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4 de dezembro de 2013

Maria como mediadora e dispensadora de todas as graças

Maria como mediadora e dispensadora de todas as graças
Fr. Garrigou-Lagrange, O.P.
Tradução: Carlos Wolkartt

Há muitos iludidos que pretendem alcançar a união com Deus sem recorrer constantemente a Nosso Senhor que é o caminho, a verdade e a vida. Outro erro seria querer chegar a Nosso Senhor sem passar por Maria, a quem a Igreja chama, em uma festa especial, Mediadora de todas as graças. Os protestantes caíram nesse erro. Sem chegar a esse ponto, há católicos que não compreendem a necessidade de recorrer a Maria para conseguir a intimidade com o Salvador. São Luís Maria Grignion de Montfort fala também de “Doutores que não conhecem a Mãe de Deus, senão de uma maneira especulativa, árida, estéril e indiferente; que temem abusar da devoção à Santíssima Virgem, fazer injúria a Nosso Senhor honrando demasiado a sua Santíssima Mãe. Se falam da devoção a Maria, não é tanto para recomendá-la como para reprovar os exageros”; dão a impressão de crer que Maria é um impedimento para conseguir a união com Deus.

Consiste, diz o Santo, em uma grande falta de humildade menosprezar os mediadores que Deus nos oferece, tendo em conta nossa debilidade. A intimidade com Nosso Senhor torna-se muito mais fácil mediante uma verdadeira e profunda devoção a Maria.

Para formarmos uma ideia exata desta devoção, veremos o que se entende por mediação universal e como Maria é a medianeira de todas as graças, conforme afirma a Tradição, o Ofício e a Missa de Maria Mediadora que é rezada no dia 31 de maio. Muito se escreve sobre o assunto nesses últimos tempos; consideraremos essa doutrina em suas relações com a vida interior.

Que é mediação universal?

“Ao ofício de mediador, diz São Tomás (Summ. Theol. III-26-1), corresponde o aproximar e unir àqueles entre quem exerce tal ofício; porque os extremos se unem por um intermediário. Pois bem, unir os homens a Deus é próprio de Jesus Cristo que os reconciliou com o Pai, segundo as palavras de São Paulo (II Cor. V, 19): ‘Deus reconciliou o mundo consigo mesmo em Jesus Cristo’. Por isso, só Jesus Cristo é o perfeito mediador entre Deus e os homens, quando por sua morte reconciliou com Deus o gênero humano. Igualmente, depois de dizer São Paulo: ‘Um só é o mediador entre Deus e os homens’, Cristo Jesus feito homem continua: ‘que se entregou como vítima por todos’. Nada impede, contudo, que, em certo modo, outros sejam chamados mediadores entre Deus e os homens, enquanto cooperam à união dos homens com Deus, como gestores ou ministros”.

Neste sentido, acrescenta Santo Tomás, os profetas e sacerdotes do Antigo Testamento podem chamar-se mediadores; e mesmo os sacerdotes da nova Aliança, como ministros do verdadeiro mediador.

“Jesus Cristo, continua o Santo (Summ. Theol. III-26-2), é mediador enquanto homem; porque enquanto homem é como se encontra entre os dois extremos: inferior a Deus por natureza, superior aos homens pela dignidade de sua graça e de sua glória. Além disso, como homem uniu os homens a Deus ensinando-lhes seus preceitos e dons, e satisfazendo por eles”. Jesus satisfez como homem, mediante uma satisfação e um mérito que de sua personalidade divina recebeu infinito valor. Estamos, pois, diante de uma dupla mediação, descendente e ascendente, que consistiu em trazer aos homens a luz e a graça de Deus, e em oferecer-Lhe, em favor dos homens, o culto e a reparação que Lhe eram devidos.

Nada impede, pois, que, como acabamos de dizer, haja outros mediadores secundários, como o foram os profetas e os sacerdotes da antiga Lei para o povo escolhido. Por isso podemos nos perguntar se não será Maria a mediadora universal para todos os homens e para a distribuição de todas e cada uma das graças. Santo Alberto Magno fala da mediação de Maria como superior a dos profetas, quando diz: “Maria foi eleita pelo Senhor, não como ministra, mas para ser associada de um modo especialíssimo e muito íntimo à obra da redenção do gênero humano”.

Não é Maria, em sua qualidade de Mãe de Deus, naturalmente designada para ser mediadora universal? Não é realmente intermediária entre Deus e os homens? Sem dúvida, por ser uma criatura, é inferior a Deus e a Jesus Cristo; porém está, por sua vez, acima de todos os homens em razão de sua maternidade divina, “que a coloca nas fronteiras da divindade” (Caetano), e pela plenitude da graça recebida no instante de sua concepção imaculada, plenitude que não cessou de aumentar até sua dormição.

E não somente por sua maternidade divina era Maria a designada para esta função de mediadora, senão que a recebeu e exerceu de fato.

Isto é o que nos demonstra a Tradição, que lhe outorgou o título de Mediadora Universal, embora subordinada a Cristo; título por demais consagrado pela festa especial que se celebra na Igreja universal.

Para bem compreender o sentido e o alcance desse título, consideremos que lhe convém a Maria por duas razões principais: primeiro, por haver ela cooperado, pela satisfação e os méritos, ao sacrifício da Cruz; segundo, porque não cessa de interceder em nosso favor e de obter-nos e distribuir-nos todas as graças que recebemos do céu.

Tal é a dupla mediação, ascendente e descendente, que devemos considerar, para dela aproveitarmos sem cessar.

Maria nos obtém e nos distribui todas as graças

É esta uma doutrina certa da Mãe de todos os homens: como Mãe, se interessa por sua salvação, roga por eles e lhes consegue as graças que recebem.

No Ave, Maris Stella, canta-se:

Solve vincla reis,
Profer lumen coecis,
mala nostra pelle,
bona cuncta posce.

As prisões aos réus desata.
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata,
Nos livra, o bem nos granjeia.

Leão XIII, numa Encíclica sobre o Rosário, diz: “Por expressa vontade de Deus, nenhum bem nos é concedido se não é por Maria; e como nada pode chegar ao Pai senão pelo Filho, assim geralmente nada pode chegar a Jesus senão por Maria”.

A Igreja, de fato, se dirige a Maria para conseguir graças de toda sorte, tanto temporais como espirituais, e, entre estas últimas, desde a graça da conversão até a da perseverança final, sem excluir as necessárias às virgens para guardar sua virgindade, aos apóstolos para exercer seu apostolado, aos mártires para permanecer invictos na fé. Por isso, nas Litanias Lauretanas, universalmente rezadas na Igreja há muito tempo, Maria é chamada: “saúde dos enfermos, refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, auxílio dos cristãos, rainha dos apóstolos, dos mártires, dos confessores e das virgens”. Sua mão é a dispensadora de toda sorte de graças, e até mesmo, em certo sentido, da graça dos sacramentos, porque ela nos mereceu em união com Nosso Senhor no Calvário, e nos dispõe, também com sua oração, a aproximarmo-nos desses sacramentos e a recebê-los convenientemente; ás vezes até nos envia o sacerdote, sem o qual essa ajuda sacramental não nos seria outorgada.

