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30 de novembro de 2013

Você e o pecado

Você e o pecado
"O maior pecado da sociedade atual é ter perdido a noção de pecado". Autor da sentença é o Papa Pio XII, falecido em 1958. Se ela tinha sentido naquela época, o que será hoje, 55 anos depois?! Passei a infância e adolescência sob o pontificado de Pio XII, e lembro muito bem o "clima" que reinava na maior parte dos ambientes "cristãos" (familiares e eclesiásticos) de então, que parecem contradizer a afirmação. O "pecado" dominava soberano, sobretudo no campo da sexualidade. A confissão (pelo menos para as pessoas que buscavam a santidade) devia ser semanal. Poucos se atreviam a comungar sem a ela recorrer. O tema preferido pela maioria dos pregadores eram as terríveis consequências do pecado: os castigos de Deus nesta vida e na eternidade.

Talvez pela força das leis que regem a dialética - tese, antítese e síntese -, hoje a humanidade parece ter passado para "o outro lado": nada mais é pecado. Não poucas das "transgressões" de antigamente passaram a integrar a lista dos direitos humanos. É o caso do divórcio, do aborto e do casamento gay, vistos como conquistas do pluralismo cultural que caracteriza a modernidade. Se alguém ousa divergir, é marginalizado e perseguido, um imbecil ou ingênuo a serviço das forças conservadoras que atravancam o progresso da humanidade. Por sua vez, um número cada vez maior de autoridades civis - em nome do estado laico - apoia e impõe estas e outras mudanças com um autoritarismo que se pensava coisa do passado.

Mas, mesmo que se deva enfrentar a opinião geral, não convém brincar com o futuro e a sobrevivência da humanidade: "Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. Vocês os conhecerão pelos frutos que produzem. Por acaso, colhem-se uvas de espinheiros ou figos de urtigas?" (Mt 7,15-16). Infelizmente, os "frutos" desta guinada em andamento na sociedade estão à vista de todos. Não são os assaltos, os assassinatos, os roubos, a corrupção, o estupro e a pedofilia que ocupam a maior parte dos noticiários e mantêm em sobressalto a população? Só não vê quem não quer. Isso acontece sempre que "cegos guiam outros cegos. Todos caem no mesmo buraco" (Mt 15,14). Não há como negar: "O salário do pecado é a morte" (Rm 6,23).

Na catequese dos meus tempos de criança, aprendi que nascemos e vivemos sob o influxo dos "sete vícios capitais". A doutrina foi retomada pelo Catecismo da Igreja Católica, publicado em 1992: "O pecado cria uma propensão ao pecado; gera o vício pela repetição dos mesmos atos. Disso resultam inclinações perversas, que obscurecem a consciência e corrompem a avaliação concreta do bem e do mal. Assim, o pecado tende a reproduzir-se e a reforçar-se. Os vícios podem ser classificados segundo as virtudes que contrariam, ou ligados aos pecados capitais que a experiência cristã distinguiu. São chamados capitais porque geram outros pecados, outros vícios. São o orgulho, a avareza, a inveja, a ira, a impureza, a gula e a preguiça".

Mahatma Gandhi (1869/1948), em quem era evidente o dom da sabedoria e da perspicácia, prefere falar em "sete pecados da humanidade". A seu ver, eles penetram em todos os ambientes, através de pessoas que fazem do egoísmo o seu deus: política sem princípios, riqueza sem trabalho, prazer sem consciência, conhecimento sem caráter, economia sem ética, ciência sem humanidade e religião sem sacrifício.

Com ele sintoniza a Igreja. Em março de 2008, a imprensa internacional divulgou que o Vaticano havia "acrescentado" - esquecendo que eram denunciados desde o Concílio Vaticano II - outros seis pecados à lista dos sete tradicionais: a pedofilia, a degradação ambiental, o aborto, o tráfico de drogas, as desigualdades sociais e a manipulação genética. São os "pecados sociais", gerados por uma globalização excludente e materialista, fomentada pelo egoísmo de alguns e pela apatia de muitos.

O pecado continua fazendo as suas vítimas. Não foi por nada que Jesus falou: "O espírito é forte, mas a carne é fraca. Rezem e vigiem para não caírem na tentação" (Mt 26,41). Graças a Deus, porém, "onde o pecado foi grande, maior foi a graça" (Rm 5,20). Por isso, ao invés de chorar ou criticar, o cristão prefere "vencer o mal fazendo o bem" (Rm 12,21), pois sabe que "o amor apaga uma multidão de pecados" (1Pd 4,8).

Dom Redovino Rizzardo
Colunista do Blog Evangelizando.
Bispo de Dourados (MS). Realizou seus estudos no Seminário São Carlos, Guaporé (RS), da Congregação dos Missionários de São Carlos, e os completou na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, da Pontifícia Universidade Católica.

27 de novembro de 2013

As "derrapadas" do Papa Francisco

As "derrapadas" do Papa Francisco
"Diante das últimas declarações de Papa Francisco, que deixaram alarmados os católicos de sólida formação, não cínicos antipapas de ontem nem fanáticos papistas de hoje, pensamos ser útil dar umas poucas ideias. É muito difícil emitir um juízo sobre as intenções do Papa a respeito. Pelo tamanho das 'derrapadas doutrinais', parece-nos que se trate mais de pouca inteligência misturada com a típica loquacidade 'achista' episcopal latino-americana, potencializada pelo próprio idealismo pauperista e espiritualista tão agradável à opinião pública, e certo surto de populismo ansioso, desejoso de aparecer e ganhar espaço nas manchetes".

O desairoso comentário não foi emitido por ateus anticlericais, mas por dois padres católicos, que não hesitaram em publicar seu artigo e assinar seus nomes num site religioso. É provável que o tenham feito por não concordarem com os propósitos renovadores do Papa Francisco, expressos em inúmeros gestos considerados contestatórios, de acordo, aliás, com sua convicção mais vezes repetida: "Estou decidido a cumprir com o mandato que me foi confiado. Tenho a humildade e a ambição de querer fazê-lo".

