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24 de novembro de 2013

O caminho da fé continua

O caminho da fé continua
"A Porta da Fé", que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Batismo (cf. Rm 6,4), Assim tem início a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio do Papa emérito Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé. Papa Bento XVI abriu o Ano da Fé e o Papa Franciso o encerra.

Após um ano de grandes eventos, reflexões, encontros e motivações para a Igreja presente em todo o mundo, fecham-se as portas de um evento, mas não as “porta da fé”. A Missa de encerramento presidida pelo Papa Francisco na Praça São Pedro é somente um ato de continuação da proposta de um tempo de reflexão para que os fiéis em todo o mundo pudessem redescobrir os valores de sua fé. Falando nos dias passados à Rádio Vaticano, o Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, da CNBB, afirmou que a redescoberta da fé foi impulsionada por dois eventos que marcaram este ano: a renúncia de Bento XVI e a eleição do Papa Francisco. Sim o Papa Francisco ajudou a despertar nas pessoas a vontade de crescer na fé, de vivê-la dentro da grande família do Povo de Deus.

O Ano da Fé que nós vivemos nas nossas realidades particulares, paróquias, comunidades, dioceses fez parte de um caminho de Igreja, que tem no seu centro Jesus Cristo; “Jesus é o centro da fé cristã”. Quando Bento XVI convocou este Ano explicou que a Igreja proclama um novo Ano da Fé não para “prestar honras a uma efeméride”, mas sim porque é necessário, mais ainda do que 50 anos atrás, quando se realizou o Vaticano II. Isso porque nos últimos decênios o Papa lembrou que se tem visto o avanço de uma “desertificação” espiritual, um vazio que se espalhou. Mas estas situações, de acordo com o ele, permitem redescobrir a alegria e a importância de crer. “No deserto é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente”. O modo de representar este Ano da Fé é como uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o essencial.

Para muitos este Ano da Fé foi uma verdadeira benção, durante o qual puderam tomar consciência da preciosidade deste dom e da importância de professá-lo sempre com alegria, entusiasmo, amor. O Ano da Fé se conclui, mas a nossa vida de cristãos continua, e o nosso compromisso de sermos testemunhas da Fé que professamos tornou-se mais forte, mais presente na nossa vida diária. Temos agora que conservá-la com respostas concretas nas nossas atitudes cotidianas. É uma semente que cresce e que se bem cuidada produzirá frutos.

Em meio a tantas incertezas da nossa época atual, tivemos a oportunidade de refletir sobre o nosso ser cristão sobre o nosso caminho e nossas convicções religiosas. A proposta do Papa é que todo cristão tenha a sua convicção e a sua identidade na fé católica.

Cabe a cada um de nós conservarmos e fazermos crescer este dom e fazermos com que ele produza frutos.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando.
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".


19 de novembro de 2013

Vocação um chamado para todos!

Vocação um chamado para todos!
"A nossa vocação é a nossa felicidade, tardar a nossa vocação é tardar a nossa felicidade" mas entendam, isso se aplica quando Deus nos chama, e nós rejeitamos por medo a esse chamado, mesmo quando o coração, senti forte que ali possa ser o meu lugar, na qual Deus me chama.

Queremos ouvir, mas forte a voz do Senhor, para termos certeza da nossa vocação, para isso, devemos ir ao encontro desta voz, buscar saber aonde ela ressoa mais forte, e para isto a bússola é o coração, seguido de oração e aconselhamento, mas de fato arriscando naquilo que fala mais forte em meu coração, aonde eu sei que eu posso ser feliz.

Matrimônio, Sacerdócio e Vida Religiosa, três vocações, três estados de vida, na qual precisamos renunciar tudo, de fato, na medida em que cada vocação nos pedi para renunciar, para assim vivê-los, aonde nos três podemos SIM ser santos, ser feliz, dar testemunho e etc., mas vem a questão: De minha parte, qual destas vocações, desses estilos de vida, o meu coração senti um chamado maior? Depois apresenta a Deus a tua vontade, na qual, sempre no final desta apresentação, digamos: Senhor mais que seja feita a tua vontade e não a minha. Deus com certeza dentro do nosso coração irá falar!

Rezemos pelas vocações, pela nossa vocação, na qual Deus nos chama a servi-lo, a segui-lo, a dar tudo, para ganhar TUDO, pois "Deus não nos tira nada, mas nos dar tudo", vocação é a nossa felicidade, é viver como Deus quer que vivamos, se existe um estilo de vida, para cada de nós, isto se chama vocação!

Peçamos a Nossa Senhora, Mãe das Vocações, para que ela nos ajude sempre mais, a discernir confirmando em nosso coração, a nossa vocação, ela saberá bem nos conduzir para aquilo que é o nosso chamado. Senhor escutei o teu chamado no silêncio do Coração: Eis-me aqui, envia-me!

Iury Albino
Coordenador geral da página e do Blog Evangelizando e Totus Tuus Mariae, coordenador da equipe de comunicação da paróquia Nossa Senhora da Conceição em Pacajus, vocacionado da arquidiocese de Fortaleza, membro da equipe do kerigma,scj.


16 de novembro de 2013

Delito contra a dignidade humana

Delito contra a dignidade humana
No início deste mês de novembro, nos dias 2 e 3, realizou-se no Vaticano um encontro internacional dedicado a um assunto de grande atualidade "O tráfico de seres humanos: a escravidão moderna". O evento foi organizado pelas Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais, em parceria com a Federação Mundial das Associações Médicas Católicas (FIAMC), atendendo a um pedido do Papa Francisco.

