeita os princípios de fé de manifestação religiosa de todos. Dessa forma, o Grupo Petrópolis não endossa e não apoia qualquer manifestação que venha a atingir esses valores religiosos que se tem como sagrados. Portanto, na recente veiculação do programa “Especial de Natal”, do humorístico “Porta dos Fundos”, o Grupo Petrópolis, além de não ter previamente mantido qualquer tipo de contato com seu conteúdo, ainda, não admite que suas marcas sejam relacionadas com tais manifestações, pois não representa o pensamento de seus Diretores. O Grupo Petrópolis aproveita a oportunidade para manifestar o seu mais profundo respeito por todas as manifestações religiosas”.

Há dois tipos de humor: o saudável e o ofensivo. O saudável nos faz rir sem agredir as convicções que temos e respeita o ser humano e suas crenças. O ofensivo gera mal estar, agride o ser humano e suas crenças. Na vida há limites que devem ser respeitados. Quando ultrapassa-se o limite do respeito ao ser humano ou as suas convicções religiosas, entramos no campo da agressão seja ela moral ou religiosa.

Ninguém é obrigado a crer em Jesus ou nos ensinamentos bíblicos. No entanto, faz-se necessário respeitar aqueles que acreditam. Crer é uma questão de fé. Em participação no programa Na Moral, na rede Globo de televisão, um dos membros do Porta dos Fundos afirma não ter religião. Ninguém é obrigado a ter religião, mas é sim obrigado a respeitar quem tem e acredita em Deus.

O Porta dos Fundos demonstra claramente o desrespeito e intolerância por quem acredita em Jesus Cristo e nos princípios bíblicos. Em vídeos publicados integrantes do grupo falam abertamente sobre tal assunto. Uma liberdade sem limites é prejudicial, pois agride o outro, no caso do Porta dos Fundos agride a crença religiosa dos cristãos.

É preciso discutirmos de modo adulto e coerente os limites da liberdade dentro do meio humorístico. Não será promovendo cruzadas santas e troca de elogios grosseiros que chegaremos a uma reflexão séria sobre o assunto em questão. Se nos igualarmos ao nível daqueles que não nos respeitam nos tornamos iguais ou piores que eles.

Padre Flávio Sobreiro
Colunista do blog Evangelizando.(+ artigos)
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Estudou filosofia na PUC Campinas e teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Site: http://www.padreflaviosobreiro.com



11 de janeiro de 2014

Abrir novos caminhos

Abrir novos caminhos
Cerca de 50 anos atrás, exatamente no dia 4 de janeiro de 1964, Paulo VI realizava sua peregrinação à Terra Santa. Era um evento histórico, pois pela primeira vez “Pedro” voltava à Terra de Jesus depois de 2 mil anos. Uma peregrinação de três dias que também representou a primeira Viagem Apostólica internacional de um Pontífice na era contemporânea.

Agora será o Papa Francisco a seguir as pegadas de Cristo e de seus predecessores. De fato, no Angelus do último domingo, o próprio Santo Padre, em meio a um “clima de alegria” do período natalício, comunicou ao mundo a sua decisão de realizar a sua segunda viagem internacional – a primeira foi ao Brasil -, com o objetivo, antes de tudo, de comemorar o histórico encontro entre Paulo VI e o Patriarca de Constantinopla, Atenágoras I.

O encontro entre os dois líderes religiosos na cidade de Jerusalém foi histórico e importante no sentido de anular as excomunhões do Grande Cisma do Oriente de 1054. Foi um passo significativo na restauração da comunhão entre a igreja de Roma e a de Constantinopla. De fato, esse encontro produziu a declaração de União Católico-Ortodoxa em 1965, simultaneamente ao Concílio Vaticano II. A declaração não acabou com o cisma, mas mostrou um grande desejo de reconciliação entre ambas as igrejas, representadas por Paulo VI e Atenágoras I.

A visita de Paulo VI à Terra Santa, criou naquele tempo uma grande expectativa, - a mesma que se verificou com João Paulo II, Bento XVI e agora com Francisco -, pois abriu os horizontes de uma nova era na Igreja.

Agora a visita do Papa Francisco no próximo mês de maio desperta nos habitantes da Terra Santa grande esperança com novas oportunidades, novos momentos de diálogo para se alcançar a tão desejada paz neste pedaço de terra que viu nascer o “Príncipe da Paz”. Desperta grande esperança na comunidade cristã, uma minoria, que se encontra no meio do conflito entre israelenses e palestinos, entre judeus e muçulmanos.

Por isso, a peregrinação de Francisco certamente será uma visita de oração, mas terá também uma dimensão social e política, sobretudo no que diz respeito à reflexão sobre o Oriente Médio e sobre a vida das comunidades eclesiais locais. Basta notar os esforços contínuos do Santo Padre para que a paz seja uma realidade nesta região, na Terra Santa. E seu olhar vai para além de Israel e Palestina, vai à Jordânia, à Síria, onde vidas inocentes são ceifas em uma guerra fratricida, que produz também deslocados e refugiados. Já está programado um encontro do Papa às margens do Rio Jordão, no dia 24 de maio, na Jordânia, no lugar do Batismo de Jesus; ali Francisco jantará com um grupo de refugiados sírios e pobres da comunidade local.

Como se pode notar será uma viagem a 360 graus, marcada pela simplicidade e humildade durante a qual o Sucessor de Pedro tocará as consciências e corações de fiéis das três religiões monoteístas. Segundo o Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Twal, se espera que com o seu apelo à paz a visita anime a Jordânia em seu esforço pela paz e a justiça, particularmente na Palestina, na atenção aos refugiados sírios, e nas iniciativas para preservar a identidade árabe do cristianismo e afirmar a rejeição de toda violência e ataque aos lugares santos e à dignidade humana.

As etapas da viagem serão três: Amã, Belém e Jerusalém, e no Santo Sepulcro será realizado um encontro ecumênico com todos os representantes das Igrejas cristãs de Jerusalém e com o Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla. O Santo Padre neste terreno arado e aberto pelos seus predecessores deseja abrir novos sulcos, para responder de uma maneira nova e atual às novas necessidades que surgiram. Mas a sua viagem, sua visita, é também uma visita de busca e de esperança.