As críticas dos padres demonstram que, para acolher a novidade trazida pelo Evangelho, não apenas os leigos, mas também suas lideranças precisam da sabedoria do coração, que só vinga em pessoas que colocam o bem da Igreja e da humanidade acima de seus interesses e traumas. Foi o que advertiu o próprio Jesus: "É inútil colocar vinho novo em barris velhos: os barris se arrebentam, o vinho se derrama e os vasilhames se perdem. Vinho novo se põe em barris novos, pois ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo. Para ele, o velho é melhor" (Lc 5,37-39). A grande tentação do cristão é tentar conciliar o "novo" do Evangelho com esquemas mentais mundanos. Quando isso acontece, ele prefere ficar com o vinho velho, pois o novo exige um desapego heroico das falsas seguranças construídas ao longo dos anos e uma fé inquebrantável no projeto de Deus.

O que o Papa Francisco entende por reforma da Igreja pode ser avaliado a partir da homilia que proferiu na Casa Santa Marta, no dia 7 de outubro: "O Evangelho nos fala de um homem semimorto, estendido na estrada. Um sacerdote percorre o mesmo caminho - um sacerdote digno, com barrete e tudo! Olha e pensa: 'Não posso parar. Vou chegar tarde à missa'. E foi embora. Não ouviu a voz de Deus. Em seguida, passa um levita, que, talvez, raciocina consigo mesmo: 'Se eu toco neste homem, que pode estar morto, amanhã serei chamado pelo juiz para testemunhar'. E foi embora. Ele também fugiu da voz de Deus. Somente um pecador, um samaritano, alguém distante de Deus, foi capaz de cuidar daquele homem e levá-lo a um albergue. Perdeu a noite toda atrás do ferido. O sacerdote chegou a tempo para a missa, e todos os fiéis ficaram contentes. O levita teve um dia tranquilo, de acordo com o que tinha pensado, sem aquela maçada de se envolver com a justiça".

A reforma da Igreja vai muito além da mera atualização de suas estruturas. Ela se concretiza numa fé e numa espiritualidade que demonstram o amor de Deus pela humanidade. Por isso, uma Igreja que atrai, motiva e converte pela compreensão e benevolência de seus pastores, jamais pela imposição e prepotência. É o que lembrou o cardeal João Braz de Aviz, em entrevista a uma revista brasileira, no mês de setembro: "Precisamos de uma Igreja próxima do povo, formada não de classes, mas de irmãos. Os conceitos de autoridade e de obediência devem mudar e se adaptar: não o valor da obediência e da autoridade em si, mas a maneira de entendê-las e exercê-las. Há muito autoritarismo na Igreja, que é pura dominação. Autoridade não é colocar uma pessoa acima da outra. Autoridade é de irmãos que têm missões diferentes: quem manda e quem obedece estão no mesmo nível".

Por fim, para ser duradoura e eficaz, a reforma da Igreja exige que seus filhos saibam viver a espiritualidade na normalidade da vida. "A graça supõe a natureza", diziam os antigos escolásticos. É a conclusão a que chega também dom João: "Não podemos passar um verniz de misticismo e de espiritualidade sobre a imaturidade humana. Se não conseguirmos desenvolver os valores humanos, será muito difícil integrar e vivenciar a fé".

Dom Redovino Rizzardo
Colunista do Blog Evangelizando.
Bispo de Dourados (MS). Realizou seus estudos no Seminário São Carlos, Guaporé (RS), da Congregação dos Missionários de São Carlos, e os completou na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, da Pontifícia Universidade Católica.


26 de novembro de 2013

"A alegria do Evangelho": publicada Exortação Apostólica do Papa sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual

"A alegria do Evangelho": publicada Exortação Apostólica do Papa sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual



















"A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus": assim inicia a Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium" com a qual o Papa Francisco desenvolve o tema do anúncio do Evangelho no mundo de hoje, recolhendo por outro lado a contribuição dos trabalhos do Sínodo que se realizou no Vaticano de 7 a 28 de Outubro de 2012, com o tema "A nova evangelização para a transmissão da fé". "Desejo dirigir-me aos fiéis cristãos - escreve o Papa - para os convidar a uma nova etapa de evangelização marcada por esta alegria e indicar direcções para o caminho da Igreja nos próximos anos" (1).

O Papa convida a "recuperar a frescura original do Evangelho”, encontrando "novas formas" e "métodos criativos", sem deixarmos enredar Jesus nos nossos "esquemas monótonos" (11). Precisamos de uma "uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão" (25). Requer-se uma "reforma das estruturas" eclesiais para que "todas se tornem mais missionárias" (27) . O Pontífice pensa também numa "conversão do papado", para que seja "mais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe quis dar e às necessidades actuais da evangelização". A esperança de que as Conferências Episcopais pudessem dar um contributo para que "o sentido de colegialidade" se realizasse “concretamente” – afirma o Papa - "não se realizou plenamente" (32). E’ necessária uma “saudável descentralização" (16). Nesta renovação não se deve ter medo de rever costumes da Igreja "não directamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns dos quais profundamente enraizados ao longo da história" (43) .

Sinal de acolhimento de Deus é "ter por todo o lado igrejas com as portas abertas" para que os que vivem uma situação de procura não encontrem "a frieza de uma porta fechada". "Nem mesmo as portas dos Sacramentos se deveriam fechar por qualquer motivo". O Papa Francisco reafirma preferir uma Igreja "ferida e suja por ter saído pelas estradas, em vez de uma Igreja... preocupada em ser o centro e que acaba por ficar prisioneira num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se algo nos deve santamente perturbar ... é que muitos dos nossos irmãos vivem "sem a amizade de Jesus” (49).

O Papa aponta as "tentações dos agentes da pastoral": o individualismo, a crise de identidade, o declínio no fervor (78). "A maior ameaça" é "o pragmatismo incolor da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede na faixa normal, quando na realidade a fé se vai desgastando" (83). Exorta a não se deixar levar por um "pessimismo estéril " (84 ) e a sermos sinais de esperança (86) aplicando a "revolução da ternura" (88).

