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2 de novembro de 2012

Dia de finados: O que é, como vivê-lo e como ganhar as indulgências deste dia.


O Dia dos Fiéis Defuntos ou Dia de Finados, é celebrado pela Igreja Católica no dia 2 de novembro.
Desde o Antigo testamento (cf. Tobias 12,12; Jó 1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46) vemos que os judeus rezavam pelos falecidos. No século II, alguns historiadores escreveram sobre o fato dos cristãos rezarem pelos mortos, visitando os túmulos dos mártires para pedir a Deus por eles. No século V, a Igreja passou a dedicar um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava, e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny, Santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Foi no século XI que os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) introduziram no calendário católico um dia para a oração pelos finados porém apenas no século XIII esse dia passou a ter uma data definida: 2 de novembro. A escolha desta data se deu pelo fato de 1º de novembro ser a Festa de todos os Santos.
A morte é o cessar definitivo da vida, que pode acontecer por diferentes motivos, como doenças, acidentes ou violência. Por ser a morte um assunto tão delicado, é preciso que o dia de finados seja respeitado por todos, pois é um dia onde as famílias lembram das pessoas amadas que já não estão mais nesse mundo e rezem por elas, para que elas, se já não estão com Deus, possam ser recebidas por Ele um dia. Para o católico o dia de finados é um dia de guarda.
Porém mesmo sendo um dia de moderação e respeito, precisa ser vivido com esperança, pois a fé católica crê que um dia, na vinda definitiva de Jesus, os mortos ressuscitarão. E é com está fé e esperança que rezamos!
Neste dia o católico é chamado a moderar os seus hábitos, ou seja, não escutar som muito alto, evitar bebidas alcoólicas, comer carnes, viagens, muita euforia e barulhos excessivos. Dia de finados não é dia de baladas. É dia de oração e silêncio interior!
Importante: Este não é um dia para falar com mortos (que aliás é uma prática abominável aos olhos de Deus), mas para falar com o Senhor sobre as pessoas que já faleceram e interceder por elas. De nada adianta dizer coisas do tipo: – Ah Fulano! Que saudades de você!… Mas o invés de se dirigir a seu parente falecido (que não vai te responder), eleve sua mente aos céus e diga: – Senhor Jesus, acolhe estas pessoas em teu coração. Que todas elas possam ser levadas a Tua presença, sobretudo estes que padecem no purgatório…
No Dia de Finados existe uma indulgência plenária própria. Se você fizer todas as práticas recomendadas, você poderá lucrar esta indulgência e dedicar a uma alma que está no purgatório. Graças a esta prática de caridade, neste dia, alguém poderá sair do purgatório e ir para o céu. Veja como:
“Aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Encher. Indulgentiarum, n.13)”.
“Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos adquirimos a Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai-nosso e Creio, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e Ave-Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção).” (pg. 462 do Diretório Litúrgico da CNBB).
Até o próximo post! Não se esqueça de clicar na imagem abaixo e votar!




Série Espiritualidade: “Que a alma devota deve aspirar, de todo o coração, à união com Cristo no Sacramento”


Do livro “A Imitação de Cristo”
Voz do discípulo: Quem me dera, Senhor, achar-me só convosco, para vos abrir todo o meu coração e vos gozar como deseja a minha alma a ponto que já ninguém em mim reparasse, nem criatura alguma se preocupasse comigo ou olhasse para mim, mas que só vós me falásseis e eu a vós, como costuma falar o amante com seu amado, e conversar o amigo com seu amigo! Isto peço, isto desejo: ser unido todo a vós e desprender o meu coração de todas as coisas criadas, e pela sagrada comunhão e freqüente celebração da Santa Missa achar cada vez mais gosto nas coisas celestiais e eternas. Ah! Senhor meu Deus, quando estarei todo unido a vós, absorto em vós, e completamente esquecido de mim? Vós em mim e eu em vós; concedei que fiquemos assim unidos!
Vós sois na verdade “meu amado, escolhido entre milhares” (Cânt 5,10), no qual deseja a minha alma morar todos os dias de sua vida. Vós sois verdadeiramente meu rei pacífico; em vós está a suma paz e o verdadeiro descanso, e fora de vós só há trabalho, dor e infinita miséria. “Vós sois verdadeiramente um Deus escondido” (Is 45,15), e vosso conselho não é com os ímpios, mas com os humildes, e simples é vossa conversação. “Quão suave, Senhor, é vosso espírito”. Para mostrar-des a vossa doçura aos vossos filhos, vos dignais saciá-los com o pão suavíssimo que desceu do céu. “Na verdade, não há outra nação tão grande que tenha seus deuses tão perto de si, como vós, nosso Deus, estais perto de todos os fiéis” (Dt 4,7), aos quais vos dais em alimento delicioso, para consolá-los diariamente e erguer seus corações ao céu.
Que nação há tão ilustre como o povo cristão, ou que criatura debaixo do céu recebe tanto amor como a alma devota a quem Deus se une para nutri-la com a sua gloriosa carne? Ó graça inefável, ó admirável condescendência, ó amor imenso, prodigalizado singularmente ao homem. Mas que darei ao Senhor por esta graça e tão exímia caridade? Oferta mais agradável não posso fazer a meu Deus, que lhe entregar meu coração todo inteiro, para que o una intimamente consigo. Então exultarão de alegria todas as minhas entranhas, quando minha alma estiver perfeitamente unida com Deus. Então me dirá ele: Se tu queres estar comigo, eu também quero estar contigo. E eu lhe responderei: Dignai-vos, Senhor, ficar comigo, pois eu de bom grado quero estar convosco. Este é meu desejo supremo, que meu coração esteja unido convosco.

Você sabe de onde surgiu o Cerco de Jericó e como ele pode derrubar muralhas em sua vida?