Enfim, não só toda espécie de graça nos é distribuída pela mão de Maria, senão cada graça em particular. Não é outra coisa o que a fé da Igreja declara nestas palavras da Ave-Maria: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém”. Esse “agora” é repetido, a cada minuto, na igreja por milhares de fiéis que pedem desta maneira a graça do presente momento; e esta é a mais particular de todas as graças, pois varia em relação a cada um de nós e para cada um a cada minuto. Embora estejamos distraídos ao pronunciar essas palavras, Maria, que não o está, e conhece nossas necessidades espirituais de cada momento, roga por nós e nos obtém as graças que recebemos.

Tal ensinamento, contido na fé da Igreja e expressado pela oração coletiva (lex orandi, lex credendi), está fundamentado na Escritura e na Tradição. Com efeito, já em sua vida sobre a terra, Maria aparece na Escritura como distribuidora de graças. Por ela, Jesus santifica o Precursor [São João Batista], quando visita sua prima Santa Isabel e entoa o Magnificat. Por ela, Jesus confirma a fé dos discípulos de Caná, concedendo o milagre que pedia. Por ela, fortaleceu a fé de João no Calvário, dizendo-lhe: “Filho, eis aí a tua mãe”. Por ela, enfim, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, já que Maria orava com eles no Cenáculo no dia de Pentecostes, quando o Divino Espírito desceu em forma de línguas de fogo.

Com maior razão, depois da Assunção, desde sua entrada na glória, a Santíssima Virgem Maria é a distribuidora de todas as graças. Como uma Mãe bem aventurada, conhece no céu as necessidades espirituais de todos os homens; e como é Mãe mui terna, roga por seus filhos; e como exerce poder omnímodo sobre o coração de seu Filho, nos obtém todas as graças que chegam à nossas almas e as que se dão aos que não se obstinam no mal. Maria é como o aqueduto das graças e, no corpo místico, em forma de pescoço que junta a cabeça aos membros.

A essa altura, já se compreende quão necessário é fazer com frequência a oração dos mediadores, isto é, começar esta conversa filial e confiada com Maria, para que nos conduza à intimidade de seu Filho, e a fim de elevar-nos logo, mediante a santíssima alma do Salvador, à união com Deus, já que Jesus é o caminho, a verdade e a vida.

2 de dezembro de 2013

A AVE MARIA DE UM PROTESTANTE

A Ave Maria de um protestante
Vale a pena ler completamente:

A AVE MARIA DE UM PROTESTANTE

Um garotinho protestante de apenas 6 anos sempre ouvia seus amiguinhos católicos rezando a Ave Maria, ele gostou tanto da oração que copiou-a num papel e recitava-a todos os dias. "Olha mamãe que oração linda", disse o garotinho a sua mãe um dia. "Nunca a repita meu filho!", respondeu a mãe. Esta e' uma oração supersticiosa dos católicos, que adoram ídolos e pensam que Maria é uma espécie de Deusa. Quando na verdade ela não passa de uma mulher como outra qualquer. Pegue esta Bíblia e leia, nela encontramos tudo o que devemos e não devemos fazer

Daquele dia em diante o garoto cessou suas Ave Marias diárias, e se dedicou mais a leitura da Bíblia. Um dia quando lia Evangelho, o garoto leu a passagem da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora. Cheio de alegria, o garoto correu até sua mãe e disse: Mamãe, eu achei a Ave Maria na Bíblia, aonde diz: 'Ave cheia de graça, o Senhor e' convosco, bendita sois vós entre as mulheres.' Por que a senhora chamou esta oração de supersticiosa?

Numa outra ocasião ele encontrou a linda saudação de Santa Isabel á Virgem Maria, encontrou também o maravilhoso Cântico MAGNIFICAT, no qual Maria é profetizada: "as gerações a chamarão bem aventurada"

O garotinho não mais comentou tais passagens com sua mãe, mas voltou a recitar suas Ave Marias todos os dias, como fazia anteriormente. Ele sentia prazer em recitar aquelas fascinantes palavras para a Mãe de Jesus, Nosso Salvador

Aos 14 anos, ele escutou os membros de sua família discutindo entre eles sobre Nossa Senhora. Todos eles diziam que Maria era uma mulher comum como qualquer outra. O garoto, depois de ouvir estas absurdas afirmações, não aguentou mais ouvir tais insultos e com indignação interrompeu-os dizendo: "Maria não é como qualquer filha de Adão, manchada pelo pecado. Não! O anjo chamou-a de Cheia de Graça e Bendita entre todas as mulheres. Maria é a mãe de Jesus Cristo, e consequentemente mãe de Deus. Não existe dignidade maior para com uma criatura. O Evangelho nos conta que as gerações chamarão-a de abençoada/bem aventurada, e vocês desmerecendo e menosprezando-a? Seus espíritos não são os mesmos do Evangelho ou da Bíblia, que proclamam ser a fundação da Religião Cristã"

A fala do garoto deixou uma impressão tão profunda que conseguiu, por várias vezes, fazer sua mãe chorar de dor. "Ah meu Deus! Tenho medo deste meu menino um dia se juntar a religião católica, a religião dos Papas!"

E realmente não demorou muito, depois de um sério estudo sobre o Protestantismo e o Catolicismo, o garoto descobriu mais tarde a ÚNICA e VERDADEIRA religião, e abraçou-a, se tornando um de seus mais ardentes apóstolos

Algum tempo após sua conversão, ele encontrou com sua irmã casada que censurou-o dizendo: Você sabe o quanto eu amo meus filhos. Se algum deles um dia desejar virar católico, eu preferirei perfurar o coração deles com um punhal do que permiti-los abraçar a religião dos Papas

A fúria dela era tão profunda quanto a de São Paulo antes de sua conversão. De qualquer forma, ela iria mudar esse seu jeito, igual a São Paulo no caminho a Damasco. Ocorreu então que um dos filhos dela ficou perigosamente doente, e os médicos já haviam perdido a esperança de recuperação

Aí o irmão chegou até ela e conversou afetivamente dizendo: Minha querida irmã, naturalmente você deseja que sua criança seja curada. Muito bem então, o que eu lhe pedir, apenas faça! Siga-me, vamos rezar uma Ave Maria e prometer a Deus que, se sua criança recuperar a saúde, você irá estudar seriamente a Doutrina Católica, e você chegará a conclusão de que o catolicismo é a única e verdadeira religião, e não importa quão grande seja este sacrifício, mas você irá abraçar esta fé.

