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5 de novembro de 2013

Deus tem uma pessoa certa para mim?

Deus tem uma pessoa certa para mim?
Se você é vocacionado ao matrimônio, a resposta é sim! Nesta condição, é claro que Deus tem uma pessoa ideal, que irá combinar com você, te fazendo crescer humana e espiritualmente, sendo seu complemento.

Por acaso, Deus faz Suas obras pela metade? Ou, o Senhor cria uma árvore que produza laranjas e irá pedir a esta que dê uma limonada? Quero dizer: Se o Senhor te fez com uma vocação, Ele irá prover alguém e tudo o mais para que sua realização aconteça. E irá lhe pedir tudo, conforme os dons que Ele mesmo te deu. Qualquer ação fora disso, além no natural, será pelo poder de Deus, não pela nossa humanidade. O Senhor preferencialmente, conta com nosso empenho, encaminha e dá a providência no plano natural. Por isso, se você tem o chamado ao casamento, Deus irá prover que aconteça naturalmente.

O problema a pergunta título deste artigo é que, na maioria das vezes, romanceamos demais, pensamos na questão como algo mágico, que a pessoa certa virá num cavalo branco, ou então, com todas aquelas qualidades que sempre sonhamos e ainda acompanhada(o) de sinais e prodígios do Céu, que não deixem dúvidas do desígnio divino a esse respeito. Queremos ter o coração arrebatado e que o(a) fulano(a), (ou José/Maria, se você assim preferir!), seja lhe apresentado por um anjo de Deus que indique “esta é a pessoa que Deus fez pensando em você”.

Mas, deixe-me lembrá-lo(a) que existe algo maravilhoso que o Altíssimo nos deu que se chama: Livre Arbítrio. Isso não anula o fato que há no coração do Senhor, uma missão e um específico para cada um nesta terra. Mas, tudo isso é submetido à nossa liberdade de escolha.

Por exemplo: Deus nos fez vocacionados a uma profissão, existe em nós os dons e as habilidades para tal, e Ele deseja que as empreguemos nesta função para nossa realização, mas, a escolha em qual empresa trabalhar é nossa. Até podemos escolher dentro desse exercício da vocação, sermos íntegros, responsáveis e honestos, ou não. Mesmo usando de forma má nossos dons, Deus não os tirará de nós “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11, 29).

Da mesma forma, Deus nos fez chamados ao Matrimônio, mas a escolha de corresponder ou não, e como iremos corresponder, é nossa.

O Senhor em Sua infinita bondade, pela Providência Divina pode até indicar uma instituição onde trabalhar, e uma pessoa como a ideal, mas estas não serão suas únicas opções de vida.

Não existe o: “Estávamos predestinados”; “Deus o fez para mim”; “Um amor escrito nas estrelas”.
Afinal, se não houvesse mais nenhuma pessoa no mundo capaz de casar-se com você, lhe seria tirada a liberdade de decidir por alguém. Por acaso José foi obrigado a aceitar Maria como esposa? Muito pelo contrário, o anjo, em sonho (algo que ele poderia questionar se tudo o que estava acontecendo não o fez sonhar), disse somente que ele não precisava ter medo de recebê-la como esposa (cf. Mt 1,20). Mas a decisão foi dele, de José. Da mesma forma, a escolha de firmar um compromisso com a pessoa ao seu lado é sua. Por mais que você tenha recebido sinais do Céu que indicam que é vontade do Senhor que vocês namorem e se casem, é você quem deve aceitar isso ou não. Repito, ele(a) não é a(o) única(o) pessoa compatível com você. Mesmo com sinais de Deus, se você escolher não se casar com determinada pessoa, a providencia do alto lhe encaminhará outra. Se assim não fosse, alguém decepcionado com o casamento, poderia atribuir a Deus o fardo de ter sido obrigado a estar com o cônjuge!

Ou então, se você não namora, fique atento e saiba que existem muitas pessoas compatíveis à um casamento com você. E, para lapidarem-se e prepararem-se em vista do Sacramento, vocês terão que aprender a controlar os ânimos, conhecerem o jeito do outro e desfazerem-se de conceitos próprios em prol do melhor para o “nós”. Ou seja, pode ter alguém diferente de você aí por perto, que será seu(sua) esposo(a). E isso será um processo, vocês não estão prontinhos um para o outro.

Nisso, vemos a beleza do que Deus pensou para o homem e a mulher. Ao estarmos cientes de que a pessoa certa é Deus que encaminha, mas somos nós que escolhemos, podemos dizer:
“Entre todas as pessoas do mundo, Deus te trouxe para perto, para eu poder dizer, “que por tudo o que você é, mesmo nas dificuldades, EU TE ESCOLHI, sem nenhuma reserva!”

Deus abençoe!

Sandro Ap. Arquejada
Colunista do Blog Evangelizando
Sandro Aparecido Arquejada é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em administração de empresas pela Faculdade Salesiana de Lins (SP). Atualmente trabalha no setor de Novas Tecnologias da TV Canção Nova. É autor do livro: "Maria, humana como nós" e colunista do Portal Canção Nova, além de escrever para algumas mídias seculares.
blog.cancaonova.com/sandro



3 de novembro de 2013

O melhor bem que possuímos

Nos dias 26 e 27 de outubro último, Roma foi invadida por milhares de famílias que vieram à Cidade Eterna para participar de uma grande festa “a céu aberto”, a festa da peregrinação "Família, vive a alegria da Fé". Roma e principalmente a Praça São Pedro e os seus arredores se transformaram no coração da família humana com a presença de casais de mais de 70 países. A manifestação foi organizada pelo Pontifício Conselho para a Família, no âmbito do Ano da Fé.