O Papa lança um apelo às comunidades eclesiais para não caírem em invejas e ciúmes: “dentro do povo de Deus e nas diversas comunidades, quantas guerras!" (98). "A quem queremos nós evangelizar com estes comportamentos?" (100). Sublinha a necessidade de fazer crescer a responsabilidade dos leigos, mantidos "à margem nas decisões" por um "excessivo clericalismo" (102). Afirma que "ainda há necessidade de se ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva na Igreja", em particular "nos diferentes lugares onde são tomadas as decisões importantes" (103). "As reivindicações dos direitos legítimos das mulheres ... não se podem sobrevoar superficialmente" (104). Os jovens devem ter "um maior protagonismo" (106). (…)

Abordando o tema da inculturação, o Papa lembra que "o cristianismo não dispõe de um único modelo cultural" e que o rosto da Igreja é "multiforme" (116). "Não podemos esperar que todos os povos ... para expressar a fé cristã, tenham de imitar as modalidades adoptadas pelos povos europeus num determinado momento da história" (118). O Papa reitera "a força evangelizadora da piedade popular" (122) e incentiva a pesquisa dos teólogos.

O Papa detém-se depois, "com uma certa meticulosidade, na homilia", porque "são muitas as reclamações em relação a este importante ministério e não podemos fechar os ouvidos" (135). A homilia "deve ser breve e evitar de parecer uma conferência ou uma aula " (138), deve ser capaz de dizer "palavras que façam arder os corações", evitando uma "pregação puramente moralista ou para endoutrinar" (142). Sublinha a importância da preparação." (…) O próprio anúncio do Evangelho deve ter características positivas: "proximidade, abertura ao diálogo, paciência, acolhimento cordial que não condena" (165).

Falando dos desafios do mundo contemporâneo, o Papa denuncia o actual sistema económico, que "é injusto pela raiz" (59). "Esta economia mata" porque prevalece a "lei do mais forte". A actual cultura do "descartável" criou "algo de novo": “os excluídos não são ‘explorados’, mas ‘lixo’, 'sobras'" (53). Vivemos uma "nova tirania invisível, por vezes virtual" de um "mercado divinizado", onde reinam a "especulação financeira", "corrupção ramificada", "evasão fiscal egoísta" (56). Denuncia os "ataques à liberdade religiosa" e as "novas situações de perseguição dos cristãos ... Em muitos lugares trata-se pelo contrário de uma difusa indiferença relativista" (61). A família - continua o Papa - "atravessa uma crise cultural profunda.

O Papa reafirma "a íntima conexão entre evangelização e promoção humana" (178 ) e o direito dos Pastores a "emitir opiniões sobre tudo o que se relaciona com a vida das pessoas" (182). "Ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião à secreta intimidade das pessoas, sem qualquer influência na vida social". "A política, tanto denunciada" - diz ele - "é uma das formas mais preciosas de caridade". "Rezo ao Senhor para que nos dê mais políticos que tenham verdadeiramente a peito ... a vida dos pobres!" Em seguida, um aviso: "qualquer comunidade dentro da Igreja" que se esquecer dos pobres corre "o risco de dissolução" (207) .

O Papa convida a cuidar dos mais fracos: "os sem-tecto, os dependentes de drogas, os refugiados, os povos indígenas, os idosos cada vez mais sós e abandonados" e os migrantes, em relação aos quais o Papa exorta os Países "a uma abertura generosa" (210 ). "Entre estes fracos que a Igreja quer cuidar" estão "as crianças em gestação, que são as mais indefesas e inocentes de todos, às quais hoje se quer negar a dignidade humana" (213) . "Não se deve esperar que a Igreja mude a sua posição sobre esta questão ... Não é progressista fingir resolver os problemas eliminando uma vida humana" (214). Neste contexto, um apelo ao respeito de toda a criação: "somos chamados a cuidar da fragilidade das pessoas e do mundo em que vivemos" ( 216) .

Quanto ao tema da paz, o Papa afirma que é "necessária uma voz profética" quando se quer implementar uma falsa reconciliação "que mantém calados" os pobres, enquanto alguns "não querem renunciar aos seus privilégios" (218). Para a construção de uma sociedade "em paz, justiça e fraternidade" indica quatro princípios: "trabalhar a longo prazo, sem a obsessão dos resultados imediatos"; "operar para que os opostos atinjam "uma unidade multifacetada que gera nova vida"; "evitar reduzir a política e a fé à retórica; colocar em conjunto globalização e localização.

"A evangelização - prossegue o Papa - também implica um caminho de diálogo", que abre a Igreja para colaborar com todas as realidades políticas, sociais, religiosas e culturais (238). O ecumenismo é "uma via imprescindível da evangelização". Importante o enriquecimento recíproco: "quantas coisas podemos aprender uns dos outros!". Por exemplo, “no diálogo com os irmãos ortodoxos, nós os católicos temos a possibilidade de aprender alguma coisa mais sobre o sentido da colegialidade episcopal e a sua experiência de sinodalidade" (246). "O diálogo e a amizade com os filhos de Israel fazem parte da vida dos discípulos de Jesus" (248). "O diálogo inter-religioso", que deve ser conduzido "com uma identidade clara e alegre", é "condição necessária para a paz no mundo" e não obscurece a evangelização (250-251). "Diante de episódios de fundamentalismo violento", a Exortação Apostólica convida a "evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islão e uma adequada interpretação do Alcorão se opõem a toda a violência" (253). Contra a tentativa de privatizar as religiões em alguns contextos, o Papa afirma que "o respeito devido às minorias de agnósticos ou não-crentes não se deve impor de forma arbitrária, que silencie as convicções das maiorias de crentes ou ignore a riqueza das tradições religiosas" (255). Reafirma, assim, a importância do diálogo e da aliança entre crentes e não-crentes (257) .

O último capítulo é dedicado aos "evangelizadores com o Espírito", aqueles "que se abrem sem medo à acção do Espírito Santo", que "infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia, em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo em contracorrente" (259). Trata-se de "evangelizadores que rezam e trabalham" (262), na certeza de que "a missão é uma paixão por Jesus mas, ao mesmo tempo, uma paixão pelo seu povo" (268): "Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros" (270). "Na nossa relação com o mundo – esclarece o Papa - somos convidados a dar a razão da nossa esperança, mas não como inimigos que apontam o dedo e condenam" (271). "Pode ser missionário - acrescenta ele - apenas quem busca o bem do próximo, quem deseja a felicidade dos outros" (272): "se eu conseguir ajudar pelo menos uma única pessoa a viver melhor, isto já é suficiente para justificar o dom da minha vida" (274)

Fonte: Rádio Vaticano / Foto: AFP


25 de novembro de 2013

Eu, rede social

Eu, rede social
Nas últimas semanas duas notícias tornaram-se alarmantes, pois trouxeram à tona a realidade existencial de milhões de adolescentes e jovens. Uma jovem se suicida no Piauí quando tem um vídeo privado divulgado e difundido entre celulares; o outro fato é o suicídio de uma jovem mexicana. O que há em comum é que ambas jovens anunciaram suas mortes em redes sociais, onde receberam centenas de curtidas e comentários.

