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16 de junho de 2013

Gaste tempo com o amor

Blog Evangelizando!

Durante todo esse dia ouviremos sobre o nosso amor para com Deus e com as pessoas. Vou falar a você sobre esse amor que não é um “lucro de retorno imediato”.

Vivemos numa sociedade imediatista. Queremos tudo “para ontem”! Queremos tudo de uma forma imediata. Mas com o amor não é assim...

Qual é o maior medo que o homem traz em seu coração? Você sabe? Segundo a Teologia do Corpo, de João Paulo II, o maior medo do homem consiste em ser rejeitado e desprezado.

E dentro do coração da mulher? Você sabe? Sim ou não? Segundo a Teologia do Corpo, o maior medo no coração da mulher é o de ser abandonada e usada.

Quantas mulheres vivem este terrível drama ao serem abandonadas pelos seus esposos! Até mesmo para aquelas mulheres que estão com seu cônjuge ao lado... Quantas se sentem usadas pelos seus maridos após o ato sexual. Não é verdade? E tudo o que elas queriam, após a relação sexual, era de um carinhoso abraço do seu esposo...

E estes dois medos – o do homem e o da mulher – trazem profundas marcas no coração humano. Muitos de nós trazemos terríveis machucaduras pelas experiências afetivas que fomos vivendo. Hoje o Senhor quer curar nossas feridas. E usar dessas experiências para que, a partir delas, você possa fazer o maravilhoso encontro com esse Amor de verdade.

Deus, com o Seu amor, quer nos curar. Pois quanto mais formos curados por Deus, tanto mais teremos condições de entrarmos num relacionamento afetivo de forma madura e consciente.

Todos nós, sem exceção, queremos amar e ser amados. Todo ser humano grita: “Eu quero ser amado!” e também “Eu quero amar!”. Mas precisamos entender esse amor. Deus nos fez para o amor. Nos debruçando no livro do Gênesis, percebemos isso com clareza. Fomos criados para amar e ser amados.

Hoje se fala em “amor líquido”. E o líquido é bem diferente do sólido! Não é verdade? Veja: vivemos numa sociedade dentro de uma chamada “modernidade líquida”, onde as notícias são divulgadas à exaustão e, muitas vezes, não são sequer apuradas a fundo, e depois se descobre que tudo não passava de uma mentira...

O mesmo acontece com o amor dentro desta nova mentalidade. Ele não tem solidez! O amor apenas flui... E vai se deixando levar pelas circunstâncias, ou seja, hoje eu amo, e amanhã já não amo mais por essa ou por aquela dificuldade.

A Palavra de Deus nos revela a manifestação do amor de Cristo por nós na cruz. Ele morreu por nós livremente. Vamos aprender com Jesus a amar de verdade!


O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que amar é a livre entrega do coração. Com Jesus aprendemos que nosso amor precisa ser livre. Não se trata de uma escravidão, meus irmãos! E o amor de Jesus é fiel. Ele nos “amou até o fim”. E o que fazemos? Ficamos admirando essas músicas que falam de “poderosas” e por aí vai! Gostamos de ouvir essas letras que falam que “eu gosto de brincar com você etc”. Esse é o amor de Jesus? Não, meus irmãos! Jesus não brincou conosco e nem com nossos sentimentos.

"Com Jesus aprendemos um amor livre, total, fiel e fecundo", 
afirma Fernanda Soares durante sua pregação

Com Jesus aprendemos um amor livre, total, fiel e fecundo. E não esse amor líquido, esse amor que imaginamos ser um lucro de amor imediato. Não! O amor é um loooooooongo processo.

Beata Teresa de Calcutá nos ensina que o verdadeiro amor dói. O amor é decisão! Mas, infelizmente, somos muito egoístas. Queremos nos preencher a qualquer custo com amor, mesmo que ele seja um amor líquido ao invés de um amor sólido.

Deus nos chama: “Venha viver no Meu amor!” Mas o que respondemos a Ele? “Ah, hoje não!” “Ah, isso é muito chato!” Então, o que Deus faz? Ele coloca alguém em nossa vida para nos atrair a Ele. O seu namoro é isso! Você foi atraído por aquele jovem (ou por aquela jovem) naquele Grupo de Jovens. Lembra disso? E começaram a namorar. Que bom! Mas entenda: seu namoro é o meio que Deus se utilizou para levar a pessoa amada à santidade. É para fazer ele(a) feliz! Não se trata de ficar num “sentimentalismo”. Pois sentimento “dá e passa”! Compreende? O seu namoro é parte de um lindo processo de doação e crescimento.

Na minha história, eu precisei ficar sete anos sem namorar. E aprendi muita coisa nesse tempo. Aprendi com Deus, com meus pais e com minha comunidade. Aprendi a gastar tempo comigo mesmo e a me reconciliar com minha história. Fui me encarando sem medo de fugir daquilo que era a minha história de vida. Afinal, a gente pode fugir de todo mundo. No entanto, jamais conseguiremos fugir de nós mesmos...