O melhor bem que possuímos

Quem esteve em Roma ou seguiu o evento pelos meios de comunicação não pode ficar indiferente à alegria contagiante, primeiramente dos casais com seus filhos reunidos – diria, num grande pic-nic da fé – e depois o sorriso e a ternura do Papa Francisco. Um dos momentos que chamou a atenção foi de um menino, que no afã de ficar perto Papa, chegou a se agarrar nas suas pernas: muitos nos escreveram que gostariam de estar no lugar daquela criança.

O Papa, como um avô, no meio de avós, sentados ao seu lado e de crianças na sua frente, não se fez por menos, e como sempre, dedicou momentos de afeto à pequena criatura que se sentia a vontade perto de Francisco, chegando a sentar na sua cadeira quando essa estava vazia.

Deixando de lado esse momento de real dimensão do pontificado do Papa Francisco, ou seja, da sua simplicidade para com todos, o Santo Padre voltou a repetir em três palavras a sua receita para uma vida feliz em família, já que ele estava falando para as famílias de todo o mundo: licença, obrigado, desculpe. O casal, disse o Papa tem necessidade da ajuda de Cristo para caminhar juntos com confiança, para acolher um ao outro todos os dias, e perdoar-se todos os dias! E isso é importante, nas famílias saber perdoar-se.

As três palavras-chave servem para levar avante uma família: nunca esquecer esse conselho: jamais terminar o dia sem fazer as pazes. A paz deve ser refeita todos os dias em família. Sem pedir desculpas é difícil recomeçar, e um novo começo serve sempre. Licença, obrigado e desculpe! Palavras simples mas muitas vezes difíceis de serem colocadas em prática. O unificador disso tudo é o amor, e quando falta amor, falta tudo, alegria, festa, esperança, futuro.

Essas três palavras do Papa nos fazem refletir quanto é simples encontrar o equilibro em nossa vida familiar, mas ao mesmo tempo quanto é difícil colocar em ato, gestos que podem transformar as nossas vidas. O matrimônio, a família, se renova sempre com gestos de paz, após momentos de tensões e discussões; quem não discute, só quem não respira, podemos dizer. Fazer as pazes é retomar a unidade; não é fácil este caminho mas o resultado é edificante.

O Papa Francisco não deixou de recordar ainda duas fases importantes da nossa vida familiar: a infância e a velhice. Muitos que estão lendo ou ouvindo esse texto já passaram pela primeira, e aguardam a segunda, se já não a vivem. São os dois extremos da vida e os momentos talvez mais vulneráveis de nossas vidas. Brota então a reflexão do tempo. O pouco tempo vivido, (a infância) e o muito tempo vivido (a velhice). Um é tempo de esperança, outro tempo de síntese, de distribuir experiência. Mas, nós dentro da família quanto tempo dedicamos a esses dois extremos?; aos nossos filhos e aos nossos pais e avós? São momentos de ternura e afeto pelos pequenos e de gratuidade para com os mais velhos; é um paradoxo, é um “perder tempo”, para ganhar vida. Francisco já observou várias vezes que uma sociedade que abandona as crianças e marginaliza os idosos corta as suas raízes e ofusca o seu futuro. “Cada vez que uma criança é abandonada e um idoso marginalizado, realiza-se não apenas um gesto de injustiça, mas sanciona-se também a falência da sociedade. Cuidar das crianças e dos idosos é uma escolha de civilização.

O encontro das famílias no Vaticano na semana passada foi mais uma “oxigenada” na vida de quem realmente vive esse sacramento com fé, dedicação, entusiasmo e amor. É na família, e na pertença à grande família da Igreja que podemos experimentar a alegria da fé. O segredo de tudo isto “é a presença de Jesus na família”, disse Papa Francisco. A melhor coisa que podemos ter é pertencer a uma família, pois a nossa família é o bem mais precioso que temos.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".



1 de novembro de 2013

Papa Francisco celebra missa na solenidade de Todos os Santos

Papa Francisco celebra missa na solenidade de Todos os Santos
O Papa Francisco celebrou nesta sexta-feira, 1º, a missa por ocasião da solenidade de Todos os Santos. A celebração foi realizada no cemitério Verano de Roma, na Itália, na presença de milhares de fiéis.

Na homilia, o Santo Padre convidou os presentes a pensarem no seu futuro e a recordarem todos aqueles que já faleceram. "Aqueles que nos precederam na vida e estão com o Senhor".

A missa, realizada pouco antes do pôr do sol, levou o Pontífice a refletir sobre a visão do céu, como foi citada na primeira leitura (cf. Ap 7,2-4.9-14). "A beleza, a bondade, a verdade, a ternura, o amor total. Aquilo que nos espera e aqueles que nos precederam, que morreram no Senhor, estão lá", afirmou.

O Santo Padre disse também que os santos foram salvos não só por suas obras, mas por graça. "A salvação pertence ao nosso Deus, é Ele que nos salva, é Ele que nos leva, como um Pai, pela mão, ao final da nossa vida", explicou.

Francisco destacou que na Solenidade de hoje, que antecede o dia de finados, é necessário "pensar nessa esperança que nos acompanha".

Os primeiros cristãos falavam da esperança e a pintavam como uma âncora, recordou o Pontífice. Segundo ele, é preciso "ter o coração ancorado lá, onde estão os nossos antepassados, os santos, onde se encontra Jesus, onde está Deus".

E complementou: "Esta é a esperança que não cria desilusão. Hoje e amanhã são dias de esperança. A esperança é como o fermento que faz ampliar a alma. Mas também existem momentos difíceis na vida, mas com a esperança, a alma vai adiante. Olha o que te espera".

Por fim, o Papa fez uma alusão ao pôr do sol da vida, e questionou os presentes: "Eu olho para ele (pôr do sol) com esperança? Olho com aquela alegria de ser recebido pelo Senhor?".