A pergunta é: por que tal ação? O que leva jovens ao suicídio? Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio juvenil  é a terceira causa de morte entre pessoas de 15 a 44 anos e o suicídio anunciado por meio das redes sociais tem crescido em muitos países.

Hoje o dia-a-dia das pessoas exige uma velocidade muito maior do que há anos atrás, os relacionamentos presenciais foram sendo substituídos pelos virtuais, desencadeando um afastamento do mundo real. A era da informação e da tecnologia está lançada! O íntimo, que não era para ser exposto, mas sim preservado, pois é uma instância de segredo, de ser “dono de si mesmo” está sendo substituído por uma compulsão pela exposição de si nas revistas e nas redes sociais. Na maioria das vezes essa hiperexposição é o sintoma da angústia do vazio.

É indiscutível o papel desempenhado pelas redes sociais no âmbito da vida privada, social, política, comunicacional e profissional. Elas favorecem a interação entre as pessoas. Dão visibilidade, facilitam a comunicação, o reencontro, eliminam as extensões territoriais; além de ter um poder ainda incalculável de convocação e mobilização. As mudanças provocadas pelas redes sociais não são para o futuro, pois elas são presente e intervém significativamente no comportamento das pessoas. A inclusão e a participação nas redes sociais dá a sensação de ter muitos amigos, de estar antenado e conectado aos acontecimentos com uma participação efetiva e eficiente. Tudo isso é uma verdade em termos, pois essas conexões e realidades são raseiras e instáveis, os relacionamentos superficiais e temporários e os vínculos momentâneos.

Na “vida” das redes sociais a busca de novidades é o interesse geral. Os comentários que importam são os seus, enquanto que os dos outros servem para que se possa expressar a opinião individual. A imagem que os outros têm é essencial e a aceitação também. Daí a exposição com fotos, informações de viagens, atividades, emoções e sentimentos. É a sensação de ser querido e bem aceito pelas curtidas e comentários na foto escolhida a dedo dentre as infinidades de álbuns. Há uma disputa de quem aparenta levar uma vida mais bacana, mais interessante e mais feliz. Quando se posta uma foto, a pessoa revela um fragmento daquilo que se deseja que os outros definam e aceitem.

Cada um busca ser mais brilhante, interessante e atraente do que o outro. Nesta empreitada muitos são os seguidores e “amigos”, mas os usuários mais sensatos sabem que são poucos aqueles com os quais se podem contar. O resultado de tudo isso é frustração, solidão e incapacidade de lidar com seus próprios sentimentos.

O nível de suicídio entre os jovens revela que não se está preparado para lidar com as frustrações em meio ao narcisismo da cultura e da mentalidade de que somos sempre o centro do universo e da realidade. A pobreza da vida interior presente no coração das pessoas não encontrará a solução por meio da tecnologia e da posse de bens materiais.

A solidão no século 21 bate à porta de inúmeras pessoas cercadas de “amigos” virtuais. Ao mesmo tempo que os comentários em um post estimulam, são eles também capazes de levar a pessoa à frustração e à necessidade de exposição sem limites, a fim de encontrar nos milhares de usuários virtuais a aceitação que nem a própria pessoa tem dela. Gera-se a angústia, a ansiedade, as frustrações, invejas, raivas, alegrias e curiosidades pelos feedbacks.

Neste emaranhado de relações nas redes sociais deve-se ir além das superficialidades que elas podem oferecer. As relações virtuais e superficiais não podem ser capazes de substituir as reais. O imediatismo do contato pela rede não ultrapassa a grandeza do relacionamento de cada dia reconhecer no outro suas riquezas, tesouros e dons, de forma pessoal. O verdadeiro tesouro dos relacionamentos não está na quantidade, mas o quanto fundo se vai, lançando mutuamente na relação o seu eu na verdadeira recíproca do descobrir e desvelar no rosto do outro um amigo e uma amiga.

Geraldo Trindade
Colunista do Blog Evangelizando
Bacharel em filosofia pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana, estudante de teologia no Seminário São José da arquidiocese de Mariana (MG). Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/



24 de novembro de 2013

O caminho da fé continua

O caminho da fé continua
"A Porta da Fé", que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Batismo (cf. Rm 6,4), Assim tem início a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio do Papa emérito Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé. Papa Bento XVI abriu o Ano da Fé e o Papa Franciso o encerra.

Após um ano de grandes eventos, reflexões, encontros e motivações para a Igreja presente em todo o mundo, fecham-se as portas de um evento, mas não as “porta da fé”. A Missa de encerramento presidida pelo Papa Francisco na Praça São Pedro é somente um ato de continuação da proposta de um tempo de reflexão para que os fiéis em todo o mundo pudessem redescobrir os valores de sua fé. Falando nos dias passados à Rádio Vaticano, o Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, da CNBB, afirmou que a redescoberta da fé foi impulsionada por dois eventos que marcaram este ano: a renúncia de Bento XVI e a eleição do Papa Francisco. Sim o Papa Francisco ajudou a despertar nas pessoas a vontade de crescer na fé, de vivê-la dentro da grande família do Povo de Deus.

O Ano da Fé que nós vivemos nas nossas realidades particulares, paróquias, comunidades, dioceses fez parte de um caminho de Igreja, que tem no seu centro Jesus Cristo; “Jesus é o centro da fé cristã”. Quando Bento XVI convocou este Ano explicou que a Igreja proclama um novo Ano da Fé não para “prestar honras a uma efeméride”, mas sim porque é necessário, mais ainda do que 50 anos atrás, quando se realizou o Vaticano II. Isso porque nos últimos decênios o Papa lembrou que se tem visto o avanço de uma “desertificação” espiritual, um vazio que se espalhou. Mas estas situações, de acordo com o ele, permitem redescobrir a alegria e a importância de crer. “No deserto é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente”. O modo de representar este Ano da Fé é como uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o essencial.