Fui sendo lapidada nesse tempo. O amor dói! Lembra-se? E fui sendo transformada por Jesus nesse período. As pessoas que conviveram comigo, na época do meu encontro pessoal com Deus, hoje dizem para mim: “Fernanda, como você mudou!” E eu sei que isso é verdade. Meus irmãos, precisamos ser instrumentos do amor de Deus.

Depois de sete anos sem namorar, de sete anos de purificação e lapidação, hoje faz nove meses que namoro com o Guilherme Zaparolli (membro da Comunidade Canção Nova). E ele, além de ser meu namorado, é meu melhor amigo. Conversamos por horas e horas. Nos deixamos conhecer pela nossa partilha de vida. O Guilherme conhece a minha história. Eu não me escondo no relacionamento com meu namorado. Eu e o Guilherme sabemos que não podemos amar “pela metade”. Precisamos gastar tempo em amar e ser amados.

Quando amamos de verdade, também somos livres de verdade. A grandeza do amor está em sua gratuidade. Sejamos sinais do amor de Deus uns para os outros. 


Transcrição e adaptação: Alexandre Oliveira (@alexandrecn) 

Fernanda Soares 
Membro da Comunidade Canção Nova

Fonte e Fotos: Canção Nova

Homilia do Papa – Dia do Evangelho da Vida 16/06/2013

Blog Evangelizando!

Íntegra
Domingo, 16 de Junho


HOMILIA
Santa Missa por ocasião do Dia do Evangelho da Vida
Praça São Pedro
Domingo, 16 de junho de 2013