De acordo com o Pontífice, este é o olhar cristão e isso que lhe dá a paz. "Vamos pensar no pôr do sol de tantos irmãos que nos precederam, no nosso pôr do sol, que virá. E vamos pensar no nosso coração e vamos nos perguntar: onde está ancorado o meu coração? Se ele não está ancorado bem, vamos ancorá-lo lá, lá em cima sabendo que a esperança não nos dá desilusão, porque o Senhor Jesus jamais irá nos desiludir", concluiu.

Ao final da celebração, o Santo Padre rezou por todos aqueles que nestes dias perderam a vida, afogados ou no deserto, enquanto procuravam uma vida mais digna. E também por todos os que se salvaram e estão em tantos lugares de acolhida, "amontoados", aguardando uma liberação para irem a lugares melhores.

Fonte: Canção Nova Notícias

Finados e seu significado para nós

Finados e seu significado para nós
Celebramos no dia 2 de novembro o dia de Finados. O culto aos mortos é uma das celebrações mais antigas tanto no Oriente quanto no Ocidente, pois sempre houve essa necessidade de fazer memória dos antepassados. Nos primórdios do cristianismo os mártires eram venerados nos locais de seu martírio e as primeiras construções genuinamente cristãs foram monumentos em homenagem a estes heróis da fé. Os cristãos sempre recordaram seus entes queridos falecidos até que se passou a dedicar-lhes um dia para orar pelos mortos, inclusive por aqueles que nem sempre são lembrados.

Essa celebração, de fato, é revestida de uma grande riqueza, pois além dos atos religiosos é uma oportunidade ímpar para se refletir sobre a morte e a vida, como também uma relembrança dos nossos antepassados, estabelecendo o vínculo entre o que somos e toda a carga histórica que trazemos impressos em nós.

Nós cristãos estamos desde a origem imergidos neste mistério da Vida, Morte e Ressurreição de Jesus. Ele, como todo ser humano, experimentou a crueldade da morte e sofreu amargamente a morte de cruz, porém, a morte não foi a palavra definitiva, pois ele ressuscitou, garantindo, assim, que toda a humanidade ressuscitará definitivamente com Ele um dia. Esta certeza na Ressurreição elimina de nós qualquer concepção de renascimento ou reencarnação. São Paulo nos diz que "E, se Cristo não ressuscitou, ilusória é a vossa fé; ainda estais em vossos pecados" (1Cor 15, 17).

Finados e seu significado para nós
A vida que aqui vivemos é um preparar-se para a verdadeira, definitiva e gloriosa vida junto a Deus. “Amados, desde já somos filhos de Deus, mas o que nós seremos ainda não se manifestou. Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.” (1 Jo 3,2) Trazemos a certeza da verdade revelada por meio de Jesus Cristo, que levantado da morte por Deus nos trouxe a salvação. “Deus dos vivos e dos mortos: crer em Vós é ter a esperança de encontrar na luz de sempre a paz do último Dia.” (Laudes/Ofício de defuntos)


Neste dia de Finados não celebramos a morte, mas, exatamente, essa Vida Eterna presente e real já em Jesus Cristo. Somos, cristãos, esperançosos em nossa fé na ressurreição, na morada que Jesus preparou para nós.  Na participação da celebração eucarística, na visita aos cemitérios, na nossa oração pelos irmãos falecidos transpareceremos a certeza de que somos finitos e que a cada dia necessitamos da graça de Deus para mantermos viva, em nós, a chama da fé, da verdade, da caridade, do amor e do perdão rumos à eternidade. “A eternidade não é um contínuo suceder-se de dias do calendário, mas algo como o momento pleno de realização, cuja totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade do Ser, da verdade, do amor.” (Bento XVI)

Geraldo Trindade
Colunista do Blog Evangelizando
Bacharel em filosofia pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana, estudante de teologia no Seminário São José da arquidiocese de Mariana (MG). Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/


28 de outubro de 2013

E, agora, jovem?

E, agora, jovem?
O ano de 2013 foi singular na vida da Igreja Católica no Brasil, pela escolha da juventude como sua prioridade. A CNBB escolheu como tema da Campanha da Fraternidade a juventude, o Rio de Janeiro sediou a Jornada Mundial da Juventude.  Transpareceu que a Igreja Católica quer respirar com os jovens, caminhar com eles, sonhar seus sonhos, lutar suas lutas...

A peregrinação da cruz e do ícone de Nossa Senhora pelas comunidades em nosso país favoreceu com que a presença da Igreja, que tem com missão comunicar Cristo, estivesse junto às mais variadas realidades: educacionais, de sofrimento, exclusão, de trabalho, de oração, caminhada, reflexão, celebrações, adoração...

A JMJ marcou vivamente a memória de todos os que lá estiveram ou acompanharam pelos meios de comunicação. Em torno do sucessor de Pedro, Francisco, que tem como missão confirmar na fé, os jovens puderam renovar seu compromisso com a humanidade e com Jesus Cristo, atendendo o Seu convite: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”.

Muitos bons propósitos, planos, projetos e iniciativas surgiram a partir das vivências desses momentos e de inúmeros outros. Passado o tempo de empolgação inicial, é hora de verificarmos as chamas que ainda fumegam, de planos e iniciativas, que não estão apenas ancorados em nós mesmos, mas no fundamento, que é Cristo e no desejo de segui-Lo. Porém, a relação do jovem com a Igreja passa, necessariamente, pelos ministros sagrados, consagrados, passa pelas nossas paróquias, pastorais e movimentos. Será que todos esses agentes têm também se ocupado com os jovens? Estão eles comunicando e proporcionando uma experiência de Deus? A juventude tem sido prioridade pastoral em vários planos, mas tem se constituído em ação de oportunidade, escuta, participação dos jovens como força ativa em nossas comunidades?