Ninguém pode negar que o tráfico de seres humanos constitui um terrível delito contra a dignidade humana e uma grave violação dos direitos humanos fundamentais e que, neste novo século, serve para a criação de patrimônios criminosos.

O Concílio Vaticano II já afirmava que a escravidão, a prostituição, o mercado de mulheres e de jovens, - destacou as Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais -, ou ainda as ignominiosas condições de trabalho com as quais os trabalhadores são tratados como simples instrumentos de ganho, e não como pessoas livres e responsáveis são "vergonhosas". Acrescentando que, "prejudicam a civilização humana, desonram aqueles que assim se comportam e ofendem grandemente a honra do Criador".

Por causa do escândalo humano e moral que comportam e dos interesses em questão, que levam ao pessimismo e à resignação, muitas instituições deram as costas para essa tragédia. Portanto afirma a Pontifícia Academia das Ciências, é importante seguir diretamente, ao pé da letra, o desejo do Papa que coloca à atenção do mundo, um dos mais importantes dramas sociais do nosso tempo. Recordamos que a Campanha da Fraternidade no Brasil no próximo ano, 2014, abordará precisamente o tema "Fraternidade e Tráfico Humano" e o lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1).

A exploração sexual, o trabalho escravo e roubo de órgãos são os crimes com maior taxa de crescimento em todo o mundo: essa é uma afirmação que vem das Nações Unidas. Os números do terrível fenômeno falam por si: Segundo um documento divulgado tempos atrás pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, as pessoas vítimas do tráfico seriam 2 milhões e 400 mil. Deste número, 79% é explorado com fins sexuais.

Os bilhões de pobres e miseráveis que caminham errantes neste mundo são o exército, onde organizações do submundo encontram "a sua matéria prima", na maioria mulheres e crianças, dois grupos muito vulneráveis. O tráfico de seres humanos é um atentado ao direito do ser humano e uma forma de escravidão alicerçada em lógicas de exploração sexual e de trabalho, tudo isso ligado a fenômenos sociais como a pobreza e a exclusão social.

Segundo estimativas de organizações que combatem esse flagelo, o tráfico de pessoas é o terceiro comércio ilegal mais lucrativo, depois do tráfico de armas e de drogas, gerando 27 bilhões de euros anuais.

Para diversas entidades envolvidas no combate, sendo um fenômeno transnacional, é necessária uma intervenção articulada entre os diversos países (de origem e de destino das pessoas traficadas), através de prevenção, repressão e mecanismos de apoio às vítimas.

É preciso investir numa educação autêntica das pessoas, principalmente desses grupos mais vulneráveis. É necessária uma ordem internacional mais justa, para que a pobreza e o subdesenvolvimento deixem de constituir um terreno fértil onde os traficantes encontram potenciais vítimas.

A Igreja Católica sempre esteve e estará ao lado dos que sofrem e são explorados, trabalhando não só diretamente com as pessoas, mas também analisando e identificando as rotas deste fenômeno.

O tráfico de seres humanos viola os direitos fundamentais das pessoas e é essencial que se desenvolva um trabalho de intervenção para que este tipo de crime seja completamente erradicado da nossa sociedade.

Há esforços da comunidade internacional em criar leis, acordos para combater este fenômeno, mas apesar disso, o problema persiste. As leis nacionais e os acordos internacionais são necessários, mas não são suficientes para derrotar este flagelo. É necessária a promoção dos direitos fundamentais da pessoa, de cada pessoa, uma tarefa que exige em primeiro lugar "a conversão dos corações".

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".


15 de novembro de 2013

Filme que denuncia indústria do aborto entra em cartaz nos cinemas

Filme que denuncia indústria do aborto entra em cartaz nos cinemas

O filme "Blood Money - Aborto Legalizado" estreia no Brasil, nesta sexta-feira, 15, mas só ficará em cartaz se as pessoas forem ao cinema, especialmente neste primeiro fim de semana. 

A informação é do coordenador nacional de comunicação do Movimento Cidadania pela Vida, Brasil sem Aborto, Luis Eduardo Girão, que comprou os direitos autorais para exibição do filme no Brasil. Segundo ele, é muito importante que as pessoas compareçam aos cinemas como forma de mostrar que "a população está abraçando essa causa”.

Girão destaca ainda que, apesar de mais de 70% da população brasileira ser contra a legalização do aborto, conforme pesquisa dos principais institutos do país, "o tema gera polêmica e causa grande interesse". Por isso, ele espera que a obra provoque repercussão e leve a um debate maduro sobre o assunto. 

Para o doutor em teologia moral, padre Mário Marcelo Coelho, scj, hoje em dia muitos católicos têm dúvida se o aborto é errado ou não, se é ou não pecado. Incerteza que não existia no passado. 

"Estou certo de que as dúvidas que estão aparecendo na cabeça do nosso povo têm sua origem numa campanha que existe a favor do aborto e que estão sendo impostas de uma forma bem sutil. Esta campanha está criando em nossa sociedade a cultura do aborto... O aborto não é terapêutico, não cura a criança nem resolve o problema da mãe, ele elimina a criança", afirmou padre Mário. 

O doutor em moral recordou que outro ponto importante nessa questão são as leis que permitem ou não o aborto. Entretanto, o sacerdote explica que é preciso ter consciência que nem tudo o que é legal é moral. 

"Leis que aprovam o aborto, que não defendem a vida desde o nascimento, são danosas e não merecem ser respeitadas. Nenhuma legislação jamais poderá tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito. Portanto, o aborto é uma pena de morte decretada contra um ser humano frágil e indefeso... A morte direta e voluntária de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral", explicou o especialista.