Aqueles que vivem na Terra Santa e que por muitos motivos vivem uma situação difícil, precisam de esperança; muitos cristãos deixaram a região por falta de futuro. É por esta razão que o Papa Francisco vai ao encontro deles, para mostrar o caminho que ele mesmo irá abrir com seus gestos, suas palavras, seu estilo, sua simplicidade.

Serão três dias em que ressoará forte o apelo à “paz e ao diálogo”, três dias de Boa Nova.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

4 de janeiro de 2014

Ano novo, nova oportunidade

Ano novo, nova oportunidade
Este é o nosso primeiro pensamento deste ano de 2014 a todos vocês. E o nosso primeiro pensamento vai a cada um de vocês que nos seguem através da Rádio Vaticano, dos sites, do blog evangelizando, do facebook etc. Nosso pensamento está repleto de gratidão, primeiramente a Deus pelos dons e pela oportunidade que todos os dias Ele nos dá de chegarmos a tantas pessoas em todas as partes do Brasil e do mundo; e depois a vocês nossos leitores e ouvintes que nos seguem todos os dias e nos deixam entrar em suas casas com a “Boa Nova”.

Creio que não seria justo iniciar o ano, sem olhar para o ano que terminou, não com a tristeza de algo que não se realizou ou que tentamos de todos os modos e ficou para trás; não somente olharmos para um período de nossa vida durante o qual tivemos a oportunidade de viver, crescer, chorar, rir, sonhar. Tudo isso faz parte da nossa vida e continuará a fazer também neste ano que está iniciando. E para nos ajudar nos dias que esperamos viver está Francisco, o Santo Padre, com suas indicações, reflexões, propostas, puxões de orelha, seu amor e sua oração.

As felicitações deste início de ano se misturam com os desejos de paz, de justiça, de fraternidade, de liberdade, de amor entre as pessoas e os povos. No 1º de janeiro, Dia Mundial da Paz e Solenidade de Maria Santíssima, o Pontífice recordou o tema para aquele dia “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”. Sim a palavra fraternidade nos dá a dimensão daquilo que realmente falta no nosso mundo, pois sem ela, cresce o egoísmo, o ódio, a violência, a falta de amor; desse emaranhado de tristeza vem o sofrimento que leva à destruição do individuo, da sociedade, das nações. Sim porque esquecemos que fazemos parte de uma única família, a humanidade, e todos temos o mesmo destino.

Às vezes vivemos pensando que passaremos a eternidade aqui, neste mesmo corpo, nesta mesma casa, nesta mesma terra; que doce ilusão. Com isso esquecemos, deixamos de lado a “responsabilidade de atuar, para que o mundo se torne uma verdadeira comunidade de irmãos que se respeitam e aceitam as diversidades e cuidam uns dos outros”.

Creio que grande parte dos cristãos fizeram no final do ano boas intenções para o ano que virá; rezaram pelo dom da paz, para que no mundo não haja mais injustiças, violências, fome, guerras. Mas não foram as mesmas intenções do ano passado?. Talvez o que mudou foi a sequência das prioridades.

Diante desse novo ano que se decortina temos mais uma vez a ocasião e a possibilidade para demonstrarmos o que realmente significa ser cristão, crer no Menino de Belém, no Verbo que mudou a humanidade. Mas tudo isso requer de nós perseverança, paciência, esperança e amor. Sim, porque qualquer transformação do mundo começa por nós mesmos, e como disse o Papa Francisco “a paz começa em nossas casas. A justiça e a paz começam entre nós, em nossas famílias, para depois chegar a toda a humanidade”.

O mundo não está em silêncio, ao contrário, grita, mas para muitos é um grito surdo. Atualmente, existem pelo menos 17 conflitos no mundo: basta pensar nos dramas vividos no continente africano, onde a fome ceifa vidas de inocentes inermes; na Síria onde uma guerra fratricida provocou a morte de mais de 130 mil pessoas em 3 anos; na nossa realidade brasileira onde apesar das conquistas sociais, temos um Everest dentro de casa que deve ser conquistado por milhões de brasileiros que ainda vivem à margem da sociedade.

Esse grito entalado na garganta deve sair neste ano de 2014, não pela partida de futebol da Copa do Mundo, ou pela conquista de um título, mas sim pelo simples fato que existimos, e que a nossa voz deve ser ouvida porque somos gente. Vamos começar o ano com a coragem de enfrentar as situações mais difíceis com o espírito do homem que vai à luta e que não fica sentado no meio fio esperando a “banda” passar. Esse é o tempo de ir à luta de contribuir para o bem de todos e olhar o futuro com confiança e esperança!

O que faremos? Como agiremos neste ano, para nos tornarmos melhores, depende só de nós. E o ano inteiro na nossa frente é a oportunidade que Deus nos dá. Somos convidados a ir contra a corrente e levantar a nossa voz, essa é a vocação do cristão.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

31 de dezembro de 2013

Mensagem de Final de Ano: A caminhada continua...

Mensagem de Final de Ano: A caminhada continua...
Neste ano que vai chegando ao fim, vai terminando, vai deixando saudades de alguns acontecimentos marcantes que vivenciamos, mas não para por ai ou por aqui, tivemos tristezas, decepções, tivemos também alegrias e felicidades, assim vamos vivendo. O mundo passa; como também o ano e nós passamos com ele. E ai valeu a pena tudo que eu vivi?

A caminhada continua...

Este ano quero paz
No meu coração
Quem quiser ter um amigo
Que me dê a mão

O tempo passa e com ele
Caminhamos todos juntos
Sem parar
Nossos passos pelo chão
Vão ficar

Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer

Irmãos e irmãs, vamos meditar um pouco com esta música que é muito verdade para nós. Neste novo que se iniciará após a meia noite, sempre a cada ano queremos e desejamos paz para nós, para os nossos irmãos e, sobretudo para o mundo inteiro. Nada conseguimos sozinhos, sempre temos um auxilio de alguém ou alguma coisa, para também termos paz, precisamos de pessoas que nos ajude a ter e busca a paz no mundo, esses são os amigos.