Para muitos este Ano da Fé foi uma verdadeira benção, durante o qual puderam tomar consciência da preciosidade deste dom e da importância de professá-lo sempre com alegria, entusiasmo, amor. O Ano da Fé se conclui, mas a nossa vida de cristãos continua, e o nosso compromisso de sermos testemunhas da Fé que professamos tornou-se mais forte, mais presente na nossa vida diária. Temos agora que conservá-la com respostas concretas nas nossas atitudes cotidianas. É uma semente que cresce e que se bem cuidada produzirá frutos.

Em meio a tantas incertezas da nossa época atual, tivemos a oportunidade de refletir sobre o nosso ser cristão sobre o nosso caminho e nossas convicções religiosas. A proposta do Papa é que todo cristão tenha a sua convicção e a sua identidade na fé católica.

Cabe a cada um de nós conservarmos e fazermos crescer este dom e fazermos com que ele produza frutos.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando.
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".


19 de novembro de 2013

Vocação um chamado para todos!

Vocação um chamado para todos!
"A nossa vocação é a nossa felicidade, tardar a nossa vocação é tardar a nossa felicidade" mas entendam, isso se aplica quando Deus nos chama, e nós rejeitamos por medo a esse chamado, mesmo quando o coração, senti forte que ali possa ser o meu lugar, na qual Deus me chama.

Queremos ouvir, mas forte a voz do Senhor, para termos certeza da nossa vocação, para isso, devemos ir ao encontro desta voz, buscar saber aonde ela ressoa mais forte, e para isto a bússola é o coração, seguido de oração e aconselhamento, mas de fato arriscando naquilo que fala mais forte em meu coração, aonde eu sei que eu posso ser feliz.

Matrimônio, Sacerdócio e Vida Religiosa, três vocações, três estados de vida, na qual precisamos renunciar tudo, de fato, na medida em que cada vocação nos pedi para renunciar, para assim vivê-los, aonde nos três podemos SIM ser santos, ser feliz, dar testemunho e etc., mas vem a questão: De minha parte, qual destas vocações, desses estilos de vida, o meu coração senti um chamado maior? Depois apresenta a Deus a tua vontade, na qual, sempre no final desta apresentação, digamos: Senhor mais que seja feita a tua vontade e não a minha. Deus com certeza dentro do nosso coração irá falar!

Rezemos pelas vocações, pela nossa vocação, na qual Deus nos chama a servi-lo, a segui-lo, a dar tudo, para ganhar TUDO, pois "Deus não nos tira nada, mas nos dar tudo", vocação é a nossa felicidade, é viver como Deus quer que vivamos, se existe um estilo de vida, para cada de nós, isto se chama vocação!

Peçamos a Nossa Senhora, Mãe das Vocações, para que ela nos ajude sempre mais, a discernir confirmando em nosso coração, a nossa vocação, ela saberá bem nos conduzir para aquilo que é o nosso chamado. Senhor escutei o teu chamado no silêncio do Coração: Eis-me aqui, envia-me!

Iury Albino
Coordenador geral da página e do Blog Evangelizando e Totus Tuus Mariae, coordenador da equipe de comunicação da paróquia Nossa Senhora da Conceição em Pacajus, vocacionado da arquidiocese de Fortaleza, membro da equipe do kerigma,scj.


16 de novembro de 2013

Delito contra a dignidade humana

Delito contra a dignidade humana
No início deste mês de novembro, nos dias 2 e 3, realizou-se no Vaticano um encontro internacional dedicado a um assunto de grande atualidade "O tráfico de seres humanos: a escravidão moderna". O evento foi organizado pelas Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais, em parceria com a Federação Mundial das Associações Médicas Católicas (FIAMC), atendendo a um pedido do Papa Francisco.

Ninguém pode negar que o tráfico de seres humanos constitui um terrível delito contra a dignidade humana e uma grave violação dos direitos humanos fundamentais e que, neste novo século, serve para a criação de patrimônios criminosos.

O Concílio Vaticano II já afirmava que a escravidão, a prostituição, o mercado de mulheres e de jovens, - destacou as Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais -, ou ainda as ignominiosas condições de trabalho com as quais os trabalhadores são tratados como simples instrumentos de ganho, e não como pessoas livres e responsáveis são "vergonhosas". Acrescentando que, "prejudicam a civilização humana, desonram aqueles que assim se comportam e ofendem grandemente a honra do Criador".

Por causa do escândalo humano e moral que comportam e dos interesses em questão, que levam ao pessimismo e à resignação, muitas instituições deram as costas para essa tragédia. Portanto afirma a Pontifícia Academia das Ciências, é importante seguir diretamente, ao pé da letra, o desejo do Papa que coloca à atenção do mundo, um dos mais importantes dramas sociais do nosso tempo. Recordamos que a Campanha da Fraternidade no Brasil no próximo ano, 2014, abordará precisamente o tema "Fraternidade e Tráfico Humano" e o lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1).

A exploração sexual, o trabalho escravo e roubo de órgãos são os crimes com maior taxa de crescimento em todo o mundo: essa é uma afirmação que vem das Nações Unidas. Os números do terrível fenômeno falam por si: Segundo um documento divulgado tempos atrás pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, as pessoas vítimas do tráfico seriam 2 milhões e 400 mil. Deste número, 79% é explorado com fins sexuais.

Os bilhões de pobres e miseráveis que caminham errantes neste mundo são o exército, onde organizações do submundo encontram "a sua matéria prima", na maioria mulheres e crianças, dois grupos muito vulneráveis. O tráfico de seres humanos é um atentado ao direito do ser humano e uma forma de escravidão alicerçada em lógicas de exploração sexual e de trabalho, tudo isso ligado a fenômenos sociais como a pobreza e a exclusão social.

Segundo estimativas de organizações que combatem esse flagelo, o tráfico de pessoas é o terceiro comércio ilegal mais lucrativo, depois do tráfico de armas e de drogas, gerando 27 bilhões de euros anuais.

Para diversas entidades envolvidas no combate, sendo um fenômeno transnacional, é necessária uma intervenção articulada entre os diversos países (de origem e de destino das pessoas traficadas), através de prevenção, repressão e mecanismos de apoio às vítimas.