Sua irmã estava relutante no começo, mas como ela desejava a recuperação do seu filho, ela aceitou a proposta do irmão e rezou a Ave Maria com ele. No dia seguinte o filho dela estava completamente curado. A mãe cumpriu sua promessa e estudou a Doutrina Católica. E após uma longa preparação, ela recebeu o sacramento do Batismo juntamente com o restante de seus familiares, e agradeceu seu irmão por ter sido um apóstolo para ela

Essa história foi relatada num sermão dado pelo Rev. Fr. Tuckwell (Padre Tuckwell), que continuou o sermão dizendo: "O garoto que virou católico e converteu sua irmã e familiares ao catolicismo, dedicou sua vida inteira ao serviço de Deus." 'Aquele garoto virou padre e está a falar com vocês neste exato momento!' O que sou, devo a Nossa Senhora

Vocês também meus caros fiéis, sejam totalmente dedicado á Nossa Senhora, e nunca esqueçam de passar ao menos um dia sem rezar esta linda oração, a Ave Maria e o Terço. Peça á Ela para iluminar as mentes protestantes que estão separadas da Igreja de Cristo, fundada na rocha(Pedro), e da qual as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Mateus XVI, 18

1 de dezembro de 2013

Dom Odilo é nomeado para Congregação para Educação Católica

Dom Odilo é nomeado para Congregação para Educação Católica
O cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, foi nomeado pelo Papa Francisco neste sábado, 30, como membro da Congregação para a Educação Católica. O cardeal está entre os 11 novos membros nomeados para o dicastério.

Além das nomeações, Francisco confirmou a permanência do prefeito e do secretário dessa mesma Congregação, respectivamente Cardeal Zenon Grocholewski e Dom Ângelo Vincenzo Zani, e de mais 23 membros, entre os quais o Cardeal João Braz de Aviz.

Ainda neste sábado, a Santa Sé informou que o Conselho de Superintendência do Instituto para as Obras de Religião (IOR) nomeou Rolando Marranci como novo Diretor geral do Banco do Vaticano. A nomeação do novo diretor do IOR, que fora vice-diretor geral até 1° de julho último, foi confirmada pela Comissão Cardinalícia.

Fonte: Canção Nova Notícias

30 de novembro de 2013

Novos caminhos

Novos caminhos
Foi divulgada na última terça-feira, 26 de novembro, a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium - Alegria do Evangelho -, a primeira do Papa Francisco. Já no último domingo o documento havia sido entregue, de forma simbólica, durante a celebração de encerramento do Ano da Fé e na Solenidade de Cristo Rei a um grupo de fiéis. Não gostaria aqui de pretender fazer resumo ou coisa parecida de um documento de suma importância, mas sim de chamar a atenção para a dimensão do mesmo e da necessidade que temos de lê-lo, interpretá-lo, refleti-lo. Segui um pouco as agências de noticiais internacionais para ver como elas trataram a notícia desse documento, qual enfoque, qual frase. Conclusão: todas são unânimes em chamar a atenção sobre a dimensão do texto, da reviravolta proposta pelo Papa Francisco, da necessidade de abertura da Igreja Católica, e da crítica a uma ordem econômica mundial que muitas vezes gera violência. Francisco de modo sutil e direto chama a atenção para a construção de um mundo mais justo, de uma Igreja que esteja a serviços dos últimos, dos marginalizados, dos excluídos. Volta a recordar a teoria do “desperdício”.

A Exortação do Papa Francisco não é um documento só para os cardeais, bispos, sacerdotes e religiosas, mas sim para todo o Povo de Deus; não devemos pensar que só o clero, os ordenados e consagrados devem refletir e aplicar as indicações e as propostas de Francisco. As exortações apostólicas são documentos papais, contendo recomendações. Em termos de solenidade, situam-se abaixo das encíclicas e acima das cartas apostólicas.

Voltando à Evangelii Gaudium, o Papa Francisco no seu longo texto de mais de 200 páginas centraliza a sua atenção na difusão da mensagem de Cristo, e o faz de um modo diferente e acessível a todos, tocando temas que vão desde a economia global à reforma das estruturas eclesiásticas. Durante a apresentação da Exortação Apostólica no Vaticano, o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, disse que a mesma pode ser resumida como um documento escrito à luz da alegria para redescobrir a fonte da evangelização no mundo contemporâneo. O Papa Francisco “infunde coragem e provoca um olhar adiante, apesar do momento de crise, fazendo, uma vez mais, da cruz e da Ressurreição de Cristo a ‘bandeira da vitória’”.

Um texto denso que recebeu também a contribuição de cardeais, arcebispos e bispos de todo o mundo que participaram no ano passado do Sínodo para os Bispos que teve como tema precisamente “A nova evangelização para a transmissão da fé”. O documento de Francisco, tem caráter universal, mas reflete, em certo modo, a sua experiência na realidade latino-americana; nessa realidade a espiritualidade se encarnada na cultura dos mais simples.

Nos seus 288 parágrafos o documento está dividido em 5 capítulos: a transformação missionária da Igreja, a crise do compromisso comunitário, o anúncio do Evangelho, a dimensão social da evangelização e evangelizadores com espírito. O que mantém unido essas temáticas é o amor misericordioso de Deus, que vai ao encontro de cada pessoa.

Nas tantas reflexões que o Santo Padre compartilha com quem lê a Exortação estão muitos convites para que o fiel renove o seu encontro, a sua relação com Cristo, e se deixe encontrar por Ele, buscando-O sem cessar.

O texto simples e convidativo nos faz ver a real visão que o homem que “veio do fim do mundo” tem sobre as necessidades de mudanças não só da Igreja, - e isso é evidente – mas também no comportamento de todo homem, num mundo que se fecha cada vez mais no seu egoísmo e indiferentismo. Francisco sacode mais uma vez as nossas consciências, as consciências de todos os homens de boa e sem vontade. Prioridade aos pobres, na linha do pobrezinho de Assis, alertando que a pobreza gera violência; junto com isso pede a liberdade de professar a fé a quem quer que seja, recordando os cristãos no Oriente Médio.

O Papa não se furta de tocar no assunto da “saudável descentralização” da Igreja, com maiores responsabilidades para os leigos; convida o clero a “romper esquemas”, a serem audazes e criativos, numa Igreja missionária, alegre aberta a todos principalmente aos jovens; denuncia a globalização da indiferença, assim como o tráfico de seres humanos; pede aos países que acolhem imigrantes "uma generosa abertura" e ajuda para as mulheres que sofrem situações de exclusão, maus-tratos e violência. Sobre o aborto, legalizado em quase todos os países da Europa, o Papa reconhece que “não se deve esperar que a Igreja mude sua postura sobre o tema, pois não é ser progressista resolver problemas eliminando uma vida humana”. Ainda o tema da relação com os muçulmanos, e com as outras confissões.