As verdadeiras amizades são essas que nos ajudam a busca a felicidade, o amor, a alegria, a paz. Quem quiser ter um amigo que me dê à mão! Amigo não é aquele que prometi tudo, mas faz tudo sem prometer! Tivemos muitas novas amizades, neste ano que esta passando, muitas outras virão, que elas sejam um auxilio para nós, nas nossas dificuldades.

O tempo passa e com ele caminhos todos juntos sem parar. Nossos passos pelo chão vão ficar. Alguns belos acontecimentos ficaram marcados em nosso coração, não é verdade? E tivemos muitos neste ano de 2013, muitos que será difícil de esquecer, alias nem queremos esquecer! Muitas experiências tivemos, graças a Deus, por que ele quis e as deixou acontecer, pois disto tiraria muitas coisas boas. Algumas coisas passam isso é fato e é real, tudo vai passar, mas a nossa felicidade permanecerá. Um ano novo cheio de alegrias virá.

O que pensar para 2014? São tantos novos sonhos, são tantos novos propósitos e tantas novas renúncias, final de ano também é tempo de pensar no futuro, mas sempre vivendo o presente. É como todo dia nasce novo em cada amanhecer. Assim também o ano que virá é um novo amanhecer de dias novos, buscas novas façamos um mundo melhor com a nossa vida, com as nossas decisões.

Amigos, sejamos mais felizes ainda neste ano de 2014, ano da esperança, pois caminhada continua e na estrada da vida juntos caminhos rumo a uma morada eterna, fazendo a nossa missão aqui nesta terra. Feliz Ano Novo, Deus vos abençoe e Maria vos guarde.

Francisco Iury Nascimento Lopes
Coordenador Geral do Blog Evangelizando

28 de dezembro de 2013

Deixemos que o nosso coração se comova

Deixemos que o nosso coração se comova
Nos últimos dias tivemos muitas propostas de reflexão sugeridas pelo Papa Francisco, e gostaria de sublinhar algumas delas, como pérolas para o nosso cotidiano, para o nosso Ano Novo que está chegando.

Já na sua última audiência geral na praça São Pedro no dia 18 de dezembro, Francisco, em meio a uma temperatura de 3 graus centígrados, aqueceu o coração dos fiéis, uma parte daquele 1 milhão e meio que participou das 30 audiências do Papa que "veio do fim do mundo" ao longo de 2013. Recordou que o "Natal de Jesus é a festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo", continuando com a afirmação de que a "razão da nossa esperança é Deus que está conosco e confia ainda em nós"; explicou que pelo fato de Deus estar junto ao homem "a terra não é mais somente um 'vale de lágrimas', mas é um local onde Deus mesmo fixou a sua tenda".

Já na noite de Natal, na missa do galo, a primeira de Francisco na cátedra de Pedro, o Papa latino-americano nos falou da alegria do Evangelho, do Deus que nos ama, e que nos ama tanto que nos deu o Seu Filho como nosso irmão, como luz nas nossas trevas. Disse ainda que Deus é o nosso Pai paciente, que nos deu Jesus para nos guiar no caminho para a terra prometida.

No dia de Natal, do balcão central da basílica vaticana, a tão esperada mensagem "Urbi et Orbi", à cidade e o mundo. Sem meias palavras Francisco tocou temas de grande atualidade que dizem respeito a todas as sociedades, ricas e pobres. Iniciou precisamente pelo dom da Paz, recordando mais uma vez que "a verdadeira paz não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela ‘fachada’, por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, que se realiza a partir do dom de Deus".

Neste olhar de presença ao lado dos que sofrem o Santo Padre citou os preferidos de Cristo, as crianças que "são as vítimas mais frágeis das guerras, mas também recordou os idosos, as mulheres que são maltratadas, os enfermos". E referindo-se à guerra que dilacera tantas vidas, o pensamento do Papa foi ao conflito na Síria, que fomenta ódio e vingança. Pediu mais uma vez que o Senhor poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e se disse contente em saber que pessoas de diversas confissões religiosas se unem à súplica pela paz na Síria.

Outro foco de tensão que o Papa recordou foi a república centro-africana, esquecida pelos homens e "dilacerada por uma espiral de violência e miséria. Lembrou ainda do jovem Estado do Sudão do Sul e da Nigéria, países onde a convivência pacífica tem sido ameaçada por ataques que não poupam inocentes nem indefesos". Também aos deslocados e refugiados um pensamento especial, principalmente os que vivem no Chifre da África e no leste da República Democrática do Congo, e um pedido: "façam com que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa".

O Oriente Médio não sai do pensamento de Francisco, terra que ele pretende visitar em 2014. Pediu a "conversão do coração dos violentos, por um desfecho feliz das negociações de paz entre israelenses e palestinos e pela cura das chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados".

Outro tema sempre presente nos discursos do Santo Padre, o tráfico de seres humanos, pedindo a conversão dos corações de quem está envolvido neste crime contra a humanidade.

As calamidades naturais também foram mencionadas, recordando os filipinos e a tragédia pela qual passaram pelo recente tufão.

Mas diante de tantos temas que dizem respeito a todos nós, e às tristezas que eles produzem, Francisco pediu que deixemos "que o nosso coração se comova, se incendeie com a ternura de Deus; precisamos das suas carícias. Sim precisamos das carícias de Deus, como um filho tem necessidade das carícias do pai e da mãe".

E o último apelo do Papa desta semana foi durante o Angelus da Festa de Santo Estevão quando pediu orações por aqueles que são perseguidos no mundo por causa do seu testemunho de fé. E alertou que há também os casos de "países que no papel tutelam a liberdade e os direitos humanos, mas onde de fato os crentes, especialmente os cristãos, encontram limitações e discriminações".