Não pode ser permitido aos jovens a apatia diante da fé, do projeto de Jesus Cristo, da vida social do nosso país e das realidades mais desafiadoras e excludentes! É preciso que os jovens saibam viver, buscando os mais altos valores, os projetos mais audaciosos, os sonhos mais preciosos... Viver é pouco se se não coloca razão no dia-a-dia da vida, dando sentido a partir de uma meta de vida. O que muda a história é o que, antes, muda o coração humano. Nada melhor do que deixarmos enquanto batizados, que seja Cristo capaz de nos encantar com sua vida, seus gestos e posturas. Não podemos considerar Jesus totalmente conhecido e apreendido por nossa razão e sentimentos, é sempre uma novidade que deve nos questionar e nos encantar.

E, agora, jovem?
“ Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe mais alegria. Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho.  Deus envia o profeta Jeremias, lhe dá o poder de ‘extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar’ (Jr 1,10). E assim é também para vocês. Levar o Evangelho é levar a força de Deus, para extirpar e destruir o mal e a violência; para devastar e derrubar as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio; para construir um mundo novo.” (Papa Francisco).


E, agora, jovem?
Geraldo Trindade 
Colunista do Blog Evangelizando
Bacharel em filosofia pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana, estudante de teologia no Seminário São José da arquidiocese de Mariana (MG). 





26 de outubro de 2013

DIREITO DE EXISTIR

DIREITO DE EXISTIR
Certa vez conversando com Dom Moacyr Grechi, Arcebispo emérito de Porto Velho, ele me disse que aquela terra onde vivia, a terra da Amazônia tem um rosto próprio, seja do ponto de vista geográfico, seja do ponto de vista humano. Ele fez várias considerações sobre essa parte do Brasil, que para a maioria dos brasileiros é totalmente desconhecida; ali está a maior concentração de povos indígenas do país, os chamados, “povos da floresta”; temos distâncias enormes; a migração de vários Estados transformou a região; antes era uma região prevalentemente de pessoas nordestinas ou pessoas com características indígenas. Hoje a maioria da população é de origem italiana, alemã e polonesa, com sua vivência eclesial também marcada pela experiência do Sul. Outro aspecto, mais ligado ao sociológico, econômico e político: em 1970 houve a invasão, por parte dos grandes proprietários, da região. Milhões de hectares ficaram concentrados nas mãos de poucos e os camponeses foram obrigados a buscar terras distantes. Para finalizar o quadro de Dom Moacyr, no âmbio da Igreja, um clero na sua maioria religioso e estrangeiro, e uma história eclesial recente. Percebe-se uma Igreja que nasce agora, com tudo aquilo que significa de esperança e beleza, mas também de fragilidade.

Nos próximos dias será realizado em Manaus, entre os dias 28 e 31 de outubro o 1º Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, promovido pela Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, cujo Presidente é Cardeal Dom Cláudio Hummes. O objetivo é discutir a realidade político-social, econômica, cultural e religiosa da Amazônia Legal, bem como a contribuição da Igreja Católica para a promoção e defesa da vida dos habitantes dessa Região e de sua rica biodiversidade.

A história da Igreja na Amazônia foi escrita, sobretudo, por missionários estrangeiros, que há 5 séculos estão ali com os povos daquela região.  Os missionários, diversamente de turistas ou benfeitores de passagem, ficaram com eles; com infinita paciência, ajudaram-nos no difícil processo de se manterem senhores de sua identidade, mas também a se abrirem ao mundo diverso que vinha ao seu encontro.
A Amazônia sempre esteve no coração da Igreja e dos Papas: basta recordar o carinho do Beato João Paulo II por aquela terra, e a demonstração de afeto de Bento XVI, quando da sua visita ao Brasil em 2007, fez uma doação em dinheiro para ajudar a missão Amazônia. Já o Papa Francisco durante o encontro com os bispos brasileiros no Rio de Janeiro, no dia 27 de julho último, durante a JMJ pediu que a Igreja Católica reforce a sua ação missionária à imagem do que faz na Amazônia, falando desta região como “teste decisivo” para a Igreja e a sociedade brasileiras.

“A Igreja está na Amazônia, não como aqueles que têm as malas na mão para partir depois de terem explorado tudo o que puderam; ela está presente com missionários, congregações religiosas, e ali continua ainda presente e determinante no futuro daquela área”, disse Francisco.

No desafio pastoral que representa a Amazônia,  - disse então o Papa Francisco - não posso deixar de agradecer o que a Igreja no Brasil está fazendo. A Comissão Episcopal para a Amazônia, criada em 1997, já deu muitos frutos e tantas dioceses responderam pronta e generosamente ao pedido de solidariedade, enviando missionários, leigos e sacerdotes.

A criação dessa Comissão foi uma resposta aos apelos históricos do povo de Deus de rosto indígena, ribeirinho e caboclo. Ela representa o amadurecimento de iniciativas missionárias realizadas, ao longo dos anos, por um bom número de dioceses do Brasil através do programa Igrejas-Irmãs. Esta importante iniciativa surgiu em 1972, após uma visita à Amazônia de D. Aloísio Lorscheider, então presidente da CNBB.

“A evangelização missionária não pode ser exclusivamente de institutos e organismos, mas tem de envolver toda a Igreja, afirma Dom Erwin Kraütler, Bispo de Xingu. O sujeito da missão é a própria Igreja”...
A presença da Igreja, de seus bispos, sacerdotes, missionários e leigos é a certeza de que há esperança de futuro, há esperança de uma vida melhor. A Igreja tem um papel fundamental na Amazônia. O Encontro dos próximos dias é a confirmação disso, da sua atenção por essa terra e pelo povo que ali vive.
Já o Papa João Paulo II dizia: “Uma Igreja fechada sobre si mesma, sem abertura missionária, é Igreja incompleta ou está doente”. Esse é o chamado para olharmos para uma Igreja viva e atuante que caminha ao lado do Povo de Deus.