Para obter a graça da visita do Papa João Paulo II a sua terra natal, que era comunista e não via com bons olhos a presença do Pontífice naquele país, alguns piedosos poloneses organizaram a pedido de Nossa Senhora aquilo a que chamam o Cerco de Jericó, o qual consiste num incessante “assalto” de rosários, durante sete dias e seis noites, rezados diante do Santíssimo exposto.
E, por que “Cerco de Jericó?
No Antigo Testamento, depois da morte de Moisés, Deus escolheu Josué para conduzir o povo hebreu, e disse à Josué que atravessasse o Jordão com todo o povo e tomasse posse da Terra Prometida.
A cidade de Jericó era uma fortaleza, e ao chegar junto às muralhas de Jericó, Josué ergueu os olhos e viu um Anjo, com uma espada na mão, que lhe deu ordens concretas e detalhadas. Josué e todo Israel executaram fielmente as ordens recebidas: durante seis dias, os valentes guerreiros de Israel deram uma volta em torno da cidade. No sétimo dia, deram sete voltas. Durante a sétima volta, ao som da trombeta, todo o povo levantou um grande clamor e, pelo poder de Deus, as muralhas de Jericó caíram… (cf. Js 6).
Tudo começou quando o Santo Padre João Paulo II confirmou sua visita à Polônia em 8 de maio de 1979, para o 91º aniversário do martírio de Santo Estanislau, bispo de Cracóvia. Era a primeira vez que o Papa visitava o seu país, sob o regime comunista; era uma visita importantíssima e muito difícil. Aqui começaria a ruína do comunismo ateu e a queda do muro de Berlim.
Em fins de novembro de 1978, sete semanas depois do Conclave que o havia eleito Papa, Nossa Senhora do Santo Rosário teria dado uma ordem precisa a uma alma privilegiada da Polônia: “Para a preparação da primeira peregrinação do Papa à sua Pátria, deve-se organizar na primeira semana de maio de 1979, em Jasna Gora (Santuário Mariano), um Congresso do Rosário: sete dias e seis noites de Rosários consecutivos diante do Santíssimo Sacramento exposto.”
No dia da Imaculada Conceição (8 de dezembro de 1978), Anatol Kazczuck, daí em diante promotor desses Cercos, apresentou a ordem da Rainha do Céu a Monsenhor Kraszewski, bispo auxiliar da Comissão Mariana do Episcopado. Ele respondeu: “É bom rezar diante do Santíssimo Sacramento exposto; é bom rezar o Terço pelo Papa; é bom rezar em Jasna Gora. Podeis fazê-lo.”
Anatol apresentou também a mensagem de Nossa Senhora a Monsenhor Stefano Barata, bispo de Czestochowa e Presidente da Comissão Mariana do Episcopado. Ele alegrou-se com o projeto, mas aconselhou-os a não darem o nome de “Congresso”, para maior facilidade na sua organização. Então, deu-se o nome de “Cerco de Jericó” a esta iniciativa.
O padre-diretor de Jasna Gora aprovou o projeto, mas não queria que se realizasse em maio por causa dos preparativos para a visita do Santo Padre. Dizia ele: “Seria melhor em abril.” e então respondeu o Sr. Anatol “Mas a Rainha do Céu deu ordens para se organizarem esses Rosários permanentes na primeira semana de maio”. O padre aceitou, recomendando-lhe que fossem evitadas perturbações.
A Santíssima Virgem sabia bem que o Cerco de Jericó em maio não iria perturbar a visita do Papa, porque ele não viria. E, logo a seguir, as autoridades recusaram o visto de entrada no país ao Santo Padre, como tinham feito a Paulo VI em 1966. O Papa não poderia visitar a sua Pátria.
Foi, então, com redobrado fervor que se organizou o “assalto” de Rosários. E, no dia 7 de maio, ao mesmo tempo que terminava o Cerco, caíram “as muralhas de Jericó”. Um comunicado oficial anunciava que o Santo Padre visitaria a Polônia de 2 a 10 de junho. Sabe-se como o povo polonês viveu esses nove dias com o Papa, o “seu” Santo Padre, numa alegria indescritível!
No dia de 10 de junho, João Paulo II terminava a sua peregrinação, consagrando, com todo Episcopado polonês, a nação polaca ao Coração Doloroso e Imaculado de Maria, diante de um milhão e quinhentos mil fiéis reunidos em Blonic Kraskoskic.
Depois dessa estrondosa vitória, a Santíssima Virgem ordenou que se organizassem Cercos de Jericó todas as vezes que o Papa João Paulo II saísse em viagem apostólica. “O Rosário tem um poder de exorcismo”, dizem os nossos amigos da Polônia, “ele torna o demônio impotente.”
Por ocasião do atentado contra o Papa, em 13 de maio de 1981, os poloneses lançaram de novo um formidável “assalto” de Rosários e obtiveram o seu inesperado restabelecimento. Mais uma vez, as muralhas de ódio de Satanás se abatiam diante do poder da Ave-Maria.
Em várias partes do mundo estão sendo realizados agora Cercos de Jericó. A 2 de fevereiro de 1986, aquela mesma alma privilegiada recebia outra mensagem da Rainha Vitoriosa do Santíssimo Rosário: “Ide ao Canadá, aos Estados Unidos, à Inglaterra e à Alemanha para salvar o que ainda pode ser salvo.” Nossa Senhora pede que se organizem os Rosários permanentes e os Cercos de Jericó, se queremos ter certeza da vitória.
Ana Paula Missias – Blog Dominus Vobiscum
Fonte: http://domvob.wordpress.com/
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1 de novembro de 2012

Em novembro, Papa pede orações pelo clero e vocação da Igreja

Nas intenções do Papa Bento XVI para o mês de novembro, o Pontífice reza pelo clero e pela vocação e missão da Igreja. 

Na intenção geral, o Santo Padre reza "para que os bispos, os sacerdotes e todos os ministros do Evangelho dêem um testemunho corajoso de fidelidade ao Senhor crucificado e ressuscitado".

Como intenção missionária, o Papa pede "para que a Igreja peregrina sobre a terra resplandeça como luz das nações".

Todos os meses o Santo Padre confia suas intenções ao Apostolado da Oração, e convida os cristãos a se unirem em oração à estas intenções.


Fonte: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=287733 

Solenidade de todos os Santos

Hoje, a Igreja não celebra a santidade de um cristão que se encontra no Céu, mas sim, de todos. Isto, para mostrar concretamente, a vocação universal de todos para a felicidade eterna. 

"Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: 'Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito' "(Mt 5,48) (CIC 2013).