O filme-documentário, lançado no Brasil no dia 5 de novembro, é uma produção norte-americana independente, assinada pelo diretor David Kyle. A obra traz depoimentos de médicos e outros profissionais da área, de pacientes, cientistas, além de mostrar o drama das mulheres e os aspectos científicos e psicológicos ligados ao aborto. 

A obra fala sobre o "funcionamento legal da indústria do aborto" nos Estados Unidos e mostra como as estruturas médicas disputam e tratam sua "clientela"; aborda também os métodos aplicados pelas clínicas e o destino do "lixo hospitalar", tudo de forma muito realista, explica Girão. 

Assista o Trailer Oficial do Filme: http://www.youtube.com/watch?v=rRAXrLliZuc

11 de novembro de 2013

Faleceu hoje pela manhã, o Cardeal Domenico Bartolucci, grande compositor sacro e Maestro Perpétuo Emérito do Coro da Capela Sistina.

Faleceu hoje pela manhã, o Cardeal Domenico Bartolucci, grande compositor sacro e Maestro Perpétuo Emérito do Coro da Capela Sistina.
Entregou hoje sua alma a Deus, aos 96 anos de idade, o Cardeal Domenico Bartolucci, grande compositor sacro e Maestro Perpétuo Emérito do Coro da Capela Sistina.

Nascera no território da Arquidiocese de Florença, em cujo seminário ingressou e em cujo clero foi incardinado pela ordenação sacerdotal em 1939. Neste mesmo ano obteve o diploma de composição e direção de orquestra e passou a lecionar Música Sacra no seminário de sua diocese. Não demorou muito para que seus conhecimentos o levassem à Roma, onde foi inicialmente nomeado vice-diretor da Capela Musical da Basílica do Latrão e depois da Basílica de Santa Maria Maior.

Em 1956, começara a mais importante parte de sua vida: com a morte do Maestro Lorenzo Perosi, Pio XII o nomeia diretor perpétuo do Coro da Capela Sistina, pelo qual, naturalmente, passa a reger os cantos das Missas Papais (ainda raras naqueles anos) e a compor a procissão de ingresso dos próximos 5 conclaves.

Em 1965, é nomeado por Paulo VI como Monsenhor Prelado de Honra de Sua Santidade.

Em 1997, o então Mestre das Celebrações Litúrgicas, Dom Piero Marini, que poderia deliberar também sobre este cargo diretamente envolvido com o seu, o removera de suas funções como Maestro musical. Apesar dos 80 anos de idade na época, foi uma surpresa tanto diante de sua vitalidade quanto do caráter "ad vitam" (perpétuo) que Pio XII conferira à sua função. Meses antes da iminência do triste fato, o então Cardeal Ratzinger lhe disse "Resista, Maestro, resista".

Já como Papa, foi Bento XVI que o condecorou, em novembro de 2010, com a maior homenagem da Igreja a alguém vivo: a criação cardinalícia pela diaconia dos Santíssimos Nomes de Jesus e Maria na Via Lata, que agora está, portanto, vacante. Em razão de sua alta idade na época, 93 anos, foi dispensado da obrigatoriedade de, sendo cardeal, receber a sagração episcopal.

Com informações da Rádio Vaticana, da Diocese de Roma e Fratres In Unum.

Créditos de imagem reservados.

9 de novembro de 2013

Vai e restaura a minha Igreja!

Vai e restaura a minha Igreja!
No dia 4 de outubro, o Papa Francisco esteve em Assis para uma visita de amizade e gratidão a um santo de quem escolheu não apenas o nome, mas, sobretudo, o ardor em levar adiante uma missão que ambos assumiram, sintetizada nas palavras que São Francisco ouviu na ermida de São Damião: "Vai e restaura a minha Igreja!".

Dentre os vários discursos que o Pontífice fez na cidade, ganhou as manchetes dos jornais o que pronunciou na residência do bispo local, no ambiente denominado "Sala do Despojamento", onde, em 1205, o jovem Francisco, aos 23 anos, devolveu suas roupas ao progenitor, Pedro Bernardo, afirmando que, daquele momento em diante, seu pai era Deus e sua família, a Igreja.

Além do bispo de Assis - a quem o Papa saudou carinhosamente como "meu irmão Domingos" -, estavam na sala várias pessoas assistidas pela Cáritas diocesana. Foi a elas que Francisco dirigiu a palavra, aprofundando o conceito de despojamento, considerando-o essencial para uma autêntica restauração da Igreja e da sociedade. Trago seus tópicos mais incisivos: o conteúdo é dele, a tradução (nem sempre literal) é minha.

A Igreja deve despojar-se constantemente de um perigo extremamente grave, que ameaça a todos os seus membros: a "mundanidade", ou seja, a tentativa de conciliar o cristianismo com o espírito do mundo. Esse despojamento não se refere tanto - ou não somente - aos trajes, aos pertences, às estruturas e aos ambientes eclesiásticos. O passo a ser dado é muito mais amplo e radical, e envolve o estilo de vida e de atuação do cristão. Ele foi sintetizado por São Paulo nas palavras com que apresenta o exemplo de Jesus: "Esvaziou-se a si mesmo, assumiu a condição de servo e se fez semelhante aos homens" (Fl 2,7).

Quando não existe esse despojamento interior - e, na medida do possível, também exterior - o coração humano passa a ser ocupado pelo orgulho, pela vaidade e pela ambição, que transformam a vida, a Igreja e a sociedade num campo minado, onde tudo e todos devem estar ao meu dispor e serviço. Muito diferente do caminho percorrido por Jesus, "que veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela salvação de todos" (Mt 20,28). Sem esse despojamento, ninguém terá vontade e forças para ocupar "o último lugar" - o único onde se encontra Deus - e muito menos para procurar "os últimos" da sociedade (cf. Lc 14,10.13).