DIREITO DE EXISTIR
Berço de grandes contradições, a Amazônia, vastidão enorme de terra ao lado de um grande número de pessoas deserdadas da terra, é uma realidade repleta de desafios para a Igreja e para a sociedade brasileira. Esse povo, marcado pela pobreza, pelo esquecimento político e institucional, pela exploração, grita pedindo, não socorro, mas direito de existir, de ser respeitado, de viver uma vida digna, de ser conhecido.



DIREITO DE EXISTIR
Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".



21 de outubro de 2013

Cultura do jogar fora

Cultura do jogar fora
Comer, ter algo para matar a fome, abrir a geladeira, colocar a mão no bolso e ter dinheiro para comprar algo para saciar a fome; gestos que para muitos pode parecer mais do que normal, e que muitas vezes são feitos sem pensar: tenho fome, então eu como. Mas para quase um bilhão de pessoas, - quase 5 vezes a população do Brasil – passar fome é algo normal, é quase uma condição permanente. Cerca de um bilhão de pessoas vai dormir todas as noites, faminta... e isso acontece em um mundo onde o desperdício de alimentos está na ordem do dia...estamos vivendo a “cultura do descartável”, em linguagem mais popular, “do jogar fora”. E quando jogamos fora alimentos, jogamos fora também a oportunidade de vida de milhões de pessoas. Fazemos isso sem pensar que o nosso próximo tem a mesma sensação de fome, de angústia, de medo, de dor. O ato mecânico de jogar alimento fora cria em nós um indiferentismo que cresce, um individualismo que mata... sim que mata pois estamos jogando fora a esperança de vida de crianças, homens e mulheres, que devem se contentar com o resto, com o lixo do mundo.

O Papa Francisco não perde a oportunidade para levantar a sua voz e recordar a todos os homens o “escândalo” da fome no mundo de hoje, onde o desperdício diário de toneladas de comida é uma constante; e fez isso em uma mensagem por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, que se comemorou na última quarta-feira, dia 16. “É um escândalo que ainda haja fome e subnutrição no mundo. Não se trata apenas de responder às emergências imediatas, mas de enfrentar juntos, em todos os campos de ação, um problema que interpela a nossa consciência pessoal e social, para obter uma solução justa e duradoura”, destacou o Santo Padre na mensagem enviada a José Graziano da Silva, Diretor Geral da FAO, a agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura.

Ainda no dia 17 celebramos o Dia Mundial para o fim da pobreza, que este ano teve por tema “Trabalhar juntos por um mundo sem discriminações: Construindo sobre a experiência e sobre o conhecimento das pessoas em pobreza extrema”. Precisamente este dia recorda o primeiro dos objetivos do milênio, cuja meta está ainda muito longe. Como disse antes, cerca de um bilhão de pessoas todos os dias vai deitar faminta, mas também vive em casas precárias, sem assistência médica, sem serviços higiênicos e, por causa de todos estes motivos, todos os dias morrem 20 mil crianças. Esse dia segue imediatamente aquele da Alimentação, com uma coincidência de datas não expressamente pensada, mas certamente significativa.

O dia 16 de outubro é o aniversário da fundação da FAO, o Organismo da ONU para a Alimentação e a Agricultura, enquanto o dia 17 de outubro é o do encontro em 1987 de cem mil defensores dos direitos humanos no Trocadero de Paris, organizado pelo Aide à toute détresse-Quart monde, o movimento fundado na França pelo sacerdote de origem polonesa Joseph Wrzesinski.

Voltando à questão da fome, da real situação de milhões de pessoas o Papa Francisco chama a atenção para que a mesma não seja jamais considerada como um fato normal, ao qual devemos nos habituar, como se isso fizesse parte do sistema: algo tem de mudar em nós mesmos, “na nossa mentalidade, nas nossas sociedades”, escreveu. Volta então em primeiro plano a palavra solidariedade, uma “palavra incômoda”, que deveria ser a base de todas as decisões, sejam elas políticas, econômicas ou financeiras. E quando falamos de solidariedade vem em mente a pessoa, centro de qualquer decisão, de ações que não sejam meras formas de assistencialismo, mas um esforço contínuo que visa o bem comum.

Francisco nos chama a atenção para o desperdício de alimentos, fruto da ‘cultura do descartável’, que leva regularmente a sacrificar homens e mulheres aos ídolos da avareza e do consumo, um triste sinal da ‘globalização da indiferença’, que nos vai habituando lentamente ao sofrimento dos outros.

Numa época em que a globalização permite conhecer as situações de necessidade no mundo, o que vem fora é a tendência ao individualismo e ao fechamento em nós mesmos. Tendência que leva à indiferença por quem morre de fome.

O mundo mudará se começarmos a mudar as nossas ações, através do nosso comportamento, das nossas escolhas. Solidariedade rima com fraternidade e fome com nome. É hora de dar o nome a essa situação: escândalo do nosso tempo.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".

17 de outubro de 2013

Miss Mundo 2013: Sou pró-vida e as relações sexuais são para o matrimônio

Miss Mundo 2013: Sou pró-vida e as relações sexuais são para o matrimônio
A candidata das Filipinas, Megan Lynn Young, de 23 anos que foi coroada como Miss Mundo 2013 em 28 de setembro em Bali (Indonésia), deixou clara durante a sua participação no concurso a sua postura pró-vida e a favor do matrimônio.

Young nasceu nos Estados Unidos, mas aos 10 anos de idade foi morar nas Filipinas, que é um dos poucos países de maioria católica da região do Oriente onde se localiza.

Em uma entrevista com o canal ANC, Megan assegurou que "sou pró-vida, e se isso significa matar alguém que já está aí –disse, assinalando o seu corpo-, estou contra isso, é obvio".

"Sou contra o aborto", remarcou.