“A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus… Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos”. Essas são as palavras do início a Exortação Apostólica e o convite de Francisco com a sua “Evangelii gaudium” para um novo momento de fé, de esperança e de Igreja. Boa leitura, e boa reflexão.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando.
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

Você e o pecado

Você e o pecado
"O maior pecado da sociedade atual é ter perdido a noção de pecado". Autor da sentença é o Papa Pio XII, falecido em 1958. Se ela tinha sentido naquela época, o que será hoje, 55 anos depois?! Passei a infância e adolescência sob o pontificado de Pio XII, e lembro muito bem o "clima" que reinava na maior parte dos ambientes "cristãos" (familiares e eclesiásticos) de então, que parecem contradizer a afirmação. O "pecado" dominava soberano, sobretudo no campo da sexualidade. A confissão (pelo menos para as pessoas que buscavam a santidade) devia ser semanal. Poucos se atreviam a comungar sem a ela recorrer. O tema preferido pela maioria dos pregadores eram as terríveis consequências do pecado: os castigos de Deus nesta vida e na eternidade.

Talvez pela força das leis que regem a dialética - tese, antítese e síntese -, hoje a humanidade parece ter passado para "o outro lado": nada mais é pecado. Não poucas das "transgressões" de antigamente passaram a integrar a lista dos direitos humanos. É o caso do divórcio, do aborto e do casamento gay, vistos como conquistas do pluralismo cultural que caracteriza a modernidade. Se alguém ousa divergir, é marginalizado e perseguido, um imbecil ou ingênuo a serviço das forças conservadoras que atravancam o progresso da humanidade. Por sua vez, um número cada vez maior de autoridades civis - em nome do estado laico - apoia e impõe estas e outras mudanças com um autoritarismo que se pensava coisa do passado.

Mas, mesmo que se deva enfrentar a opinião geral, não convém brincar com o futuro e a sobrevivência da humanidade: "Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. Vocês os conhecerão pelos frutos que produzem. Por acaso, colhem-se uvas de espinheiros ou figos de urtigas?" (Mt 7,15-16). Infelizmente, os "frutos" desta guinada em andamento na sociedade estão à vista de todos. Não são os assaltos, os assassinatos, os roubos, a corrupção, o estupro e a pedofilia que ocupam a maior parte dos noticiários e mantêm em sobressalto a população? Só não vê quem não quer. Isso acontece sempre que "cegos guiam outros cegos. Todos caem no mesmo buraco" (Mt 15,14). Não há como negar: "O salário do pecado é a morte" (Rm 6,23).

Na catequese dos meus tempos de criança, aprendi que nascemos e vivemos sob o influxo dos "sete vícios capitais". A doutrina foi retomada pelo Catecismo da Igreja Católica, publicado em 1992: "O pecado cria uma propensão ao pecado; gera o vício pela repetição dos mesmos atos. Disso resultam inclinações perversas, que obscurecem a consciência e corrompem a avaliação concreta do bem e do mal. Assim, o pecado tende a reproduzir-se e a reforçar-se. Os vícios podem ser classificados segundo as virtudes que contrariam, ou ligados aos pecados capitais que a experiência cristã distinguiu. São chamados capitais porque geram outros pecados, outros vícios. São o orgulho, a avareza, a inveja, a ira, a impureza, a gula e a preguiça".

Mahatma Gandhi (1869/1948), em quem era evidente o dom da sabedoria e da perspicácia, prefere falar em "sete pecados da humanidade". A seu ver, eles penetram em todos os ambientes, através de pessoas que fazem do egoísmo o seu deus: política sem princípios, riqueza sem trabalho, prazer sem consciência, conhecimento sem caráter, economia sem ética, ciência sem humanidade e religião sem sacrifício.

Com ele sintoniza a Igreja. Em março de 2008, a imprensa internacional divulgou que o Vaticano havia "acrescentado" - esquecendo que eram denunciados desde o Concílio Vaticano II - outros seis pecados à lista dos sete tradicionais: a pedofilia, a degradação ambiental, o aborto, o tráfico de drogas, as desigualdades sociais e a manipulação genética. São os "pecados sociais", gerados por uma globalização excludente e materialista, fomentada pelo egoísmo de alguns e pela apatia de muitos.

O pecado continua fazendo as suas vítimas. Não foi por nada que Jesus falou: "O espírito é forte, mas a carne é fraca. Rezem e vigiem para não caírem na tentação" (Mt 26,41). Graças a Deus, porém, "onde o pecado foi grande, maior foi a graça" (Rm 5,20). Por isso, ao invés de chorar ou criticar, o cristão prefere "vencer o mal fazendo o bem" (Rm 12,21), pois sabe que "o amor apaga uma multidão de pecados" (1Pd 4,8).

Dom Redovino Rizzardo
Colunista do Blog Evangelizando.
Bispo de Dourados (MS). Realizou seus estudos no Seminário São Carlos, Guaporé (RS), da Congregação dos Missionários de São Carlos, e os completou na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, da Pontifícia Universidade Católica.

27 de novembro de 2013

As "derrapadas" do Papa Francisco

As "derrapadas" do Papa Francisco
"Diante das últimas declarações de Papa Francisco, que deixaram alarmados os católicos de sólida formação, não cínicos antipapas de ontem nem fanáticos papistas de hoje, pensamos ser útil dar umas poucas ideias. É muito difícil emitir um juízo sobre as intenções do Papa a respeito. Pelo tamanho das 'derrapadas doutrinais', parece-nos que se trate mais de pouca inteligência misturada com a típica loquacidade 'achista' episcopal latino-americana, potencializada pelo próprio idealismo pauperista e espiritualista tão agradável à opinião pública, e certo surto de populismo ansioso, desejoso de aparecer e ganhar espaço nas manchetes".

O desairoso comentário não foi emitido por ateus anticlericais, mas por dois padres católicos, que não hesitaram em publicar seu artigo e assinar seus nomes num site religioso. É provável que o tenham feito por não concordarem com os propósitos renovadores do Papa Francisco, expressos em inúmeros gestos considerados contestatórios, de acordo, aliás, com sua convicção mais vezes repetida: "Estou decidido a cumprir com o mandato que me foi confiado. Tenho a humildade e a ambição de querer fazê-lo".

As críticas dos padres demonstram que, para acolher a novidade trazida pelo Evangelho, não apenas os leigos, mas também suas lideranças precisam da sabedoria do coração, que só vinga em pessoas que colocam o bem da Igreja e da humanidade acima de seus interesses e traumas. Foi o que advertiu o próprio Jesus: "É inútil colocar vinho novo em barris velhos: os barris se arrebentam, o vinho se derrama e os vasilhames se perdem. Vinho novo se põe em barris novos, pois ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo. Para ele, o velho é melhor" (Lc 5,37-39). A grande tentação do cristão é tentar conciliar o "novo" do Evangelho com esquemas mentais mundanos. Quando isso acontece, ele prefere ficar com o vinho velho, pois o novo exige um desapego heroico das falsas seguranças construídas ao longo dos anos e uma fé inquebrantável no projeto de Deus.