Sendo assim, nós passamos a compreender o início do sermão do Abade São Bernardo:"Para que louvar os santos, para que glorificá-los? Para que, enfim, esta solenidade? Que lhes importam as honras terrenas? A eles que, segundo a promessa do Filho, o Pai celeste glorifica? Os santos não precisam de nossas homenagens. Não há dúvida alguma, se veneramos os santos, o interesse é nosso, não deles".

Sabemos que desde os primeiros séculos os cristãos praticam o culto dos santos, a começar pelos mártires, por isto hoje vivemos esta Tradição, na qual nossa Mãe Igreja convida-nos a contemplarmos os nossos "heróis" da fé, esperança e caridade. Na verdade é um convite a olharmos para o Alto, pois neste mundo escurecido pelo pecado, brilham no Céu com a luz do triunfo e esperança daqueles que viveram e morreram em Cristo, por Cristo e com Cristo, formando uma "constelação", já que São João viu: "Era uma imensa multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7,9). 

Todos estes combatentes de Deus, merecem nossa imitação, pois foram adolescentes, jovens, homens casados, mães de família, operários, empregados, patrões, sacerdotes, pobres mendigos, profissionais, militares ou religiosos que se tornaram um sinal do que o Espírito Santo pode fazer num ser humano que se decide a viver o Evangelho que atua na Igreja e na sociedade. Portanto, a vida destes acabaram virando proposta para nós, uma vez que passaram fome, apelos carnais, perseguições, alegrias, situações de pecado, profundos arrependimentos, sede, doenças, sofrimentos por calúnia, ódio, falta de amor e injustiças; tudo isto, e mais o que constituem o cotidiano dos seguidores de Cristo que enfrentam os embates da vida sem perderem o entusiasmo pela Pátria definitiva, pois "não sois mais estrangeiros, nem migrantes; sois concidadãos dos santos, sois da Família de Deus" (Ef 2,19). 

Neste dia a Mãe Igreja faz este apelo a todos nós, seus filhos: "O apelo à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade se dirige a todos os fiéis cristãos." "A perfeição cristã só tem um limite: ser ilimitada" (CIC 2028).

Todos os santos de Deus, rogai por nós!



O que é Laicismo?


- O laicismo sadio defende a separação entre a Igreja e o Estado; o laicismo radical é contrário ao direito à liberdade religiosa

O termo “laicismo” pode se referir a dois conceitos. De um lado, o laicismo se entende com a separação entre o Estado e a Igreja ou confissão religiosa. Em razão deste laicismo, o Estado não deve se intrometer na organização nem na doutrina das confissões religiosas e deve garantir o direito dos cidadãos de ter suas próprias crenças e manifestá-las em público ou em particular, e a prestar culto a Deus segundo as suas próprias convicções. Também deve garantir o direito à objeção de consciência, pela qual os cidadãos não poderão ser obrigados a agir de modo contrário às suas próprias convicções ou crenças. Os Estados modernos costumam reconhecer em suas Constituições este conceito de laicismo. Conforme este conceito, o Estado e a Igreja ou organização religiosa manterão relações de colaboração nos assuntos de interesse comum, como o patrimônio histórico e artístico, a assistência religiosa em instalações estatais como quartéis, hospitais e prisões, o direito ao ensino de conteúdo religioso etc.

Pode haver também colaboração econômica com a Igreja ou outro organismo religioso à medida que auxiliam a resolver problemas que são da competência do Estado, como é o caso da assistência aos marginalizados, o auxílio a maiores de idade ou outros setores da população desprotegidos.
A existência de relações entre o Estado e a Igreja ou organização religiosa não supõe privilégio para com nenhuma religião, mas sim um reconhecimento do fato religioso como mais um interesse dos cidadãos entre outros interesses. Seria discriminação o Estado ignorar o fato religioso, visto que é um dos assuntos pelos quais os cidadãos manifestam interesse.

A doutrina da Igreja Católica também reconhece o conceito de laicismo conforme se encontra descrito aqui; por isso, muitas vezes é chamado de “laicismo sadio” ou “sadia laicidade do Estado”. Pode ampliar a doutrina da Igreja sobre o laicismo sadio a mensagem do Papa João Paulo II à Conferência Episcopal Francesa pelo centenário da lei de separação entre a Igreja e o Estado.

No entanto, o laicismo também é entendido por outros como uma ausência de relações. Em virtude deste conceito de laicismo, o Estado deve ignorar todas as confissões religiosas. Aqueles que defendem este conceito de laicismo, sustentam que o Estado deve ser proibido de manter relações com a Igreja ou outra organização religiosa. Segundo este conceito, não deve haver capelas nem capelões nos hospitais, quartéis e prisões, nem deve existir colaboração entre as autoridades religiosas e estatais. Esta atitude supõe uma discriminação. Os hospitais públicos e aeroportos costumam a disponibilizar locais para os sindicatos de empregados desenvolverem suas funções. Não se compreende que se negue este mesmo direito às confissões religiosas, especialmente porque a capela não é usada somente pelos empregados, mas também pelos usuários comuns (pacientes ou viajantes).

Esta ausência de relações inclui a falta de colaboração econômica com a Igreja inclusive em assuntos de interesse público como é o caso da conservação do patrimônio artístico. Se é possível negar aportes econômicos às associações e fundações confessionais que contribuem para o bem-estar e desenvolvimento da sociedade apenas pelo fato de serem confessionais, então há uma evidente discriminação religiosa. É injusto negar subvenções de fundos públicos para asilos católicos ou colégios católicos apenas porque são confessionais, sendo que se oferecem subvenções a organizações de fins semelhantes e que estão nas mesmas condições.
Algumas doutrinas laicistas negativas chegam a criticar os Bispos que oferecem indicações aos fiéis em assuntos da atualidade e que tem transfundo religioso, como o aborto, a eutanásia e a homossexualidade. Aqueles que agem assim parecem não perceber que estão negando aos Bispos, pelo mero fato de serem Bispos, um direito tão fundamental como é a liberdade de expressão. O Estado deve garantir a todos os cidadãos o direito de expressar sua opinião em qualquer assunto e isto inclui os cidadão que são Bispos. Seria discriminação por razões religiosas que os Bispos não pudessem expressar a doutrina da Igreja Católica sobre determinados assuntos, ainda que estes sejam de atualidade no debate político.