É preciso despojar-se para ter condições de acolher a multidão de despojados por um mundo selvagem que não oferece condições, não socorre, não se importa se há crianças morrendo de fome, famílias sem ter com que se alimentar e tanta gente sujeita à escravidão. O caminho de quem não se esvazia para se preencher de Deus, termina num beco sem saída e, quem o percorre, tenta o impossível: servir a Deus e ao dinheiro, conciliar a segurança da fé com a do mundo. Um caminho que mata a alma, as pessoas, a Igreja. Não existe cristianismo sem cruz nem cristãos de pastelaria, com tortas e doces fascinantes!

Francisco encerrou suas palavras pedindo a Deus "que dê a todos a coragem de nos despojarmos não de 20 centavos, mas do espírito do mundo, que é a lepra, o câncer da Igreja e da sociedade!". Talvez tenha sido por isso que, poucos dias depois, pediu a dois bispos europeus que deixassem o cargo, já que pareciam não ter forças suficientes para acompanhá-lo nessa tarefa.

Essa sua constante preocupação pela renovação da Igreja lhe foi impressa no coração por seu predecessor, o Papa João XXX, o qual, em 1959, a um diplomata que lhe perguntava quais seriam os objetivos do Concílio, respondeu: "Precisamos retirar a poeira imperial que, desde Constantino, se acumulou sobre a cátedra de São Pedro, prejudicando a verdadeira imagem e missão da Igreja no mundo".

Inclusive nas críticas que recebe por apresentar mais o caminho a percorrer do que os perigos a evitar, Francisco se mantém fiel à orientação do mesmo Pontífice, expressa no dia 11 de outubro de 1962, ao inaugurar o Concílio: "A Igreja sempre se opôs aos erros, e muitas vezes os condenou com a maior severidade. Em nossos dias, porém, ela prefere recorrer mais ao remédio da misericórdia que ao da severidade, e julga satisfazer melhor às necessidades atuais mostrando o valor de sua doutrina do que censurando os desvios".

Dom Redovino Rizzardo
Colunista do Blog Evangelizando
Bispo de Dourados (MS). Realizou seus estudos no Seminário São Carlos, Guaporé (RS), da Congregação dos Missionários de São Carlos, e os completou na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, da Pontifícia Universidade Católica.


Uma lição de caridade

Uma lição de caridade
A prática da caridade e do amor: o Papa Francisco na última quarta-feira, durante a audiência geral na praça São Pedro pediu aos presentes um ato concreto de caridade para com uma menina gravemente enferma; brincou... não vamos fazer uma coleta, mas sim rezar todos juntos pela sua cura; o nome da menina é Noemi. A caridade precisa de um ato concreto, de ação e não de intenção... O Papa Francisco vem continuamente insistindo para que o cristão saia da "casca" e se transforme em fermento da sociedade, mas de modo concreto. No centro dessa ação está o amor.

A oração solicitada pelo Papa comoveu milhares dos presentes na praça São Pedro: Francisco pediu um ato de amor para quem ninguém conhecia; "mesmo se se não a conhecemos ela é uma de nós", disse.

Noemi tem dezesseis meses, e desde quando nasceu, vive com uma doença terrível, a atrofia muscular espinhal (SMA). Ao lado do amor dos genitores da menina, está também o amor do Papa que telefonou para o pai, Andrea Sciarreta. De fato no dia 14 de outubro, quando o telefone de Andrea tocou, do outro lado estava Francisco que abraçou espiritualmente a menina e os pais. O calvário da família Sciarreta recebeu o conforto e a proximidade do Santo Padre. Desde então os contatos foram frequentes, culminando com o encontro na Casa Santa Marta, na última quarta-feira.

O que o Papa fez nesta semana, falando e demonstrando publicamente, sobre um encontro privado com o sofrimento de uma família, é mais um exemplo de como nós cristãos podemos responder às exigências e dificuldades de quem está ao nosso lado, e que muitas vezes definha diante da nossa insensibilidade. É preciso ter tempo para parar e olhar ao nosso redor, para aqueles que não conhecemos, mas que necessitam da nossa ajuda; eles são nossos irmãos e irmãs que muitas vezes se apagam lentamente na maior indiferença de todos.

Na audiência de quarta-feira o Papa Francisco falou dos carismas e da importância deles na vida das pessoas, da comunidade. Os carismas são importantes e são meios para fazer com que cresçamos na caridade. Todos nós temos carismas especiais que devemos descobrir e utilizar.

É justamente na caridade que demonstramos o amor, que compartilhamos dos sofrimentos e das alegrias do outro. Caridade rima com solidariedade, e não deve ser somente uma figura retórica. Se vivemos a caridade, devemos vivê-la até o fim, sem medidas, "sem mas, e sem porém"... O Papa nos alerta que a nossa ação não deve ser uma "caridadezinha" para descargo de consciência, mas sim um entrar nas dores e alegrias do outro, tornando-as nossas.

A lição desta semana apresentada pelo Papa através de seus gestos nos deve levar a uma reflexão ainda mais profunda do nosso ser cristão. Estamos, talvez, acostumados a nos identificar com a nossa fé somente quando entramos na igreja para rezar, ou para uma celebração; pertenço a essa Igreja então vou lá. Mas o caminho para chegar até ela está repleto de oportunidades para colocar em prática aquela fé que pode se transformar em amor, em caridade; e frequentemente temos a utópica visão de que o essencial está nas paredes do local sagrado. Esquecemos que o nosso irmão também é templo sagrado e perdemos a oportunidade de viver a real dimensão daquilo que em que cremos.