Boletim da Santa Sé
Amados irmãos e irmãs!
Esta celebração tem um nome muito belo: Evangelho da Vida. Com esta Eucaristia, no Ano da Fé, queremos agradecer ao Senhor pelo dom da vida, em todas as suas manifestações, e ao mesmo tempo queremos anunciar o Evangelho da Vida.
Partindo da Palavra de Deus que escutamos, gostaria de vos propor simplesmente três pontos de meditação para a nossa fé: primeiro, a Bíblia revela-nos o Deus Vivo, o Deus que é Vida e fonte da vida; segundo, Jesus Cristo dá a vida e o Espírito Santo mantém-nos na vida; terceiro, seguir o caminho de Deus leva à vida, ao passo que seguir os ídolos leva à morte.
1. A primeira leitura, tirada do Segundo Livro de Samuel, fala-nos de vida e de morte. O rei David quer esconder o adultério cometido com a esposa de Urias, o hitita, um soldado do seu exército, e, para o conseguir, manda colocar Urias na linha da frente para ser morto em batalha. A Bíblia mostra-nos o drama humano em toda a sua realidade, o bem e o mal, as paixões, o pecado e as suas consequências. Quando o homem quer afirmar-se a si mesmo, fechando-se no seu egoísmo e colocando-se no lugar de Deus, acaba por semear a morte. Exemplo disto mesmo é o adultério do rei David. E o egoísmo leva à mentira, pela qual se procura enganar a si mesmo e ao próximo. Mas, a Deus, não se pode enganar, e ouvimos as palavras que o profeta disse a David: Tu praticaste o mal aos olhos do Senhor (cf. 2 Sam 12, 9). O rei vê-se confrontado com as suas obras de morte – na verdade o que ele fez é uma obra de morte, não de vida! –, compreende e pede perdão: “Pequei contra o Senhor” (v. 13); e Deus misericordioso, que quer a vida e sempre nos perdoa, perdoa-lhe, devolve-lhe a vida; diz-lhe o profeta: “O Senhor perdoou o teu pecado. Não morrerás”.
Que imagem temos de Deus? Quem sabe se nos aparece como um juiz severo, como alguém que limita a nossa liberdade de viver?! Mas toda a Escritura nos lembra que Deus é o Vivente, aquele que dá a vida e indica o caminho da vida plena. Penso no início do Livro do Gênesis: Deus plasma o homem com o pó da terra, insufla nas suas narinas um sopro de vida e o homem torna-se um ser vivente (cf. 2, 7). Deus é a fonte da vida; é devido ao seu sopro que o homem tem vida, e é o seu sopro que sustenta o caminho da nossa existência terrena. Penso também na vocação de Moisés, quando o Senhor Se apresenta como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, como o Deus dos viventes; e, quando enviou Moisés ao Faraó para libertar o seu povo, revela o seu nome: “Eu sou aquele que sou”, o Deus que Se torna presente na história, que liberta da escravidão, da morte e traz vida ao povo, porque é o Vivente. Penso também no dom dos Dez Mandamentos: uma estrada que Deus nos indica para uma vida verdadeiramente livre, para uma vida plena; não são um hino ao “não” – não deves fazer isto, não deves fazer aquilo, não deves fazer aquilo outro… Não! – São um hino ao “sim” dito a Deus, ao Amor, à vida. Queridos amigos, a nossa vida só é plena em Deus, porque só Ele é o Vivente!
2. A passagem do Evangelho de hoje permite-nos avançar mais um passo. Jesus encontra uma mulher pecadora durante um almoço em casa de um fariseu, suscitando o escândalo dos presentes: Jesus deixa-Se tocar por uma pecadora e até lhe perdoa os pecados, dizendo: “São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa, pouco ama” (Lc 7, 47). Jesus é a encarnação do Deus Vivo, Aquele que traz a vida fazendo frente a tantas obras de morte, fazendo frente ao pecado, ao egoísmo, ao fechamento em si mesmo. Jesus acolhe, ama, levanta, encoraja, perdoa e dá novamente a força de caminhar, devolve a vida. Ao longo do Evangelho, vemos como Jesus, por gestos e palavras, traz a vida de Deus que transforma. É a experiência da mulher que unge com perfume os pés do Senhor: sente-se compreendida, amada, e responde com um gesto de amor, deixa-se tocar pela misericórdia de Deus e obtém o perdão, começa uma vida nova. Deus, o Vivente, é misericordioso. Estais de acordo? Digamo-lo juntos: Deus, o Vivente, é misericordioso! Todos: Deus, o Vivente, é misericordioso. Outra vez: Deus, o Vivente, é misericordioso!
Esta foi também a experiência do apóstolo Paulo, como ouvimos na segunda leitura: “A vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim” (Gl 2, 20). E que vida é esta? É a própria vida de Deus. E quem nos introduz nesta vida? É o Espírito Santo, dom de Cristo ressuscitado; é Ele que nos introduz na vida divina como verdadeiros filhos de Deus, como filhos no Filho Unigênito, Jesus Cristo. Estamos nós abertos ao Espírito Santo? Deixamo-nos guiar por Ele? O cristão é um homem espiritual, mas isto não significa que seja uma pessoa que vive “nas nuvens”, fora da realidade, como se fosse um fantasma. Não! O cristão é uma pessoa que pensa e age de acordo com Deus na vida cotidiana, uma pessoa que deixa que a sua vida seja animada, nutrida pelo Espírito Santo, para ser plena, vida de verdadeiros filhos. E isto significa realismo e fecundidade. Quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo é realista, sabe medir e avaliar a realidade, e também é fecundo: a sua vida gera vida em redor.
3. Deus é o Vivente, é o Misericordioso. Jesus traz-nos a vida de Deus, o Espírito Santo introduz-nos e mantém-nos na relação vital de verdadeiros filhos de Deus. Muitas vezes, porém – sabemo-lo por experiência –, o homem não escolhe a vida, não acolhe o “Evangelho da vida”, mas deixa-se guiar por ideologias e lógicas que põem obstáculos à vida, que não a respeitam, porque são ditadas pelo egoísmo, o interesse pessoal, o lucro, o poder, o prazer, e não são ditadas pelo amor, a busca do bem do outro. É a persistente ilusão de querer construir a cidade do homem sem Deus, sem a vida e o amor de Deus: uma nova Torre de Babel; é pensar que a rejeição de Deus, da mensagem de Cristo, do Evangelho da Vida leve à liberdade, à plena realização do homem. Resultado: o Deus Vivo acaba substituído por ídolos humanos e passageiros, que oferecem o arrebatamento de um momento de liberdade, mas no fim são portadores de novas escravidões e de morte. O Salmista diz na sua sabedoria: “Os mandamentos do Senhor são retos, alegram o coração; os preceitos do Senhor são claros, iluminam os olhos” (Sal 19, 9). Recordemo-nos sempre disto: O Senhor é o Vivente, é misericordioso. O Senhor é o Vivente, é misericordioso.
Amados irmãos e irmãs, consideremos Deus como o Deus da vida, consideremos a sua lei, a mensagem do Evangelho como um caminho de liberdade e vida. O Deus Vivo faz-nos livres! Digamos sim ao amor e não ao egoísmo, digamos sim à vida e não à morte, digamos sim à liberdade e não à escravidão dos numerosos ídolos do nosso tempo; numa palavra, digamos sim a Deus, que é amor, vida e liberdade, e jamais desilude (cf. 1 Jo 4, 8; Jo 8, 32; 11, 2), digamos sim a Deus que é o Vivente e o Misericordioso. Só nos salva a fé no Deus Vivo; no Deus que, em Jesus Cristo, nos concedeu a sua vida com o dom do Espírito Santo , nos faz viver como verdadeiros filhos de Deus com a sua misericórdia. Esta fé torna-nos livres e felizes. Peçamos a Maria, Mãe da Vida, que nos ajude a acolher e testemunhar sempre o “Evangelho da Vida”. Assim seja.
Fonte: Canção Nova - Papa

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