Ademais, os cidadãos têm o direito de formar a sua opinião sobre os assuntos de interesse político. Para tanto, podem considerar as fontes de opinião que estimem convenientes. Ninguém pode estranhar que, entre elas, se encontre a doutrina da Igreja ou de sua própria confissão religiosa, ou o pronunciamento de um Bispo. Se um cidadão (ou parlamentar ou afiliado de partido) vota consciente conforme suas crenças, o faz porque ouviu os argumentos da sua confissão religiosa e estes o convenceram. Seria discriminação religiosa os cidadãos (ou parlamentares ou afiliados) poderem ler qualquer livro ou revista que os ajudem a formar opinião, exceto os de conteúdo religioso. Também seria grave discriminação que se pedisse aos cidadãos (ou parlamentares ou afiliados) que agissem de modo contrário à sua consciência no momento do voto.

As doutrinas laicistas negativas mais radicais pretendem ainda proibir que hajam símbolos ou manifestações religiosas públicas, como crucifixos e procissões, ou que autoridades públicas participem de cerimônias religiosas como bênçãos de edifícios e Missas. A Declaração Universal dos Direitos do Homem, promulgada pelas Nações Unidas em 1948, garante, em seu artigo 18, a todas as pessoas “a liberdade de manifestar sua religião ou crença, individual ou coletivamente, tanto em público quanto em particular”. Os poderes públicos devem garantir, portanto, o direito dos fiéis de manifestar suas convicções religiosas em público. Os fiéis têm o direito de organizar procissões, colocar cruzes em lugares à vista do público etc. Não seria razoável que se pudessem organizar manifestações políticas nas cidades ou colocar emblemas de partidos políticos ou de sindicatos na rua, negando-se os mesmos direitos aos fiéis só porque são símbolos religiosos.

As autoridades públicas também podem comparecer em eventos religiosos na qualidade de representantes do Estado ou dos Partidos ou outras entidades públicas. Muitas vezes as autoridades públicas comparecem, na qualidade de representantes públicos, em acontecimentos importantes de entidades privadas, como homenagens a personagens políticas ou sindicais, inauguração de fábricas ou empresas, ou aniversários de clubes de futebol. Os cidadãos crentes se sentiriam discriminados se vissem o prefeito comparecer, em caráter oficial, a uma partida de futebol e negasse a comparecer a uma procissão; ou que inaugurasse um shopping center e não fosse à Missa no dia da festa do santo padroeiro.

Fonte: http://www.bibliacatolica.com.br/blog/apologetica/o-que-e-laicismo/#.UNIVfOTAdEw

31 de outubro de 2012

Excelência da Castidade


Ninguém melhor que o Espírito Santo saberá apreciar o valor da castidade. Ora, Ele diz: "Tudo o que se estima não pode ser comparado com uma alma continente" (Ecli 26, 20), isto é, todas as riquezas da terra, todas as honras, todas as dignidades, não lhe são comparáveis. Santo Efrém chama a castidade de "a vida do espírito"; São Pedro Damião, "a rainha das virtudes"; e São Cipriano diz que, por meio dela, se alcançam os triunfos mais esplêndidos. Quem supera o vício contrário à castidade, facilmente triunfará de todos os mais; quem, pelo contrário, se deixa dominar pela impureza, facilmente cairá em muitos outros vícios e far-se-á réu de ódio, injustiça, sacrilégio, etc.

A castidade faz do homem um anjo. "Ó castidade, exclama Santo Efrém (De cast.), tu fazes o homem semelhante aos anjos". Essa comparação é muito acertada, pois os anjos vivem isentos de todos os deleites carnais; eles são puros por natureza; as almas castas, por virtude. "Pelo mérito desta virtude, diz Cassiano (De Coen. Int., 1. 6, c. 6), assemelham-se os homens aos anjos"; e São Bernardo (De mor. et off., ep., c. 3):

"O homem casto difere do anjo não em razão da virtude, mas da bem-aventurança; se a castidade do anjo é mais ditosa, a do homem é mais intrépida". "A castidade torna o homem semelhante ao próprio Deus, que é um puro espírito", afirma São Basílio (De ver. virg.)O Verbo Eterno, vindo a este mundo, escolheu para Sua Mãe uma Virgem, para pai adotivo um virgem, para precursor um virgem, e a São João Evangelista amou com predileção porque era virgem, e, por isso, confiou-lhe Sua santa Mãe, da mesma forma como entrega ao sacerdote, por causa de sua castidade, a santa Igreja e Sua própria Pessoa.

Com toda a razão, pois, exclama o grande doutor da Igreja, Santo Atanásio (De virg.):'Ó santa pureza, és o templo do Espírito Santo, a vida dos Anjos e a coroa dos Santos!". Grande, portanto, é a excelência da castidade; mas também terrível é a guerra que a carne nos declara para no-la roubar. Nossa carne é a arma mais poderosa que possui o demônio para nos escravizar; é, por isso, coisa muito rara sair-se ileso ou mesmo vencedor deste combate. Santo Agostinho diz (Serm. 293): "O combate pela castidade é o mais renhido de todos: ele repete-se cotidianamente, e a vitória é rara". "Quantos infelizes que passaram anos na solidão, exclama São Lourenço Justiniano, em orações, jejuns e mortificações, não se deixaram levar, finalmente, pela concupiscência da carne, abandonaram a vida devota da solidão e perderam, com a castidade, o próprio Deus!" Por isso, todos os que desejam conservar a virtude da castidade devem ter suma cautela: "É impossível que te conserves casto, diz São Carlos Borromeu, se não vigiares continuamente sobre ti mesmo, pois negligência traz consigo mui facilmente a perda da castidade".
 