Estamos chegando ao fim de mais um ano, e as temáticas que o Papa Francisco tocou nos últimos dias nos dão a dimensão de quanto trabalho a humanidade tem ainda que realizar para viver a Paz que nasceu em Belém. "A pausa destes dias junto ao presépio - disse o Papa - para contemplar Maria e José ao lado do Menino, possa suscitar em todos um generoso compromisso de amor recíproco". Um feliz Ano Novo, repleto de esperança, fé e reflexão.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

25 de dezembro de 2013

O que celebramos no Natal

O que celebramos no Natal
O que celebramos no Natal (Resumo da Homilia da noite do Natal) Pe. Gaspar S. C. Pelegrini

“Dominus dixit ad me: Filius meus es tu”. (Sl 2)

O senhor me disse: tu és o meu filho, eu hoje te gerei. (Salmo 2) Podemos resumir o que celebramos nesta noite com uma palavra, uma imagem e um sentimento. Uma Palavra: Tu es meu filho, eu hoje te gerei. Esta é a palavra do Pai a seu Filho. Palavra que se refere principalmente à geração eterna do Verbo. Este “hodie”, é o hoje eterno.
Mas esta afirmação diante do presépio adquire um alcance especial. No presépio, não podemos esquecer quem é de fato esta criança.

As aparências são tão simples, tão humanas, tão pobres, que não poderíamos jamais descobrir quem é realmente este menino. Por isso lembramos a Palavra do Pai: “Tu es meu Filho. Eu hoje de gerei”. E uma vez que temos esta revelação, quanto mais pobreza, simplicidade, humanidade contemplamos nesta criança, mais surpreendidos ficamos. Diante do presépio, podemos repetir o que dizemos na visita ao Santíssimo: “Eis até que ponto chegou a vossa caridade excessiva, ó meu Jesus amantíssimo”. Uma imagem, ou melhor, duas: A luz e a noite. É impressionante o efeito da luz em meio à escuridão. Por causa da luz é que esta noite é Santa, esta noite é noite feliz.

O que faz a luz no Natal? Convida o magos, através da estrela. Envolve os pastores. Aponta para o lugar onde está Jesus. Qual é a luz do Natal? É Jesus mesmo, que nos ilumina de vários modos:

- com seu amor, que ilumina a noite de nosso egoísmo, de nossa frieza, de nossa desconfiança de Deus, de nosso pouco caso de Deus, de nosso medo de Deus. Jesus depois vai nos dizer: Amai-vos como eu vos amei. Mas já no presépio Ele nos ensina a a amar.

- com sua humildade: ilumina nosso orgulho, ensina-nos que quanto mais simples formos, quanto mais assumirmos e abraçarmos nossas fraquezas e limitações, espirituais e humanas, mais nos aproximamos de Deus.

- com sua alegria: não nos esqueçamos este é terceiro mistério gozoso. Jesus em Belém nos ensina um novo conceito de alegria, alegria que vem do interior, ou melhor que vem de Deus, alegria que não está condicionada com coisas materiais.

Como pedia haver alegria nesta noite? Como poderia haver alegria para uma Mãe que não tem onde dar à luz seu Filho? Só a luz de Jesus podia encher de alegria esta noite.

Um sentimento: Gratidão. Reconhecimento. Gratidão, que para ser verdadeira tem que nos levar a fazer como os pastores e os magos. Que fizeram? Foram até Jesus, deixaram-se envolver pela luz que irradiava de Jesus.

Vamos também até Jesus de modo especial na comunhão. Deixemos que no momento da comunhão, fale mais nossa gratidão que qualquer outro sentimento ou necessidade. Um último detalhe: Tantos dos Magos como dos pastores temos um dado em comum. Eles encontraram Jesus com Maria, nos braços de Maria.

Maria é a verdadeira manjedoura do Menino Deus. Maria é o candelabro onde brilha com grande intensidade a luz do amor, da humildade e da alegria de Jesus. Quando vamos visitar uma mãe que teve um bebê, a gente pede para segurar um pouquinho. Peçamos esta graça a Nossa Senhora: que ela nos dê seu Jesus, que ela nos deixe segurá-lo um pouquinho. Para que ele nos banhe com sua luz. Amém.

Natal um presente de Deus

Natal um presente de Deus
Bem-aventurados são também aqueles que acolhem o Menino Jesus no coração, por que serão felizes eternamente. É Natal o menino nos foi dando e a nós foi revelado o plano de amor do Pai.

O presente de Deus para nós, expressado no seu único Filho Jesus Cristo, o seu amor por nós é revelado pela primeira vez, quando o Menino Jesus vem ao mundo, e hoje é natal o  Menino-Deus nasceu.

Natal é tempo de alegria, felicidade, de nos preparamos para acolher o Salvador e pular de alegria como João Batista no ventre de Isabel (Lc 1, 41). O Menino Jesus procura um lugar para repousar a cabeça, vamos da o nosso coração como manjedoura, mas também como casa para o Filho de Deus.

As festas, os presentes e etc.; isto de nada vale se não forem celebrados em torno do verdadeiro sentido do natal, que é o nascimento de Jesus. A Virgem Maria junto com São José seu castíssimo esposo, nos convidam, nos chamam a se aproximar deste mistério de amor, a contemplarmos o rosto do Menino Jesus como os pastores que ali no nascimento estavam.

Os acontecimentos de Deus, não se desfazem no tempo, temos sempre algo novo em um acontecimento, em um fato que se repete a cada ano; como na palavra de Deus, encontramos sempre uma nova reflexão, uma nova instrução, então sendo Jesus a palavra que se fez carne (Jo 1, 14), o natal sempre nos traz o mesmo sentido, o nascimento de Jesus, mas sempre de uma forma nova, por que Deus é a Boa Nova. Estas são as nossas felicitações de Natal aos nossos leitores, colunistas, colaboradores e parceiros do Blog Evangelizando, que vocês possam refletir e terem um bom natal. Feliz Natal

Pacajus, 25 de dezembro de 2013.