Megan também foi clara para assinalar que não concorda com as relações sexuais antes do casamento, pois "o sexo é para o matrimônio, é o que acredito", e também revelou que "sou contra o divórcio".

Para a jovem Miss Mundo, "se você casa com alguém, essa deve ser a pessoa com a qual estará para sempre, na doença e na saúde, nas coisas boas e ruins".

A entrevistadora, surpreendida, perguntou-lhe como era possível para uma mulher "tão bela como você" negar-se às relações sexuais pré-matrimoniais, ao que Megan respondeu que simplesmente "diz não".

"Se tentam pressionar, retira-te, porque essa pessoa não te valoriza, não valoriza tanto a relação", indicou.

Para a Miss Mundo 2013, antes Miss Filipinas, "se o rapaz estiver disposto a sacrificar isso, significa muito".

Fonte: ACIdigital


13 de outubro de 2013

A arte do encontro

A arte do encontro
O Papa Francisco escolheu como tema para o Dia Mundial das Comunicações Sociais “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro”. O Pontifício Conselho das Comunicações Sociais em uma recente nota de apresentação do tema, recordou um recente discurso do Papa a este organismo da Cúria Romana, em que Francisco apela à descoberta da “beleza da fé” pelo “encontro pessoal e também através dos meios de comunicação social”. Assim, através do tema para o Dia Mundial das Comunicações Sociais em 2014 – no próximo ano será celebrado no dia 1º de junho – o primeiro do Papa Francisco, se deseja explorar o potencial da comunicação, em um mundo cada vez mais conectado e em rede, para que as pessoas estejam mais próximas umas das outras e seja construído “um mundo mais justo”. Estamos vivendo uma época na qual se desenvolve uma nova cultura, favorecida de modo impressionante pelas novas tecnologias, que encurtam distâncias e nos tornam presentes e em comunicação para além do mundo que nos circunda; a comunicação fica assim, num certo sentido, “amplificada” e contínua.

Nesta era em que vivemos, denominada, era da globalização, podemos chegar com nossas mensagens e informações a todos os lugares do planeta, também naqueles mais remotos, tornando partícipes do mundo, pessoas que de outra maneira seriam isoladas, excluídas. Daí a certeza de que a comunicação nos permite ir ao encontro dos outros, de criar espaços de liberdade onde cada um possa se expressar. Onde cada um exista, e não se exclua, onde haja respeito e compromisso para com o próximo, onde possa nascer de modo natural a capacidade de criar diálogo, respeitando as verdades do outro, respeitando a identidade do outro. Nasce então a cultura do encontro, que o Papa Francisco propõe para refletirmos no próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais. Sim porque os meios de comunicação nos fazem todos vizinhos de porta, vizinhos de problemas, de interesses, de perspectivas. Sim, porque isolar-se, fechar-se em si mesmo, somente no que nos interessa sem pensar no outro, no encontro com o outro, nos leva a um caminho do egoísmo total, apesar de todas as oportunidades que temos de partilhar. É preciso voltar o olhar e interesse para além das coisas que nos circundam numa ação de proximidade.

Os meios de comunicação são um areópago privilegiado para se promover a “arte do encontro”, onde se busca, se encontra, se promove, se aprende, se ensina e se vive o diálogo, a troca de diferenças e visões, se vive o pluralismo das ideias e convicções. Naturalmente não nivelar indiscriminadamente as diferenças e pluralismos – este é um dos riscos da globalização – mas sim ajudar a encontrar-se e realizar confrontos construtivos. Em síntese é compreender e valorizar o outro, suas riquezas, não como adversário e fator de risco. Quando nos encontramos, dialogamos, apesar das diferenças, promovemos a relação e não o conflito. Nasce a arte do encontro e da partilha.

A cultura do encontro é um assunto recorrente no magistério do Papa Francisco. Já no Rio de Janeiro falando aos jovens e aos bispos pediu que se promova essa cultura, pois em muitos ambientes, infelizmente, ganhou espaço a cultura da exclusão do descartável. Não há lugar para o idoso, nem para o filho indesejado; “não há tempo para se deter com o pobre caído à margem da estrada”. Devemos – parafraseando as palavras de Francisco - ir “contra a corrente” e combater certos dogmas modernos, que centralizam sua atenção na eficiência e no pragmatismo, no ter. Devemos, ao invés, primar pelo encontro e acolhimento, pela solidariedade, palavra essa que está cada vez mais escondida na cultura moderna. Precisamos saber encontrar-nos. Nós comunicadores precisamos edificar, criar, construir uma cultura do encontro. Tantos desencontros, problemas e mais problemas. E os desencontros não ajudam.

Quando você encontra o outro, que necessita de você, seu coração começará a aumentar, aumentar! Sim, porque o encontro multiplica a capacidade do amor. O encontro com outro, aumenta o coração. Francisco nos ensina hoje que não voltamos iguais depois de encontrar alguém, algo muda, nós mudamos, ficamos mais ricos.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".



9 de outubro de 2013

As lições de uma imagem quebrada

As lições de uma imagem quebrada
Aproximando-se a Festa da Padroeira do Brasil, volto meu olhar para a pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida e me vêm alguns pensamentos que quero compartilhar com todos os meus irmãos.

A imagem de Aparecida é uma imagem da Imaculada Conceição, encontrada no Rio Paraíba com a cabeça quebrada e separada do corpo. Seu encontro foi ocasião de um grande milagre, uma nova pesca milagrosa.

A imagem, desde logo, começou a ser cultuada pelo povo, e chamada de “Aparecida”.

Muitos milagres compõem a história desta pequena imagem, que encontrada quebrada, foi restaurada. E no ano de 1978 foi novamente quebrada, ou melhor, despedaçada, em 165 fragmentos. E mais uma vez foi refeita, pedaço por pedaço, recuperando sua integridade e beleza.