Tratado da Castidade
Santo Afonso de Ligório


Fonte:



27 de outubro de 2012

Nova Evangelização: os principais pontos para que ela aconteça


Após 22 dias de reflexão, oração e trabalhos orientados pela luz do Espírito Santo, o Sínodo dos Bispos para a Nova Evangelização chega aos últimos momentos com uma mensagem persistente de esperança e confiança no poder da Palavra de Deus e na ação do Espírito Divino. Este foi o balanço que o Bispo da Diocese de Lorena, Dom Benedito Beni do Santos, um dos bispos brasileiros presente no Sínodo, fez do encontro.
Dom Beni, em entrevista à correspondente da TV Canção Nova em Roma, Danusa Rego, descreve um panorama dos principais assuntos do Sínodo, reforçando a necessidade de, a partir de agora, os católicos "arregaçarem as mangas" e trabalharem para que a proposta sinodal aconteça na Igreja.
De acordo com o pensamento do Sínodo, Dom Beni destacou os seguintes pontos:
Investir na família

A palavra Sínodo significa percorrer um novo caminho. Eu creio que este Sínodo está, de fato, abrindo para toda a Igreja o caminho da Nova Evangelização para a transmissão da fé. Então, a Nova Evangelização agora começa a envolver, de fato, toda a Igreja. E, segundo o pensamento do Sínodo, chegou a hora de investirmos na família que, até cronologicamente, deve ser o primeiro lugar para a transmissão da fé.
Investir nas paróquias

Devemos também investir muito nas paróquias para que sejam uma rede de comunidades, sejam cada vez mais missionárias, que elas possam ir ao encontro, não só daqueles que não conhecem a Cristo, mas como foi dito no Sínodo, ir ao encontro daqueles que foram batizados, mas na realidade não frequentam a comunidade. Levam uma vida não ainda dirigida pela fé, pelo Evangelho.
Investir nos movimentos,  novas comunidades e juventude

Chegou a hora de investirmos muito nos movimentos e novas comunidades. Isso foi dito diversas vezes durante o Sínodo e sobretudo investir de um modo novo na juventude. Que deve ser, não só o destinatário da Nova Evangelização, mas sujeito da Nova Evangelização.
Abertura à ação do Espírito Santo

Neste momento, para a Nova Evangelização é necessária também uma confiança renovada no Espírito Santo. Nós vimos no decorrer do Sínodo que a Igreja enfrenta desafios e obstáculos em todas as partes, mas, na força do Espírito Santo esses obstáculos serão vencidos. Chegou o momento de aumentarmos a nossa fé e abrirmos mais os corações à ação do Espírito Divino.
Mensagem do Sínodo

A mensagem final do Sínodo é muito bonita, cheia de esperança e convida toda a Igreja a ter confiança em Deus, na força da Palavra de Deus, erguer a cabeça e, de fato, evangelizar. Creio que um ponto importante dessa mensagem é a confiança que os bispos expressam, de um modo muito especial, na juventude, nos movimentos e nas novas comunidades.

É hora de evangelizar
Creio que chegou a hora de toda a Igreja iniciar, de imediato, este trabalho de evangelizar, sobretudo para aqueles que estão envolvidos pela mentalidade da secularização. No fundo de cada ser humano existe uma saudade de Deus, um desejo de encontro com Deus. Chegou a hora de, através do anuncio do evangelho, despertarmos esse desejo misterioso de Deus que existe no coração de todo ser humano. E, Cristo é a resposta. Só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.

24 de outubro de 2012

Como permanecermos fiéis à missão que nos foi confiada?

“Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ Jesus lhe disse: ‘Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!’” (Jo 20, 28-29).


Nós, que hoje cremos em Jesus Cristo, somos os bem-aventurados, que creram sem ter visto. Somos bem-aventurados, pois recebemos de Deus a revelação do Filho de Deus e o dom da fé, para que, pelo seu Espírito possamos crer na Sua presença viva, que é fundamento da Igreja. Nele toda a Igreja se sustenta, Jesus é o alicerce desta construção, da qual somos pedras vivas. Esta Igreja é conduzida pelo Espírito para levar o Evangelho a toda a criatura, para os confins da Terra.
Como permanecermos fiel a Igreja de Jesus Cristo?
Tomé, que precisou ver o Senhor e tocar suas chagas, é a imagem do discípulo que não persevera na oração com a Virgem Maria. Ele não crê porque, apesar de ter recebido a Boa Nova do próprio Jesus e o dom da fé, não perseverou como outros discípulos. Mas, antes do Pentecostes, Tomé, que teve dificuldades para crer, uniu-se a João e aos outros discípulos, que estavam com a Virgem Maria, unidos em oração. Esta perseverança na oração com Nossa Senhora, juntamente com as demais pedras vivas da Igreja, é o segredo da perseverança na fé e no seguimento de Jesus Cristo (cf. At 1, 13-14).
João é a imagem do discípulo fiel de Jesus, que permaneceu com Ele, ao lado da Virgem Maria, até mesmo nos momentos mais críticos da sua entrega na cruz. Aliás, João foi o único que não abandonou Jesus no momento crucial da sua na sua vida na carne aqui na Terra. Como João, somos chamados a permanecer junto à cruz de Jesus, com a Virgem Maria, perseverantes na oração. Pois, este é o modelo do discípulo fiel, que crê em Jesus Cristo, ainda que a cruz e a morte se mostrem sinais de fracasso, de desilusão.
Nós, cristãos, ainda que o sofrimento e as angústias sejam uma tentação para não acreditarmos na Palavra de Deus, devemos crer que a cruz não é a resposta definitiva. Cristo ressuscitado é o fundamento da nossa fé, ainda que Ele continue a manifestar-se entre nós através do mistério da cruz, do sofrimento. Confiantes que depois da cruz vem a ressurreição, nos unamos também a Mãe de Jesus em oração, para pedir um reavivamento do Espírito e, por Ele fortalecidos, sermos fiéis à missão que o Senhor nos confiou: “Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho” (Mc 16, 15).
Permaneçamos com Jesus Cristo, junto com o discípulo amado e a Virgem Maria, unidos em oração, perseverantes nos sofrimentos, pois a cruz é prenúncio da ressurreição. Por isso, perseveremos na fé e na esperança da vida em plenitude que o Senhor quer para nós. Cristo se faz presente em nós pelo Espírito, que age em nós e produz frutos de vida eterna. Somente conduzidos pelo Espírito é que poderemos realizar a maior obra de caridade possível, que é levar a Palavra de Deus, com eficácia, a todos a quem o Senhor nos enviar.


23 de outubro de 2012

Dom Damasceno destaca papel do leigo para atrair fiéis afastados

Como levar ao mundo a mensagem do Evangelho? Como a Igreja deve responder àqueles que ainda não creem? Em uma sociedade marcada por mudanças culturais e sociais, a saída pode estar na formação de pequenos grupos, que busquem ir atrás das pessoas para evangelizá-las. Para que isto se concretize, o presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno, diz ser necessária uma abertura à atuação do laicato. 