Francisco Iury Nascimento Lopes
Diretor Geral do Blog Evangelizando

24 de dezembro de 2013

Caminho da paz

Estamos concluindo mais um ano, e já é tradição neste período fazer um balanço dos últimos 365 dias e pensar no futuro, nas novas conquistas, nas novas metas, muitas das quais não alcançadas no ano que finda. Certamente esse tempo nos ajuda a parar e olhar para as vitórias e derrotas, para conquistas e frustrações. Mas, quando fazemos o nosso balanço, fazemos também o balanço dos nossos relacionamentos e do nosso ser cristão? Ou pensamos somente nas conquistas e derrotas pessoais no campo do trabalho, da vida social, do nosso dia a dia, individualmente?

Nos dias passados foi divulgada a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz, comemorado no 1º de janeiro; este será o primeiro do pontificado do Papa latino-americano.

Nesta sua mensagem que tem como tema "Fraternidade: Fundamento e Caminho da Paz", - tema que foi escolhido pelo Papa emérito, Bento XVI -, Francisco nos dá uma grande ajuda para traçarmos os caminhos do novo ano e nos enche de interrogativos e por quês. Ele afirma que no coração de cada homem e mulher habita o desejo de uma vida plena, com aspirações, e aspirações de fraternidade, de relacionamentos. Pede para não vermos nos outros, inimigos e concorrentes, mas irmãos, que devemos acolher e abraçar. O Santo Padre chama a atenção para a palavra “fraternidade” destacando mais uma vez, - se ainda é necessário -, que a mesma é uma “dimensão essencial” do homem e que a consciência dessa dimensão nos leva a tratar cada pessoa como um verdadeiro irmão. É isso, tratar o outro como irmão, como alguém que é importante, e sem o qual nossa vida não seria completa, é uma boa chave de leitura para entender o que é fraternidade.

Na sua mensagem o Papa Francisco recorda que tanto as pessoas como as nações devem, em um espírito de fraternidade e comunhão, trabalhar juntas para construir o futuro da humanidade; um dever que recai primeiramente sobre os mais favorecidos. O Papa prossegue recordando ainda que a fraternidade é a premissa para vencer a pobreza. Pobreza é, de fato, falta de fraternidade entre os homens, entre os povos.

O Dia Mundial da Paz, que celebraremos no dia 1º de janeiro, inicialmente chamado simplesmente de Dia da Paz foi criado pelo Papa Paulo VI, com uma mensagem para o primeiro de 1968. Dizia o Papa Paulo VI em sua primeira mensagem para este dia, que a mesma se dirigia a todos os homens de boa vontade, para exortá-los a celebrar o Dia da Paz, em todo o mundo. O Papa Francisco na sua mensagem para este 1º de janeiro chama a atenção de cada homem de boa vontade, de cada homem de paz e não, sobre a fraternidade e a “cultura do encontro”. Sim, porque a fraternidade, a paz, diz respeito a todos os aspetos da vida, incluindo a economia, as finanças, a sociedade civil, a política.

Desde o início do seu pontificado, Francisco tem sublinhado a importância de superar a “cultura do descartável” e promover a “cultura do encontro”, para se conseguir um mundo mais justo e pacífico. Diante dos dramas da sociedade atual que atingem diretamente o ser humano no seu complexo, como a pobreza, a fome, o subdesenvolvimento, guerras, migrações forçadas, desigualdades, injustiças, fundamentalismos, a fraternidade se torna, então, o fundamento e a via da paz.

O homem de hoje é vítima da não-solidariedade, do não se importar com o outro; é vítima do fechar-se em si mesmo e viver somente no universo que o rodeia, esquecendo-se da real dimensão da humanidade, onde por causa do individualismo, do egoismo, nascem a desigualdade e a pobreza.

Nesta sua mensagem para o Ano Novo, densa e reflexiva, o Papa Francisco leva em consideração precisamente a “cultura do bem-estar” que leva à perda do “sentido da responsabilidade”. Não é de se estranhar que os pobres sejam considerados por muitos como um peso, um empecilho. É através do próximo e da nossa atitude de fraternidade que podemos vislumbrar um rosto mais humano para o nosso mundo.

Estamos nos aproximando do Natal e do Ano Novo, e brota instintivamente, o desejo que cada um redescubra no Menino de Belém o sentido de ser irmão, ser “fratello” como se diz em italiano, onde cada um seja responsável um pelo outro e pelo seu futuro. Vamos redescobrir no seio das nossas famílias, das nossas comunidades, o sentido e a alegria da partilha e do verdadeiro significado do Natal, que é a “festa da confiança e da esperança”. Feliz Natal!

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

15 de dezembro de 2013

Uma única família

Uma única família

Um bilhão de pessoas não tem o que comer. A cada três segundos, alguém morre de fome no mundo. Esse é o escândalo do novo milênio, um escândalo inaceitável. “Não podemos virar as costas e fazer de conta que isto não existe. O alimento que o mundo tem à disposição pode saciar todos”. Forte a denúncia do Papa Francisco e forte o convite às instituições e a toda a Igreja para dar voz àqueles que sofrem, para evitar os desperdícios e agir como “uma única família". Esse convite está contido no vídeo-mensagem que na última terça-feira deu início à campanha contra a fome no mundo organizada pela Caritas Internacional; uma iniciativa no âmbito do Dia Internacional dos Direitos Humanos que este ano teve como tema “Uma única Família Humana-Alimento para Todos”. Eliminar a fome no mundo até 2025; este é o objetivo da campanha.

Vivemos hoje num mundo onde existem vários mundos. O mundo do luxo e da opulência; o mundo do ter e do aparecer; o mundo do egoísmo e do indiferentismo; o mundo da negação e do descartável; o mundo dos invisíveis. Muitos desses mundos são povoados por pessoas, por indivíduos que existem pelo que tem e pelo que não tem, e vivem sem perceber o drama do outro; mas temos também mundos de deserdados e marginalizados, que vivem do resto de um mundo que não os vê, não os conhece e não os reconhece. Um mundo sem fome que não vê um mundo com fome.