Assim muitas vezes desgastamos a palavra caridade sem viver ou conhecer o amor, o verdadeiro amor... nos iludimos; e quem diz que ama sem praticar a caridade, certamente vive no engano.

Caridade e amor caminham juntos; a caridade é a eficácia do amor. "Quem não ama o próprio irmão que vê, não pode amar a Deus que não vê" (1 Jo. 4,20). Papa Francisco pede a todos nós que vivamos a Caridade e que não construamos a ilusão do sermos felizes sozinhos.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".



8 de novembro de 2013

ANO DA FÉ: término ou início

ANO DA FÉ: término ou início
O Ano da Fé convocado por Bento XVI teve início no dia 11 de outubro de 2012, mesmo dia em que há 50 anos se celebrava a abertura do Concílio Vaticano II. Destacou-se, dessa forma, que o Concílio e seus desdobramentos giram em torno do anúncio ao homem de hoje sobre Deus e da importância da fé para sua vida. No fim deste ano tão especial fica claro que foi uma ocasião única para reavivar a fé dos católicos e animá-los no espírito de uma evangelização mais convicta.

A Igreja não é uma realidade estática e à parte do mundo que a cerca. Daí a necessidade de compreender o Vaticano II como um evento carregado de esperança no intuito de favorecer o anúncio do Evangelho de Cristo. A Igreja renova ininterruptamente a Sua fé no Senhor Jesus. A fé, que a Igreja é depositária e guardiã, é uma abertura ao amor de Cristo! Ela alarga o “eu” a uma dimensão de “nós” e do “humano” ao “divino”.

No dia 24 de novembro, Solenidade de Cristo Rei do Universo, se dará o encerramento do Ano da Fé pelo papa Francisco. Neste período muito foi feito e promovido: esforço em valorizar a fé, conhecendo-a, aprofundando-a e vivendo-a com mais intensidade; aprofundamento nos documentos conciliares; valorização do Catecismo da Igreja Católica, o seu estudo como oportunidade de aprofundamento da fé e torná-la consciente e firme; ações para a transmissão da fé; renovação missionária da Igreja em nível local e paroquial; o fortalecimento da fé, em meio às adversidades, pelo testemunho cristão...

Encerra-se o Ano da Fé, mas o esforço empreendido se perpetua. A fé, após este ano, deve sair mais robusta, mais esclarecida, mais capaz de dar testemunho e de experimentar a confiança no Senhor. Conhecer, viver e transmitir a fé são compromissos irrenunciáveis do batismo e devem ser assumidos no findar deste ano. Os esforços não se esgotam em um tempo determinado, mas traduzem a missão perene da Igreja: viver da fé professada, vivida e celebrada em Jesus Cristo.

Por isso, o itinerário proposto pelo papa emérito na Carta Apostólica Porta Fidei (PF) e levado adiante pelo Francisco continua atual, necessário e enriquecedor para a fé e a Igreja. A fé é um meio para um acesso exclusivo à intimidade profunda com Deus (PF 1). No itinerário de fé é preciso que se ajude os outros a atravessarem o deserto e encontrem Cristo, fonte que sacia todas as sedes (PF 2). Destaque neste itinerário é a Palavra de Deus e a Eucaristia. “Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quanto são seus discípulos (cf. Jo 6, 51)” (PF 3).

É preciso que cada fiel experimente e testemunhe o amor de Deus, pois “os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou” (PF 6). É necessário reacender a chama da fé por meio da conversão constante ao Senhor da vida, do coração e das ações pastorais (PF 6). Neste processo metanoico a fé cresce e se fortalece quando se abandona progressivamente no amor de Deus (PF 7).

Outros dois pilares que se deve valorizar são o valor da profissão de fé (PF 9) e o estudo do catecismo (PF 11); como também a vivência e o testemunho da caridade (PF 14). Assim, o Ano da Fé não encontra seu término no plano espiritual, mas se constituirá, para além da data oficial do programa da Igreja, uma disposição de vida espiritual rico e inesgotável para crescer na fé e no amor a Igreja e, acima de tudo, a Cristo (PF 15).

ANO DA FÉ: término ou início
Geraldo Trindade 
Colunista do Blog Evangelizando
Bacharel em filosofia pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana, estudante de teologia no Seminário São José da arquidiocese de Mariana (MG). Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/




7 de novembro de 2013

Profissão de fé para um católico

Profissão de fé para um católico

Não se brinca com a fé, não se brinca com a vida! 

Se Jesus não for Deus feito pessoalmente homem, estamos enganados, o cristianismo é uma ilusão, uma fábula bonita e ilusória. Não vale a pena ser cristão!

Se Jesus não ressuscitou, somos uns tolos, esperamos num morto que, impotente, precisa ser ressuscitado todos os dias na nossa memória e no nosso afeto: nós o salvamos do esquecimento e do nada! Se todas as religiões forem verdadeiras e, portanto, igualmente falsas, são inúteis muitas das exigências morais cristãs: celibato é perda de vida e de alegria de viver, renúncias são bobagens, indissolubilidade do matrimônio é um peso inútil, os sacramentos não produzem a graça e não passam de um teatro vazio e ridículo!

Se Cristo não fundou a Igreja, somos um bando de impostores e ser padre é, além de impostura, coisa de tolo e pura perda de tempo... A não ser que se tenha vida dupla – pois aí se engana o vazio de sentido da vida com umas piruetas pastorais e, depois, por baixo dos panos, hipocritamente, vive-se escondido o que nos outros se condena!