O cardeal arcebispo de Aparecida diz que os religiosos e religiosas também são agentes necessários, mas defende a participação dos leigos. “Porque o padre sozinho não consegue atender a esta demanda da população mais distante da matriz, da sede paroquial propriamente dita”.

Dom Damasceno acredita ser necessário ir ao encontro do povo, sobretudo nas periferias das grandes cidades. Isso tendo em vista que o Brasil e a América Latina, de modo geral, passam por um processo cada vez mais forte de urbanização.

“Então, é claro que as cidades aumentam, crescem e nós muitas vezes não temos um número suficiente de ministros ordenados e muitas vezes também não temos o número suficiente de leigos preparados para atender as necessidades religiosas, espirituais desta população que cresce cada vez mais em nossas cidades”.

Mas como ir ao encontro dessas pessoas? Dom Damasceno acredita que isso pode ser feito por meio da criação de centros de encontro das pessoas que vivem nessas áreas, criar pequenas comunidades, como propõe o documento de Aparecida. 

“Fazer da Igreja uma rede de pequenas comunidades eclesiais, vinculadas à paróquia, à diocese, porque nós devemos sempre promover e estimular uma pastoral orgânica, de conjunto”, explicou  o cardeal arcebispo de Aparecida. 

Fonte : http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=287666

Catecismo da Igreja Católica é instrumento para orientar os fiéis

A Igreja comemora, agora em 2012, os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica! Este momento vem ao encontro do “Ano da Fé”, anunciado e aberto pelo Papa Bento XVI no dia 11 de outubro, que pede a retomada catequética juntamente com uma vida de sincera conversão. Torna-se oportuno aproveitar estas comemorações para recordar os fundamentos da nossa fé e os valores que os sacramentos imprimem em nossa vida.

Neste tempo de tantas possibilidades e ofertas, não podemos nos esquecer de que precisamos voltar nosso olhar e interesse pelas coisas de Deus. Por isso, torna-se mais do que necessário retomar a leitura da publicação do Catecismo da Igreja Católica, aprovado a partir da “Fidei Depositum”, (11 de outubro de 1992, do Beato João Paulo II) atualizado após o Concílio Ecumênico Vaticano II.

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Guardar o depósito da fé é a missão que Jesus Cristo deixou como legado à sua Igreja. Este legado a acompanha em todos os tempos. Nós, seguidores de Cristo, estamos inseridos neste tempo e somos responsáveis pela missão. Portanto, hoje, novamente se faz necessário reconhecer seus ensinamentos e comunicá-los aos que ainda Nele não creem. Nisto acontece o resplendor do anúncio do Evangelho!

Celebrar este aniversário é rememorar os valores da nossa vida cristã e a nossa fidelidade a Cristo. Recordando nosso olhar para a vida do homem nós conseguimos reconhecer a Deus. Enquanto homens que nos identificamos com Ele, vivemos e transmitimos a fé. Daí a importância da nossa catequese.

O Catecismo da Igreja Católica é um instrumento para orientar todos os fiéis no caminho de Cristo, que, consequentemente, os leva no caminho ao encontro com os irmãos.

Deve-se reconhecer que o Catecismo é denso, refletindo em toda a primeira parte a “Profissão de fé” do batizado. Há ali uma reciprocidade entre a revelação de Deus para o homem e a resposta humana de fidelidade. Ali se dá também a articulação dos “três capítulos”: a fé na Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.

Já em seguida se estuda como se dá a ação de Deus (para manifestar a Salvação) na realização das obras de Jesus Cristo e da ação do Espírito Santo, também hoje pronunciadas e manifestadas nas liturgias que são celebradas. Por isso, a liturgia é o pedestal da vivência dos Sacramentos da Fé.

São “bem-aventurados” os que se identificam numa ação livre e despojada, munidos pela fé e graça de Deus, em favor dos pobres e descrentes. Aí se manifesta a caridade, que acontece a partir dos Mandamentos de Deus.

Porém, toda a ação do cristão, mesmo fundamentada na catequese, se torna fraca se não for alimentada pela oração. Daí a importância da oração contínua na vida de fé. O Catecismo da Igreja Católica foi assim pensado para condensar a doutrina e os valores da fé católica. Em sua linguagem encontramos inúmeras referências bíblicas. Algumas não são citadas, mas o estudo e a reflexão apresentados vêm ao encontro do que Jesus ensinou aos seus discípulos e às multidões que O seguiam, presentes na Sagrada Escritura. Os Evangelhos registram o que Jesus falou e fez em favor dos que querem seguir e estar com Deus. Este “estar com Deus” se inicia no aqui e agora toda vez que vivemos plenamente os valores por Ele ensinados.

O “Ano da Fé” nos aproxima oportunamente a reler o Catecismo da Igreja Católica para sermos mais santos, fraternos e humanos. Deus abençoe a todos na recuperação do estudo do Catecismo da Igreja Católica!