O que o Papa Francisco entende por reforma da Igreja pode ser avaliado a partir da homilia que proferiu na Casa Santa Marta, no dia 7 de outubro: "O Evangelho nos fala de um homem semimorto, estendido na estrada. Um sacerdote percorre o mesmo caminho - um sacerdote digno, com barrete e tudo! Olha e pensa: 'Não posso parar. Vou chegar tarde à missa'. E foi embora. Não ouviu a voz de Deus. Em seguida, passa um levita, que, talvez, raciocina consigo mesmo: 'Se eu toco neste homem, que pode estar morto, amanhã serei chamado pelo juiz para testemunhar'. E foi embora. Ele também fugiu da voz de Deus. Somente um pecador, um samaritano, alguém distante de Deus, foi capaz de cuidar daquele homem e levá-lo a um albergue. Perdeu a noite toda atrás do ferido. O sacerdote chegou a tempo para a missa, e todos os fiéis ficaram contentes. O levita teve um dia tranquilo, de acordo com o que tinha pensado, sem aquela maçada de se envolver com a justiça".

A reforma da Igreja vai muito além da mera atualização de suas estruturas. Ela se concretiza numa fé e numa espiritualidade que demonstram o amor de Deus pela humanidade. Por isso, uma Igreja que atrai, motiva e converte pela compreensão e benevolência de seus pastores, jamais pela imposição e prepotência. É o que lembrou o cardeal João Braz de Aviz, em entrevista a uma revista brasileira, no mês de setembro: "Precisamos de uma Igreja próxima do povo, formada não de classes, mas de irmãos. Os conceitos de autoridade e de obediência devem mudar e se adaptar: não o valor da obediência e da autoridade em si, mas a maneira de entendê-las e exercê-las. Há muito autoritarismo na Igreja, que é pura dominação. Autoridade não é colocar uma pessoa acima da outra. Autoridade é de irmãos que têm missões diferentes: quem manda e quem obedece estão no mesmo nível".

Por fim, para ser duradoura e eficaz, a reforma da Igreja exige que seus filhos saibam viver a espiritualidade na normalidade da vida. "A graça supõe a natureza", diziam os antigos escolásticos. É a conclusão a que chega também dom João: "Não podemos passar um verniz de misticismo e de espiritualidade sobre a imaturidade humana. Se não conseguirmos desenvolver os valores humanos, será muito difícil integrar e vivenciar a fé".

Dom Redovino Rizzardo
Colunista do Blog Evangelizando.
Bispo de Dourados (MS). Realizou seus estudos no Seminário São Carlos, Guaporé (RS), da Congregação dos Missionários de São Carlos, e os completou na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, da Pontifícia Universidade Católica.


26 de novembro de 2013

"A alegria do Evangelho": publicada Exortação Apostólica do Papa sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual

"A alegria do Evangelho": publicada Exortação Apostólica do Papa sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual



















"A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus": assim inicia a Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium" com a qual o Papa Francisco desenvolve o tema do anúncio do Evangelho no mundo de hoje, recolhendo por outro lado a contribuição dos trabalhos do Sínodo que se realizou no Vaticano de 7 a 28 de Outubro de 2012, com o tema "A nova evangelização para a transmissão da fé". "Desejo dirigir-me aos fiéis cristãos - escreve o Papa - para os convidar a uma nova etapa de evangelização marcada por esta alegria e indicar direcções para o caminho da Igreja nos próximos anos" (1).

O Papa convida a "recuperar a frescura original do Evangelho”, encontrando "novas formas" e "métodos criativos", sem deixarmos enredar Jesus nos nossos "esquemas monótonos" (11). Precisamos de uma "uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão" (25). Requer-se uma "reforma das estruturas" eclesiais para que "todas se tornem mais missionárias" (27) . O Pontífice pensa também numa "conversão do papado", para que seja "mais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe quis dar e às necessidades actuais da evangelização". A esperança de que as Conferências Episcopais pudessem dar um contributo para que "o sentido de colegialidade" se realizasse “concretamente” – afirma o Papa - "não se realizou plenamente" (32). E’ necessária uma “saudável descentralização" (16). Nesta renovação não se deve ter medo de rever costumes da Igreja "não directamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns dos quais profundamente enraizados ao longo da história" (43) .

Sinal de acolhimento de Deus é "ter por todo o lado igrejas com as portas abertas" para que os que vivem uma situação de procura não encontrem "a frieza de uma porta fechada". "Nem mesmo as portas dos Sacramentos se deveriam fechar por qualquer motivo". O Papa Francisco reafirma preferir uma Igreja "ferida e suja por ter saído pelas estradas, em vez de uma Igreja... preocupada em ser o centro e que acaba por ficar prisioneira num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se algo nos deve santamente perturbar ... é que muitos dos nossos irmãos vivem "sem a amizade de Jesus” (49).

O Papa aponta as "tentações dos agentes da pastoral": o individualismo, a crise de identidade, o declínio no fervor (78). "A maior ameaça" é "o pragmatismo incolor da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede na faixa normal, quando na realidade a fé se vai desgastando" (83). Exorta a não se deixar levar por um "pessimismo estéril " (84 ) e a sermos sinais de esperança (86) aplicando a "revolução da ternura" (88).

O Papa lança um apelo às comunidades eclesiais para não caírem em invejas e ciúmes: “dentro do povo de Deus e nas diversas comunidades, quantas guerras!" (98). "A quem queremos nós evangelizar com estes comportamentos?" (100). Sublinha a necessidade de fazer crescer a responsabilidade dos leigos, mantidos "à margem nas decisões" por um "excessivo clericalismo" (102). Afirma que "ainda há necessidade de se ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva na Igreja", em particular "nos diferentes lugares onde são tomadas as decisões importantes" (103). "As reivindicações dos direitos legítimos das mulheres ... não se podem sobrevoar superficialmente" (104). Os jovens devem ter "um maior protagonismo" (106). (…)

Abordando o tema da inculturação, o Papa lembra que "o cristianismo não dispõe de um único modelo cultural" e que o rosto da Igreja é "multiforme" (116). "Não podemos esperar que todos os povos ... para expressar a fé cristã, tenham de imitar as modalidades adoptadas pelos povos europeus num determinado momento da história" (118). O Papa reitera "a força evangelizadora da piedade popular" (122) e incentiva a pesquisa dos teólogos.

O Papa detém-se depois, "com uma certa meticulosidade, na homilia", porque "são muitas as reclamações em relação a este importante ministério e não podemos fechar os ouvidos" (135). A homilia "deve ser breve e evitar de parecer uma conferência ou uma aula " (138), deve ser capaz de dizer "palavras que façam arder os corações", evitando uma "pregação puramente moralista ou para endoutrinar" (142). Sublinha a importância da preparação." (…) O próprio anúncio do Evangelho deve ter características positivas: "proximidade, abertura ao diálogo, paciência, acolhimento cordial que não condena" (165).

Falando dos desafios do mundo contemporâneo, o Papa denuncia o actual sistema económico, que "é injusto pela raiz" (59). "Esta economia mata" porque prevalece a "lei do mais forte". A actual cultura do "descartável" criou "algo de novo": “os excluídos não são ‘explorados’, mas ‘lixo’, 'sobras'" (53). Vivemos uma "nova tirania invisível, por vezes virtual" de um "mercado divinizado", onde reinam a "especulação financeira", "corrupção ramificada", "evasão fiscal egoísta" (56). Denuncia os "ataques à liberdade religiosa" e as "novas situações de perseguição dos cristãos ... Em muitos lugares trata-se pelo contrário de uma difusa indiferença relativista" (61). A família - continua o Papa - "atravessa uma crise cultural profunda.