E nessa visão de mundo é aquele sem fome que tem vez, que tem voz, enquanto as vozes dos famintos não contam. Passa-se fome sobretudo – por mais bizarro que isso soe – nas regiões onde os alimentos são produzidos, ou seja, no campo, onde as pessoas vivem da agricultura familiar e não têm seus interesses tutelados nas instituições econômicas. Passa-se fome nas grandes cidades onde temos lixos abastados que convivem ao lado de panelas vazias e barrigas vazias.

O Papa Francisco nesta semana convidou todos a abrir um espaço nos corações para esta urgência, respeitando o direito dado por Deus para todos de ter acesso a uma alimentação adequada. “Compartilhemos o que temos, na caridade cristã, com os que são obrigados a enfrentar muitos obstáculos para satisfazer uma necessidade tão primária”, pediu o Pontífice.

A voz do Santo Padre ecoou e ecoa ainda nos ouvidos de toda a humanidade para que todas as instituições, toda a Igreja e cada um de nós, como uma única família humana, dê voz a todas as pessoas que passam fome silenciosamente, a fim de que esta voz se torne um grito que possa sacudir o mundo.

Um grito que possa sacudir as consciências adormecidas no egoísmo, que tudo transforma em ação pessoal e individual, egocêntrica; um grito que acorde e ajude a pensar que o outro existe e que eu não sou o único, o centro de tudo. É hora de mudar de hábitos e modos de pensar comuns. A campanha da Caritas – afirmou Francisco - é também um convite a todos nós para sermos mais conscientes de nosso regime alimentar, que muitas vezes comporta desperdício de comida e má-utilização dos recursos de que dispomos. Ela é também uma exortação a pararmos de pensar que nossos gestos cotidianos não têm impacto na vida de quem – esteja perto, esteja longe de nós – vive a fome na própria pele.

Como viver indiferentes à tragédia da fome e não se deixar comover pelo sofrimento daqueles que não tem pão? Os dramas se consumam em terras distantes das nossas, mas também dentro de realidade de nossas cidades, uma realidade que muitas vezes está escondida, longe do testemunho das câmaras de TV; assim não sacodem as nossas consciências, é um sofrimento invisível.

Quando alguém morre de fome é uma morte que ninguém chora, a não ser a mãe debruçada sobre o corpo esquelético do filho, ou o filho que enterra o pai ou mãe destruídos pela fadiga do tempo e do desespero. Será que a dor de uma pessoa como essa é diferente das nossas dores? O único pecado dessa gente foi ter nascido numa terra, numa condição de vida, onde a morte por fome não é uma exceção, mas está na ordem do dia, da normalidade.

A imagem da humanidade “como uma única família” é a imagem proposta pelo Papa, onde todos se interessam por todos, onde ninguém é deixado de lado. Na grande família todos temos responsabilidades e todos falimos quando alguém padece pelo nosso egoísmo e indiferença. Temos o imperativo de ajudar esse exército de famintos a se levantar, a sair desse mundo de silêncio em que vivem, que produz luto, dor, miséria e desesperança.

Na quarta-feira, durante a Audiência Geral na Praça São Pedro, o Papa Francisco recordou que o Evangelho de Jesus nos indica o caminho para lutar contra a fome: entregar-nos à providência do Pai e compartilhar o pão cotidiano sem desperdiçá-lo. E encorajou a Caritas a levar avante este empenho, convidando todos a se unirem a esta “onda” de solidariedade.

Vivemos um momento de esperança, um momento de espera do Menino que vem; é a hora de dar luz a um túnel onde a escuridão esconde a dor e o desespero de milhões de pessoas.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

7 de dezembro de 2013

Síria, Natal sem paz!

Síria, Natal sem paz!
No final da Audiência Geral da última quarta-feira, o Papa Francisco pediu orações pelas monjas que foram sequestradas nos dias passados no Mosteiro greco-ortodoxo de Santa Tecla, no vilarejo cristão de Maalula, na Síria. “Rezemos por essas irmãs e por todas as pessoas sequestradas por causa do atual conflito. Continuemos a rezar e a atuar pela paz”, foram as palavras do Pontífice. O drama do povo sírio retorna à atenção dos meios de comunicação, através das palavras do Santo Padre; um drama que se consuma sob o olhar da comunidade internacional.

O Bispo de Aleppo dos Caldeus, falando à Rádio Vaticano sobre o episódio, disse que as razões para o sequestro estão na própria guerra. “Nós, como cristãos, como Igreja na Síria, não queremos dizer que seja uma guerra contra os cristãos, porque nós queremos ser uma presença de reconciliação e de convivência. Esta é a nossa vocação. Não queremos provocações com os muçulmanos”.

O drama do povo sírio esteve e está no coração do Papa Francisco, como também esteve e está no coração do Papa emérito Bento XVI: ambos em várias ocasiões falaram dessa “aventura sem retorno” que causa somente dor, sofrimento e morte.

Já no último dia 7 de setembro, o Papa Francisco convocara o mundo inteiro para um dia de oração e jejum pela paz no mundo, pela Síria. Naquele dia o Santo Padre fez um vibrante apelo para que todos “trabalhem pela paz e reconciliação” para pôr fim à guerra, “que é sempre uma derrota para a humanidade”.

“Quando o homem só pensa em si mesmo, em seus próprios interesses, quando ele é seduzido pelos ídolos da dominação e do poder, quando ele se coloca no lugar de Deus, ele arruína todas as relações, arruína tudo. E isso abre as portas para a violência”, afirmou, em uma longa meditação sobre a “bondade da criação de Deus e o caos que provoca a violência entre irmãos”. Voltou, assim, ao tema da primeira missa de seu pontificado: o homem é chamado a ser “o guardião de seu irmão e da criação”.

Nos dias de hoje temos uma linguagem cada vez mais presente nas nossas sociedades, nos nosso países; é a linguagem da violência e da guerra, sinônimos para morte. A Paz é um bem que supera qualquer barreira, porque é um bem de toda a Humanidade. Por que então o homem busca a agressão ao próximo; impor suas idéias e opiniões com a força? A guerra, a violência, a dor, a morte não são exclusividade de um só povo, de uma só religião; vemos que são irmãos contra irmãos que entram na espiral da violência provocando naqueles que poderiam ser determinantes na paz, outra espiral, a espiral do silêncio.