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro


Fonte : http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=287662

22 de outubro de 2012

O que é e o que não é santidade


Mais do que mirabolantes façanhas místicas ou heroísmos de faquir, a santidade consiste numa correspondência de amor. Trata-se de descobrir a presença de Deus em tudo, dando-lhe glória através das mais corriqueiras realidades do dia a dia
Se alguém pensa que santidade pessoal significa ter o nome no topo de um ranking, está enganado. Se pensa que é algo que dá direito a ter uma data comemorativa no calendário da Igreja, está enganado. Se pensa que é algo que traz consigo o poder de fazer milagres, está enganado. Se pensa que é ter o olhar embevecido, num estado de piedoso contentamento (ou de doce êxtase, ou de nobre e virtuosa distração), está enganado. Santidade não tem nada a ver com estar acima dos outros, como que pairando sobre eles.
O melhor é pensar na santidade como a atitude de quem, sendo generoso e fiel à graça, devolve a Deus o amor que Ele lhe depositou na alma. Por isso, se podemos querer ser santos, é mais por causa de Deus do que por iniciativa própria. Não buscamos a santidade por sermos ambiciosos nem por querermos subir numa espécie de carreira fantástica, mas porque Deus quer-nos santos e nós o louvamos quando lutamos para alcançar a santidade.
Qualquer um pode ser santo – ou melhor, fingir que é santo – e ouvir elogios das pessoas: “Nossa, como você é um santo”. Cedo ou tarde, porém, essa santidade acaba dando em nada. Ou a pessoa percebe a armadilha em que caiu, faz-se humilde, e tenta encaminhar-se para uma santidade real, ou então o esforço por manter as aparências torna-se insustentável, provocando uma reação que a faz voltar-se para o mundanismo e talvez até para um estado final de maldade. Todo o segredo da santidade está em que ela depende da graça e por isso nunca pode ser considerada um simples papel a representar.
Isso significa que mesmo que você esteja decidido a ser santo, não o será se confiar só na sua força de vontade. A única coisa que pode levá-lo à santidade é a graça de Deus. Você precisará de toda a sua força de vontade para trabalhar junto com a graça de Deus, mas não imagine que para chegar ao final do caminho basta tomar umas resoluções suficientemente firmes. Deus permitirá que você falhe em cumprir alguns dos seus melhores propósitos antes mesmo de começar a caminhada, para que você se ponha no seu devido lugar e veja que nada pode fazer sem Ele.
Estando humildemente convencido de que sozinho não se pode cumprir nem mesmo aquilo que mais se quer, você estará então pronto para ser um instrumento de Deus. Primeiro você vai ser amaciado como um bife. Quando toda a altivez, todo o orgulho e todas as idealizações da santidade tiverem sido arrancados pela ação da verdade, e você tiver os pés no chão, Deus terá matéria com que trabalhar. Sem falsas noções e sem projetos fantasiosos, você começa a perceber o que é a verdadeira santidade e quais são os planos que Deus tem em mente a seu respeito.
A razão disso é que Deus não está premiando o trabalho de outrem, mas o dEle próprio. Não se pode esperar que Ele reconheça uma santidade para a qual não tenha contribuído. A única perfeição, a única santidade é a de Deus. Deus permite que o homem invente a sua própria idéia de santidade. Mas Deus não o ajuda a realizá-la simplesmente porque ela não existe; é uma perda de tempo. É como procurar a luz do luar numa noite sem Lua. Quando você percebe que a luz do luar emana de um determinado lugar, e que só existe nele, já terá aprendido alguma coisa.
A SANTIDADE É INDIVIDUAL
Outra coisa a respeito da santidade que é preciso ter em conta desde o início é que ela não segue nenhum padrão pré definido: será a que Deus queira, e como você não é exatamente igual a nenhum outro, sua santidade não será exatamente igual a nenhuma outra. O modelo de todos os santos é Nosso Senhor e somente procurando imitá-lo é que se pode ir a alguma parte no caminho da santidade. Mas isso não significa que todos os que o sigam terminarão sendo iguais: Nosso Senhor dirige a cada um de nós um chamado específico, e cada um responde à sua maneira.
Se pedirmos um quadro da Crucifixão a vinte artistas diferentes, teremos em todos a mesma cena, mas em vinte maneiras distintas. Haverá vinte pinturas diferentes. É assim que Deus quer que lhe respondamos: cada um do seu jeito. Seria uma tolice que um dos artistas se dedicasse a copiar exatamente o que seu vizinho estivesse pintando, da mesma forma seria uma tolice um seguidor de Cristo dedicar-se a copiar exatamente a santidade particular de um outro. O que deve fazer, já desde o início, é concentrar-se em seguir a Cristo.
Considerar o modo como outros seguiram Nosso Senhor pode ser uma ótima ajuda, assim como ver como os outros pintam, mas Cristo – que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6)– quer que você dê algo seu, pessoal, algo que não seja simplesmente uma cópia. Os santos fazem obras primas por serem parecidos com Cristo, não por serem parecidos com os outros. Imitemos, sem dúvida, o modo de caminhar dos santos, mas de modo algum copiemos os resultados. Deus quer um retrato original: não uma falsificação.
O QUE FAZEM OS SANTOS
Pois bem, mas o que é que os santos fazem para chegar à santidade? Duas coisas. Por um lado, ficam longe de tudo o que os impede de entrar pelos caminhos da graça e, por outro, dirigem-se diretamente para Deus. Mas fazem tudo isso pela glória de Deus, não por algum proveito que possam obter. Eles são os que “buscam antes o reino de Deus” – mais pelo Rei do que por eles próprios – e estão dispostos a esperar o tempo que Deus quiser até o dia em que “todo o resto lhes será dado por acréscimo” (cfr. Mt 6, 33).
Os santos, portanto, não tratam de fazer coisas especialmente santas (como ferozes penitências, passar noites inteiras ajoelhados, milagres, profecias, êxtases na oração); tratam de fazer tudo de um modo especialmente santo: exatamente do modo como Deus quer que o façam. Para eles, a única coisa do mundo que importa é a vontade de Deus. Sabem que cumprindo a vontade de Deus estarão imitando Nosso Senhor, manifestando a caridade e sendo fiéis ao que há de melhor em si mesmos.
Tudo isso pode ser um grande estímulo para nós, pois mostra que o nosso serviço a Deus não depende de como nos sentimos, mas de como Deus olha para o que fazemos; não depende de que os nossos atos pareçam heróicos, mas da nossa disposição em deixar que Deus tire heroísmo de nós; não depende de que conquistemos à nossa maneira uma meta que nos faça merecedores do título de “santo”, mas de que sigamos com total confiança o rumo marcado pela vontade de Deus.