O Papa reafirma "a íntima conexão entre evangelização e promoção humana" (178 ) e o direito dos Pastores a "emitir opiniões sobre tudo o que se relaciona com a vida das pessoas" (182). "Ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião à secreta intimidade das pessoas, sem qualquer influência na vida social". "A política, tanto denunciada" - diz ele - "é uma das formas mais preciosas de caridade". "Rezo ao Senhor para que nos dê mais políticos que tenham verdadeiramente a peito ... a vida dos pobres!" Em seguida, um aviso: "qualquer comunidade dentro da Igreja" que se esquecer dos pobres corre "o risco de dissolução" (207) .

O Papa convida a cuidar dos mais fracos: "os sem-tecto, os dependentes de drogas, os refugiados, os povos indígenas, os idosos cada vez mais sós e abandonados" e os migrantes, em relação aos quais o Papa exorta os Países "a uma abertura generosa" (210 ). "Entre estes fracos que a Igreja quer cuidar" estão "as crianças em gestação, que são as mais indefesas e inocentes de todos, às quais hoje se quer negar a dignidade humana" (213) . "Não se deve esperar que a Igreja mude a sua posição sobre esta questão ... Não é progressista fingir resolver os problemas eliminando uma vida humana" (214). Neste contexto, um apelo ao respeito de toda a criação: "somos chamados a cuidar da fragilidade das pessoas e do mundo em que vivemos" ( 216) .

Quanto ao tema da paz, o Papa afirma que é "necessária uma voz profética" quando se quer implementar uma falsa reconciliação "que mantém calados" os pobres, enquanto alguns "não querem renunciar aos seus privilégios" (218). Para a construção de uma sociedade "em paz, justiça e fraternidade" indica quatro princípios: "trabalhar a longo prazo, sem a obsessão dos resultados imediatos"; "operar para que os opostos atinjam "uma unidade multifacetada que gera nova vida"; "evitar reduzir a política e a fé à retórica; colocar em conjunto globalização e localização.

"A evangelização - prossegue o Papa - também implica um caminho de diálogo", que abre a Igreja para colaborar com todas as realidades políticas, sociais, religiosas e culturais (238). O ecumenismo é "uma via imprescindível da evangelização". Importante o enriquecimento recíproco: "quantas coisas podemos aprender uns dos outros!". Por exemplo, “no diálogo com os irmãos ortodoxos, nós os católicos temos a possibilidade de aprender alguma coisa mais sobre o sentido da colegialidade episcopal e a sua experiência de sinodalidade" (246). "O diálogo e a amizade com os filhos de Israel fazem parte da vida dos discípulos de Jesus" (248). "O diálogo inter-religioso", que deve ser conduzido "com uma identidade clara e alegre", é "condição necessária para a paz no mundo" e não obscurece a evangelização (250-251). "Diante de episódios de fundamentalismo violento", a Exortação Apostólica convida a "evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islão e uma adequada interpretação do Alcorão se opõem a toda a violência" (253). Contra a tentativa de privatizar as religiões em alguns contextos, o Papa afirma que "o respeito devido às minorias de agnósticos ou não-crentes não se deve impor de forma arbitrária, que silencie as convicções das maiorias de crentes ou ignore a riqueza das tradições religiosas" (255). Reafirma, assim, a importância do diálogo e da aliança entre crentes e não-crentes (257) .

O último capítulo é dedicado aos "evangelizadores com o Espírito", aqueles "que se abrem sem medo à acção do Espírito Santo", que "infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia, em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo em contracorrente" (259). Trata-se de "evangelizadores que rezam e trabalham" (262), na certeza de que "a missão é uma paixão por Jesus mas, ao mesmo tempo, uma paixão pelo seu povo" (268): "Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros" (270). "Na nossa relação com o mundo – esclarece o Papa - somos convidados a dar a razão da nossa esperança, mas não como inimigos que apontam o dedo e condenam" (271). "Pode ser missionário - acrescenta ele - apenas quem busca o bem do próximo, quem deseja a felicidade dos outros" (272): "se eu conseguir ajudar pelo menos uma única pessoa a viver melhor, isto já é suficiente para justificar o dom da minha vida" (274)

Fonte: Rádio Vaticano / Foto: AFP


25 de novembro de 2013

Eu, rede social

Eu, rede social
Nas últimas semanas duas notícias tornaram-se alarmantes, pois trouxeram à tona a realidade existencial de milhões de adolescentes e jovens. Uma jovem se suicida no Piauí quando tem um vídeo privado divulgado e difundido entre celulares; o outro fato é o suicídio de uma jovem mexicana. O que há em comum é que ambas jovens anunciaram suas mortes em redes sociais, onde receberam centenas de curtidas e comentários.

A pergunta é: por que tal ação? O que leva jovens ao suicídio? Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio juvenil  é a terceira causa de morte entre pessoas de 15 a 44 anos e o suicídio anunciado por meio das redes sociais tem crescido em muitos países.

Hoje o dia-a-dia das pessoas exige uma velocidade muito maior do que há anos atrás, os relacionamentos presenciais foram sendo substituídos pelos virtuais, desencadeando um afastamento do mundo real. A era da informação e da tecnologia está lançada! O íntimo, que não era para ser exposto, mas sim preservado, pois é uma instância de segredo, de ser “dono de si mesmo” está sendo substituído por uma compulsão pela exposição de si nas revistas e nas redes sociais. Na maioria das vezes essa hiperexposição é o sintoma da angústia do vazio.

É indiscutível o papel desempenhado pelas redes sociais no âmbito da vida privada, social, política, comunicacional e profissional. Elas favorecem a interação entre as pessoas. Dão visibilidade, facilitam a comunicação, o reencontro, eliminam as extensões territoriais; além de ter um poder ainda incalculável de convocação e mobilização. As mudanças provocadas pelas redes sociais não são para o futuro, pois elas são presente e intervém significativamente no comportamento das pessoas. A inclusão e a participação nas redes sociais dá a sensação de ter muitos amigos, de estar antenado e conectado aos acontecimentos com uma participação efetiva e eficiente. Tudo isso é uma verdade em termos, pois essas conexões e realidades são raseiras e instáveis, os relacionamentos superficiais e temporários e os vínculos momentâneos.

Na “vida” das redes sociais a busca de novidades é o interesse geral. Os comentários que importam são os seus, enquanto que os dos outros servem para que se possa expressar a opinião individual. A imagem que os outros têm é essencial e a aceitação também. Daí a exposição com fotos, informações de viagens, atividades, emoções e sentimentos. É a sensação de ser querido e bem aceito pelas curtidas e comentários na foto escolhida a dedo dentre as infinidades de álbuns. Há uma disputa de quem aparenta levar uma vida mais bacana, mais interessante e mais feliz. Quando se posta uma foto, a pessoa revela um fragmento daquilo que se deseja que os outros definam e aceitem.