Estamos vivendo o tempo do Advento, nos preparando para o nascimento do Senhor da Paz. Imaginemos como os nossos irmãos na Síria, no Líbano, no Oriente Médio estão vivendo essa espera. A luz do Senhor vem para iluminar todos, e não só uma parte da humanidade. Eles são nossos irmãos, que muitas vezes não podem nem sequer expressar a sua fé, e muitas vezes pelo fato de expressá-la são alvos de perseguição e de injustiças.

O grito da paz que tanto pede o Papa Francisco, elevou-se e eleva-se dos quatro cantos do mundo, mas ainda não foi suportado com fatos concretos. Basta pensar que na Síria, morre-se todos os dias por atentados e conflitos entre grupos armados. E neste universo de dor, também as crianças, mulheres e idosos pagam o alto preço da indiferença da comunidade internacional que se reúne, conversa, mas não decide.

As Nações Unidas informaram nesta semana terem entregado alimentos para 3,4 milhões de pessoas na Síria em novembro, mas novamente não cumpriu a meta mensal de 4 milhões com o intenso conflito impedindo o acesso a pessoas com fome em áreas sob disputa. Com a chegada do inverno, o número de crianças na Síria consideradas vulneráveis e com necessidade de assistência, praticamente quadruplicou em um ano para 4,3 milhões. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) “a escala da resposta humanitária necessária para o inverno é sem precedentes”. Crianças, como o Menino Jesus, que vivem nas manjedouras de hoje!

A mensagem de paz do Papa Francisco chegou e continua a chegar a todos os cantos do planeta para que os homens de boa vontade continuem a rezar pela Síria, e pelos países onde ainda existem conflitos armados. Que as pessoas sequestradas sejam respeitadas na sua dignidade e que ganhem a liberdade o quanto antes. Que as crianças nestas terras tenham o direito de serem crianças, de crescerem e se desenvolverem como qualquer outra que vive em lugares de paz. Que o silêncio das armas seja definitivo. Que os gritos que se ouvem sejam somente gritos de alegria e não de dor.

De novo é Natal, e de novo o Menino pede para nascer em nossos corações. Cabe a nós abrirmos a porta para que ele faça morada nas nossas vidas e não nasça novamente no frio da manjedoura das nossas indiferenças.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando. (+ artigos)
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".



4 de dezembro de 2013

Maria como mediadora e dispensadora de todas as graças

Maria como mediadora e dispensadora de todas as graças
Fr. Garrigou-Lagrange, O.P.
Tradução: Carlos Wolkartt

Há muitos iludidos que pretendem alcançar a união com Deus sem recorrer constantemente a Nosso Senhor que é o caminho, a verdade e a vida. Outro erro seria querer chegar a Nosso Senhor sem passar por Maria, a quem a Igreja chama, em uma festa especial, Mediadora de todas as graças. Os protestantes caíram nesse erro. Sem chegar a esse ponto, há católicos que não compreendem a necessidade de recorrer a Maria para conseguir a intimidade com o Salvador. São Luís Maria Grignion de Montfort fala também de “Doutores que não conhecem a Mãe de Deus, senão de uma maneira especulativa, árida, estéril e indiferente; que temem abusar da devoção à Santíssima Virgem, fazer injúria a Nosso Senhor honrando demasiado a sua Santíssima Mãe. Se falam da devoção a Maria, não é tanto para recomendá-la como para reprovar os exageros”; dão a impressão de crer que Maria é um impedimento para conseguir a união com Deus.

Consiste, diz o Santo, em uma grande falta de humildade menosprezar os mediadores que Deus nos oferece, tendo em conta nossa debilidade. A intimidade com Nosso Senhor torna-se muito mais fácil mediante uma verdadeira e profunda devoção a Maria.

Para formarmos uma ideia exata desta devoção, veremos o que se entende por mediação universal e como Maria é a medianeira de todas as graças, conforme afirma a Tradição, o Ofício e a Missa de Maria Mediadora que é rezada no dia 31 de maio. Muito se escreve sobre o assunto nesses últimos tempos; consideraremos essa doutrina em suas relações com a vida interior.

Que é mediação universal?

“Ao ofício de mediador, diz São Tomás (Summ. Theol. III-26-1), corresponde o aproximar e unir àqueles entre quem exerce tal ofício; porque os extremos se unem por um intermediário. Pois bem, unir os homens a Deus é próprio de Jesus Cristo que os reconciliou com o Pai, segundo as palavras de São Paulo (II Cor. V, 19): ‘Deus reconciliou o mundo consigo mesmo em Jesus Cristo’. Por isso, só Jesus Cristo é o perfeito mediador entre Deus e os homens, quando por sua morte reconciliou com Deus o gênero humano. Igualmente, depois de dizer São Paulo: ‘Um só é o mediador entre Deus e os homens’, Cristo Jesus feito homem continua: ‘que se entregou como vítima por todos’. Nada impede, contudo, que, em certo modo, outros sejam chamados mediadores entre Deus e os homens, enquanto cooperam à união dos homens com Deus, como gestores ou ministros”.

Neste sentido, acrescenta Santo Tomás, os profetas e sacerdotes do Antigo Testamento podem chamar-se mediadores; e mesmo os sacerdotes da nova Aliança, como ministros do verdadeiro mediador.

“Jesus Cristo, continua o Santo (Summ. Theol. III-26-2), é mediador enquanto homem; porque enquanto homem é como se encontra entre os dois extremos: inferior a Deus por natureza, superior aos homens pela dignidade de sua graça e de sua glória. Além disso, como homem uniu os homens a Deus ensinando-lhes seus preceitos e dons, e satisfazendo por eles”. Jesus satisfez como homem, mediante uma satisfação e um mérito que de sua personalidade divina recebeu infinito valor. Estamos, pois, diante de uma dupla mediação, descendente e ascendente, que consistiu em trazer aos homens a luz e a graça de Deus, e em oferecer-Lhe, em favor dos homens, o culto e a reparação que Lhe eram devidos.