Mas, nossa fé é simples e certa:
Há um só Deus: o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo!
Há um só caminho de salvação, um só caminho para o Deus bendito: Jesus, o Filho feito homem que Se encarnou por obra do Santo Espírito e nasceu, padeceu, morreu e ressuscitou para a nossa salvação. Ele deu Seu Espírito vivificante à Sua Igreja para que ela seja ministra da salvação por Ele trazida!
Cristo fundou uma só Igreja, que subsiste na Igreja católica.

Reconhecemos, agradecidos, os elementos de eclesialidade que haja em outras denominações cristãs: pertencem à única Igreja de Cristo (a Igreja católica) e para a sua comunhão visível impelem! Todos os batizados, ainda que não plenamente unidos na comunhão visível da única Igreja de Cristo, são realmente nossos irmãos. O ecumenismo visa a unidade visível e plena de todos os cristãos. Eixo visível dessa unidade, por vontade irrenunciável de Cristo, é o Sucessor de Pedro, Bispo de Roma.

Reconhecemos também que fora da única religião verdadeira, que é o cristianismo, há elementos de bondade e de verdade, sobretudo no judaísmo, que é religião verdadeiramente revelada e preparação direta para o Cristo Jesus. Também o islamismo, adorando um único Deus, apesar de sérias deturpações, possui elementos que se aproximam da verdade revelada por Cristo Jesus, único revelador do Pai!

Todos os elementos de bondade existentes nas religiões não cristãs são uma preparação para o Cristo! Cristo é o único Salvador e fora Dele não pode haver salvação: todos os que se salvam, ainda que não cristãos, são salvos somente porque Ele morreu por todos e a todos abriu a glória do céu. Do mesmo modo a Igreja, Seu corpo, é ministra universal da salvação de Cristo: fora da Igreja não há salvação, pois toda salvação passa pelo ministério da Igreja, a quem Cristo está unido como a cabeça ao corpo e o esposo à esposa. Em Cristo, cabeça da Igreja que é Seu corpo, até os não cristãos podem obter a salvação.

No entanto, o plano de Deus é que todos conheçam a Cristo e a oferta de salvação que o Pai Nele faz a toda a humanidade: que todos creiam no Senhor Jesus e Nele recebam a plenitude da vida! Esta é a nossa fé: a das Escrituras, dos concílios, dos Santos Padres, do catecismo, dos nossos antepassados. O que passa disso, vem do Maligno!

Dom Henrique Soares
Colaborando com o Blog Evangelizando
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracaju - SE
Site: http://www.domhenrique.com.br/http://visaocristadomhenrique.blogspot.com.br/



O sacrifício de um homem

O sacrifício de um homem

Mensagem de aniversário a Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr.
O sacrifício de um homem, mensagem de aniversário a Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr.

Reverendíssimo Padre Paulo Ricardo,
O grande Pontífice São Pio X escreveu, certa vez, que, "para fazer reinar Jesus Cristo no mundo, nada é mais necessário do que um clero santo, que seja, com o exemplo, com a palavra e com a ciência, guia dos fiéis" 01.
Fazer Jesus Cristo reinar no mundo – eis a missão da Igreja. De fato, pela própria natureza das coisas, nosso Senhor é Rei dos céus e da terra. "Enquanto Verbo de Deus, consubstancial ao Pai, não pode ter menos comum com Ele o que é próprio da divindade e, portanto, possuir, como Ele, a suprema e absoluta soberania e domínio sobre todas as criaturas"02, ensina Pio XI. No entanto, até que o Pai ponha os inimigos de Cristo "como escabelo por debaixo de seus pés" (Sl 109, 1), enquanto o pecado e a morte não forem vencidos, o homem vê-se diante de um combate terrível, eminentemente espiritual, do qual pouquíssimos saem vitoriosos, encaminhados a entrar pela "porta estreita" (cf. Mt 7, 13). Desta realidade dramática, o homem sai ou mártir ou idólatra. Ou reconhece o reinado de Cristo ou, como dizia o Papa Francisco, "confessa a mundanidade do diabo"03.
Fazer Jesus Cristo reinar no mundo - eis o ofício dos sacerdotes. Eis a chave para compreender tantas horas gastas no confessionário, na celebração do Santo Sacrifício e, last, but not least, em adoração, diante do Santíssimo Sacramento.
Consola o coração dos fiéis cristãos o apostolado de um sacerdote verdadeiramente configurado a nosso Senhor. A consciência de que " sacerdos alter Christus – o padre é um outro Cristo" está viva na fé das pessoas mais simples. No entanto, esta verdade não só tem sofrido ataques virulentos nos últimos tempos, como corre sempre o risco de ser obscurecida, seja quando o padre deixa de viver a sua vocação, seja quando os leigos descuidados cessam de rezar por seus pastores.
Para fazer reinar Jesus, "nada é mais necessário do que um clero santo". É assim porque o rebanho imita seu pastor. Se o pastor caminha mal, todo o aprisco vai mal. Se o pastor vai bem, tudo tende a se ajustar. Como não pensar, padre, em todos os esforços e sacrifícios empreendidos pelo senhor para formar um "clero santo", que fosse, "com o exemplo, com a palavra e com a ciência, guia dos fiéis"? Como não recordar com gratidão o grande bem que tem feito a inúmeros padres e seminaristas a simples repetição das palavras da Igreja, o modesto anúncio da "resposta católica"? Como não regozijar ao ver as pessoas de fé mais humilde redescobrindo a nobreza de pertencer a "uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus" (1 Pd 2, 9) – à Igreja, Corpo Místico de Cristo?
Padre, como temos aprendido com o senhor nos últimos anos! "Com o exemplo, com a palavra e com a ciência", o Espírito Santo, através do senhor, não só tem reconduzido à fé católica inúmeras pessoas já há muito afastadas, mas também aquelas multidões das quais nosso Senhor se compadeceu por serem "como ovelhas sem pastor" (Mt 9, 36). Lançando o olhar à sua vida e ao seu sacerdócio, enxergamos não um homem, mas o sacrifício de um homem; não o Padre Paulo Ricardo, mas o próprio Cristo.
Neste dia em que o senhor celebra o seu natalício, queremos agradecer a Deus pelo dom da sua vida, por sua doação integral a Jesus e à Igreja, pelo "sim" que o senhor responde cotidianamente ao Magistério e à Tradição, e que torna possível o "sim" de tantos outros fiéis católicos no Brasil e em vários lugares do mundo.
Conte sempre com as nossas orações, padre. Elas são a expressão mais pura do amor a Deus e à Igreja que tantos de nós aprendemos com o seu testemunho de fé.
Em nome de todos os seus alunos e filhos espirituais, novamente, obrigado!
Equipe Christo Nihil Praeponere
Nota deste Blog: Como também sou aluno do Padre Paulo Ricardo, eu Iury Nascimento, quero agradece-lo por tudo o que faz, pelo "sim" dado a Deus dentre da Igreja e fora dela, nos formando e sendo um bom pastor, meus singelos agradecimentos pelo seu testemunho de fé, receba os agradecimentos de um dos seus alunos, obrigado... estarei sempre rezando pelo senhor, que Maria possa conduzi-lo sempre mais a dar testemunho de Cristo no mundo e o Blog Evangelizando está sempre a disposição para qualquer coisa, estamos divulgando seu apostolado! 