É preciso investir numa educação autêntica das pessoas, principalmente desses grupos mais vulneráveis. É necessária uma ordem internacional mais justa, para que a pobreza e o subdesenvolvimento deixem de constituir um terreno fértil onde os traficantes encontram potenciais vítimas.

A Igreja Católica sempre esteve e estará ao lado dos que sofrem e são explorados, trabalhando não só diretamente com as pessoas, mas também analisando e identificando as rotas deste fenômeno.

O tráfico de seres humanos viola os direitos fundamentais das pessoas e é essencial que se desenvolva um trabalho de intervenção para que este tipo de crime seja completamente erradicado da nossa sociedade.

Há esforços da comunidade internacional em criar leis, acordos para combater este fenômeno, mas apesar disso, o problema persiste. As leis nacionais e os acordos internacionais são necessários, mas não são suficientes para derrotar este flagelo. É necessária a promoção dos direitos fundamentais da pessoa, de cada pessoa, uma tarefa que exige em primeiro lugar "a conversão dos corações".

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".


15 de novembro de 2013

Filme que denuncia indústria do aborto entra em cartaz nos cinemas

Filme que denuncia indústria do aborto entra em cartaz nos cinemas

O filme "Blood Money - Aborto Legalizado" estreia no Brasil, nesta sexta-feira, 15, mas só ficará em cartaz se as pessoas forem ao cinema, especialmente neste primeiro fim de semana. 

A informação é do coordenador nacional de comunicação do Movimento Cidadania pela Vida, Brasil sem Aborto, Luis Eduardo Girão, que comprou os direitos autorais para exibição do filme no Brasil. Segundo ele, é muito importante que as pessoas compareçam aos cinemas como forma de mostrar que "a população está abraçando essa causa”.

Girão destaca ainda que, apesar de mais de 70% da população brasileira ser contra a legalização do aborto, conforme pesquisa dos principais institutos do país, "o tema gera polêmica e causa grande interesse". Por isso, ele espera que a obra provoque repercussão e leve a um debate maduro sobre o assunto. 

Para o doutor em teologia moral, padre Mário Marcelo Coelho, scj, hoje em dia muitos católicos têm dúvida se o aborto é errado ou não, se é ou não pecado. Incerteza que não existia no passado. 

"Estou certo de que as dúvidas que estão aparecendo na cabeça do nosso povo têm sua origem numa campanha que existe a favor do aborto e que estão sendo impostas de uma forma bem sutil. Esta campanha está criando em nossa sociedade a cultura do aborto... O aborto não é terapêutico, não cura a criança nem resolve o problema da mãe, ele elimina a criança", afirmou padre Mário. 

O doutor em moral recordou que outro ponto importante nessa questão são as leis que permitem ou não o aborto. Entretanto, o sacerdote explica que é preciso ter consciência que nem tudo o que é legal é moral. 

"Leis que aprovam o aborto, que não defendem a vida desde o nascimento, são danosas e não merecem ser respeitadas. Nenhuma legislação jamais poderá tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito. Portanto, o aborto é uma pena de morte decretada contra um ser humano frágil e indefeso... A morte direta e voluntária de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral", explicou o especialista.

O filme-documentário, lançado no Brasil no dia 5 de novembro, é uma produção norte-americana independente, assinada pelo diretor David Kyle. A obra traz depoimentos de médicos e outros profissionais da área, de pacientes, cientistas, além de mostrar o drama das mulheres e os aspectos científicos e psicológicos ligados ao aborto. 

A obra fala sobre o "funcionamento legal da indústria do aborto" nos Estados Unidos e mostra como as estruturas médicas disputam e tratam sua "clientela"; aborda também os métodos aplicados pelas clínicas e o destino do "lixo hospitalar", tudo de forma muito realista, explica Girão. 

Assista o Trailer Oficial do Filme: http://www.youtube.com/watch?v=rRAXrLliZuc

11 de novembro de 2013

Faleceu hoje pela manhã, o Cardeal Domenico Bartolucci, grande compositor sacro e Maestro Perpétuo Emérito do Coro da Capela Sistina.

Faleceu hoje pela manhã, o Cardeal Domenico Bartolucci, grande compositor sacro e Maestro Perpétuo Emérito do Coro da Capela Sistina.
Entregou hoje sua alma a Deus, aos 96 anos de idade, o Cardeal Domenico Bartolucci, grande compositor sacro e Maestro Perpétuo Emérito do Coro da Capela Sistina.

Nascera no território da Arquidiocese de Florença, em cujo seminário ingressou e em cujo clero foi incardinado pela ordenação sacerdotal em 1939. Neste mesmo ano obteve o diploma de composição e direção de orquestra e passou a lecionar Música Sacra no seminário de sua diocese. Não demorou muito para que seus conhecimentos o levassem à Roma, onde foi inicialmente nomeado vice-diretor da Capela Musical da Basílica do Latrão e depois da Basílica de Santa Maria Maior.

Em 1956, começara a mais importante parte de sua vida: com a morte do Maestro Lorenzo Perosi, Pio XII o nomeia diretor perpétuo do Coro da Capela Sistina, pelo qual, naturalmente, passa a reger os cantos das Missas Papais (ainda raras naqueles anos) e a compor a procissão de ingresso dos próximos 5 conclaves.

Em 1965, é nomeado por Paulo VI como Monsenhor Prelado de Honra de Sua Santidade.

Em 1997, o então Mestre das Celebrações Litúrgicas, Dom Piero Marini, que poderia deliberar também sobre este cargo diretamente envolvido com o seu, o removera de suas funções como Maestro musical. Apesar dos 80 anos de idade na época, foi uma surpresa tanto diante de sua vitalidade quanto do caráter "ad vitam" (perpétuo) que Pio XII conferira à sua função. Meses antes da iminência do triste fato, o então Cardeal Ratzinger lhe disse "Resista, Maestro, resista".

Já como Papa, foi Bento XVI que o condecorou, em novembro de 2010, com a maior homenagem da Igreja a alguém vivo: a criação cardinalícia pela diaconia dos Santíssimos Nomes de Jesus e Maria na Via Lata, que agora está, portanto, vacante. Em razão de sua alta idade na época, 93 anos, foi dispensado da obrigatoriedade de, sendo cardeal, receber a sagração episcopal.