Cada um busca ser mais brilhante, interessante e atraente do que o outro. Nesta empreitada muitos são os seguidores e “amigos”, mas os usuários mais sensatos sabem que são poucos aqueles com os quais se podem contar. O resultado de tudo isso é frustração, solidão e incapacidade de lidar com seus próprios sentimentos.

O nível de suicídio entre os jovens revela que não se está preparado para lidar com as frustrações em meio ao narcisismo da cultura e da mentalidade de que somos sempre o centro do universo e da realidade. A pobreza da vida interior presente no coração das pessoas não encontrará a solução por meio da tecnologia e da posse de bens materiais.

A solidão no século 21 bate à porta de inúmeras pessoas cercadas de “amigos” virtuais. Ao mesmo tempo que os comentários em um post estimulam, são eles também capazes de levar a pessoa à frustração e à necessidade de exposição sem limites, a fim de encontrar nos milhares de usuários virtuais a aceitação que nem a própria pessoa tem dela. Gera-se a angústia, a ansiedade, as frustrações, invejas, raivas, alegrias e curiosidades pelos feedbacks.

Neste emaranhado de relações nas redes sociais deve-se ir além das superficialidades que elas podem oferecer. As relações virtuais e superficiais não podem ser capazes de substituir as reais. O imediatismo do contato pela rede não ultrapassa a grandeza do relacionamento de cada dia reconhecer no outro suas riquezas, tesouros e dons, de forma pessoal. O verdadeiro tesouro dos relacionamentos não está na quantidade, mas o quanto fundo se vai, lançando mutuamente na relação o seu eu na verdadeira recíproca do descobrir e desvelar no rosto do outro um amigo e uma amiga.

Geraldo Trindade
Colunista do Blog Evangelizando
Bacharel em filosofia pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana, estudante de teologia no Seminário São José da arquidiocese de Mariana (MG). Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/



24 de novembro de 2013

O caminho da fé continua

O caminho da fé continua
"A Porta da Fé", que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Batismo (cf. Rm 6,4), Assim tem início a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio do Papa emérito Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé. Papa Bento XVI abriu o Ano da Fé e o Papa Franciso o encerra.

Após um ano de grandes eventos, reflexões, encontros e motivações para a Igreja presente em todo o mundo, fecham-se as portas de um evento, mas não as “porta da fé”. A Missa de encerramento presidida pelo Papa Francisco na Praça São Pedro é somente um ato de continuação da proposta de um tempo de reflexão para que os fiéis em todo o mundo pudessem redescobrir os valores de sua fé. Falando nos dias passados à Rádio Vaticano, o Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, da CNBB, afirmou que a redescoberta da fé foi impulsionada por dois eventos que marcaram este ano: a renúncia de Bento XVI e a eleição do Papa Francisco. Sim o Papa Francisco ajudou a despertar nas pessoas a vontade de crescer na fé, de vivê-la dentro da grande família do Povo de Deus.

O Ano da Fé que nós vivemos nas nossas realidades particulares, paróquias, comunidades, dioceses fez parte de um caminho de Igreja, que tem no seu centro Jesus Cristo; “Jesus é o centro da fé cristã”. Quando Bento XVI convocou este Ano explicou que a Igreja proclama um novo Ano da Fé não para “prestar honras a uma efeméride”, mas sim porque é necessário, mais ainda do que 50 anos atrás, quando se realizou o Vaticano II. Isso porque nos últimos decênios o Papa lembrou que se tem visto o avanço de uma “desertificação” espiritual, um vazio que se espalhou. Mas estas situações, de acordo com o ele, permitem redescobrir a alegria e a importância de crer. “No deserto é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente”. O modo de representar este Ano da Fé é como uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o essencial.

Para muitos este Ano da Fé foi uma verdadeira benção, durante o qual puderam tomar consciência da preciosidade deste dom e da importância de professá-lo sempre com alegria, entusiasmo, amor. O Ano da Fé se conclui, mas a nossa vida de cristãos continua, e o nosso compromisso de sermos testemunhas da Fé que professamos tornou-se mais forte, mais presente na nossa vida diária. Temos agora que conservá-la com respostas concretas nas nossas atitudes cotidianas. É uma semente que cresce e que se bem cuidada produzirá frutos.

Em meio a tantas incertezas da nossa época atual, tivemos a oportunidade de refletir sobre o nosso ser cristão sobre o nosso caminho e nossas convicções religiosas. A proposta do Papa é que todo cristão tenha a sua convicção e a sua identidade na fé católica.

Cabe a cada um de nós conservarmos e fazermos crescer este dom e fazermos com que ele produza frutos.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando.
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".


19 de novembro de 2013

Vocação um chamado para todos!

Vocação um chamado para todos!
"A nossa vocação é a nossa felicidade, tardar a nossa vocação é tardar a nossa felicidade" mas entendam, isso se aplica quando Deus nos chama, e nós rejeitamos por medo a esse chamado, mesmo quando o coração, senti forte que ali possa ser o meu lugar, na qual Deus me chama.

Queremos ouvir, mas forte a voz do Senhor, para termos certeza da nossa vocação, para isso, devemos ir ao encontro desta voz, buscar saber aonde ela ressoa mais forte, e para isto a bússola é o coração, seguido de oração e aconselhamento, mas de fato arriscando naquilo que fala mais forte em meu coração, aonde eu sei que eu posso ser feliz.

Matrimônio, Sacerdócio e Vida Religiosa, três vocações, três estados de vida, na qual precisamos renunciar tudo, de fato, na medida em que cada vocação nos pedi para renunciar, para assim vivê-los, aonde nos três podemos SIM ser santos, ser feliz, dar testemunho e etc., mas vem a questão: De minha parte, qual destas vocações, desses estilos de vida, o meu coração senti um chamado maior? Depois apresenta a Deus a tua vontade, na qual, sempre no final desta apresentação, digamos: Senhor mais que seja feita a tua vontade e não a minha. Deus com certeza dentro do nosso coração irá falar!

Rezemos pelas vocações, pela nossa vocação, na qual Deus nos chama a servi-lo, a segui-lo, a dar tudo, para ganhar TUDO, pois "Deus não nos tira nada, mas nos dar tudo", vocação é a nossa felicidade, é viver como Deus quer que vivamos, se existe um estilo de vida, para cada de nós, isto se chama vocação!

Peçamos a Nossa Senhora, Mãe das Vocações, para que ela nos ajude sempre mais, a discernir confirmando em nosso coração, a nossa vocação, ela saberá bem nos conduzir para aquilo que é o nosso chamado. Senhor escutei o teu chamado no silêncio do Coração: Eis-me aqui, envia-me!