5 de novembro de 2013

Deus tem uma pessoa certa para mim?

Deus tem uma pessoa certa para mim?
Se você é vocacionado ao matrimônio, a resposta é sim! Nesta condição, é claro que Deus tem uma pessoa ideal, que irá combinar com você, te fazendo crescer humana e espiritualmente, sendo seu complemento.

Por acaso, Deus faz Suas obras pela metade? Ou, o Senhor cria uma árvore que produza laranjas e irá pedir a esta que dê uma limonada? Quero dizer: Se o Senhor te fez com uma vocação, Ele irá prover alguém e tudo o mais para que sua realização aconteça. E irá lhe pedir tudo, conforme os dons que Ele mesmo te deu. Qualquer ação fora disso, além no natural, será pelo poder de Deus, não pela nossa humanidade. O Senhor preferencialmente, conta com nosso empenho, encaminha e dá a providência no plano natural. Por isso, se você tem o chamado ao casamento, Deus irá prover que aconteça naturalmente.

O problema a pergunta título deste artigo é que, na maioria das vezes, romanceamos demais, pensamos na questão como algo mágico, que a pessoa certa virá num cavalo branco, ou então, com todas aquelas qualidades que sempre sonhamos e ainda acompanhada(o) de sinais e prodígios do Céu, que não deixem dúvidas do desígnio divino a esse respeito. Queremos ter o coração arrebatado e que o(a) fulano(a), (ou José/Maria, se você assim preferir!), seja lhe apresentado por um anjo de Deus que indique “esta é a pessoa que Deus fez pensando em você”.

Mas, deixe-me lembrá-lo(a) que existe algo maravilhoso que o Altíssimo nos deu que se chama: Livre Arbítrio. Isso não anula o fato que há no coração do Senhor, uma missão e um específico para cada um nesta terra. Mas, tudo isso é submetido à nossa liberdade de escolha.

Por exemplo: Deus nos fez vocacionados a uma profissão, existe em nós os dons e as habilidades para tal, e Ele deseja que as empreguemos nesta função para nossa realização, mas, a escolha em qual empresa trabalhar é nossa. Até podemos escolher dentro desse exercício da vocação, sermos íntegros, responsáveis e honestos, ou não. Mesmo usando de forma má nossos dons, Deus não os tirará de nós “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11, 29).

Da mesma forma, Deus nos fez chamados ao Matrimônio, mas a escolha de corresponder ou não, e como iremos corresponder, é nossa.

O Senhor em Sua infinita bondade, pela Providência Divina pode até indicar uma instituição onde trabalhar, e uma pessoa como a ideal, mas estas não serão suas únicas opções de vida.

Não existe o: “Estávamos predestinados”; “Deus o fez para mim”; “Um amor escrito nas estrelas”.
Afinal, se não houvesse mais nenhuma pessoa no mundo capaz de casar-se com você, lhe seria tirada a liberdade de decidir por alguém. Por acaso José foi obrigado a aceitar Maria como esposa? Muito pelo contrário, o anjo, em sonho (algo que ele poderia questionar se tudo o que estava acontecendo não o fez sonhar), disse somente que ele não precisava ter medo de recebê-la como esposa (cf. Mt 1,20). Mas a decisão foi dele, de José. Da mesma forma, a escolha de firmar um compromisso com a pessoa ao seu lado é sua. Por mais que você tenha recebido sinais do Céu que indicam que é vontade do Senhor que vocês namorem e se casem, é você quem deve aceitar isso ou não. Repito, ele(a) não é a(o) única(o) pessoa compatível com você. Mesmo com sinais de Deus, se você escolher não se casar com determinada pessoa, a providencia do alto lhe encaminhará outra. Se assim não fosse, alguém decepcionado com o casamento, poderia atribuir a Deus o fardo de ter sido obrigado a estar com o cônjuge!