O que esta imagem nos ensina?

Deus faz grandes coisas com pequenos instrumentos. Quantas imagens em perfeito estado, lindas, grandes, policromadas havia no Brasil naquela época! Deus se serviu de uma pequenina, quebrada, de cor escura, talvez jogada fora no rio.

Na imagem de nossa Mãe, o Magnificat foi mais uma vez realizado. Deus olhou a pequenez, a nulidade desta imagenzinha quebrada e abandonada. E partir de então todas as gerações de Brasileiros se curvam diante dela e vão até lá pedir e agradecer.

A imagem de Aparecida é muito frágil por isso duas vezes ao menos esteve quebrada. Na primeira não sabemos a causa, na segunda foi quebrada por mão humana, de um filho que não conseguia entender o que é uma imagem, um sinal. Mas da mesma forma que ela é frágil para ser quebrada, é também maleável para ser refeita, colada, restaurada.

Podemos ver aqui uma imagem de nossa humanidade, tão frágil, formada de um barro muito fraquinho, cuja marca é “Adão”. Quebramos facilmente e às vezes nos quebramos, nos destruímos. Mas a mão do divino oleiro sempre se estende em nossa direção para nos remodelar e nos fazer ainda mais belos.

Temos nós a mesma maleabilidade da Imagem de Aparecida. Somos abertos à graça de Deus? Aceitamos que somos quebradiços? E confiamos que Deus, com sua misericórdia, pode nos remodelar?

Virgem quebrada, refeita, restaurada, novamente despedaçada, e mais vez uma maravilhosamente reconstituída, ensinai-nos que somos barro, que somos pó, por isso somos tão fracos. Lembrai-nos sempre também somos aquele pó, aquela terra que Deus quer elevar até Si, quer transformar. E quando nos quebrarmos, que venha ao nosso encontro mais o Artista divino, para nos refazer, nos remodelar, devolvendo-nos a alegria de sermos duas vezes a obra de Suas mãos.

Por Pe. Gaspar S. C. Pelegrini
Fonte: http://www.adapostolica.org



7 de outubro de 2013

Catedral de Mariana, 300 anos de evangelização

Catedral de Mariana, 300 anos de evangelização
Neste ano de 2013, a arquidiocese de Mariana festeja os 300 anos de edificação de sua catedral metropolitana Nossa Senhora da Assunção. A celebração se dá pela importância, pois é uma das primeiras catedrais no interior do Brasil, fazendo com que a evangelização, que se iniciou no litoral do país, estendesse para o interior, atingindo uma maior extensão territorial e populacional.

A diocese de Mariana foi criada em 1745 pelo papa Bento XIV no dia 6 de dezembro de 1745 pela bula Candor lucis aeternae por Bento XIV, desmebrando-a da então diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. A igreja escolhida para se tornar catedral da nova diocese foi a capela da beata Virgem Maria do Monte Carmelo. Depois com a elevação da capela à matriz, ela foi dedicada a Nossa Senhora da Conceição. A construção deste templo se deu na administração do governador Antônio Francisco de Albuquerque. Não se sabe, porém, a data específica da finalização da obra; mas o período de construção compreende os anos de 1713 a 1760, que é a data em que se acredita o término da construção como está atualmente.

Com a criação da nova diocese em território mineiro, foi elevada à categoria de cidade a vila e a catedral à matriz, agora dedicada a Nossa Senhora da Assunção. Essa mudança de padroeira remete a uma tradição luso-brasileira em que a maioria das matrizes era dedicada a Nossa Senhora da Conceição e as catedrais a Nossa Senhora da Assunção.

A catedral sofreu várias intervenções artísticas e arquitetônicas desde a posse do primeiro bispo, dom Frei Manoel da Cruz, como a colocação do forro, pintura interior, construção da capela do Santíssimo, assentamento do órgão Arp Schnitger em 1753 doado pelo rei Dom José I. Em 1º de maio de 1906 a diocese de Mariana é elevada à Arquidiocese e Sé Metropolitana pelo papa Pio X por meio da bula Sempiternan Humani Generis. Em 1961 a Catedral é elevada à categoria de Basílica menor. A construção da cripta, onde estão sepultados os restos mortais dos bispos e arcebispos marianenses se deu no ano de 1963 e neste mesmo ano foi sagrado o seu altar no dia 16 de julho.

A Sé Catedral de Mariana tem seu traçado arquitetônico externo bastante simples, o que contrasta com a exuberância de seu interior, marcado por um rico douramento e policromia. Possui uma nave central e duas laterais separadas pelas arcadas, provocando uma sensação de solidez. A leve inclinação das paredes da nave central dá a impressão de grandiosidade. As laterais são formadas por 10 altares de diferentes estilos e o caideral do cabido enfeitado com paisagens chinesas.

Outros destaques são o tapa-vento, na entrada, de Francisco Vieira Servas, a pia batismal em pedra, cuja tampa também foi esculpida por Servas e o painel representando o batismo de Cristo que tem como autor Manoel da Costa Athaide.

Além desses aspectos artísticos e arquitetônicos, a celebração dos 300 anos da catedral, que ocorrerá entre os dias 21 a 26 de outubro, contará com a presença do núncio apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello no dia 24. A celebração quer marcar o grande passo dado neste período de tempo por meio do anúncio e da pregação do Evangelho no estado de Minas Gerais e em todo o Brasil. Por meio da presença da Igreja Católica, e neste caso especial pela edificação da catedral e criação da diocese de Mariana, pode-se levar adiante a evangelização de regiões antes desconhecidas ou pouco habitadas. Destarte, os 300 anos significam o grande desejo de perenemente, enquanto Igreja, sermos anunciadores de Cristo e das verdades do Evangelho, que continuam levando a força da Palavra de Deus aos corações desejosos do Caminho, da Verdade e da Vida, que é Jesus Cristo.