Iury Albino
Coordenador geral da página e do Blog Evangelizando e Totus Tuus Mariae, coordenador da equipe de comunicação da paróquia Nossa Senhora da Conceição em Pacajus, vocacionado da arquidiocese de Fortaleza, membro da equipe do kerigma,scj.


16 de novembro de 2013

Delito contra a dignidade humana

Delito contra a dignidade humana
No início deste mês de novembro, nos dias 2 e 3, realizou-se no Vaticano um encontro internacional dedicado a um assunto de grande atualidade "O tráfico de seres humanos: a escravidão moderna". O evento foi organizado pelas Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais, em parceria com a Federação Mundial das Associações Médicas Católicas (FIAMC), atendendo a um pedido do Papa Francisco.

Ninguém pode negar que o tráfico de seres humanos constitui um terrível delito contra a dignidade humana e uma grave violação dos direitos humanos fundamentais e que, neste novo século, serve para a criação de patrimônios criminosos.

O Concílio Vaticano II já afirmava que a escravidão, a prostituição, o mercado de mulheres e de jovens, - destacou as Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais -, ou ainda as ignominiosas condições de trabalho com as quais os trabalhadores são tratados como simples instrumentos de ganho, e não como pessoas livres e responsáveis são "vergonhosas". Acrescentando que, "prejudicam a civilização humana, desonram aqueles que assim se comportam e ofendem grandemente a honra do Criador".

Por causa do escândalo humano e moral que comportam e dos interesses em questão, que levam ao pessimismo e à resignação, muitas instituições deram as costas para essa tragédia. Portanto afirma a Pontifícia Academia das Ciências, é importante seguir diretamente, ao pé da letra, o desejo do Papa que coloca à atenção do mundo, um dos mais importantes dramas sociais do nosso tempo. Recordamos que a Campanha da Fraternidade no Brasil no próximo ano, 2014, abordará precisamente o tema "Fraternidade e Tráfico Humano" e o lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1).

A exploração sexual, o trabalho escravo e roubo de órgãos são os crimes com maior taxa de crescimento em todo o mundo: essa é uma afirmação que vem das Nações Unidas. Os números do terrível fenômeno falam por si: Segundo um documento divulgado tempos atrás pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, as pessoas vítimas do tráfico seriam 2 milhões e 400 mil. Deste número, 79% é explorado com fins sexuais.

Os bilhões de pobres e miseráveis que caminham errantes neste mundo são o exército, onde organizações do submundo encontram "a sua matéria prima", na maioria mulheres e crianças, dois grupos muito vulneráveis. O tráfico de seres humanos é um atentado ao direito do ser humano e uma forma de escravidão alicerçada em lógicas de exploração sexual e de trabalho, tudo isso ligado a fenômenos sociais como a pobreza e a exclusão social.

Segundo estimativas de organizações que combatem esse flagelo, o tráfico de pessoas é o terceiro comércio ilegal mais lucrativo, depois do tráfico de armas e de drogas, gerando 27 bilhões de euros anuais.

Para diversas entidades envolvidas no combate, sendo um fenômeno transnacional, é necessária uma intervenção articulada entre os diversos países (de origem e de destino das pessoas traficadas), através de prevenção, repressão e mecanismos de apoio às vítimas.

É preciso investir numa educação autêntica das pessoas, principalmente desses grupos mais vulneráveis. É necessária uma ordem internacional mais justa, para que a pobreza e o subdesenvolvimento deixem de constituir um terreno fértil onde os traficantes encontram potenciais vítimas.

A Igreja Católica sempre esteve e estará ao lado dos que sofrem e são explorados, trabalhando não só diretamente com as pessoas, mas também analisando e identificando as rotas deste fenômeno.

O tráfico de seres humanos viola os direitos fundamentais das pessoas e é essencial que se desenvolva um trabalho de intervenção para que este tipo de crime seja completamente erradicado da nossa sociedade.

Há esforços da comunidade internacional em criar leis, acordos para combater este fenômeno, mas apesar disso, o problema persiste. As leis nacionais e os acordos internacionais são necessários, mas não são suficientes para derrotar este flagelo. É necessária a promoção dos direitos fundamentais da pessoa, de cada pessoa, uma tarefa que exige em primeiro lugar "a conversão dos corações".

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".


15 de novembro de 2013

Filme que denuncia indústria do aborto entra em cartaz nos cinemas

Filme que denuncia indústria do aborto entra em cartaz nos cinemas

O filme "Blood Money - Aborto Legalizado" estreia no Brasil, nesta sexta-feira, 15, mas só ficará em cartaz se as pessoas forem ao cinema, especialmente neste primeiro fim de semana. 

A informação é do coordenador nacional de comunicação do Movimento Cidadania pela Vida, Brasil sem Aborto, Luis Eduardo Girão, que comprou os direitos autorais para exibição do filme no Brasil. Segundo ele, é muito importante que as pessoas compareçam aos cinemas como forma de mostrar que "a população está abraçando essa causa”.

Girão destaca ainda que, apesar de mais de 70% da população brasileira ser contra a legalização do aborto, conforme pesquisa dos principais institutos do país, "o tema gera polêmica e causa grande interesse". Por isso, ele espera que a obra provoque repercussão e leve a um debate maduro sobre o assunto. 

Para o doutor em teologia moral, padre Mário Marcelo Coelho, scj, hoje em dia muitos católicos têm dúvida se o aborto é errado ou não, se é ou não pecado. Incerteza que não existia no passado. 

"Estou certo de que as dúvidas que estão aparecendo na cabeça do nosso povo têm sua origem numa campanha que existe a favor do aborto e que estão sendo impostas de uma forma bem sutil. Esta campanha está criando em nossa sociedade a cultura do aborto... O aborto não é terapêutico, não cura a criança nem resolve o problema da mãe, ele elimina a criança", afirmou padre Mário. 

O doutor em moral recordou que outro ponto importante nessa questão são as leis que permitem ou não o aborto. Entretanto, o sacerdote explica que é preciso ter consciência que nem tudo o que é legal é moral. 

"Leis que aprovam o aborto, que não defendem a vida desde o nascimento, são danosas e não merecem ser respeitadas. Nenhuma legislação jamais poderá tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito. Portanto, o aborto é uma pena de morte decretada contra um ser humano frágil e indefeso... A morte direta e voluntária de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral", explicou o especialista.

O filme-documentário, lançado no Brasil no dia 5 de novembro, é uma produção norte-americana independente, assinada pelo diretor David Kyle. A obra traz depoimentos de médicos e outros profissionais da área, de pacientes, cientistas, além de mostrar o drama das mulheres e os aspectos científicos e psicológicos ligados ao aborto. 

A obra fala sobre o "funcionamento legal da indústria do aborto" nos Estados Unidos e mostra como as estruturas médicas disputam e tratam sua "clientela"; aborda também os métodos aplicados pelas clínicas e o destino do "lixo hospitalar", tudo de forma muito realista, explica Girão. 

Assista o Trailer Oficial do Filme: http://www.youtube.com/watch?v=rRAXrLliZuc

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