Nada impede, pois, que, como acabamos de dizer, haja outros mediadores secundários, como o foram os profetas e os sacerdotes da antiga Lei para o povo escolhido. Por isso podemos nos perguntar se não será Maria a mediadora universal para todos os homens e para a distribuição de todas e cada uma das graças. Santo Alberto Magno fala da mediação de Maria como superior a dos profetas, quando diz: “Maria foi eleita pelo Senhor, não como ministra, mas para ser associada de um modo especialíssimo e muito íntimo à obra da redenção do gênero humano”.

Não é Maria, em sua qualidade de Mãe de Deus, naturalmente designada para ser mediadora universal? Não é realmente intermediária entre Deus e os homens? Sem dúvida, por ser uma criatura, é inferior a Deus e a Jesus Cristo; porém está, por sua vez, acima de todos os homens em razão de sua maternidade divina, “que a coloca nas fronteiras da divindade” (Caetano), e pela plenitude da graça recebida no instante de sua concepção imaculada, plenitude que não cessou de aumentar até sua dormição.

E não somente por sua maternidade divina era Maria a designada para esta função de mediadora, senão que a recebeu e exerceu de fato.

Isto é o que nos demonstra a Tradição, que lhe outorgou o título de Mediadora Universal, embora subordinada a Cristo; título por demais consagrado pela festa especial que se celebra na Igreja universal.

Para bem compreender o sentido e o alcance desse título, consideremos que lhe convém a Maria por duas razões principais: primeiro, por haver ela cooperado, pela satisfação e os méritos, ao sacrifício da Cruz; segundo, porque não cessa de interceder em nosso favor e de obter-nos e distribuir-nos todas as graças que recebemos do céu.

Tal é a dupla mediação, ascendente e descendente, que devemos considerar, para dela aproveitarmos sem cessar.

Maria nos obtém e nos distribui todas as graças

É esta uma doutrina certa da Mãe de todos os homens: como Mãe, se interessa por sua salvação, roga por eles e lhes consegue as graças que recebem.

No Ave, Maris Stella, canta-se:

Solve vincla reis,
Profer lumen coecis,
mala nostra pelle,
bona cuncta posce.

As prisões aos réus desata.
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata,
Nos livra, o bem nos granjeia.

Leão XIII, numa Encíclica sobre o Rosário, diz: “Por expressa vontade de Deus, nenhum bem nos é concedido se não é por Maria; e como nada pode chegar ao Pai senão pelo Filho, assim geralmente nada pode chegar a Jesus senão por Maria”.

A Igreja, de fato, se dirige a Maria para conseguir graças de toda sorte, tanto temporais como espirituais, e, entre estas últimas, desde a graça da conversão até a da perseverança final, sem excluir as necessárias às virgens para guardar sua virgindade, aos apóstolos para exercer seu apostolado, aos mártires para permanecer invictos na fé. Por isso, nas Litanias Lauretanas, universalmente rezadas na Igreja há muito tempo, Maria é chamada: “saúde dos enfermos, refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, auxílio dos cristãos, rainha dos apóstolos, dos mártires, dos confessores e das virgens”. Sua mão é a dispensadora de toda sorte de graças, e até mesmo, em certo sentido, da graça dos sacramentos, porque ela nos mereceu em união com Nosso Senhor no Calvário, e nos dispõe, também com sua oração, a aproximarmo-nos desses sacramentos e a recebê-los convenientemente; ás vezes até nos envia o sacerdote, sem o qual essa ajuda sacramental não nos seria outorgada.

Enfim, não só toda espécie de graça nos é distribuída pela mão de Maria, senão cada graça em particular. Não é outra coisa o que a fé da Igreja declara nestas palavras da Ave-Maria: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém”. Esse “agora” é repetido, a cada minuto, na igreja por milhares de fiéis que pedem desta maneira a graça do presente momento; e esta é a mais particular de todas as graças, pois varia em relação a cada um de nós e para cada um a cada minuto. Embora estejamos distraídos ao pronunciar essas palavras, Maria, que não o está, e conhece nossas necessidades espirituais de cada momento, roga por nós e nos obtém as graças que recebemos.

Tal ensinamento, contido na fé da Igreja e expressado pela oração coletiva (lex orandi, lex credendi), está fundamentado na Escritura e na Tradição. Com efeito, já em sua vida sobre a terra, Maria aparece na Escritura como distribuidora de graças. Por ela, Jesus santifica o Precursor [São João Batista], quando visita sua prima Santa Isabel e entoa o Magnificat. Por ela, Jesus confirma a fé dos discípulos de Caná, concedendo o milagre que pedia. Por ela, fortaleceu a fé de João no Calvário, dizendo-lhe: “Filho, eis aí a tua mãe”. Por ela, enfim, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, já que Maria orava com eles no Cenáculo no dia de Pentecostes, quando o Divino Espírito desceu em forma de línguas de fogo.

Com maior razão, depois da Assunção, desde sua entrada na glória, a Santíssima Virgem Maria é a distribuidora de todas as graças. Como uma Mãe bem aventurada, conhece no céu as necessidades espirituais de todos os homens; e como é Mãe mui terna, roga por seus filhos; e como exerce poder omnímodo sobre o coração de seu Filho, nos obtém todas as graças que chegam à nossas almas e as que se dão aos que não se obstinam no mal. Maria é como o aqueduto das graças e, no corpo místico, em forma de pescoço que junta a cabeça aos membros.

A essa altura, já se compreende quão necessário é fazer com frequência a oração dos mediadores, isto é, começar esta conversa filial e confiada com Maria, para que nos conduza à intimidade de seu Filho, e a fim de elevar-nos logo, mediante a santíssima alma do Salvador, à união com Deus, já que Jesus é o caminho, a verdade e a vida.

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