Geraldo Trindade
Colunista do Blog Evangelizando
Bacharel em filosofia pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana, estudante de teologia no Seminário São José da arquidiocese de Mariana (MG). Blog: http://pensarparalelo.blogspot.com.br/



5 de outubro de 2013

Nas pegadas do pobrezinho de Assis

Nas pegadas do pobrezinho de Assis
Assis esperou quase 800 anos pela visita de um Papa com o nome daquele que tornou a cidade um símbolo de paz para o mundo. A primeira visita a Assis de um Pontífice com o nome Francisco chamou a atenção nesta sexta-feira da mídia mundial, presente em massa na cidadezinha da Úmbria que deu ao mundo um dos seus filhos que se tornou predileto. Papa Bergoglio foi até lá como peregrino, como tantos outros que de todas as partes de mundo vão àquele pequeno pedaço de paraíso para encontrar, rezar e conhecer melhor o jovem Francisco, que deixou tudo por causa de um amor maior, o amor pelo Evangelho de Cristo.

O homem que veio “quase do fim do mundo” entrou na cidade como um peregrino para encontrar e rezar diante do túmulo do inspirador de seu pontificado: Francisco. Significativo o momento de oração na cripta da Basílica inferior diante do túmulo onde repousam os restos mortais do “mendigo de Deus”. Momento precedido pelo encontro com os últimos, os pobres e necessitados, retrato daqueles que Francisco 800 anos atrás ajudava, consolava e dava dignidade. Passaram-se 8 séculos mas o grito dos pobres e dos necessitados, continua o mesmo.

Na sede do episcopado, na Sala da Espoliação de São Francisco – a primeira visita de um Papa àquele local onde Francisco deixou tudo, resolveu casar-se com a Dama Pobreza – Bergoglio falando a um grupo de pessoas assistidas pelas Caritas diocesanas da região fez um convite à Igreja, convite que repete com frequência, de se espoliar, acrescentando que todos somos Igreja, não são só padres e freiras, mas todos. “Se quisermos ser cristãos, não há outro caminho. Sem a cruz, sem Jesus, sem espoliação,  - disse - seremos cristãos de ‘confeitaria’”, ou seja, belos, mas não verdadeiros.  Mas o Papa não deixou de afirmar que muitos já foram espoliados e continuam sendo espoliados por este mundo selvagem que não dá emprego, que não ajuda, “ao qual não importa se existem crianças que morrem de fome, não importa se muitas famílias não têm o que comer, se tantas pessoas têm que fugir da escravidão, da fome, e fugir em busca de liberdade”. E quanta dor - disse ainda Francisco - quando vemos que encontram a morte, como aconteceu em Lampedusa nesta quinta-feira. “Hoje, é um dia de lágrimas. É o espírito do mundo que faz essas coisas”, explicou.

Pelas ruas da cidadezinha onde São Francisco caminhou, outro Francisco passou o dia, entre a Cripta onde repousa os restos do Santo e a Porciúncula dentro da Basílica de Santa Maria dos Anjos, onde São Francisco morreu no dia 3 de outubro de 1226; o Pontífice visitou grande parte dos lugares franciscanos seguindo as pegadas daquele do qual tomou o nome. Foi a visita de um Papa moldado na espiritualidade de Santo Inácio, e com um coração e radicalidade franciscanas.

Uma visita que Bergolglio fez com viva e transparente emoção; uma alegria estampada em um rosto que não se cansa de iluminar caminhos...uma alegria que explode no coração de todo peregrino que vai a Assis e vislumbra os lugares que Francisco percorreu, lugares admirados em fotografias e cartões postais, por muito tempo sonhados; lugares sugestivos que deixam marcas profundas. Marcas que certamente ficaram no coração do Papa Francisco.

Bergoglio tocou a terra da cidadezinha de São Francisco, e certamente seu pensamento correu também para os seus pobres de Buenos Aires e para os pobres do mundo inteiro. O seu coração foi até aqueles últimos e com os joelhos dobrados diante do túmulo de São Francisco, pediu por eles, pela sua dignidade de seres humanos, e pela paz no mundo, desejo que expressa em todas as ocasiões possíveis.

O Francisco latino-americano foi ao encontro do Francisco italiano, europeu, do Francisco dos homens de boa vontade e de paz; porque São Francisco não é só dos católicos, mas de todos que vêem neste pequenino-gigante da fé, um símbolo de amor pelo próximo e por todas as criaturas viventes.

Bergoglio esteve face a face com o homem da Irmã Pobreza, da Irmã Morte, que por um estranho e misterioso desígnio da Divina Providência foram chamados, em tempos e modos diferentes, a reconstruir, fortificar a Casa do Senhor. Um compromisso que o Sucessor de Pedro decidiu assumir totalmente quando tomou o nome Francisco - o Cardeal Hummes recordou-lhe para não se esquecer dos pobres -,  primeiro na história da Igreja.

O nome de um dos Santos mais populares da Igreja também é a marca do seu pontificado; um nome que é programa de vida, inspiração para decisões não fáceis. Um nome que aproxima ainda mais o Papa dos fiéis, e não fiéis, dos mais necessitados, e que dá um novo rosto a uma Igreja para muitos cansada e sem estímulos. Sinais significativos foram dados por Bergoglio nesses quase 7 meses de pontificado, sinais de um novo tempo. Em Assis, na casa do Irmão da pobreza, Francisco reafirmou o seu ideal de Igreja, pobre, próxima dos homens e santa, como Santo é seu Esposo. Uma Igreja sonhada também por João Pedro de Bernardone, para muitos apenas Francisco de Assis.

Silvonei José Protz
Colunista do Blog Evangelizando
Diocese de Roma (Itália). Doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano: "a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo".


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