A santidade – como tudo na vida – deve ser encarada do ponto de vista de Deus, e não do ponto de vista do homem. Viemos de Deus. Existimos por Ele. A nossa santidade também deve vir dEle e existir para Ele. Cremos que a finalidade do homem, da vida, da Criação, de tudo, é a glória de Deus. Mas o que isso significa para nós? O que é “glória” afinal?
Santo Agostinho diz que a glória é um “claro conhecimento, unido ao louvor”. De fato, mais do que simplesmente explicar o que a glória é, essa expressão nos diz o que temos que fazer em relação a ela: a maneira de dar glória. Louvar a Deus na oração é dar-lhe glória; servir ao próximo na caridade, também. Querer seguir a Cristo é dar-lhe glória; desejar cumprir a vontade de Deus é dar-lhe glória. De forma que o ponto central da santidade é que ela dá glória a Deus.
Cristo Nosso Senhor, que é a Santidade em pessoa, mostrou-nos como deu glória ao Pai durante a sua vida terrena: Eu glorifiquei-te na Terra, consumando a obra que Me deste a fazer (Jo 17, 4). Que obra era essa? Muito simples: a vontade do Pai. É claro que isso implicou fazer muitas coisas específicas – como pregar, fazer milagres, fundar a Igreja, sofrer a Paixão –, mas todas se resumem no cumprimento fiel da vontade do Pai. Quando, próximo do fim, Jesus disse na Cruz:Tudo está consumado (Jo 19, 30), não estava querendo dizer que a sua vida chegava ao fim, mas que a obra que o Pai tinha-lhe encomendado, a tarefa de cumprir em tudo a divina vontade, estava agora perfeitamente concluída e já não restava mais nada por fazer.
O QUE NÓS DEVEMOS FAZER
Fazendo-se obediente – até à morte – à vontade do Pai, Cristo deu-nos uma lição sobre a glória. Sua obediência no dia-a-dia, em coisas que ninguém notou exceto sua Mãe e os seus amigos mais próximos, deu tanta glória ao Pai quanto os seus muitos milagres, orações e ensinamentos. Agora, como cristãos, o nosso principal dever é reviver a vida de Cristo neste nosso mundo, mas não realizando as grandes ações de Cristo e sim as pequenas. Assim como as pequenas coisas que Jesus fez não eram pequenas aos olhos do Pai – porque estavam sendo perfeitamente cumpridas pelo Filho –, também as pequenas coisas que façamos não serão pequenas para o Pai porque nós, junto com o Seu Filho, estaremos tentando cumpri las perfeitamente.
Um dever bem simples e corriqueiro, como escrever uma carta de agradecimento ou levantar pontualmente de manhã, pode dar grande glória a Deus: é a resposta que damos ao que Ele nos pede. A pequenez da tarefa é engrandecida por participar da obediência de Cristo. Da ponta da caneta (se estamos escrevendo a tal carta) a glória flui até Deus; o esforço por sair da cama (se o nosso dever é levantar-nos pontualmente) produz um efeito imediato de glória de Deus. Em cada instante do dia, ao fazer o que temos de fazer por ser essa a vontade de Deus, lidamos com a glória.
Basta soprar de volta a Deus o ar da sua glória que inspiramos e chegaremos a santidade. Assim como os peixes nadam no mar e os pássaros voam pelo ar, nós nos movemos no que conviria chamar de “espaço de glória”. Não é como se tivéssemos de ir a outro planeta para achar a santidade e dar glória a Deus, ou mesmo mudar de posição neste nosso (se for, é claro, o lugar onde Deus quer que estejamos). Deus está presente em toda parte, e tudo o que temos de fazer é viver e louvá-lo, seja onde for.
Deus é glorificado por toda a sua Criação e não somente pelos seres humanos, que podem usar as suas mentes para expressar em palavras o seu louvor. A Natureza louva-o porque dEle recebe a sua existência e porque funciona de acordo com as leis por Ele estabelecidas. É fácil ver que um pôr-do-sol, uma rosa, ou um cume nevado dão glória a Deus, porque refletem algo da Beleza divina; mas também as coisas grosseiras, como uma pedra, um repolho ou a chuva, dão glória a Deus. Subindo um degrau acima, não temos muita dificuldade em ver que dão glória a Deus os pintinhos, os cachorrinhos ou os filhotes recém-nascidos de urso polar que se vêem no zoológico, porque essas criaturas são adoráveis e muito simpáticas; mas também as cobras, os sapos e os ratos dão-lhe glória. Cada um dos elementos da Criação divina, tomado isoladamente, dá glória a Deus por existir conforme o tipo de existência que Deus quis que tivesse.
Essa idéia de que tudo traz em si um certo fulgor divino – como aquelas ondas de calor provocadas pelo sol na superfície da água – parece evidente quando nos damos ao trabalho de pensar nisso. Para os santos, essa visão da Criação é algo já consolidado em suas mentes. Os objetos exteriores são vistos e amados como seres que refletem Aquele que os fez. Isso é o que São Paulo dizia quando afirmava que os seres visíveis estão aí para levar-nos ao conhecimento do Criador invisível. É por isso que São Francisco de Assis chamava as coisas naturais como o céu, o sol e a lua, de irmão ou irmã: todos eles são da família, todos têm os traços do Pai.
Imagine a diferença que faria em sua vida se em todo lugar você enxergasse à sua volta placas de sinalização indicando a presença de Deus. Não somente a Natureza e os seres humanos anunciariam a glória de Deus, mas até os acontecimentos de todos os dias e de todas as horas você os acolheria como manifestações da vontade de Deus. Isso o levaria a mostrar-se agradecido pelas coisas agradáveis que acontecem, e a aceitar as coisas desagradáveis como ocasiões para poder participar da Paixão de Cristo. Ou seja: você poderia viver o resto dos seus dias sob aquilo que Santo Agostinho chamava de céu estrelado da vontade de Deus.
Isso é o que a santidade faz. Primeiro glorifica a Deus, fonte de tudo o que é santo; e depois faz-nos descobrir mais e mais material com que expressar essa glória.
Enquanto alguns só vêem em suas obrigações deveres aborrecidos que é preciso cumprir de qualquer jeito, o santo enxerga maravilhosas oportunidades.
Para aqueles, parece haver poucos sinais do amor de Deus neste mundo tão injusto e conturbado; para o santo, pelo contrário, há sinais do amor divino por toda parte, inclusive na confusão e nas desilusões.
Para aqueles, existem apenas pessoas: umas boas e outras detestáveis; para o santo, existem almas: todas elas de algum modo amáveis e todas refletindo o amor de Deus.
Para aqueles, existem certas urgências e necessidades que devem causar-nos preocupação; para o santo, nada nos deve preocupar, pois todas as urgências e necessidades estão sob os cuidados de Deus.
Aqueles temem muitas espécies de males; o santo só teme um único mal: o pecado.
Fonte: Catholic Answers
Tradução: Quadrante

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