Com informações da Rádio Vaticana, da Diocese de Roma e Fratres In Unum.

Créditos de imagem reservados.

9 de novembro de 2013

Vai e restaura a minha Igreja!

Vai e restaura a minha Igreja!
No dia 4 de outubro, o Papa Francisco esteve em Assis para uma visita de amizade e gratidão a um santo de quem escolheu não apenas o nome, mas, sobretudo, o ardor em levar adiante uma missão que ambos assumiram, sintetizada nas palavras que São Francisco ouviu na ermida de São Damião: "Vai e restaura a minha Igreja!".

Dentre os vários discursos que o Pontífice fez na cidade, ganhou as manchetes dos jornais o que pronunciou na residência do bispo local, no ambiente denominado "Sala do Despojamento", onde, em 1205, o jovem Francisco, aos 23 anos, devolveu suas roupas ao progenitor, Pedro Bernardo, afirmando que, daquele momento em diante, seu pai era Deus e sua família, a Igreja.

Além do bispo de Assis - a quem o Papa saudou carinhosamente como "meu irmão Domingos" -, estavam na sala várias pessoas assistidas pela Cáritas diocesana. Foi a elas que Francisco dirigiu a palavra, aprofundando o conceito de despojamento, considerando-o essencial para uma autêntica restauração da Igreja e da sociedade. Trago seus tópicos mais incisivos: o conteúdo é dele, a tradução (nem sempre literal) é minha.

A Igreja deve despojar-se constantemente de um perigo extremamente grave, que ameaça a todos os seus membros: a "mundanidade", ou seja, a tentativa de conciliar o cristianismo com o espírito do mundo. Esse despojamento não se refere tanto - ou não somente - aos trajes, aos pertences, às estruturas e aos ambientes eclesiásticos. O passo a ser dado é muito mais amplo e radical, e envolve o estilo de vida e de atuação do cristão. Ele foi sintetizado por São Paulo nas palavras com que apresenta o exemplo de Jesus: "Esvaziou-se a si mesmo, assumiu a condição de servo e se fez semelhante aos homens" (Fl 2,7).

Quando não existe esse despojamento interior - e, na medida do possível, também exterior - o coração humano passa a ser ocupado pelo orgulho, pela vaidade e pela ambição, que transformam a vida, a Igreja e a sociedade num campo minado, onde tudo e todos devem estar ao meu dispor e serviço. Muito diferente do caminho percorrido por Jesus, "que veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela salvação de todos" (Mt 20,28). Sem esse despojamento, ninguém terá vontade e forças para ocupar "o último lugar" - o único onde se encontra Deus - e muito menos para procurar "os últimos" da sociedade (cf. Lc 14,10.13).

É preciso despojar-se para ter condições de acolher a multidão de despojados por um mundo selvagem que não oferece condições, não socorre, não se importa se há crianças morrendo de fome, famílias sem ter com que se alimentar e tanta gente sujeita à escravidão. O caminho de quem não se esvazia para se preencher de Deus, termina num beco sem saída e, quem o percorre, tenta o impossível: servir a Deus e ao dinheiro, conciliar a segurança da fé com a do mundo. Um caminho que mata a alma, as pessoas, a Igreja. Não existe cristianismo sem cruz nem cristãos de pastelaria, com tortas e doces fascinantes!

Francisco encerrou suas palavras pedindo a Deus "que dê a todos a coragem de nos despojarmos não de 20 centavos, mas do espírito do mundo, que é a lepra, o câncer da Igreja e da sociedade!". Talvez tenha sido por isso que, poucos dias depois, pediu a dois bispos europeus que deixassem o cargo, já que pareciam não ter forças suficientes para acompanhá-lo nessa tarefa.

Essa sua constante preocupação pela renovação da Igreja lhe foi impressa no coração por seu predecessor, o Papa João XXX, o qual, em 1959, a um diplomata que lhe perguntava quais seriam os objetivos do Concílio, respondeu: "Precisamos retirar a poeira imperial que, desde Constantino, se acumulou sobre a cátedra de São Pedro, prejudicando a verdadeira imagem e missão da Igreja no mundo".

Inclusive nas críticas que recebe por apresentar mais o caminho a percorrer do que os perigos a evitar, Francisco se mantém fiel à orientação do mesmo Pontífice, expressa no dia 11 de outubro de 1962, ao inaugurar o Concílio: "A Igreja sempre se opôs aos erros, e muitas vezes os condenou com a maior severidade. Em nossos dias, porém, ela prefere recorrer mais ao remédio da misericórdia que ao da severidade, e julga satisfazer melhor às necessidades atuais mostrando o valor de sua doutrina do que censurando os desvios".

Dom Redovino Rizzardo
Colunista do Blog Evangelizando
Bispo de Dourados (MS). Realizou seus estudos no Seminário São Carlos, Guaporé (RS), da Congregação dos Missionários de São Carlos, e os completou na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, da Pontifícia Universidade Católica.


Uma lição de caridade

Uma lição de caridade
A prática da caridade e do amor: o Papa Francisco na última quarta-feira, durante a audiência geral na praça São Pedro pediu aos presentes um ato concreto de caridade para com uma menina gravemente enferma; brincou... não vamos fazer uma coleta, mas sim rezar todos juntos pela sua cura; o nome da menina é Noemi. A caridade precisa de um ato concreto, de ação e não de intenção... O Papa Francisco vem continuamente insistindo para que o cristão saia da "casca" e se transforme em fermento da sociedade, mas de modo concreto. No centro dessa ação está o amor.

A oração solicitada pelo Papa comoveu milhares dos presentes na praça São Pedro: Francisco pediu um ato de amor para quem ninguém conhecia; "mesmo se se não a conhecemos ela é uma de nós", disse.

Noemi tem dezesseis meses, e desde quando nasceu, vive com uma doença terrível, a atrofia muscular espinhal (SMA). Ao lado do amor dos genitores da menina, está também o amor do Papa que telefonou para o pai, Andrea Sciarreta. De fato no dia 14 de outubro, quando o telefone de Andrea tocou, do outro lado estava Francisco que abraçou espiritualmente a menina e os pais. O calvário da família Sciarreta recebeu o conforto e a proximidade do Santo Padre. Desde então os contatos foram frequentes, culminando com o encontro na Casa Santa Marta, na última quarta-feira.