Ou então, se você não namora, fique atento e saiba que existem muitas pessoas compatíveis à um casamento com você. E, para lapidarem-se e prepararem-se em vista do Sacramento, vocês terão que aprender a controlar os ânimos, conhecerem o jeito do outro e desfazerem-se de conceitos próprios em prol do melhor para o “nós”. Ou seja, pode ter alguém diferente de você aí por perto, que será seu(sua) esposo(a). E isso será um processo, vocês não estão prontinhos um para o outro.

Nisso, vemos a beleza do que Deus pensou para o homem e a mulher. Ao estarmos cientes de que a pessoa certa é Deus que encaminha, mas somos nós que escolhemos, podemos dizer:
“Entre todas as pessoas do mundo, Deus te trouxe para perto, para eu poder dizer, “que por tudo o que você é, mesmo nas dificuldades, EU TE ESCOLHI, sem nenhuma reserva!”

Deus abençoe!

Sandro Ap. Arquejada
Colunista do Blog Evangelizando
Sandro Aparecido Arquejada é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em administração de empresas pela Faculdade Salesiana de Lins (SP). Atualmente trabalha no setor de Novas Tecnologias da TV Canção Nova. É autor do livro: "Maria, humana como nós" e colunista do Portal Canção Nova, além de escrever para algumas mídias seculares.
blog.cancaonova.com/sandro



3 de novembro de 2013

O melhor bem que possuímos

Nos dias 26 e 27 de outubro último, Roma foi invadida por milhares de famílias que vieram à Cidade Eterna para participar de uma grande festa “a céu aberto”, a festa da peregrinação "Família, vive a alegria da Fé". Roma e principalmente a Praça São Pedro e os seus arredores se transformaram no coração da família humana com a presença de casais de mais de 70 países. A manifestação foi organizada pelo Pontifício Conselho para a Família, no âmbito do Ano da Fé.

O melhor bem que possuímos

Quem esteve em Roma ou seguiu o evento pelos meios de comunicação não pode ficar indiferente à alegria contagiante, primeiramente dos casais com seus filhos reunidos – diria, num grande pic-nic da fé – e depois o sorriso e a ternura do Papa Francisco. Um dos momentos que chamou a atenção foi de um menino, que no afã de ficar perto Papa, chegou a se agarrar nas suas pernas: muitos nos escreveram que gostariam de estar no lugar daquela criança.

O Papa, como um avô, no meio de avós, sentados ao seu lado e de crianças na sua frente, não se fez por menos, e como sempre, dedicou momentos de afeto à pequena criatura que se sentia a vontade perto de Francisco, chegando a sentar na sua cadeira quando essa estava vazia.

Deixando de lado esse momento de real dimensão do pontificado do Papa Francisco, ou seja, da sua simplicidade para com todos, o Santo Padre voltou a repetir em três palavras a sua receita para uma vida feliz em família, já que ele estava falando para as famílias de todo o mundo: licença, obrigado, desculpe. O casal, disse o Papa tem necessidade da ajuda de Cristo para caminhar juntos com confiança, para acolher um ao outro todos os dias, e perdoar-se todos os dias! E isso é importante, nas famílias saber perdoar-se.

As três palavras-chave servem para levar avante uma família: nunca esquecer esse conselho: jamais terminar o dia sem fazer as pazes. A paz deve ser refeita todos os dias em família. Sem pedir desculpas é difícil recomeçar, e um novo começo serve sempre. Licença, obrigado e desculpe! Palavras simples mas muitas vezes difíceis de serem colocadas em prática. O unificador disso tudo é o amor, e quando falta amor, falta tudo, alegria, festa, esperança, futuro.

Essas três palavras do Papa nos fazem refletir quanto é simples encontrar o equilibro em nossa vida familiar, mas ao mesmo tempo quanto é difícil colocar em ato, gestos que podem transformar as nossas vidas. O matrimônio, a família, se renova sempre com gestos de paz, após momentos de tensões e discussões; quem não discute, só quem não respira, podemos dizer. Fazer as pazes é retomar a unidade; não é fácil este caminho mas o resultado é edificante.

O Papa Francisco não deixou de recordar ainda duas fases importantes da nossa vida familiar: a infância e a velhice. Muitos que estão lendo ou ouvindo esse texto já passaram pela primeira, e aguardam a segunda, se já não a vivem. São os dois extremos da vida e os momentos talvez mais vulneráveis de nossas vidas. Brota então a reflexão do tempo. O pouco tempo vivido, (a infância) e o muito tempo vivido (a velhice). Um é tempo de esperança, outro tempo de síntese, de distribuir experiência. Mas, nós dentro da família quanto tempo dedicamos a esses dois extremos?; aos nossos filhos e aos nossos pais e avós? São momentos de ternura e afeto pelos pequenos e de gratuidade para com os mais velhos; é um paradoxo, é um “perder tempo”, para ganhar vida. Francisco já observou várias vezes que uma sociedade que abandona as crianças e marginaliza os idosos corta as suas raízes e ofusca o seu futuro. “Cada vez que uma criança é abandonada e um idoso marginalizado, realiza-se não apenas um gesto de injustiça, mas sanciona-se também a falência da sociedade. Cuidar das crianças e dos idosos é uma escolha de civilização.

O encontro das famílias no Vaticano na semana passada foi mais uma “oxigenada” na vida de quem realmente vive esse sacramento com fé, dedicação, entusiasmo e amor. É na família, e na pertença à grande família da Igreja que podemos experimentar a alegria da fé. O segredo de tudo isto “é a presença de Jesus na família”, disse Papa Francisco. A melhor coisa que podemos ter é pertencer a uma família, pois a nossa família é o bem mais precioso que temos.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".



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