O que o Papa fez nesta semana, falando e demonstrando publicamente, sobre um encontro privado com o sofrimento de uma família, é mais um exemplo de como nós cristãos podemos responder às exigências e dificuldades de quem está ao nosso lado, e que muitas vezes definha diante da nossa insensibilidade. É preciso ter tempo para parar e olhar ao nosso redor, para aqueles que não conhecemos, mas que necessitam da nossa ajuda; eles são nossos irmãos e irmãs que muitas vezes se apagam lentamente na maior indiferença de todos.

Na audiência de quarta-feira o Papa Francisco falou dos carismas e da importância deles na vida das pessoas, da comunidade. Os carismas são importantes e são meios para fazer com que cresçamos na caridade. Todos nós temos carismas especiais que devemos descobrir e utilizar.

É justamente na caridade que demonstramos o amor, que compartilhamos dos sofrimentos e das alegrias do outro. Caridade rima com solidariedade, e não deve ser somente uma figura retórica. Se vivemos a caridade, devemos vivê-la até o fim, sem medidas, "sem mas, e sem porém"... O Papa nos alerta que a nossa ação não deve ser uma "caridadezinha" para descargo de consciência, mas sim um entrar nas dores e alegrias do outro, tornando-as nossas.

A lição desta semana apresentada pelo Papa através de seus gestos nos deve levar a uma reflexão ainda mais profunda do nosso ser cristão. Estamos, talvez, acostumados a nos identificar com a nossa fé somente quando entramos na igreja para rezar, ou para uma celebração; pertenço a essa Igreja então vou lá. Mas o caminho para chegar até ela está repleto de oportunidades para colocar em prática aquela fé que pode se transformar em amor, em caridade; e frequentemente temos a utópica visão de que o essencial está nas paredes do local sagrado. Esquecemos que o nosso irmão também é templo sagrado e perdemos a oportunidade de viver a real dimensão daquilo que em que cremos.

Assim muitas vezes desgastamos a palavra caridade sem viver ou conhecer o amor, o verdadeiro amor... nos iludimos; e quem diz que ama sem praticar a caridade, certamente vive no engano.

Caridade e amor caminham juntos; a caridade é a eficácia do amor. "Quem não ama o próprio irmão que vê, não pode amar a Deus que não vê" (1 Jo. 4,20). Papa Francisco pede a todos nós que vivamos a Caridade e que não construamos a ilusão do sermos felizes sozinhos.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".



8 de novembro de 2013

ANO DA FÉ: término ou início

ANO DA FÉ: término ou início
O Ano da Fé convocado por Bento XVI teve início no dia 11 de outubro de 2012, mesmo dia em que há 50 anos se celebrava a abertura do Concílio Vaticano II. Destacou-se, dessa forma, que o Concílio e seus desdobramentos giram em torno do anúncio ao homem de hoje sobre Deus e da importância da fé para sua vida. No fim deste ano tão especial fica claro que foi uma ocasião única para reavivar a fé dos católicos e animá-los no espírito de uma evangelização mais convicta.

A Igreja não é uma realidade estática e à parte do mundo que a cerca. Daí a necessidade de compreender o Vaticano II como um evento carregado de esperança no intuito de favorecer o anúncio do Evangelho de Cristo. A Igreja renova ininterruptamente a Sua fé no Senhor Jesus. A fé, que a Igreja é depositária e guardiã, é uma abertura ao amor de Cristo! Ela alarga o “eu” a uma dimensão de “nós” e do “humano” ao “divino”.

No dia 24 de novembro, Solenidade de Cristo Rei do Universo, se dará o encerramento do Ano da Fé pelo papa Francisco. Neste período muito foi feito e promovido: esforço em valorizar a fé, conhecendo-a, aprofundando-a e vivendo-a com mais intensidade; aprofundamento nos documentos conciliares; valorização do Catecismo da Igreja Católica, o seu estudo como oportunidade de aprofundamento da fé e torná-la consciente e firme; ações para a transmissão da fé; renovação missionária da Igreja em nível local e paroquial; o fortalecimento da fé, em meio às adversidades, pelo testemunho cristão...

Encerra-se o Ano da Fé, mas o esforço empreendido se perpetua. A fé, após este ano, deve sair mais robusta, mais esclarecida, mais capaz de dar testemunho e de experimentar a confiança no Senhor. Conhecer, viver e transmitir a fé são compromissos irrenunciáveis do batismo e devem ser assumidos no findar deste ano. Os esforços não se esgotam em um tempo determinado, mas traduzem a missão perene da Igreja: viver da fé professada, vivida e celebrada em Jesus Cristo.

Por isso, o itinerário proposto pelo papa emérito na Carta Apostólica Porta Fidei (PF) e levado adiante pelo Francisco continua atual, necessário e enriquecedor para a fé e a Igreja. A fé é um meio para um acesso exclusivo à intimidade profunda com Deus (PF 1). No itinerário de fé é preciso que se ajude os outros a atravessarem o deserto e encontrem Cristo, fonte que sacia todas as sedes (PF 2). Destaque neste itinerário é a Palavra de Deus e a Eucaristia. “Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quanto são seus discípulos (cf. Jo 6, 51)” (PF 3).

É preciso que cada fiel experimente e testemunhe o amor de Deus, pois “os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou” (PF 6). É necessário reacender a chama da fé por meio da conversão constante ao Senhor da vida, do coração e das ações pastorais (PF 6). Neste processo metanoico a fé cresce e se fortalece quando se abandona progressivamente no amor de Deus (PF 7).

Outros dois pilares que se deve valorizar são o valor da profissão de fé (PF 9) e o estudo do catecismo (PF 11); como também a vivência e o testemunho da caridade (PF 14). Assim, o Ano da Fé não encontra seu término no plano espiritual, mas se constituirá, para além da data oficial do programa da Igreja, uma disposição de vida espiritual rico e inesgotável para crescer na fé e no amor a Igreja e, acima de tudo, a Cristo (PF 15).

ANO DA FÉ: término ou início
Geraldo Trindade 
Colunista do Blog Evangelizando
Bacharel em filosofia pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana, estudante de teologia no Seminário São José da arquidiocese de Mariana (MG). Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/




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